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Desaforos Mundo Afora
Negócios na China
Estávamos num tour. Uns quarenta brasileiros e brasileiras a zanzar pela China. Dia de visitar a Grande Muralha. Afinal! Eu estava super curioso para ver uma das Maravilhas do Mundo. Especialmente depois que os astronautas ficaram impressionados com a obrinha, claramente distinguível lá dos ônibus espaciais: seis mil e poucos quilômetros de extensão! Minha ansiedade era sensível. Saímos bem cedo de Pequim, num ônibus especial. Gostaria que fosse espacial, mas nem tudo é perfeito.

Foto: Ordisi Raluz
No caminho, um desses lances curiosos da vida. A estrada, além de estreita e tortuosa, estava congestionada! Isso aí! Na China também: muitos congestionamentos e confusões. Estancada no trânsito, ao lado do ônibus, uma carroça carregada de maçãs! Curtindo aquela ansiedade toda, achei que morder umas boas e suculentas maçãs seria uma boa idéia. Peguei uma nota de dólar, botei o corpo para fora da janela, e gesticulei, oferecendo-a em troca de maçãs. O chinês-chefe fez que sim e me mostrou três dedos. A turma, já querendo as maçãs. Porém, o meu lado negociador despertou. Mostrei todos os dedos das mãos para o chinês. Ele deu de ombros – certamente não era o proprietário da mercadoria - e me deu dez lindas maçãs! Estabelecida a relação de troca, o resto da excursão desatou a comprar, para a felicidade nossa e da chinesada.

Foto: Ordisi Raluz
Prosseguimos. Após uma dose cavalar de maçãs e de paciência, o ônibus enfim parou. Chegamos? Não, ainda não! O motorista – um grandessíssimo filho de uma mãe solteira - havia estacionado em uma super loja de artigos de luxo. Algumas madames - velhas e novas ricas - como galinhas hipnotizadas pela cobra, foram-se cacarejando lá para as compras. Eu, louco da vida, lutando comigo mesmo para manter a educação e a linha. A parada era para ser de uma hora. Duas horas e meia após, a duras penas, o ônibus enfim saiu. O motorista e o guia, safados, interesseiros e comissionados, estampando enormes sorrisos de satisfação, ficaram babando agradecimentos e fazendo mesuras às imbecis das jararacas. Eu, quieto no meu assento, puto da vida.

Foto: Ordisi Raluz
Afinal, chegamos à Muralha. Aí o guia anuncia uma parada de...uma hora! Ahá! Imbecil e primitivo ele. Duas e meia na loja e uma só horinha para visitar uma das maiores Obras da Humanidade? As peruas nem aí, falando das compras. Pedi o microfone ao guia e, educadamente, expliquei sem meias palavras o meu ponto de vista, alertando de que não retornaria ao ônibus antes das mesmas duas horas e meia despendidas nas compras. Um enorme aplauso calou os silvos das comadres.
E foi assim que conquistei um tempinho para caminhar pela Muralha da China. Vale a pena, é impressionante. Recomendo. Vá até lá, mas não me pare na tal lojinha, certo?
Escrito por Ordisi Raluz às 18h13
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Pensagadas Cartesianas
A Quarta Dimensão
Tem gente que diz não entender as quatro dimensões do Universo e de como lidar com elas. É tudo tão simples!
Por exemplo, para encontrar a namorada, você precisa:
(x) Ir andando pela Avenida Comprimento.
(y) Entrar na Rua Largura, chegando ao prédio onde ela mora.
(z) Pegar o elevador até o Andar Altura, onde fica o AP dela.
Isso é suficiente para encontrá-la? Não! As coordenadas espaciais (x,y,z) estão perfeitas, mas há que controlar a quarta dimensão:
(t) O tempo!
Se estiver na hora combinada, a porta se abrirá e lá estará ela, com um lindo sorriso nos lábios. Pronto! Você acaba de dominar o espaço-tempo!
Porém, atenção aos detalhes: mesmo se você percorrer o caminho com perfeição e chegar exatamente na hora marcada - mas no dia errado - vai quem abre a porta é o Ricardão...
Escrito por Ordisi Raluz às 00h49
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Amigos & Amigas
Amigo Gourmet é Outro Papo...
Ter amigo Gourmet é outra coisa; mesmo. Além do papo para lá de gostoso, fomos homenageados com um almoço na casa de campo, preparado por ele mesmo, naquela linda cozinha, e à vista de todos.
Os Picles da entrada, dormidos no Shoyu e acompanhados por um Chardonay Francês foram a primeira surpresa. A segunda, o incrível Bacalhau à Espanhola, que derretia na boca, seguido de um Bourgogne 1er. Cru.
Como as nossas caras metades ficaram no vinho branco, tive a honra de dar conta de - no mínimo - meia garrafa da preciosidade tinta que, além de incrivelmente harmonioso e redondo, não me subiu à cabeça.
Já sei, já sei. Não falei das sobremesas, certo? Pois nem encostei nelas, pô! Todo mundo sabe que estou na maior dieta...
Escrito por Ordisi Raluz às 20h15
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Lhufas & Calendas
O Feriado
Anteontem, ..............................................................................
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Ontem, ....................................................................................
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Hoje, .......................................................................................
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Amanhã, ..................................................................................
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Depois, ....................................................................................
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...............................................e, daí, então ...............?
Escrito por Ordisi Raluz às 19h55
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Sextória #9
Os Logaritmos de Bruna
Bruna sempre manteve a cabeça erguida. O casamento se desfizera de há muito. A filha perdeu-se cedo, bandeando-se atrás do amasiado, para lá de Deus-me-livre.
Era uma quarentona mas, sempre que queria, tinha um namorado, um caso, um homem. Invariavelmente, cada romance evaporava quando suas economias se esgotavam. Quanto amor não daria para um Verdadeiro Homem que também a sustentasse!
Já há alguns anos estudava à noite. Estava no último ano do Clássico. Ao matricular-se, foi avisada para optar por Latim ou Matemática. Mas sempre teve enorme dificuldade com línguas.
O professor era um estudante universitário com idade para ser seu filho. O moço era atraente e, desde o primeiro dia, mostrou-se atencioso com Bruna. Naquela noite, pensando no menino bonito, resolveu dar uma caprichada no visual. Maquilagem leve, unhas vermelhas, blusa mais decotada, saia mais curta e saltos.
Última aula. O jovem matemático entrou na classe mostrando visível irritação. Avisou que já há mais de mês apenas recordavam noções básicas. Recebera ordens do Diretor para iniciar a matéria especificada no “Programa Oficial para o Terceiro Ano Clássico”. Foi à lousa e escreveu, em grandes letras: LOGARITMOS.
Intrigada com a esquisitice do título, Bruna riu alto e perguntou: - “Professor, pra que serve Logaritmo”?
O jovem, desafiado pelo tom irreverente, atirou à queima roupa: - “Para você sair da sala agorinha mesmo e ir questionar lá na Diretoria”.
Ela foi. Sorriu meio encabulada para aquele que a recebeu com um lampejo nos olhos, lhe explicou mansamente de como ter paciência, lhe prometeu que tudo seria ajeitado, lhe avisou que já era tarde da noite e, insinuando que “moça tão bonita não deveria andar a sós numa hora destas”, a levou de carro para casa.
Assim que gozaram, Bruna lembrou dos tais logaritmos e, rindo às bandeiras desfraldadas, pediu bis ao Diretor.
Texto publicado no Engrenagem #4 , sob o Tema: - " Pra que Serve? " e dedicado, particularmente nesta data,
à memória de meu Pai, que deve andar lá pelas Dimensões mais altas, ajudando a espalhar a esperança e o bom humor.
Escrito por Ordisi Raluz às 13h53
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Cobras & Lagartos
Tremeliques na Bunda
Ela olhou para ele, a retribuição não veio. Os lindos olhos azuis a evitavam. Antigamente não era bem assim. A outra - sua melhor amiga, lá na cozinha, coando um cafezinho - venceu e conseguiu casar com ele.
Mesmo assim, esta primeira visita à casa recém-montada dos recém-casados corria agradável. Ficou pensando o quanto ele iria trepar com a melhor amiga naquela noite. E na outra, e na seguinte. Ai, que inveja.
Mordeu os lábios. A pálpebra tremelicou. Era inveja. Só podia ser. A mais pura inveja do mundo. Suspirou; nada da pálpebra parar. Outro suspiro profundo e a pálpebra sossegou.
Olhou de novo para aqueles olhos azuis e perguntou se as pálpebras dele, vez por outra, tremelicavam. Ganhou um sorriso e um gesto de aquiescência.
