ORDISI RALUZ
     
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O que é isto?
 


Flick Rides Again

Flick Gnocci DaLua

 

A minha rodinha de exercícios é uma graça, e estou à toda, me embalando na diversão, quando o pentelho do moleque ruivinho põe a cara pra dentro da caixa e grita: Flíqui! Meu nome é Flick, ele que me batizou, só que ele me chama com sotaque brasileiro. Vem, me pega e começa primeiro a me acarinhar, depois a me espicaçar e logo a me atormentar, como é de se esperar de um garoto aí de uns quatorze anos.

 

Sempre após as refeições, ataca-me o arrependimento da gula e lá vou eu manter a forma na minha rodinha gigante. Como eu gosto disso! Mas ao embalar aparece o homem de barba comprida,  me observa com curiosidade, põe a cara pra dentro do meu caixote de madeira e chama: Nhóqui! Meu nome é Gnocci, ele que me brindou com esse itálico achado. Aí brinca comigo como se fosse um garoto de quatorze anos, só que já ta pra lá dos quarenta!

 

Durante todos dias de semana Dna. Laura, a cozinheira, vem me visitar. Adora-me. Ela conta todos os seus segredos para mim. Pena que eu não consigo atinar com os enredos, porque eu faria umas novelas de sucesso. Prefiro minha rodinha. Quando embalo é a maior adrenalina e eu não quero mais nada. Aí ela enfia a cara no caixote e me dá a maior força: Da Lua! Mais rápido, Da Lua! Meu nome é Da Lua: ela é que me chamou assim. E fica brincando comigo como se fosse um garoto de quatorze anos. Só que já tem pra lá de cinqüenta!

 

Vida interessante a minha. De acordo com a minha religião, vou encarnar mais três vezes. Claro: a primeira nos EUA, a segunda na Itália e a terceira na Lua. Duvida? A gente se vê por aí, meu amigo!

 

 

[Homenagem a Flick-Gnocci-Da Lua. Hamster ultra-simpático que por um ano e meio foi a alegria da nossa casa. Aposentou-se na casa de Laura, aonde viveu mais um tempinho e passou para um outro plano, cumprindo com louvor sua missão na Terra].



 Escrito por Ordisi Raluz às 22h38
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Tá Pensando O Quê?

Ano Atrás

 

Republicado no dia 17dez2004



 Escrito por Ordisi Raluz às 01h51
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Sextória #4 - Começo

O Falo Feliz

 

Anos sessenta. Na verdade, desde o início, esse feriado esticado foi bem diferente.

 

Aquela turma que desceu para a casa da praia foi das melhores. Quatro garotas e quatro rapazes. Ninguém com mais de vinte e um.

 

Ninguém era de ninguém. Charles tinha convidado a nós, seus melhores amigos da ocasião. As garotas tinham sido convidadas por outrem: alguma colega dele que – por a ou b – não pode vir.

 

Pronto, eis armado o cenário. Pensando bem, ainda não. Faltam uns detalhes.

 

Nós, os rapazes, descemos durante a tarde para a praia, em dois carros. Elas chegaram de ônibus, altas da noite. Fomos, é claro, buscá-las na “rodoviária”, já que o ônibus simplesmente parava no meio da rua e pronto. Chegaram todas verdes: haviam vomitado a alma por causa das curvas da serra.

 

Assim, fomos todos para casa, sem papo, naquele silêncio constrangedor, interrompido cá ou lá por alguma frase estúpida, sem eco. Dois carros, dois na frente, duas atrás... Elas foram dormir todas num quarto e nós em outro. Sem tempo para apresentações. E boa noite.

 

Muito bem. Digamos que agora sim, o cenário estava armado, com todos os atores devidamente posicionados nas marcas iniciais. Contudo, ninguém havia dado - ou combinado - as regras do jogo.

  

Daí...

 

As Regras do Jogo

 

No outro dia de manhã elas já tinham feito café e posto a mesa. Foi a primeira chance da gente vê-las de bom humor e, principalmente, de shorts. Papo pra cá, papo pra lá, uma quer isso, outra aquilo, fulana acha melhor outra coisa e cicrana fica na dela. Seria uma estupidez tentar um acordo coletivo. Ficou patente que, se regra existisse, era cada um por si e Deus por todos. Em resumo, daí a instantes sairam dois pares num carro, outro casal pediu meu carro emprestado e lá se foi.

 

Eu? Optei ficar com aquela que achava melhor tirar a mesa, lavar a louça e depois relaxar um pouco na rede, já que ainda ressentia-se da viagem.

 

 

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h44
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Sextória #4 - Meio

A Noiva

 

Ela lavava e eu secava. Tanto os pratos quanto o jeitinho dela.

 

Era meio magra, seios pequenos, aquela cinturinha por sobre uma bundinha que, digamos assim, se destacava como um cume arrematando coxas bem feitas. Cabelos morenos, tez alva, braços finos, mãos com dedos longos e gestos expressivos. Pernas bonitas e esguias sobre pés irriquietos.

 

-         Eu sou noiva, e você? – foi puxando papo.

-         Desmanchei um namoro há pouco, umas duas semanas atrás – era verdade, não precisei mentir.

-         Brigaram?

-         É...

-         Por que?

-         Bobagem...

-         Sei... sempre é por bobagem. Eu gosto muito do meu noivo mas acho ele assim meio rude - iniciou ela as inconfidências.

-         Como assim, rude?

-         Ele... ele... não é carinhoso comigo.

 

É agora, bradou meu instinto - e passei carinhosamente o braço pela cinturinha dela.

 

-         Impossível não mimar uma jóia como você – eu já estava elétrico.

-         É, choramingou – virou-se, abraçando-me de leve pelos ombros – eu vivo uma grande dúvida.

-         Você não merece isso – peguei seu rosto, olhos nos olhos, alisei as faces com as mãos e encostei meus lábios bem de leve nos dela, carinhosamente...

-         Não mesmo – rematou, encostando-se com toda força e enfiando a língua pela minha goela abaixo...

 

Eu assim passei aquela manhã de surpresas inenarráveis na caminha dela, batendo - é claro - todos os recordes de carinho. 

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h40
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Sextória #4 - Fim

As Regras do Jogo – Adendo

 

Fim de tarde. O pessoal foi retornando aos poucos, com ar de quem havia ido à missa.

 

À noite - após um bom lanche - ficamos todos à mesa jogando cartas. Não lembro qual o jogo, mas apostava-se com feijõezinhos. A atmosfera era incomum. Magnética, eivada de incógnitas, porém divertida. Indiretas cruzavam em todas as direções, gestos, sorrisos, risos. Ah! Os olhares. Era uma competição. Olhares marotos entre elas, entre nós, entre os pares e entre os ímpares. Mas, ninguém sequer ficou de mãos dadas...

 

Cansados, fomos todos dormir: rapazes cá, moças lá. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

 

No dia seguinte, sem que se pronunciasse uma única palavra, desvendou-se um adendo às regras do jogo: é proibido repetir!

 

Epílogo

 

E, como para excelentes entendedores quarto de palavra basta, há o bastante para imaginar o resto...



 Escrito por Ordisi Raluz às 22h22
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Sextória #4 - Mais Comentários

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 01h59
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Sextória #4 - Comentários



 Escrito por Ordisi Raluz às 19h26
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Adélia Rides Again

Adélia

 

Tia Pancrácia: Estou lhe escrevendo estas mal traçadas linhas para lhe dar minhas notícias... 

 

Tio Filomeno: Estou lhe escrevendo estas mal traçadas linhas para lhe dar minhas notícias...

 

- Adélia! - protestei eu, então estudante ginasial - porque todas as cartas que você me dita começam com essas tais mal traçadas linhas?

 

- Cala boca menino - Adélia era nossa empregada desde tempos imemoriais e totalmente iletrada – e continua escrevendo aí.

 

- Carta que se preza é assim que se faz – rematava, puxando a fumaça do cachimbo cheio de fumo de corda e ignorando minha ingênua indignação, pois eu tinha consciência de que minhas linhas eram muito bem traçadas.

 

Hoje, num e-mail, me vi escrevendo a bendita frase! Num tardio ato de rebeldia, deletei-a e vim para o Psichê postar estas minhas mau-trassadaz linhas.

 

Que saudades da Adélia...



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h38
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Discriminação Racial

Vergonha

Não consigo me conformar com as cenas da torcida espanhola humilhando os jogadores negros da seleção inglesa.



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h00
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Quem vai comentar?

Dê o seu "Alô", pô!

Quando reordenei os 7 posts que compuseram a "obra" abaixo, preocupei-me em preservar dois campos com comentários anteriores que acabaram influenciando na criação e interagindo no texto. Como está estampado no preâmbulo, a própria "obra" foi inspirada num comentário sagaz e desafiador. Foi um exercício muito útil para mim.

Hoje li no blog de Rosebud que ela acha os comentários fundamentais, mesmo que não sejam elogiosos. Eu respondi que concordava em gênero, número e degrau.

Mesmo novato no ramo dos Blogs, percebí que a atenção recebida através de um comentário, mesmo bem simples, nos faz um enorme bem. Lógico, isso não deve ser lá verdade se alguém extrapola e diz que vc, é um f.d.p., mas não creio que esses casos sejam epidêmicos.

Assim, entro no coro das colegas e dos colegas de blog e também peço que gaste alguns preciosos segundinhos para mandar um "alô" pra gente. Desde já, o meu muito obrigado. 



 Escrito por Ordisi Raluz às 19h27
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#1

1 



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h27
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#2

2



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h25
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#3

3



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h24
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#4

4



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h23
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#5

5



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h22
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#6

6



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h21
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#7 - The End

7

 

 

 

[The End]



 Escrito por Ordisi Raluz às 20h23
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Comentários



 Escrito por Ordisi Raluz às 20h16
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Comentários

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 Escrito por Ordisi Raluz às 20h45
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Enquete

Companheiros de viagem

 

 

 

Você já viajou com um grupo turístico? Seja para perto, para outro estado ou mesmo para o exterior?

 

Desses que, de ônibus, trem ou avião você faz amizades e amizades durante o passeio? E que, ao terminar, todos trocam endereços, telefones e planos para se encontrar?

 

Quantos encontros depois de uma viagem dessas você realmente conseguiu ter?

 

E um ano após a viagem? Você ainda se lembra nitidamente de todos?

 

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 14h48
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Sextória #3

A Banana de Bangkok

 

Noite quente em Bangkok, Tailândia. Nós, um bando de turistas brasileiros, no maior frisson para ir ver o show erótico.

 

As Vans que iam nos levar chegaram bem no horário. Uns minutos ziguezagueando pelo trânsito caótico e nos desembarcaram em plena zona do meretrício. Até aí, tudo bem, estranharia se fosse num museu...

 

Fomos gentilmente empurrados para um salão pequeno, cheio de gente.  No centro, havia um círculo vermelho de mínimas dimensões: era o palco.

 

À volta, sentavam-se os espectadores, formando três pequenos círculos concêntricos. Os bancos eram toscos e sem encosto. Havia também uma quarta fileira com banquetas altas como as de um balcão de bar.

 

O ambiente estava empestado de uma fumaça tão densa que filtrava as luzes como num filme de cabaré. O show era “non stop”.

 

Ao entrarmos, um casal já estava executando o ato sexual. A menina, uma tailandesa de uns treze ou quatorze anos, rosto lindo porém inexpressivo, não transmitindo qualquer emoção. O rapaz, um jovem com cara de múmia. Só não o era porque mantinha a piroqueta executando o serviço com a regularidade de um metrônomo.

 

A coisa estava mais para, digamos assim, uma demonstração didática do que um show erótico. Não emitiam nenhum som. Mudavam de posição para cá, para lá, assim e assado, mas não cozido. Passados uns minutos, o cara terminou: provou, mostrando o sêmen, recolhido com a mão, para a platéia, enquanto a menina saia de cena cobrindo... o rosto!

 

Durante a demonstração de sexo, nós nos divertimos muito mais às custas de uns orientais deslumbrados da primeira fila. Todos eles homens. Aplaudiam, berravam, cochichavam e se cutucavam como se estivessem vendo coisa de outro mundo. Será que estavam?

 

Porém - como se sabe - quem ri por último, ri melhor. Eu chego lá.

 Escrito por Ordisi Raluz às 23h58
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Sextória #3 - Segunda parte

Xow-Xota

 

Entra no mini picadeiro uma mulher madura, nos seus trinta anos, de traços suaves e com um corpo escultural. Começa a acender um cigarro atrás do outro e a fumá-los todos com a xoxota. Ela sugava e soltava a fumaça, ao mesmo tempo em que fazia piruetas. Terminou o número soltando uma perfeita baforada circular! Pela xota. Simples, não é? A mulher era um gênio xoxotesco.

 

Após, pegou uma garrafa comum de refrigerante. Fê-la rodar pela platéia para que todos vissem que estava cheia e bem fechada. Pegou-a de volta. Não acho que a garrafa estivesse gelada, vai que a xota espirrasse, como ficariam as coisas? Mas foi com essa super- xota que a artista não só tirou a tampinha da garrafa - com “ploft” e tudo - envaginou o conteúdo todinho e foi dar umas cambalhotas no palco. Depois, com a maior naturalidade, agachou-se, desenvaginou todo o refrigerante na garrafa e, para gáudio da platéia, ofereceu a bebida a um doidão da primeira fila... E a gente rindo e rindo...

 

Outro número de destaque foi o das giletes. A mulher pacientemente comprovou, cortando tirinhas de papel, que cada uma das lâminas, presas ao longo de um fio, era verdadeiramente afiada. E foi enfiando, uma a uma, tudo lá. Arrepiante. Absoluto silêncio no auditório. Não lembro de tudo o que ela fez, mas do enorme alívio geral quando terminou de tirar tudo dali e agradeceu aos aplausos. Êta, mondo cane...

 

Para terminar seu espetáculo, a dona da super-xota pegou uma enorme banana, tirou a casca, enfiou todinha lá dentro, pediu áudio com tambores, agachou-se, abriu as pernas e começou a mirar. Primeiro para lá, aí virou para outro lado, mudou de idéia e, decidida, mirou bem em mim. Eu estava a uns três metros dela. E então ela atirou!!! A banana veio com tudo, bem na direção da minha cara. Não tive outro jeito senão agarrá-la. Foi um furor. Eram agora os desgraçados dos japas que rolavam de rir. E a minha turma então!

 

Também rindo, a xuper mulher pediu de volta a banana, que era de plástico, toda melecada com vaselina. Atirou-me um beijo de consolação e sumiu entre os aplausos e assobios.

 

Enquanto nos punham para fora e outros entravam – o show estava recomeçando com outro casal trepando ao vivo – eu ameaçava agarrar a cada um e a cada uma da turma, para nojo e horror deles. A bem da verdade, antes da porta de saída, alguém do staff supriu-me com os materiais necessários para deixar as mãos perfeitamente desinfetadas.

 

Mas, por uns dois dias, ninguém da turma topou apertar a minha mão. O melhor comentário veio de um senhor muito divertido, médico em Recife.

 

- Olha, moçada – disse ele – esse foi o melhor show ginecológico que eu já vi na vida.

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h56
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Noveleta Picareta Cheia de Mutreta...

Primeiro Clichê

 

Angélica era, de longa data, uma moçoila difícil. O pai, rude fazendeiro da Alta Leopoldina; a mãe, mulher submissa que exteriorizava seus encarquilhados complexos humilhando aos criados. Ambos, porém, mimavam a filha única.

 

Com seus vinte e poucos anos, tinha um rosto angelical, digno de seu nome. Traços delicados, pele alva e macia, escondiam um espírito inquieto, ansioso e rebelde. Educada no Rio de Janeiro, segundo os mais refinados padrões europeus, tocava piano, cantava e recitava.

 

Criava caprichos para que não pudessem ser satisfeitos. Seus devaneios pareciam colocá-la em transe, passando horas a fio sem reparar na presença de ninguém. Sonhava acordada, e não era difícil atinar com o porquê.

 

Para Angélica, a fazenda era a gaiola onde tentavam enfraquecê-la, domá-la e abatê-la. Seu lugar não era lá. Seu lugar era no Rio de Janeiro, imã de belezas, centro de culturas, vortex de estímulos onipresentes a assegurar-lhe uma existência como Mulher com M maiúsculo.

 

Contudo, corria uma lenda, sussurrada entre os criados que, em certas noites quentes e de lua, a jovem se escafedia para a lagoa. Lá, despia-se. Nua, alisava-se, gemia, tremia e rolava pela relva antes de, aliviada, ir banhar-se nas águas geladas e voltar por onde veio.

 

Segundo Clichê

 

Adellette cuidava das suas Mariposas com o mesmo meticuloso cuidado que dispensava à perfeição de suas unhas, fortes, compridas e sempre pintadas de vermelho encarnado.

 

Meninas trazidas à Casa da Luz Vermelha pelas mais escabrosas e tristes estórias da Alta Leopoldina, recebiam dela atenção, carinho, comida, roupa, educação básica e verniz para tratar bem aos clientes. Que mais poderiam querer?

 

Apaziguava, aconselhava, ensinava com tranqüilidade. Mas que nenhuma pupila ousasse acobertar ou desobedecer, fosse no que fosse, fosse com quem fosse, fosse para o que fosse.

 

Lenda corria solta sobre uma delas que numa dada noite, com a casa concorrida, a desafiou em público. Na hora, Adellette sorriu e engoliu. Mas a rebelde em casa não dormiu, sumiu, ninguém sabe, ninguém viu. Comentam as comadres - mas não juram - que a guria só achou alguma paz como freira manca num convento gaúcho.

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h34
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Noveleta Porreta com Clichês...

Terceiro Clichê

 

Adolpho, grafado com ph mesmo, estava aí por seus trinta. Já era mais que um rapagão. Era um homem que chamava a atenção por onde passava na Alta Leopoldina. Grande, alto, troncudo, forte, mas um gentleman. Culto e refinadíssimo. O protótipo de um nobre europeu.

 

Havia, de algum modo, se esgueirado das perseguições da longínqua Transilvânia e desembarcado de um vapor no Rio de Janeiro, são, salvo e sorridente.

 

Aliás, seu sorriso era um capítulo à parte. Cativava a todos, das prostitutas e cafajestes às madames e fazendeiros. Caixeiro-viajante que se tornou, pegava o trem e ia de estação em estação, de lugarejo em lugarejo, até o fim da linha. Na bagagem, incontáveis baús com cortes dos mais finos tecidos importados da Europa e da China. Casimiras, Linhos, Cetins, Sedas, Tafetás, Brocados e Veludos.

 

Vendia fiado. Deixava a mercadoria e cobrava a prestação na próxima viagem. Ninguém deixava de pagar. Uns diziam que por sua finesse, outros pela maneira sub-reptícia com que ele ia pegando no braço dos devedores, sua mão - bem cuidada - do tamanho de um torniquete.

 

Corria a lenda que, uma vez, um infeliz quis passar-lhe a perna. O caloteiro fechou a loja e sumiu com todas as mercadorias recém recebidas, evaporando-se da cidade na calada da noite, com toda família na boléia. No segundo dia, a loja estava aberta e vendendo, com a mulher sorrindo e tomando conta dos negócios. Dizem, mas ninguém confirma, que o fugitivo tinha caído da carroça e quebrado os braços.

 

 

Penúltimo Clichê

 

Adolpho estava para chegar no próximo trem. Já o sabiam os carregadores, que avisavam os lojistas, que avisavam a clientela que novidades estavam chegando. Essa propaganda boca-a-boca já criava expectativa, quase um suspense, tudo muito propício para as vendas.

 

Adolpho embalava-se na monotonia da viagem, descansando e preparando-se para visitar a clientela, receber prestações, ouvir as eternas e inócuas lamúrias e para a longa noitada com a deliciosa Adellette.

 

Já era hora dele, afinal, presenteá-la com um bom corte de seda. Não tinha mais como adiar a promessa feita no aconchego daqueles seios, em meio aos sussurros e aos arrepios das unhas raspando de leve pelas costas. Com a língua no ouvido dela prometeu-lhe um exclusivo corte de pura seda, vermelho encarnado como as suas unhas.

 

Angélica fez muxoxo e conseguiu com que o pai mandasse buscar o caixeiro-viajante tão logo esse desembarcasse da Maria Fumaça. Queria novos e estonteantes vestidos e tinha que escolher os tecidos antes de qualquer outra zinha mais espevitada. Lá se foram criados e carroças para esperar o trem, portando o irrecusável convite para jantar na Grande Casa.

 

Na fazenda, abriu-se o primeiro baú. A primeira peça, um corte de seda vermelho encarnado. Foi a primeira escolha de Angélica. Não aceitou as objeções de Adolpho de ser justamente aquela uma encomenda única, de já estar prometida e mesmo paga antecipadamente, de ter custado uma fortuna...

 

A noite fez-se tarde e Adolpho não teve como evitar pernoitar na Fazenda.

 

Na Casa da Luz Vermelha, Adellette revirava insone. Fuzilava de raiva. Como aquele bastardo deixou-se ficar na fazenda? Tinha-se preparado como para um príncipe. E ansiava tanto, tanto, pelo prometido corte para o vestido de seda vermelho encarnado.

 

...

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 22h45
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Noveleta com Clichês no lugar dos capítulos...

Último Clichê

 

Eu fui ao enterro de Adolpho. Era, na ocasião, Diretor da Sucursal Rio na empresa aonde eu trabalhava. Morreu em sua casa, logo após chegar do trabalho: com toda aquela idade, estava firme e ativo no comando.

 

Enquanto voávamos, no Electra da Ponte Aérea, para o enterro no Rio de janeiro, recordávamos das suas infindáveis aventuras, que ele contava com gosto e ricos detalhes, assim como de seus famosos ditados, na verdade densas aulas de sabedoria de vida.

 

Gostava muito de mim, mas criticava severamente a forma demasiadamente casual com que me trajava e minha aparente falta de ambição profissional. Presenteou-me com uma finíssima maleta de executivo que ainda tenho.

 

Nós, da empresa, éramos a sua família. Lembrem-se de que havia chegado ao Brasil sem ninguém. Quando fugiu com Angélica lá da Alta Leopoldina para o Rio, ganhou dezenas de inimigos, não de familiares.

 

Viveram ele e Angélica, por décadas e décadas, seu profundo amor. Não se casaram em Igreja. Não tiveram filhos. Assim achavam que deveria ser. Quando, um dia, foram afinal ao Cartório Civil, foi apenas para satisfazer as necessidades burocráticas da existência.

 

Mas, amigos, ainda me lembro claramente, que durante uma daquelas longas pausas para o cafezinho, ele, desfiando recordações, lamentava por não ter conseguido dar o corte de seda vermelho encarnado a quem prometera... 

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 18h15
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Sextória #2

A Encruzilhada

 

Aquela foi a pior turma que Charles convidou para a casa da praia. Só dava alcoólatra e gozador barato. Da pior laia. No primeiro dia ainda fizeram o favor de beber o café da manhã que Jí preparou.

 

No segundo dia foram direto para a praia, carregados de cerveja, caipirinha e pinga pura... Berravam pela rua, tocavam as campainhas das casas, humilhavam os caiçaras transeuntes.

