ORDISI RALUZ
     
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O que é isto?
 


From Hornby, British Columbia

 

Como Cozinhar Seus Ovos Escrotais

 

1.   Pegue-se uma viagem de negócios ao Canadá, explicitamente, a Vancouver. Não tem porra nenhuma de vôo direto. Pode-se ir ou por Toronto, ou por Los Angeles, ou por Salt Lake City, ou pela PQP.

 

2.   Chegue-se por lá, após trinta horas de viagem, torrado, exaurido, numa quarta-feira chuvosa e que não seja de Cinzas (porque Carnaval é por aqui mesmo, né?).

 

3.   Faça-se, safadamente, com que um fim-de-semana caia entre a reunião da quinta-feira após a chegada e a reunião da próxima terça-feira antes da partida (Trivial, certo?).

 

4.   Convença-se aos patrocinadores, espertamente, de que o fim de semana prolongado, à la Brasil, não vai estar custando um tostão extra. Afinal, vai-se estar com amigos e não no Hotel.

 

5.   Diga-se aos amigos, despudoradamente, de que se está fazendo de tudo para conhecer a casa da Ilha. Pois não foram eles que, há uns dois anos, mandaram a orgulhosa e impertinente foto num e-mail? Ora, venderam o peixe!

 

6.   Convença-se aos amigos que também estar-se-á todos os dias da folga por conta deles. Afinal, empresas não oferecem mordomias assim aos seus pares. Amigo que é amigo paga. Paga, chora e um dia tira a forra.

 

7.   Verifica-se que, em apenas cinco horas, andando com um carro e três balsas (a primeira delas quase um navio), chega-se à Ilha de Hornby (acima de Nanaimo, no canal entre Vancouver Island e o continente).

 

8.   Faça-se com que a chuva da hora da chegada dê lugar a um lindo sol de outono (sem sombra de dúvida esta a parte mais difícil: tem-se que usar o canal diplomático com Saint Peter) e que então tudo fique parecendo o paraíso, tão linda é a paisagem. 

 

9.   Berre-se com a temperatura de quarenta graus do enorme Hot Tub (Ofurô, Piscineta de Água Pelando), a turma toda dentro fazendo zoeira, cozinhando os ovos escrotais e bebendo uísque on the - melted - rocks.

 

10.Poste-se tudo no Psichê, sirva-se numa bandeja com alguma bebida que preste e confira-se se a receita conquista algum seguidor tão maluco como você.

 

Have a nice trip!

 

To R and C, the couple of dear friends who had taken me for that unforgettable journey to Hornby last week. Hope to see you soon. At Hornby Island, OK?

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 19h31
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From Vancouver

Grapes and Cheese

Estou em Vancouver fazendo uns trabalhinhos.

Ontem me serviram umas uvas vermelhas, pequeninas, sem caroco (leiam carosso, please), dulcissimas, acompanhadas de fatias muito finas de queijo chedar light.

Uma delicia, porem com uma duvida: isso eh um prato fino ou brega? Uvas com queijo? Alguem jah comeu?

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 12h31
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Sextória #1

Tesão

O mais incrível desta estória é que ela é verídica. Acredite quem quiser, duvide se quiser, mas aconteceu assim.

 

Eu peguei o ônibus em frente ao Peg-Pag, ainda com uns poucos lugares livres. As janelas, já estavam todas ocupadas. Tinha um lugar do lado direito, mais à frente no corredor, perto da saída.

 

Sentei-me e comecei a passar os olhos pelo livro. Era um livro didático, com um nome pomposo, “Advanced Calculus”: eu acho que tinha prova naquele dia.

 

O ônibus foi pegando mais e mais passageiros. Logo estava lotado. E superlotado, apinhado, as pessoas se apertando, comprimindo-se ao máximo.

 

De pé ao meu lado, uma garota bem bonitinha, que já vinha encostando-se no banco, começa a se inclinar para ver lá fora. A cada movimento, de amplitude crescente, seu cabelo roça em mim. Logo, o seu seio direito também entra na parada.

 

O livro de cálculo tinha capa dura e foi de grande utilidade para que não me vissem as calças, com o dito cujo dando verdadeiros saltos ornamentais, preso lá dentro!

 

Que loucura! Mas não terminou ainda!

 

Mais uns quarteirões e a doçura entreabre as coxas de leve (que macias!), encaixando a dita cuja dela no meu ombro esquerdo. Você já teve tesão de ombro? Não sabe o que está perdendo. Você já fez alguma garota gozar no seu ombro? Pois experimente!

 

Imagine a cena, no ônibus lotado. A despudorada só faltava gemer. Mexia pra cá e pra lá. Abaixava olhando para fora e apertava seus seios em mim. Eu estava para explodir, quando ela explodiu. Senti no meu ombro! A desgraçada gozou encaixada no meu ombro!

 

Passei um torpedo para ela e, desajeitadamente, desci no meu ponto.

 

Epílogo? Foi melhor com ela calada no ônibus do que falando no carro...

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h15
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Alterego

   PQP

  

     -         Ordisi, Ordisi !

-         Ôi, Alterego, q-u-a-n-t-a-s saudades !

-         Deixa de história, Ordisi, você...

-         Eu?...

-         V-v-você não terminou a estória da Leca na fábrica e...

-         E?...

-         Escreveu essa meleca metida aí abaixo que...

-         OUÇA, ALTEREGO !

-         Se você parar de gritar eu ouço, senão, tchau.

-         Fique aí e entenda. O Teimoso era o primeiro capítulo da série da Leca. Da "Morada Definitiva", nem um, nem um mísero comentário foi recebido.

-         Humm, e daí?

-         Daí que não há vivalma, não há blogonauta, não há bloguero que tenha se interessado. Não deu ibope...

-         Humm, e daí, desde quando você quer ter audiência?

-         Desde que você me abandonou, Alterego. Vou provar que minhas tão mal traçadas linhas são capazes de comover alguém.

-         Então, Ordisi, prossiga com suas loucuras. Você leu o C*r*lho do post do Branco Leone?

-         Claro, Alterego, está do k*c*t* !

-         Então por que você não enche o Psichê de palavrões? Vai vir um monte de tarados com Bloguite, com Blogose, e Blogomas terminais dar hits no Psichê, né?

-         SOME DAQUI, ALTEREGO ! VÁ PRÁ P*TA QUE TE P*RIU !



 Escrito por Ordisi Raluz às 22h08
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Lhufas Poéticas

Paisagem

O sol estava se pondo.

O verde das montanhas se degradava com o afastamento para os pontos de fuga. A água da represa, em primeiro plano, estava calma, sem brilho, pois o sol poente estava reservando seus últimos raios para o horizonte, lançando vergões laranjas, grenás e roxos sobre o fundo ainda bem branco dos cúmulos calmos que esculpiam quase tudo que a imaginação quizesse.

Estávamos quase...quando...esquecí!

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 21h26
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Leca

A Morada Definitiva

 

Au! Eu era muito pequena, um bebê, mas não posso esquecer do que aconteceu. Tinham muitos para mamar e era muito difícil chegar nas tetas da minha mãe. Aí, vez ou outra, um homem dava um pouquinho de leite de vaca para nós. Não me perguntem o porquê, eu não gostava dele e ele não gostava de mim.

 

Uma noite, com fome, fui lamber um resto de leite. O homem me pegou e me encapuzou na embalagem. Levou-me para um lugar por perto e me largou!

 

Não tive muito tempo para desespero: ouvi o barulho de um carro se aproximando, os pneus derrapando. Passou por cima de mim. Mas eu não morri. O carro brecou e senti alguém me pegando, tirando o capuz de leite da minha cabeça e me acariciando:

 

- É, desta você se safou!

 

Levou-me com ele para dentro do carro. Aí então, eu fiz xixi: que alívio!

 

Quando o rapaz chegou na casa dele, estava meio bravo comigo. Na minha percepção canina, não gostou do que eu aprontei no carro.

 

Foi logo chamando os outros. - Mãe, manos! Desçam para ver o que eu trouxe!

 

- Oh! Um filhotinho! Deixa eu pegar! – Comemoraram as crianças. 

 

Em retribuição, meu rabinho não parava de balançar. Entretanto, a mulher foi logo dizendo:

 

- Você não está pensando em deixar esse bicho aqui em casa, está?

 

- Bem, eu salvei de ser atropelado e acho...

 

- Não quero nem saber, amanhã cedo suma com isso daqui de casa!

 

Eu só sei que, enquanto os garotos brincavam comigo e me acariciavam, a mulher se pegou com o rapaz. Foi uma discussão braba e minha intuição canina - funcionando de novo - me disse que eu não ia poder morar naquela casa tão bonita, com crianças tão simpáticas.

 

No outro dia, bem cedinho, irritado comigo - eu tinha ganido a noite toda - o rapaz me levou para a minha morada definitiva: a fábrica.



 Escrito por Ordisi Raluz às 20h46
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Alterego

Palpites & Palpites

 

-         Ordisi, Ordisi !

-         ...

-         Ordisi, só uma palavrinha!

-         Humpf!

-         Ordisi, você salvou a Leca, mas...

-         Mas?...

-         E então?

-         E então, o quê, Alterego?

-         Não tem mais? Fica por aí?

-         !?!...

-         O que aconteceu com a Leca?

-         Você lembra, Alterego?

-         Eu lembro algumas coisas, e você?

-         Não sei se o suficiente para contar no Psichê.

-         Ordisi, o Psichê é o lugar ideal para contar mesmo alguma coisa que a gente não lembra direito. Pode romancear, assim como... pilotar melhor que o Emerson...

-         ALTEREGO, SOME !

-         Fui, Ordisi.

 

Putz, fico matutando que, desta vez, Alterego tem alguma razão.

O que foi que aconteceu com a Leca?



 Escrito por Ordisi Raluz às 01h13
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Último Capítulo

Leca

 

Acho que quase todos os ingredientes estão prontos para montar a estória. Quase.

 

O último deles, Charles, colega desde o ginasial e meu amigo até a presente data. Por algum motivo, ele, que estudava Engenharia na Mauá, estava voltando da USP. Acho que tinha deixado o seu carro para consertar em Pinheiros e resolveu voltar comigo, já que morávamos perto.

 

Então, vamos lá, ação!

 

Era noite e eu voltava da Cidade Universitária pelo Morumbi, a cem por hora com meu Teimoso e com o Charles agarrando-se ao precário banco de lona do carona. Não havia lua e o trânsito era mínimo.

 

Eu vinha fazendo as curvas cortando-as por dentro, no limite do carro, controlando as derrapagens. Meus fracos faróis conseguiam iluminar apenas o essencial e olhe lá! Passando a Casa da Fazenda há apenas mais duas curvas. A primeira, mais fechada, que obriga a reduzir a marcha. A segunda, contudo, uma delícia para pilotos: ampla, de raio generoso, em ligeira descida e terminando numa longa reta que vai dar lá na ponte.

 

É uma curva para a esquerda. Você abre ao máximo e entra com tudo, cuidando de manter o carro bem sentado na traseira...êpa...um pacote de leite com patas atravessando a pista!!!

 

Agora, aja rápido, Ordisi. Mas parece que tudo anda em câmera lenta, muito lenta. Tenho que colocar as rodas de tal forma a que o pacote de leite passe incólume sob o carro. Vou esterçando, controlando a derrapagem. Mas estou no limite, não posso encostar nos freios, será que... acho que consegui!

 

- Charles, aquilo é um filhote com um pacote de leite na cabeça?

 

- Deixa que eu pego, Ordisi.

 

Endireitei e brequei, passados mais de trinta metros de distância do pacote que vagava sem rumo pelo meio da pista.

 

Charles recolheu o embrulho: um filhotinho de cachorro, com a embalagem de leite piramidal cobrindo-lhe a cabeça. Tinham colocado na pista para ser atropelado. Quem foi o filho da puta que fez uma coisa dessas?

 

O pacote era de leite Leco. O filhote era uma fêmea. Assim renasceu a Leca.



 Escrito por Ordisi Raluz às 12h18
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Alterego

Intervalo! Dê um zap nele!

- Ordisi, Ordisi !

- Que foi agora, Alterego, porque você não me deixa em paz?

- Essa de dizer que você é melhor que o Emerson passou dos limites, cara. Que derrapada !

- Você sabe perfeitamente que eu era bom piloto e só não fui correr por falta de recur$o$!

- Quá, você não se enxerga !

- POR FALAR NISSO SUMA DAQUI, ALTEREGO, E ME DEIXE TERMINAR ESTE POST EM PAZ !!!

- Pô, não precisa gritar, né? Eu só queria...

- FORA DAQUI !!! E JÁ !!!



 Escrito por Ordisi Raluz às 03h18
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Terceiro Capítulo

A pista do Morumbi

 

Bom, vamos chegando ao cerne da história, mas vocês hão de convir que eu não poderia começar o post com “Vinha da Cidade Universitária com meu Teimoso a 100 por hora quando vi um Tetrapack jogado...”, não é? Existem detalhes importantes que não podem ser menosprezados.

 

Quem eram alguns dos meus ídolos de então? Rato e Moco, por exemplo, mais conhecidos por Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace. Eu ia a Interlagos ver esses caras racharem com seus carangos. E o Teimoso era meu carro de corrida e as ruas minhas pistas.

 

A rota diária do Morumbí a conhecia de olhos fechados: cada ondulação no asfalto, a aderência de cada trecho, o comportamento do meu carro e dos outros também, tudo. Se houvesse uma corrida ali, eu só perderia para o Moco. O Rato eu levaria no braço (afirmação ousada essa, mas bem próxima da verdade). Daí ser cem por hora uma velocidade aparentemente absurda, mas eu tinha só vinte e dois aninhos de idade, muita habilidade e segurança.

 

Mais um detalhe: como o Teimoso era um carro desnudo, seu peso era menor do que o dos carros “normais”. Logo, acelerava e andava bem mais que a média.

 

Por fim, mas muito importante, pois sem isso Leca teria morrido. Eu havia mandado instalar um par de tensores que estabilizavam a suspensão traseira. Como o motor ficava atrás, o carro tinha a tendência de escapar de traseira com muita facilidade. Você corrigia esterçando para o lado oposto ao da curva! Mas com os tensores a derrapagem ficava muito mais controlável e segura.



 Escrito por Ordisi Raluz às 03h11
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Segundo Capítulo

Tetrapack

 

Você ainda podia comprar leite tipo A em São Paulo. Mais ainda, havia até leite fresco “in natura” disponível: todas as madrugadas passava na frente de casa um furgãozinho azul-escuro de uma granja do bairro e deixava duas garrafas de leite recém-ordenhado, ainda quentinho, no portão!

 

Mais que isso, você pagava a conta do consumo do mês depois do dia dez do mês seguinte. Incrível, não lhe parece?

 

Mas já começavam a aparecer os Super-Mercados e lá estavam os grandes fornecedores de leite: Leco e Vigor. Por algum tempo ainda existiu a opção de leite A, mas todo mundo começou a levar o leite B, que, além de desnatado ficava muito mais em conta.

