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Texto para a revista engrenagem #9
Ad Vinho
- “Lembre-se que cavalo não sobe escadas rolantes. Nas rodas que freqüento e pouco me ausento, saber provar é conquistar”.
Abrahi Q. Suei, colunista da revista engrenagem e d’O Blogo.
Chego cerimoniosamente.
O rótulo oculto, o receptáculo toldado, habilmente disfarçados. A rolha desprendida num doce espocar, alertando para o despertar do sexto sentido.
Escoado para a taça cristalina numa elegante e prazerosa enxurrada, vertendo cor e tons sutis. Mirado como um prisma a repartir luzes e odores.
Agitado como uma bailarina a girar e a contorcer-se nas pontas dos pés. Notada a lágrima numa densa tensão que prenuncia a tesão do gozo.
Cheirado com a sede do prazer. Degustado com a sensibilidade das notas e timbres de toda uma filarmônica.
Sou dela o vinho predileto, para que nos desvende.
- E agora, lembra de mim?
Escrito por Ordisi Raluz às 23h24
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Pensagando com Força
Que as Forças Estejam Contigo !
Obrigado pelos que me fizeram companhia nesses feriados modorrentos que acabam de passar.
Um baita abraço, pô! E que as forças estejam com vocês.
- Como "as forças" - assim no plural - ô Jedi?
Sim as quatro forças do Universo. Elas que nos fazem existir, via interações entre as partículas de matéria, que nos mantêm juntinhos ou nos fazem em pedacinhos:
- A força da gravidade.
- A força eletro-magnética.
- A força nuclear forte.
- A força nuclear fraca. (Força fraca! Que nome bobo, né?)
E agora mais essa: ninguém, até o presente momento, conseguiu descrever essas quatro forças conjuntamente, numa única teoria.
Seria a tal famosa "unificação" que fez Einstein ficar doidão atrás dela, quase perder sua cabeleira e mostrar a língua para os paparazzi.
Bons tempos aqueles em que a inteligência valia mais que a bunda...
Escrito por Ordisi Raluz às 12h52
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Meu Mundo Sumiu
Tem Alguém Aí?
Se você está aí, então, por gentileza, clique no "Dê o seu alô" - logo abaixo - e registre sua presença, pô!
Preciso perder essa sensação de vazio que me dá nesses feriadões.
Coisa mais estranha, sô! Ou não?
Escrito por Ordisi Raluz às 23h05
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Texto para a revista engrenagem #9
A Vingança de Leca
Au! Existem coisas inacreditáveis que acontecem na vida de um cão como a gente.
Um dia, estava calma, meio sonolenta, refestelada no chão, junto ao portão de entrada, quando chegou um sujeito. Arrepiei de chofre, sentindo um profundo frio na espinha. Aquele cheiro nojento!
- Grrr!!! – rosnei, coisa que o Mestre da Fábrica achou muito estranha para uma cadela festeira como eu.
- Sai pra lá coisa danada – resmungou o cara, batendo o pé para me tocar; mas não movi uma palha. Quando o mandaram entrar, passou longe mim. Começou, então, uma época muito sombria, tão logo o tal sujeito conseguiu o emprego.
Recebeu o apelido de “Síndico”. Começou a papear e a prosear com o pessoal, a dizer que deviam reclamar e pedir mais benefícios, e que - caso não obtivessem vantagens logo - deveriam fazer corpo mole, enguiçar as máquinas e deflagrar greves. Falava de boca cheia de um tal de Lula.
O Mestre da Fábrica foi ficando “até aqui” com ele, mas eu ouvi claro e em bom tom que - caso fosse despedido - iriam fazê-lo em pedacinhos na rua. