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Elos & Elos
Uma Corrente Diferente
“Blogs são como seus donos: nunca são definitivos”.
- Alterego, conhecem?
Constatei que o Nuno Guerreiro, lá do “Rua da Judiaria” - Blog que deve receber alguns milhares de visitas diárias - não se fez de rogado e participou da "Corrente Literária" (veja "A Vingança de Santos Passos", postada no dia 20 de abril, neste Blog). Alguém por aquelas bandas até inflacionou o número de convidados de três para quatro. No meu modesto entender, é uma evidência da boa acolhida e - fato relevante - de que a corrente é positiva e interessante.
Por aqui, partindo, por exemplo, dos Blogs do Branco Leone, da Rê e da Cacau, fui percebendo quanta gente boa esteve e está a se divertir. Quando acho um tempinho, vou seguindo os “links especiais” da corrente e descobrindo Blogs interessantíssimos.
Como é de se esperar, alguns a interrompem, seja por “ser contra” – o que normalmente seria o meu caso – ou por não ter para quem passar adiante tal espécie de “tarefa”. Outros, talvez por preguiça ou indiferença ao convite recebido. Na minha percepção, participar dessa corrente valeu a pena; vendo os resultados, estou feliz por ter vencido a mim mesmo e de não tê-la interrompido.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h40
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Antes Tarde...
Protesto !!!

Ontem foi dia de protesto contra o estúpido sistema UOL de confirmação dos comentários!!!
Eu comecei, desde 08 de fevereiro, a colocar a boca no trombone com o post GaratujasBurroCriptográficas. Parece que o trombone arranjou boa companhia e um mundão de Blogueiros(as) e Fotoblogueiros(as) fizeram o maior auê contra essa insensatez que só desanima.
Espero que agora a UOL acorde e torne a coisa mais amigável. Eu mesmo, inúmeras vezes, não consigo distinguir qual o dígito rabiscado. Mesmo sendo uma pessoa de boa visão e de excelente percepção das coisas, já errei até quatro vezes antes de conseguir sucesso! E não sou disléxico, pô! Acho os meus comentaristas uns verdadeiros heróis por estarem vencendo essas detestáveis barreiras com tanta galhardia.
Vamos lá, UOL, um pouco de bom senso! Antes tarde do que nunca. Como eu e este meu post.
Agradeço à Sandrinha pela lembrança e aproveito a ocasião para mandar-lhe um beijo e elogiar essa flor de pessoa que ela é.
Escrito por Ordisi Raluz às 01h03
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Aventuras Orientais
O Panda
Tóquio. Era um daqueles chamados “dias livres” no tour. Dia livre é um eufemismo para “meu chapa, compre uma excursão - cobrada à parte, claro - senão você fica morgando no hotel”.
Isso foi o que o resto do pessoal fez – mostrando o bom senso que qualquer bom turista deve ter, pois se foi até lá, sabia que ia ter dor de bolso. Mas nós? Ahá! Isso já é outra estória.
Minha caríssima metade havia visto, sei lá eu onde, que no Zôo de Tóquio tinha Urso Panda. Sabe? Aquela gracinha P&B fofinha com pelo preto em volta dos olhos? Isso. Aquele que parece um ursinho de pelúcia? Isso...isso é pergunta que se faça, pô?
Mais ainda. A raça dos Panda está em vias de extinção e enormes esforços estão sendo feitos pelos asiáticos para evitar tal tragédia. Ainda por cima esses bichos, apesar de tão bonitinhos, são assim meio frios e indiferentes. Não gostam muito de transar - veja que absurdo - daí a reprodução em cativeiro ser quase milagrosa.
Então, nada mais próprio do que ir ver os Pandas antes que acabem. Isso mesmo, sem excursão e sem guia.
- Querido (tratamento adocicado exclusivo para viagem), é só pegar o Metrô até o Zoológico e nada mais!
- Espere aí, meu amor (idem, ibidem). Você já viu que na rua ninguém fala inglês. E o nosso vocabulário local é formidável: “Sayonará” e “Arigatô”. - Ah! Alguém havia me ensinado mais uma: “Okanê” que é grana, dinheiro.
Saímos. Com um mapa de Metrô na mão e uma idéia na cabeça. Uma das principais estações ficava a apenas duas quadras do Hotel. Chegamos e fomos comprar os bilhetes.
- Sayonará! Where do we get the train to Ueno Zoo?