 

Todo o leite era então manipulado naquelas garrafas pesadas, fortes e transparentes. Mas garrafa é garrafa: sempre estava quebrando. Aí apareceu aquela famosa embalagem, no formato de pirâmide, que chegou e dominou. Imaginem, embalar líquidos em papelão. Uma revolução! E logo, também, a poluição, pois largavam as malditas pirâmidezinhas de papelão por tudo quanto é canto.

 

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 01h15
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Primeiro Capítulo

Lendo o Blog de Che Caribe, deparei com a simpática estória Patas Familiares. Imediatamente, centelharam sinapses e, pimba!, veio à tona uma doce recordação: Leca. Vamos ver do que se trata? Como a edição completa está sendo recusada por excesso de caracteres, vou dividir em capítulos. Perdoem-me pelo noviciato, mas vou aprender rápido como contornar essa limitação.

 

ADENDO: dê uma olhada no site http://www2.uol.com.br/bestcars/eleicao/melhor2005/ com deliciosas informações sobre o Dauphine e o Gordini (inclusive na versão Teimoso). Nota dez para o comentário de Che Caribe.

 

O Teimoso

 

Eu tinha um Teimoso 1966. Quem é um pouquinho mais antigo lembra que isso era um Gordini depenado de fábrica. Vinha com motor, câmbio, quatro rodas, freio, direção, faróis, vidros e lataria. Além dos bancos de lona no lugar de assentos, o resto era opcional: não existia.

 

Financiado em 48 meses pela Caixa Econômica Federal foi, junto com a perua Vemaguet e o Fusca Pé-de-Boi, um remédio achado pelo governo para dar vazão aos pátios lotados das montadoras e calar as ameaças de suspensão da produção.

 

Claro, foi o meu primeiro carro. Como meus proventos oriundos de aulas particulares eram insuficientes, o meu agente financeiro foi Papai. Verdade seja dita que as prestações eram muito suaves.

 

Poderia falar um livro sobre o Teimoso. Afinal o primeiro carro a gente nunca esquece, não é, primeiro soutien?

 

Naqueles tempos eu ia pelo Morumbi até a Cidade Universitária. Mesmo porque não existia a Marginal. Dirigindo meu Teimoso a cem por hora.

 Escrito por Ordisi Raluz às 16h01
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Personal

Parabéns & Parabéns

 

- Parabéns, parabéns, parabéns.

 

- Para quem?

 

- Para mim, uai. E para ela também, ora pois.

 

Onze de outubro: trinta e quatro anos de casados! Incrível, né?

 

Mas, como a efeméride cai bem neste fosco meio feriado de segunda-feira, decidimos que eu vou mesmo é jogar sinuca com os amigos e ela vai jantar rodízio japonês (eu não suporto aquelas coisas cruas) com o irmão e a cunhada.

 

Mais importante, ela vai aproveitar para ver o Bruninho, sobrinho e afilhado, moleque de três anos que ela trata como ao neto que ainda não chegou. Vergonha, né? Meu mais velho e minha nora só ficam no ensaio há mais de três anos e até agora, lhufas!

 

A verdade - que ela não quer lembrar - é que a gente também esperou uns três anos antes de encomendar o primogênito. Ensaiando e caprichando.

 

Mas valeu, nossos três mosqueteiros nos enchem de orgulho e satisfação. De netos, há que se ter paciência, pois agora são filhos e noras que ficam só ensaiando, caprichando.

 

Entretanto, considerem que, afinal, para quem consegue conviver há tanto tempo com tantas diferenças, como eu e ela, ficar aguardando a chegada de netos parece ser café pequeno.

 

Vocês não acreditam em mim? Vejam só: acabamos de voltar do cinema para onde fui arrastado - por ela - para ver “A dona da história”. Enredo? Casal com trinta e dois anos de curriculum comum que...

 

Ok, moças, não se enfezem tanto assim comigo. Há, sim, romantismo ainda. Estou agorinha mesmo entrando no Google para ver se acho como mandar flores para minha dita cuja. Lindo, né?



 Escrito por Ordisi Raluz às 21h58
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Blogueiros & Blogueiras

Gente Boa

 

Estou impressionado.

 

Comecei meu Blog sem ligar antenas. Aprendi tão somente a mecânica inicial e fui lá mandando as minhas mal traçadas linhas para o ar durante uns meses.

 

Como não avisei parentes e amigos, exceto um par deles, sabia que não estaria sendo lido, o que – diga-se a verdade – foi uma tranqüilidade quanto aos equívocos gramaticais e conteúdo.

 

Sentia-me livre como um pássaro eletrônico a piar para o éter.

 

Na verdade continuo assim, mas agora que também coloquei as antenas para funcionar, estou pasmo com o que tenho captado: qualidade, beleza e criatividade, para limitar-me a poucos adjetivos.

 

Nesse mundo onde o nevoeiro da mediocridade obscurece perspectivas, estou me deliciando com as luzes, cores e harmonias de tantos Blogs que passaram a se esgueirar pelas minhas antenas.

 

Quanto orgulho saber de que ainda se grafa a língua mãe com tanta graça e leveza, sem deixar de lado aqueles que fazem brotar neologismos, sejam computéricos - tais como “dar um búti” e “milincar” - ou não. Entendo que, por construção, outros precisam abusar dos palavrões e de outras figuras de linguagem.

 

Mas, na essência, como é vitalizante sentir que existe tanta gente boa nessa terra.



 Escrito por Ordisi Raluz às 16h31
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Alterego

Ele não resiste e...aparece!

- Ordisi, Ordisi !

- Alterego! Por aqui? Você não tinha me abandonado à própria sorte com o Blog?

- Sabe que é Ordisi? Tenho certeza de que o ente que estava junto com você na série de "posts" sobre o November-Alpha-Whisky era...

- Você, Alterego?

- E-e-eu sim, Ordisi.

- E DAÍ? E SE FOSSE?

- Você não me entende MESMO, Ordisi. Eu me vou. - E fazendo beicinho - Fique com sua sorte e os seus Blogs!



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h40
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Fixação Científica

De agora em diante, meus curiosos amigos, tanto prótons como nêutrons passam a ser designados como “núcleons” e a bolinha positiva viajante – que orbita por entre eles - como “méson”.

 

Ocorre que esse tal méson já era velho conhecido dos Sherlocks, sendo um dos produtos da radiação que nos bombardeia do espaço! E já tinha nome e sobrenome: méson-pi ou píon, para os íntimos.

 

O píon age como “cola” entre os núcleons. Quando ele está perto de um núcleon, temos um próton e quando está longe, temos um nêutron. Bonito, não é? Núcleons ora são prótons, ora nêutrons, dependendo de onde o píon está orbitando!

 

Contudo a história não acabou. O pessoal continuou espremendo as pobres partículas até descobrir que os núcleons são divisíveis e formados por trios de “quarks”. Então, vamos dando adeus para o antiquado modelo do píon.

 

São agora os quarks que são mantidos grudados pelos glúons, formando os núcleons e outras partículas também. Só como exemplo, um píon é formado por um par de quarks, enquanto um núcleon é composto por um trio, tudo firmado no lugar pelos respectivos glúons. O glúon é tão forte, tão forte, que não é possível detectar-se um só quark livre no Universo!

 

Colinha de primeira, sô! Boa para qualquer fixação científica.



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h34
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Atração na Praia

Puxa, quanta insistência, quanto grude. Para lhe pacificar a curiosidade fui atrás da resposta nas Baker Streets deste planeta.

 

A explicação óbvia dos Sherlock Holmes: existe uma força de atração mais forte do que a força de repulsão elétrica entre os prótons, capaz de mantê-los dentro do núcleo.

 

Chamaram-na de “Força Nuclear Forte”. Depois de muita discussão, explicaram que funciona de um modo muito curioso.

 

Imagine-se na praia jogando uma bola (com as mãos) para uma garota bonita. Aí ela lhe devolve a bola. Você percebe que um modo eficiente de atrair a garota é fazer com que a bola vá e volte com rapidez crescente. Quanto maior a freqüência com que a bola é trocada, mais próximos vocês vão ficando! Até ela “colar” em você!

 

No núcleo atômico, isso equivale a dois nêutrons trocando uma “bolinha” que tem carga positiva. Como na praia, essa troca - rapidíssima - causa uma atração com intensidade muitíssimo superior à força de repulsão elétrica, explicando o porquê do núcleo ser tão estável.

 

Ah! E os tais glúons do Prêmio Nobel? Aguarde o próximo capítulo!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h01
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Cola no Prêmio Nobel !

Está nos jornais: três cientistas ganharam o Nobel de Física por um trabalho publicado há uns trinta anos, sobre "glúons" e quetais.

 

Perguntam-me: que bicho é essa tal “cola” de partículas?

 

Trivial, meu caro Watson: os caras vão espremendo a matéria até ver o que sai. Assim dividiram os indivisíveis átomos em elétrons, prótons e nêutrons.

 

Até aí tudo bem, já até estamos afeitos à figura de elétrons como pequeninas bolinhas com carga negativa girando à volta de um caroço. Esse caroço é o famoso núcleo atômico, formado por prótons – de carga positiva – e os neutros nêutrons.

 

Pergunta: como pode o núcleo ser estável se os prótons se repelem eletricamente uns aos outros? O caroço deveria se desfazer, com os prótons se espalhando em todas as direções possíveis!



 Escrito por Ordisi Raluz às 20h50
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Bons Pousos, NAW !

November-Alpha-Whisky é um Corisco 1977, fabricado pela Embraer. Como todos sabem, aviões bem cuidados estão sempre novos, daí não ser a idade (27 aninhos) assim tão importante.

 

O NAW entrou para a minha família em 30 de novembro de 1996, comprado de um amigo. Acabamos de vende-lo, agora dia 30 de setembro, para um fazendeiro de Palmas, Tocantins. Com ele, nesses oito anos, voamos quase 700 horas, entre eu e meu filho no comando.

 

Ouvi dizer que o comprador está fazendo uma pista para ele na sua fazenda! Que chique! O NAW já pousou em tudo que é tipo de pista achável neste país, desde Congonhas e Santos Dumont até Monte Verde e Fazendas no Pantanal !

 

Avião versátil, preciso, econômico. Agora vai embora – novinho em folha – de sua base em Sorocaba para viver, digamos, na Fazenda Porquinho Feliz, sem preocupações com o tráfego aéreo aqui das bandas de São Paulo.

 

Portanto, caro leitor, deixe que eu mesmo pouse o November-Alpha-Whisky pela última vez:

 

-         Coordenação, November-Alpha-Whisky girando base três-meia Sorocaba, baixado e travado.

 

-         Coordenação Sorocaba, November-Alpha-Whisky no solo, livrando principal para ser entregue ao seu novo dono.

 

Eternos bons pousos, November-Alpha-Whisky, amigão !

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h54
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Turno de Pista

- Ordisi, isto não está certo!!! Até há pouco eu era apenas um simples leitor do Blog e agora estou aqui enredado no November-Alpha-Whisky, prestes a entrar na perna do vento.

 

- Perna do vento da três-meia de Sorocaba, meu prezado ex-leitor, atual manicaca.

 

- Isto é uma vingança? Para eu ficar com medo de avião?

 

- Não ! Isto é Psichê ! Se não tinhas medo de avião, agora vai que começas a ter !

 

- Ordisi, você mudou a pessoa do verbo !

 

- E vou mudar o tempo aqui em cima se você não estabilizar a aeronave a três mil e duzentos pés, proa uno-oito-zero e já!

 

- Tá bem, tá bem, cá estamos.

 

- E como não és merecedor, esqueça-te desse negócio de ir às nuvens e pouse!

 

- Mas, eu nunca pousei um avião !!!

 

- E eu já me esqueci em que pessoa solto o verbo, mas trate de pousar e já !!!

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h17
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Nas coxas do vento !

Agora que você disse que é só manter a proa, bastando vigiar a bússola, você ganhou uns pontos conceituais.

 

Ora, pois, se anunciámos ao mundo pelo rádio - lembra? - que estávamos ingressando na cabeceira 36, quer dizer que basta manter a proa Norte que estaremos alinhados, certo?

 

Isto é, caso não haja vento lateral. Mas aonde já se viu, não ter o vento lateral? E mais agora que atingimos os 500 pés sobre a pista, o que vamos fazer com esse motor gritando à plena potência de decolagem?

 

Calma, calma. Ajustemos a potência e o passo da hélice para a subida padrão. Vamos fazer uma curva à esquerda, continuar subindo até três mil e duzentos pés para ingressar na perna do vento. Aí...

 

- Diga, Ordisi, isto aqui é o Psichê ou um Aero-Blog?

 

- É o Psichê, tentando contrabalançar uma tonelada de Blogs baseados em medos de avião, saquinhos de vômito e quetais.

 

- E tem que ir assim detalhando tudo? Já é o terceiro “post” de avião, mal saímos do chão, vamos à tal perna do vento e daí?

 

- Do jeito que você vai estaremos é nas coxas do vento a lamber as nuvens, não é o que você quer?

 

- Bem... eu, nós, elas...

 

- Cala a boca e continua pilotando, manicaca...

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 22h53
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Quinhentos pés!

Não. Não é nada disso que você está pensando, refiro-me a pés de altitude.

 

Logo após rodar o avião, temos de mantê-lo subindo, alinhado com a pista.

 

Assim que nos certificamos de uma razão positiva de subida, digamos, quinhentos pés por minuto, recolhemos o trem de pouso, sem esquecer de – antes - frear as rodas que estão girando livres em pleno ar, criando um efeito giroscópico adverso ao recolhimento do trem (você já havia pensado nisso?).

 

Com isso ganhamos velocidade, que é o mais importante para que se continue voando, certo?

 

Estamos ganhando altitude e assim devemos prosseguir até quinhentos pés sobre o nível da pista, ou seja, pelo próximo minuto.

 

Calma, breve chegaremos ás nuvens. Por enquanto, tratemos de manter o alinhamento com a pista, que, por sinal, não se enxerga, pois ficou ás nossas costas.

 

E agora? Nem chegou ainda a quinhentos pés e já está se complicando?

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 18h54
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Subindo no ar

Pilotos vangloriam-se de ter pelo menos dois métodos diferentes de levar mulheres às nuvens.

 

Orgulham-se, especialmente, do segundo método: voar.

 

Isso aí: voar de verdade. Talvez você saiba o que é estar nas nuvens, talvez não.

 

Ir às nuvens quer dizer preparar meticulosamente seu avião para o vôo, seja passeio ou cruzeiro. Acionar o motor, taxiar e sentir aquele gosto de avisar ao mundo, pelo rádio, que você está pronto para decolar:

- November-Alpha-Whisky no ponto de espera da três meia pronto para ingresso e decolagem.

 

Meter toda a mão na manete, sentindo o bicho sacudir potência na cabeceira da pista, verificar todos os instrumentos em verde e soltar os freios, sentindo aquela deliciosa aceleração a empurrar.

 

Manche à frente, pedal direito mantendo a aeronave correndo centrada na pista e, chegou a hora: rodar!

 

Rodar é “subir” no ar, iniciando a decolagem. Levanta-se de leve o nariz do avião, dando às asas o ângulo adequado para que o ar as sugue para cima, num beijo de potência e alegria. Estamos no ar!

 

Estamos voando! Logo estaremos nas nuvens!

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h04
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