Agora foi a bunda dela que tremelicou. Não, meu Santo Deus, agora a bunda? Mexeu-se de leve no sofá macio e o tremelique cessou.
Ela tentou novamente aquele olhar inquiridor – a pergunta calava fundo, daria a alma para saber – como poderia a amiga ser melhor que ela na cama? Não, certamente que não. Devia ser o dinheiro da família dela.
A bunda recomeçou a tremelicar. Mais forte, agora. Desceu a mão até a almofada e sentiu algo macio, vibrante e...gelado! Pegou, receosa. Veio na mão uma...lagartixa!
Gritou. Gritou e berrou o suficiente para acordar o bairro inteiro. Enquanto os olhos azuis a miravam, surpresos e intrigados, o ser nauseabundo pulou para dentro do decote.
Entrou em pânico total. Urrava descontroladamente. Rasgou a blusa, arrancou o sutiã. O bicho asqueroso já se fora, mas ela berrava. O rapaz dos olhos azuis aproximou-se e tascou-lhe um par de tabefes no rosto.
Paralisada, só arfava, estonteada. O terror se esvaia, aqueles olhos azuis tão perto, aquela boca. O beijo incontido, a esposa chegando lá da cozinha para ver o que estava acontecendo...
Escrito por Ordisi Raluz às 22h09
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Instituto de Metelogia Oro
Meu mundo caiu !
Com update...

Monday's update
E agora, minha Rede caiu,
Meu Outlook foi pra PQP,
Meu Back-up sumiu...
Novos postes elétricos e respostas aos comentários assim que colocar tudo de pé.
Tá rindo de quê? Pô!
Escrito por Ordisi Raluz às 16h54
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Açeçoria de Prensa
Blog, pra que te quero?
Já no ar, um fantástico texto sobre o tema acima, proposto por mim, para que Branco Leone desenvolvesse.
Ele o fez com sua costumeira maestria no domínio da pena sobre o papel em branco (ou do mouse sobre tela, mas isso agora é detalhe).
Clique aqui e tenha tanto prazer como ao saborear uma legítima Puricana, a Cachaça dos Deuses.
Divirta-se!
Escrito por Ordisi Raluz às 12h26
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Pensagadas Animais
As Savanas da Metrópole
Sabe aqueles filmes do Serengueti, lá na África, onde bandos de predadores ficam cercando, caçando e devorando as presas?
Sabe as cidades onde bandos de bandidos ficam cercando, roubando, assaltando e matando?
Lá no Serengueti, os caras que filmam não mexem um dedo.
Aqui, a polícia nem filma nem mexe um dedo.
Escrito por Ordisi Raluz às 13h40
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Caras & Baratas
Barata: O Inseto Predileto?
A Rê postou um lance com barata. Um desses insetos abjetos tinha passado por sobre o pezinho dela. Tadinha. Botou a boca no mundo. Deu o maior auê nos comentários.
Já que eu não ouso fazer comentário longo e duro, nem no Rambone, então conto a coisa aqui.
Restaurante árabe. Família em mesa grande. O garoto pede: - “Quero kafka e babakanuche”. Os adultos caem no riso, deixando-o amuado. Alguém lhe explica os nomes corretos - kafta e babaganhuche - contando ainda que Kafka escreveu “Metamorfose”, livro aonde o autor acorda transformado em barata. O amuado metamorfoseou-se em consternado.
Altas da noite - ficamos sabendo - o tal moleque acorda berrando como doido. Diz que tem um bicho zumbindo dentro da cabeça. Acharam que estava inventando. Pelo sim, pelo não, Pronto-Socorro. Atendente sorri verde. Injeta um líquido no ouvido do petiz e, com uma grande pinça, de lá extrai uma enorme barata.
Blarghhhhhhh! Durma bem!
Escrito por Ordisi Raluz às 00h05
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Encontros Inquietantes
A Iara e o Boto Cor-de-Prosa
O requerimento estava sobre a mesa de mármore.
No Olimpo ou em qualquer outro palácio etéreo aonde Deuses se reúnam.
Eles tratam das pendengas entre si do mesmo jeitinho que o fariam os materializados se tivessem poderes especiais. Quando tratam de questões terráqueas, aí tentam manter a fachada como competentes Divindades. Mas isso agora não importa. Ou importa?