Oops! Agora, imagine-se como turista americano batendo pernas numa manhã de sábado lá pelo Viaduto do Chá. Você, turista, chega num transeunte e tasca-lhe uma pergunta em inglês. Quais as chances? Talvez de ser assaltado no ato e olhe lá. Mas de resposta? Só indiferença, claro!
E em quê os japoneses seriam diferentes? Ah! Sim, certamente você não é roubado. Mas ninguém dá a menor das bolas para você.
Os cartazes todos em japonês, centenas de máquinas automáticas de venda automática de bilhetes todas com instruções em japonês, milhares de pessoas comprando os bilhetes nas centenas de máquinas com instruções só em japonês e pensando com seus botões só em japonês. E agora, José?
Idéia luminosa de turista experiente. Pergunte a um policial. Olha um logo ali.
- Good morning, sir, how do we get to the train to Ueno Zoo?
O cara, mudo, sem contrair um músculo da face, segura firme meu cotovelo e me puxa com firmeza. Que diabos teria ele entendido? Estaria nos prendendo como espiões ocidentais?
Minha mulher nos seguindo, lívida! Anda que anda, corredor depois de corredor, o meganha nos larga – com um grunhido - no único guichê humano da enorme estação. Do outro lado do vidro, uma simpaticíssima japonesinha.
- Tickets to the Zoo, sir?

Bom, aí vai a foto do Panda para provar que não só fomos e voltamos de Metrô, como também fomos bem sucedidos em entrar e sair do Zôo. E mais: conseguimos não morrer de fome naquele lindo “dia livre”. Nos seguintes, pelo sim, pelo não, compramos excursão.
Escrito por Ordisi Raluz às 18h57
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O Cachorro Sumiu
Cadê "O blog bom pra cachorro: tem um post após o outro"?
Olhaí, sô. Simplifiquei o título. Ficou só o meu nome.
Por quê? Como sou uma nulidade para editar esse treco de templates, html e coisas do gênero, não consigo montar um subtítulo. Então fiquei - por ora - sem o dito cujo, mas anote: se um dia resolver (ou conseguir) dar uma incrementada no lay-out, o "bom pra cachorro" volta.
Por enquanto, vamos deixá-lo quieto no cantinho. Ele morde, pô!
Escrito por Ordisi Raluz às 03h33
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Comidas Exóticas e o Grande Pecado
Pipo, o único
No dia 31 de março, eu postei “Negócios na China” aqui no Blog. Nos comentários, a sempre alegre e alerta Rê perguntou sobre experiências com comidas exóticas lá no Oriente. Nossa! Que prato cheio, esse assunto!
Lembro-me de um restaurante, não muito longe de Pequim, onde o couvert veio numa travessinha de porcelana cheia de coisas parecidas com aranhinhas e besourinhos... Blargh! Por sorte, havia um cara na excursão que adorava essas minhocas todas. Com ele permutei minhas coleções de insetos por saladas. E por aí afora, coisas interessantes à cada passeio.
Também ocorreu o lance do famoso Pato Laqueado, no chiquérrimo Maxim´s de Pequim. Um enorme frescurol, cheio de encenações e mesuras, para servirem pobres patinhos torturados, pintados de dourado, nas mesas de dez pessoas. Enquanto os patofágicos se deliciavam com o acepipe, eu fiquei com as batatinhas. Quer dizer, com as saladinhas. Vai aqui minha primeira confissão do dia. Eu detesto pato, frango, peru, etc... Todo mundo sabe que a única coisa com asas que o Ordisi gosta é de avião! Especialmente dos aviões pequenos, ok?
Quando, em 13 de abril, decidi postar a receita de Pato Laqueado, eu estava com pouco tempo disponível. E comecei a digitar direto no Blog. Fui interrompendo e prosseguindo com o texto, por dia e meio, até chegar a um final condizente. Nesse ínterim, meus queridos leitores sentiram-se ao mesmo tempo curiosos e desorientados, pois não havia conclusão, pô! Que raio de técnica literária de meia tigela esse Ordisi estava inventando? Contudo, aos trancos e barrancos cheguei ao final, e, pelas estatísticas, parece que os leitores gostaram.
Entretanto, na ânsia de escrever cada trecho, cometi um pecadilho. Às tantas, quando o pato chega à casa, as crianças gostam muito dele. Como é natural, além das carícias e apertos de pescoço no pobre bichinho, dá-se um nome a ele. Foi aí que eu escorreguei. Chamei-o de Pipo. Isso aí: de Pato Pipo. Não é lindo esse nome?
No dia seguinte, recebo o seguinte e-mail em gritantes maiúsculas: - “CONSIDERO O "PATO LAQUEADO" UMA OFENSA MORAL, UM INSULTO, UM ULTRAJE . QUE MAU GOSTO E PÉSSIMA IDÉIA CHAMAR O PATO DE "PIPO"? TANTO NOMES ESTE PATO PODERIA TER, POR EXEMPLO, O PATO "ORDISI", SERIA MAIS SIMPÁTICO...SOLICITO RETRATAÇÃO POR ESCRITO NO BLOG..... CASO NÃO OCORRA, CONSIDERAREI NÃO MAIS ACESSAR ESTE ESPAÇO POR CONSIDERÁ-LO ANTI-DEMOCRÁTICO”.
Isso, queridos leitores, veio do meu próprio filho mais velho! Gente, que injustiça! Eu suporto tudo, mas chamar-me de anti-democrático? A mim, ser tão social, cordato e compreensivo? Nunca, never, jamais! Logo a seguir, chega outro e-mail: - “Oi Ordisi. Aí vão fotos do único e legítimo Pipo... Vamos ver se neste feriado essa "novela" acaba! Entendido? Beijos, Pi”. Mulher é outra coisa: manda beijinho e assina. Mas, se eu não acabar a novela nestes feriados, babau aos mimos que minha nora me dispensa. Perder isso eu não suportaria. Jamais!
Assim posto, aqui vai a retratação de que Pipo não é um pato. Pipo, o único, é o uau-uau do lindo casal que, em vez de prover netos à minha esposa, fica lidando com esse cãozinho por aí.
 
Come on, Pipo, good boy! Give a kiss to Grandpá, pô!
Escrito por Ordisi Raluz às 02h59
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Correntes Calientes
A Vingança de Santos Passos
Não tenho como recusar esta tarefa, atirada à sorrelfa em meus ombros, pelo grande Santos Passos. Trata-se de pura, fria e confessa vingança pela corrente de Dildos então advinda das bandas de Branco Leone. Com perdão do cacófato, como contrariar a estas feras da Blogosfera? Aí vai, caro leitor, meu elo à corrente, oriunda lá da Terra Mãe, ora pois, pá!
1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser? Não entraria, não sairia e nem seria. Quero distância de sistemas de medidas imperialistas e obsoletos. Já é suficiente eu ter que lidar com pés (ft), milhas náuticas (nm) e nós (kt) quando estou pilotando. Viva Kelvin, o absoluto!
2. Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção? Sim, por Gisele Bündchen. Quando jovem inocente, pelo Dr. Spock, Capitão Nemo, Muad’Dib...
3. Qual foi o último livro que compraste?
Foram, na verdade, dois:
a) The Elegant Universe, de Brian Greene, em inglês. Detesto ficar a corrigir os tradutores dos livros com conteúdo científico. Aliás, vou candidatar-me a tal cargo e ganhar um troco extra.
b) O Código da Vinci, de Dan Brown. Constituiu-se no maior quebra-pau “literário” de casa, nos últimos tempos.
4. Que livros estás a ler? Tenho a sorte de também ganhar muitos livros. Vamos lá:
a) Minha Vida, por Bill Clinton. Achei que este livro, com mais de cinco centímetros de espessura, fosse interessante. Só li o primeiro centímetro. Soa-me até aqui como se fora uma lista telefônica! Parei. Num dia de distração, continuo.
b) O Poder da Cabala, do Rabino Yehuda Berg. Está se tornando numa espécie de livro de cabeceira, mas o ponto mais interessante é que a Cabala, escrita há zilhões de anos atrás, dá o universo como constituído por onze mundos. A mesma coisa diz o recentíssimo “The Elegant Universe”, acima citado, com a “Super String Theory” e suas onze dimensões. Intrigante coincidência, não acham?
c) “dezamores”, autografado por Branco Leone. Ele é um dos dezautores, que desfiam talento em contos variados e muito interessantes.
5. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta? Levaria cinco: Gisele Bündchen, um iate, GPS, bebida e comida. Sem livros, pô! Pra quê?
6. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
a) À Renata Savoini, nossa alegre Rê, que, vira e mexe, comenta com propriedade sobre livros e autores em seu famoso “Objeto Abjeto”.
b) À Vera do Val, nossa querida Inquieta, escritora nata que, um dia, certamente, nos brindará com um livro de seus belíssimos contos amazônicos. O seu "Rosebud", é imperdível.
c) Ao Marcio Ben Iamin – nosso colega no "engrenagem" - com o seu "Um anjo pornográfico" que de anjo e de pornográfico nada tem. Mas tem ótimos textos.
Escrito por Ordisi Raluz às 13h51
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Resfriados
Hiboglós bra resfriados
- Seu Salim, precisa curar essa merda do meu resfriado.
- Ta bão, beu filio, leva essa Doral, toma dois bor dia com chá Erva Cidreira e leva dambém exta Hiboglós, passa no rabo dreis vez por dia.
- Mas, Salim - vinha o protesto – pomada no rabo pra resfriado?
- Lhê, quim ié o Barmacêutico?
- O senhor, claro!
- Endão faiz o quieu digo. Em dreis dia a gribe tchau!
- Seu Salim, estou tão resfriada!
- Ta bão Dona Flô, leva essa Melhoril toma dois bor dia com chá Camomila e leva dambém exta Hiboglós.
- Mas seu Salim, meu filho já está com cinco anos e...
- Não é bra ele, a senhora usa na senhora mesma dreis vez bor dia.
- Em mim? O senhor...
- Faiz o quieu digo. Em dreis dia a senhora vai estar fica muito boa do resfriado.
E assim vai à Pharmacia do Salim, naquela forte onda de gripe, quase toda a população da pequena cidade do interior. O Jacó, que de bobo não tinha nada, chega nele.
- Lhê! O Distribuidor está pagando prêmio na venda do Hiboglós?
- Não, Jacó, era a venda de sabão lá no meu Mercadinho que andava buito fraca.
Resfriado, pô?
Eu gosto dessa agitação toda. Toca o meu celular - não é trocadilho, não - e lá está a mensagem de que chegou a boa hora. Hora de movimentar, agitar, andar, correr e saltar para o futuro. Mas, minha gente, ainda é mais excitante do que isso. Quase todos os meus amigos e amigas também vão despertando. Vou saindo do meu nicho e me juntando às multidões. É como num show da Ivete Sangalo, mas com milhões e milhões dançando de cá pra lá. Os sinais de agitação vão aumentando, vemos as imagens no telão. São mulheres atraentes, curvilíneas, excitantes. As portas continuam fechadas, a pressão aumentando. No telão, aparecem elas agora nuas, em poses retorcidas – ai, que delícia – exibindo tetas, xotas e rabos. Frenesi, empolgação, é agora! Tocam as sirenes, abrem-se as comportas e – iupiii – lá vou eu com a multidão, numa ejaculação espetacular, levando meus genes para o fut... Hei, peraí! Alarme falso! Caí num tubo de ensaio. Quero mergulhar num óvulo! Tirem-me daqui dessa merda de...laboratório!? Não!!! Não me ponham nessa geladeira, pô! Vou ficar resfriado!
Textos publicados no engrenagem #6 , a revista sem eixo, sob o tema "Qualquer coisa com resfriado no meio". Lá estão, exibindo seus inúmeros talentos: Amargha Mason, Aspásia Francis, Banana de Pijama, Ben Iamin, Branco Leone, Pomba Maria e Replicante Raquel. Eu e Abrahi tivemos a honra de comparecer com os textos aí acima. Vão sempre lá visitar a gente, pô! Atchim !
Escrito por Ordisi Raluz às 12h31
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Sextória #3
A Banana de Bangkok
Noite quente em Bangkok, Tailândia. Nós, um bando de turistas brasileiros, no maior frisson para ir ver o show erótico.
As Vans que iam nos levar chegaram bem no horário. Uns minutos ziguezagueando pelo trânsito caótico e nos desembarcaram em plena zona do meretrício. Até aí, tudo bem, estranharia se fosse num museu...
Fomos gentilmente empurrados para um salão pequeno, cheio de gente. No centro, havia um círculo vermelho de mínimas dimensões: era o palco.
À volta, sentavam-se os espectadores, formando três pequenos círculos concêntricos. Os bancos eram toscos e sem encosto. Havia também uma quarta fileira com banquetas altas como as de um balcão de bar.
O ambiente estava empestado de uma fumaça tão densa que filtrava as luzes como num filme de cabaré. O show era “non stop”.
Ao entrarmos, um casal já estava executando o ato sexual. A menina, uma tailandesa de uns treze ou quatorze anos, rosto lindo porém inexpressivo, não transmitindo qualquer emoção. O rapaz, um jovem com cara de múmia. Só não o era porque mantinha a piroqueta executando o serviço com a regularidade de um metrônomo.
A coisa estava mais para, digamos assim, uma demonstração didática do que um show erótico. Não emitiam nenhum som. Mudavam de posição para cá, para lá, assim e assado, mas não cozido. Passados uns minutos, o cara terminou: provou, mostrando o sêmen, recolhido com a mão, para a platéia, enquanto a menina saia de cena cobrindo... o rosto!