 

Estava "pegando", eu não me sentia bem, estava “por fora”. Pinga pura como café da manhã? Sem dúvida ainda éramos moleques, ninguém tinha mais de 21. Mas naquela trempa já existiam uns cafajestes com excelente potencial para meliante.

 

Foi uma enorme sorte quando, no terceiro dia, Jí pediu para eu ir fazer umas compras para ela. A turba desceu ululando para a praia e eu – depois de um café da manhã completíssimo e feliz da vida - peguei o carro do Charles para ir à vendinha.

 

Lá atendia o pai e uma garota aí de uns dezesseis aninhos, no máximo. Bonitinha. Tudo certinho. Usava um bustiê estampado, um shortinho e um par de sandalinhas. Tudo assim meio justinho-apertando-só-aquilo-que-precisava para me deixar louco de vontade. O pai vigiando com o rabo do olho.

 

Como é de se esperar, com o radar do velho ligado, a missão de faturar o alvo ficou ainda mais gostosa. Contudo, vejam só como são as coisas, não precisei ser criativo nem me esforçar. Na primeira distração do vendeiro com outro cliente, com um sorriso de puro deleite, ela sussurou: hoje às quatro, na encruzilhada!

 

Incrível. Instrução curta, límpida, precisa no tempo e no espaço. Pois encruzilhada, só havia uma naquelas paragens.

 

Tive de usar toda minha diplomacia e jogar muito charme para Jí, para que ela acabasse me cedendo as chaves da casa dos Figueira, já que eles só chegariam no fim da outra semana. Mais o compromisso dela me pedir para ir comprar alguma outra coisa, pois eu precisava do carro.

 

Não foi difícil. Os poucos imbecis que vieram almoçar caíram no maior ronco e lá fui eu todo pimpão para a encruzilhada. Sem surpresas. Passei devagar, nada, fiz um retorno e ela apareceu sorrindo lá detrás de umas árvores. Entrou também sorrindo e perguntou se íamos para minha casa. Ela sabia de tudo e de todos! Falei que íamos para outra casa pertinho e ela mansamente aquiesceu.

 

Coloquei o carro na cobertura do fundo e fechei o portão de madeira. Ufa! Captura bem sucedida! Tinha levado umas cervejas no carro, mas esqueci completamente delas.

 

Pois antes de abrir a porta já começamos a nos beijar e acariciar. Eu endoidando, ela também. Abrimos a casa e nos jogamos na primeira cama que apareceu. Eu estava em estado capaz de abrir um túnel em rocha! Roupas sumiram, eu assumi a posição e...

 

- Não, amorzinho, eu ainda não posso isso!

- ?

- Mas que pau lindo você tem, deita aqui assim, deixa eu ver!

- Hum, eu... – Gaguejava eu, chupando os peitos dela, lindos, maravilhosos, no ponto!

- Chh, calma, menino do pau bonito e vê se você gosta!

 

Empurrou-me esticado na cama e desatou a chupar o meu cacete. O que ela disse não poder fazer com a xota, ela doutorava com a boca. Primeiro em cima, variando a pressão. Depois lambia. De cima até em baixo. De baixo até em cima. A mão dela nas minhas bolas. Eu uivava!

 

Ela começou a se acariciar. Não me deixava tocar na xota dela. Eu via tudo, mas não tocava!

 

Quando ela chupou meu saco, eu quase fui. Estava por um fio. No momento em que ela acelerou a mãozinha na xota e comandou sua cabeça fortemente para cima e para baixo, eu explodi. Ela gemeu com o seu próprio gozo e com a boca cheia do meu!

 

Eu ainda estava tentando coordenar minhas idéias quando ela sumiu pela porta. Voltou vestida e sorridente.

 

- Amorzinho, me deixa de volta na encruzilhada?

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 20h44
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Personal Feelings

Eu Confesso

Foram cinco dias, enfronhado que nem doido num Congresso no Rio de Janeiro, mas bem fora de mão: em Jacarepaguá, no detestável Riocentro.

Nada de Leblon, Ipanema, Copacabana.

Será que minha mulher vai acreditar nisso?

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 17h22
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