Zeus, Odin e Minerva leram o papiro e sorriram entre si. Vênus e Darth Vader representavam seus respectivos protegidos – Iara e Boto Cor de Prosa, que ansiavam por vislumbrarem-se na matéria. Íntimos já o eram no éter.
Passaram-se lustros e microssegundos enquanto o Plenário debatia, mais para expor o brilhantismo dos Egos e a Força dos poderes. A questão em si nem de liminar carecia, quanto mais do voto de Minerva. Impunha-se concessão pela cláusula pétrea do Livre Arbítrio.
Convocados foram Chronos, Einstein e os Elfos. O espaço-tempo contorceu-se, pariu um wormhole e, num milagre, distâncias zeraram e o tempo parou.
Iara mirou e viu. Cor-de-Prosa calou-se, hipnotizado. Os Elfos declamavam, cantarolavam e proseavam enquanto o par se mirava, espelhava e conhecia.
E assim foi num sábado. Aleluia.
Escrito por Ordisi Raluz às 11h46
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Açeçoria de Prensa - 2° Clichê - 13/mar/05
Extra! Extra! Branco Leone escreve para você!
Nas palavras do próprio Branco Leone: "... me ocorreu fazer algo diferente, como presente (do aniversário do Blog dele) aos meus fiéis e pacientes leitores: vou passar uns tempos escrevendo posts por encomenda. Não sei se isso é mesmo inédito, mas não sei de ninguém que o tenha feito. Agora é assim: você pede, eu escrevo (nossos grifos!). Peça seu post por e-mail. Se precisar de algum detalhe adicional, eu digo. Quero liberdade para desenvolver o tema, e ofereço a certeza de que publicarei sua encomenda..."
Aproveite essa inenarrável oportunidade e faça o Leone rugir de alegria. Ah! E ao passar por lá, deixe um abraço extra do Ordisi, tá?
Breve! Breve! Nova Sextória do Ordisi!
Como parte de nossa campanha para fazermos este Blog concorrer em aderência com a Rede Blogo, além de discretas peças publicitárias - que não pecam por sutileza - fomos autorizados a divulgar que, muito em breve, no Engrenagem #4 e aqui no Ordisi Raluz, será veiculado mais um post elétrico, destinado a ser um legítimo campeão de aderência:
Os Logaritmos de Bruna
Ilustração da Revista Meigonlinha
Aguardem !
Escrito por Ordisi Raluz às 23h10
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Sinuca de Bico
A Pergunta Fatal
Eu dirigindo na avenida, meu filho no banco de trás.
Ele - cinco ou seis aninhos - perguntando tudo. Insistentemente.
A questão veio na lata, bem quando o farol amarelou:
- “Pai: o que acontece quando a gente morre”?
Tinha cinqüenta metros para responder, antes que o replay fosse acionado ad nauseam.
- “Não sei, querido. Ainda não morri”.
Foi só silêncio naquele dia...
Escrito por Ordisi Raluz às 23h49
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Manchetes
Que caia o Presidente
Hoje acordei de bom humor. Nem vou tentar explicar. Poucos me entenderiam.
Aí abro o jornal, tou com o olho na manchete principal quando minha visão periférica capta: "Boeing cai...". Ops !
Leio tudo: "Presidente da Boeing cai por namorar uma funcionária". Humor sutil o do jornalista. Ponto pra ele.
Que caia mesmo o estúpido do presidente (ser pego só por pular a cerca...). Mas que os aviões continuem são e salvos a voar pelos ares desse planeta.
Escrito por Ordisi Raluz às 09h02
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2° Clichê - Blogs & Vinhos
Calúnia Soçial
Uma fonte me alertou para uma reunião festiva da haigh-soçaity onde interesses incomuns dominariam a pauta. Sabendo do envolvimento do Sr. Raluz, imaginei primeiramente tratar-se de algo a ver com a pauta da Engrenagem e com certas meigas e doces Meninas.
Este calunista se equivocou. Disfarçado de garçonete, consegui uma infiltração para esta Calúnia. Era um encontro essencialmente queijístico e enólico! Ao levar copos de vinhos Bordeaux aos convivas, anotei no guardanapo a presença de Che Caribe (aos abraços com um certo Senhor), de Branco Leone (aos amassos com célebre Doutora), de Santos Passos (trocando carícias com Baixinha) e de Madame e Doutor Brandão.
Este convidado especial, emocionado, apregoava com todas as letras conhecer o anfitrião desde tempos imemoriais, mas que negaria o fato se pressionado pela imprensa, para horror de Madame Raluz que começou a inquirir o marido em altos brados sobre fatos do passado. Ao perçeber o furo de reportagem que tinha em mãos, afastei-me para tomar estas notas, anotando que garçons olhavam atentamente minhas pernas, as quais havia olvidado depilar.
Logo veio um segurança e – apesar de meus protestos – colocou-me porta afora, tratando-me como se pertencesse à imprensa marrom, que absurdo! Irado e a çorrelfa, abri o capô do Audi A8 de Santos Passos e dei uma faísca que descarregou a bateria de um só golpe. Como vingança se come fria, fiquei observando tudo de longe até o çocorro chegar às tantas da madrugada. Só aí vim à redação postar este furo quando, com furor, notei ter sido furado por Santos Passos em seu Blog.
Como cavalo não desce escada rolante, rememoro aos leitores e leitoras de que um dia é da caça e o outro do coçador.
Abrahi Q. Suei
para “O Blogo”
Escrito por Ordisi Raluz às 19h40
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Reminiscências
O Homem Atômico
Eu tinha uns onze ou doze anos. Papai devia estar numa boa fase, pois levou toda a família para um mês de férias em Águas de Lindóia. Naquele tempo, chegar lá de carro era uma aventura. E carro era só para gente muito bem de vida.
O Hotel tinha um nome francês que não arrisco escrever, mas pronunciava-se Bucô. Era bastante chique. Não era o máximo, já que o Glória e o Tamoio, mais caros ainda, eram freqüentados pelos ainda mais abastados e exibicionistas.
Naquele tempo, existia apenas uma única piscina em toda a Estância: a Municipal. Todos, sem exceção, deveriam passar pelo exame médico com o Dr. Tozzi para poder nadar naquelas sempre gélidas águas minerais, brrr.
Todas as manhãs, para ir à piscina, eu pegava carona na perua do Hotel, uma Plymouth com acabamento externo em madeira envernizada! Que chique a perua do “Seu Benedito”!
Todas as tardes, matinê, é claro. Cada santo dia um filme novo, sempre precedido dos seriados do Batman, do Zorro e do Roy Rogers!
Naquela manhã, os alto-falantes do cinema já anunciavam o “Homem Atômico”. Fiquei excitadíssimo para ver a fita, pois sempre tive muita - e ponha muita nisso - curiosidade por ficção científica.
Meu pai, justo naquele dia e sem mais aquela, resolveu “colocar-me na linha” pois - aonde já se viu - ir ao cinema todos as tardes! Fincou o pé, decido a evitar que eu me tornasse um “filhinho de papai” como o eram “todos os outros” moleques de todos os hotéis!
Ser punido por esse motivo “educativo”, justo no dia do “Homem Atômico”? Inaceitável. Impensável. Porém não houve choro, nem vela, nem soluço, nem pedido de clemência, nem arrazoado materno que o demovessem. Eu chorava, esperneava e nada, o Velho ficou irredutível. Pedi para que trocasse o castigo de data, mas nem isso me foi concedido.
Que ódio, todos no cinema assistindo maravilhados ao “Homem Atômico” e eu chorando a tarde inteira. Castigo imerecido, mas inolvidável.
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É ainda uma delícia preguiçar uns dias em Águas de Lindóia. Estivemos lá no último fim de semana. Hoje, não é mais necessário ser ricaço para lá ficar, nem vestir terno para o jantar. Todos têm carros; muitos carrinhos, poucos carrões. Também, as diversões agora são outras: onde era o Grande Cinema, hoje existe uma galeria de lojas...
Sempre que passo lá em frente, olho para a nova fachada do prédio mas continuo a ouvir forte e em bom tom os alto-falantes anunciando o tão esperado filme. Quanta nostalgia me sobe ao peito!
É triste, muito triste. Tenho a certeza de que, se um dia na vida eu, enfim, conseguir assistir ao tal “Homem Atômico”, não vou sentir nenhum dos momentos mágicos que teria sentido se o tivesse assistido em Águas de Lindóia.
Nova redação do post de 19ago2004
Escrito por Ordisi Raluz às 21h55
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