Durante a demonstração de sexo, nós nos divertimos muito mais às custas de uns orientais deslumbrados da primeira fila. Todos eles homens. Aplaudiam, berravam, cochichavam e se cutucavam como se estivessem vendo coisa de outro mundo. Será que estavam?
Porém - como se sabe - quem ri por último, ri melhor. Eu chego lá. [Continua logo abaixo.]
Este texto foi publicado anteriormente no post do dia 12/11/04
Escrito por Ordisi Raluz às 10h31
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Sextória #3 - final
Xow-Xota
Entra no mini picadeiro uma mulher madura, nos seus trinta anos, de traços suaves e com um corpo escultural. Começa a acender um cigarro atrás do outro e a fumá-los todos com a xoxota. Ela sugava e soltava a fumaça, ao mesmo tempo em que fazia piruetas. Terminou o número soltando uma perfeita baforada circular! Pela xota. Simples, não é? A mulher era um gênio xoxotesco.
Após, pegou uma garrafa comum de refrigerante. Fê-la rodar pela platéia para que todos vissem que estava cheia e bem fechada. Pegou-a de volta. Não acho que a garrafa estivesse gelada, vai que a xota espirrasse, como ficariam as coisas? Mas foi com essa super- xota que a artista não só tirou a tampinha da garrafa - com “ploft” e tudo - envaginou o conteúdo todinho e foi dar umas cambalhotas no palco. Depois, com a maior naturalidade, agachou-se, desenvaginou todo o refrigerante na garrafa e, para gáudio da platéia, ofereceu a bebida a um doidão da primeira fila... E a gente rindo e rindo...
Outro número de destaque foi o das giletes. A mulher pacientemente comprovou, cortando tirinhas de papel, que cada uma das lâminas, presas ao longo de um fio, era verdadeiramente afiada. E foi enfiando, uma a uma, tudo lá. Arrepiante. Absoluto silêncio no auditório. Não lembro de tudo o que ela fez, mas do enorme alívio geral quando terminou de tirar tudo dali e agradeceu aos aplausos. Êta, mondo cane...
Para terminar seu espetáculo, a dona da super-xota pegou uma enorme banana, tirou a casca, enfiou todinha lá dentro, pediu áudio com tambores, agachou-se, abriu as pernas e começou a mirar. Primeiro para lá, aí virou para outro lado, mudou de idéia e, decidida, mirou bem em mim. Eu estava a uns três metros dela. E então ela atirou!!! A banana veio com tudo, bem na direção da minha cara. Não tive outro jeito senão agarrá-la. Foi um furor. Eram agora os desgraçados dos japas que rolavam de rir. E a minha turma então!
Também rindo, a xuper mulher pediu de volta a banana, que era de plástico, toda melecada com vaselina. Atirou-me um beijo de consolação e sumiu entre os aplausos e assobios.
Enquanto nos punham para fora e outros entravam – o show estava recomeçando com outro casal trepando ao vivo – eu ameaçava agarrar a cada um e a cada uma da turma, para nojo e horror deles. A bem da verdade, antes da porta de saída, alguém do staff supriu-me com os materiais necessários para deixar as mãos perfeitamente desinfetadas.
Mas, por uns dois dias, ninguém da turma topou apertar a minha mão. O melhor comentário veio de um senhor muito divertido, médico em Recife.
- Olha, moçada – disse ele – esse foi o melhor show ginecológico que eu já vi na vida
Este texto foi publicado anteriormente no post do dia 12/11/04
Escrito por Ordisi Raluz às 10h29
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Preconceitos & Hipocrisias
Parece piada, mas não é
Há os que fazem piada com loiras; que elas têm só dois neurônios, coisa e tal. Parece nada, mas é uma estupidez que cutuca e dói na alma feminina.
Há os que vão para jogar bola, mas que atiram dolorosas ofensas aos adversários; há os que incitam hordas uniformizadas e bestializadas a usarem rojões para alvejá-los em campo.
Há os que possuem todos os neurônios, estudos, dinheiro e tempo. Mas que, nos meandros de suas mentes, acalentam sonhos por tsunamis que afoguem raças inteiras. Depois, com ares de anjo, vão dizer que era só brincadeirinha...
Escrito por Ordisi Raluz às 12h25
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Aves e Povos
O Pato Laqueado
Receita por Ordisi Raluz e [comentários] por Abrahi Q. Suei, exclusivo d' "O Blogo"
Cace um pato de dois ou três quilos. [Estou caçando, pô!].
Pegue o pato e leve-o até o Maxim's de Pequim, China. [Não, não serve o Maxim's de Paris].
Aí, pense melhor. [É mais prático ir até Pequim e pagar o pato. No Maxim's, é claro!] .
Caçar é uma estupidez. É politicamente incorreto matar patos.[O certo é comer um pato que já esteja morto por causas naturais. Agora, note bem, é importante: isso não é válido para os homo -"sapiens". Humanos podem ser matados quase sem restrições, mas não devem ser servidos à mesa].
Então, faça de conta que você está sem tempo de ir a Beijing. [É dureza mesmo, mas em sociedade a gente aceita certos subterfúgios].
E você toma a corajosa decisão de fazer o pato você mesmo. Pega o carro e vai até uma Granja em Itapecerica da Serra. [Isso é que é ser decidido!].
Aí você escolhe um pato assim, ainda jovem, de forma a poder controlar o seu crescimento com uma dieta naturista e saudável. [Como pato não usa roupas, leia naturalista no lugar de naturista. Com esses cuidados, o pato terá muita saúde e uma longa e duradoura existência - a menos de acidentes, é claro].
Quando chega em casa, deixa-o quaquejando no quintal. A mulher acha-o uma simpatia. [A sogra, pra variar, não vai com a cara do pato].
As crianças, então, amam a novidade e batizam tão adorável avezinha de "Pipo" [Ou seria "People"?].
Após um tempo, você vê a sogra colando um papel na porta da geladeira. Vai lá e lê: [Por que essa surpresa toda? Não reclame, pois ela vai jogar na cara que foi você quem começou com tudo isso!].
PATO LAQUEADO
Ingredientes: 1 Pato com cerca de 2 kg, 50g de gengibre fresco ralado bem fino, 1 colher de sopa de óleo de soja, 1 copo d’água de vinho branco, 3 colheres de sopa de molho de soja, 3 colheres de sopa de mel, sal e pimenta do reino a gosto.
A lista completa dos ingredientes! É melhor você ir comprar o que está faltando. Ou não? [A velha está armando! Cuide-se!].
Ah! Você pesa o Pipo e ele está só com quilo e meio. [Com sogra vale tudo, ou não vale?].
Um dia, você chega do trabalho e vê a ogra (isso mesmo: sogra - sem o ésse - é ogra, pô) safada empanturrando o pato, forçando-lhe, goela abaixo, ração tripla com vitaminas. [A megera, não tendo mais como achar um ganso que nela se afogasse, parecia estar tramando um foiê-grass de Pato Pipo!].
Ela, descarada, mesmo pega no flagra, rí procê e diz que o Pipo já passou de dois quilos. [E ela dos cem, você pensa, mas não tem coragem de externar tão amável pensamento. Covarde!] .
Ao ir à geladeira, você vê, na continuação abaixo, logo a seguir...
Escrito por Ordisi Raluz às 15h03
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Aves e Povos
O Pato Laqueado, continuação
Então, como eu ia dizendo, ao ir à geladeira, você vê mais um passo da trama se desdobrando, colado à porta. [Lembre-se: a culpa é toda sua!].
PATO LAQUEADO
Como preparar: Tempere o pato com o sal, a pimenta do reino e o gengibre ralado. Numa panela funda aqueça o óleo de soja, coloque o pato e deixe aquecer. Uma vez aquecido regue com o vinho branco. Coloque a tampa na panela e deixe cozinhar por quinze minutos. Retire o pato da panela e coloque-o sobre um tabuleiro deixando escorrer. Leve-o ao forno bem quente até que fique bem seco. Misture o molho de soja com o mel e unte todo o pato com a mistura. Leve outra vez ao forno à temperatura de 200º centígrados e de 10 em 10 minutos pincele o pato com a mistura de molho de soja e mel, até que o pato apresente uma crosta quebradiça e brilhante. Sirva com arroz branco. Serve: 4 pessoas.
Mal você termina de ler, ouve fortes ruídos e grasnados. [Pode ir conferir: aposto que a megera está aprontando!].
De repente, você vê a sogra segurando o Pato Pipo pelo pescoço. Na outra mão da megera, um enorme facão! Vai degolar o Pipo! [Encerro por aqui meus comentários, pois, sabendo que cavalo não sobe escada rolante, não vou ficar pra pagar o pato!].
O sangue sobe à cabeça: ela vai ver com quantos paus se faz uma canoa e quem é que manda aqui, pô! Você passa a mão na machadinha, corre e agarra a Ogra Xexelenta pelo pescoço. Ela grita: - Tira a mão, senão...?
Senão? Você acorda. A mão no pinto duro. A cara metade ronronando ao lado. Que sonho mais estúpido esse! Pato Laqueado, coisa pra luxento, bolas! Enquanto escova os dentes, sorri para o espelho e toma a principal decisão para o domingo de sol. No almoço, comida do China Delivery. Lógico: Chop Suey de legumes, o seu prato predileto.
THE END
Escrito por Ordisi Raluz às 17h20
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Sextória #10
Delancey, Esquina com Essex
Julho de 1970, verão em New York
Calor de rachar, umidade sufocante. Meu amigo sugeriu almoçarmos comida judaica. Concordei, e lá fomos de moto, a cozer os miolos dentro dos capacetes.
Manhattan, Low East Side. A Deli ficava bem na esquina da Delancey com a Essex Street. Estacionamos as motos e, na porta do restaurante, demos passagem para um casal que também entrava. O velho passou e a mulher – jovem e bonita demais para ele – me fitou.
Nesse olhar, o tempo voou.
Julho de 1963, inverno em São Paulo
Recém-habilitado, dirigia num trânsito pesado. Notei um Chevrolet Bel-Air azul e branco, lindíssimo, tentando sair de ré de uma oficina. Parei suavemente, criando o espaço necessário. O carro saiu de ré, mas não parou, batendo na frente do meu carro: melhor dizendo, do carro de meu pai!
Sai do Bel-Air uma moça linda, elegantemente vestida, com as mãos no rosto:
- Ai, moço, desculpe, meu marido vai me matar, só me faltava essa, o salto prendeu, eu nem tirei o carro da oficina, já bati de novo, eu preciso falar com ele, vem comigo, fala com ele que ele paga, está bem?
E implorou: - Por favor?
- Deixe-me ver em quanto fica o conserto - um mecânico vinha saindo da oficina para dar uma espiada na confusão - aí então eu vou com você. Mas, antes, preciso ligar para o meu pai.
- Prometa que fala com o Aparício, por favor. Você pode ligar lá de casa para o seu pai. É aqui pertinho, certo?
- Está certo, mas deixe-me conversar aqui com o mecânico.
Com o orçamento em mãos, segui a linda recém-trintona por alguns quarteirões, até a casa dela. O Aparício - franzino, grisalho e enrugado - podia ser seu pai. Mas, marido? Bah! Ali tinha coisa.
- Olha aqui - mirou-me emputecido - você não tem direito a nada, ouviu?
- Como o senhor me diz isso? Ela veio de ré e então...
- Não me venha com lorotas, seu filhinho de papai. Você bate no carro e ainda quer se aproveitar do bom caráter da Suzinha?
- Eu não bati no carro dela, foi ela que...
- Tem Boletim de Ocorrência? Testemunhas? Foi você quem bateu atrás do carro. E quem bate por trás sempre é culpado. Vá embora, moleque, suma daqui antes que eu...
Ela tentou intervir: - Aparício, não faça isso, o coitado do...
- Cale-se, Suzana! Vá fazer meu uísque enquanto eu escolto o cavalheiro - pronunciou a palavra com todo o sarcasmo do mundo -para fora da minha propriedade.
- Mas Aparício, eu...
- Vá já fazer meu uísque Suzana, e você - olhou-me de cima abaixo - ponha-se daqui para fora imediatamente.
Setembro de 1963. Primavera em São Paulo
Eu em casa - morava numa rua muito tranqüila e arborizada - estudando para o vestibular. Vou até a cozinha pegar um sorvete. Ouço um carro parando bem em frente.
Olho pela persiana. Era o Bel-Air azul e branco! Suzinha, linda e elegante, fechando a porta do carro. Aproxima-se um Dauphine todo estropiado; a porta da direita se abre e ela, sorridente, entra. Ao volante, o mecânico.
Eu, incrédulo, fiquei vigiando, ansioso. Já caia a tarde quando eles retornaram. Ela baldeou-se para o carrão com pose de quem chegara da missa, e foi-se embora. Certamente a tempo de preparar o uísque do corno.
continua, logo abaixo
Escrito por Ordisi Raluz às 17h36
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Sextória #10 - Final
Outubro de 1963. Primavera em São Paulo
- Alô?
- Suzana, é você?
- Quem está falando?
- É o rapaz que bateu atrás do Bel-Air do Aparício - falei num tom jocoso.
- Ah! Como vai? Como você descobriu meu telefone?
- Ora, você me deu o número!
- Ah! É verdade, você esteve aqui... nossa, que vergonha do Aparício, ele...
- Ele está em casa?
- Não! Por que? Quer falar com ele?
- Não, preciso falar com você mesmo.
- Comigo? Eu vou dar um jeito de arrumar o dinheiro...
- Esqueça o dinheiro, o seguro do meu pai acabou cobrindo...
- Ah! Que maravilha! Mas então o que você quer?
- Tomar o lugar do mecânico na sua vida.
- O quê??? Como??? Isto é, - gaguejava - você está me...
- Farei qualquer coisa – interrompi, arfando - eu pensei muito antes de ligar. Não consigo tirar você da cabeça. Eu não consigo parar de...
- Pois bem – ela decidiu rapidinho – se é o que quer, vejo você amanhã mesmo, moleque chantagista.
- Onde?
- Duas da tarde, passo com o carro lá na banca de jornal. Esquina da minha rua com a avenida. E vou matá-lo – a voz traía ansiedade e insegurança.
- Não vai não, eu vou deixar uma carta num lugar que minha mãe fuça sempre.
- E onde a sua mãe fuça sempre?
- Na gaveta de revistas do banheiro.
Ela riu de forma estranha. Seria pavor? No dia seguinte, descobri: era puro tesão.
Setembro de 1965. Primavera em São Paulo
Não me importava se ela tinha tido outros ou não. As quartas-feiras de alegria e exaustão tinham sido minhas por quase dois anos. Graduação e pós-degradação completas antes de Suzana me avisar.
Beijou-me com olhos marejados, e trepou como se fosse a última da vida. Chorosa, contou-me que o barnabé do Aparício havia sido promovido para a agência Nova Iorque. Já estavam de viagem.
Por lá, o Outono já havia começado.
Este texto - ligeiramente compactado - foi também publicado no engrenagem #5, a revista sem eixo, sob o tema "Foi numa esquina da vida".
Escrito por Ordisi Raluz às 17h34
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Sextória #1 - 2º Clichê
Tesão
O mais incrível desta estória é que ela é verídica. Acredite quem quiser, duvide se quiser, mas aconteceu assim.
Eu peguei o ônibus em frente ao Peg-Pag, ainda com uns poucos lugares livres. As janelas, já estavam todas ocupadas. Tinha um lugar do lado direito, mais à frente no corredor, perto da saída.
Sentei-me e comecei a passar os olhos pelo livro. Era um livro didático, com um nome pomposo, “Advanced Calculus”: eu acho que tinha prova naquele dia.
O ônibus foi pegando mais e mais passageiros. Logo estava lotado. E superlotado, apinhado, as pessoas se apertando, comprimindo-se ao máximo.
De pé ao meu lado, uma garota bem bonitinha, que já vinha encostando-se no banco, começa a se inclinar para ver lá fora. A cada movimento, de amplitude crescente, seu cabelo roça em mim. Logo, o seu seio direito também entra na parada.
O livro de cálculo tinha capa dura e foi de grande utilidade para que não me vissem as calças, com o dito cujo dando verdadeiros saltos ornamentais, preso lá dentro!
Que loucura! Mas não terminou ainda!
Mais uns quarteirões e a doçura entreabre as coxas de leve (que macias!), encaixando a dita cuja dela no meu ombro esquerdo. Você já teve tesão de ombro? Não sabe o que está perdendo. Você já fez alguma garota gozar no seu ombro? Pois experimente!
Imagine a cena, no ônibus lotado. A despudorada só faltava gemer. Mexia pra cá e pra lá. Abaixava olhando para fora e apertava seus seios em mim. Eu estava para explodir, quando ela explodiu. Senti no meu ombro! A desgraçada gozou encaixada no meu ombro!
Meu ponto estava chegando. Levantei-me, lutando para chegar à porta de descida. Antes, porém, dei uma última olhada: ela tinha, por fim, conquistado o meu lugar... E sorria.
Este texto foi postado em 18 de outubro de 2004, neste Blog.
Foi também publicado no Rosebud em 27 de outubro de 2004.
Update, com desculpa esfarrapada:
Nesta versão, o parágrafo final foi alterado para que
eu não tivesse que explicar tantas outras coisas que ocorreram.
Se a curiosidade do leitor for forte, então dê um espiadinha
lá no "original" e nos respectivos comentários.
Aí vai entender tudinho, nos mínimos detalhes...
:)
Escrito por Ordisi Raluz às 20h57
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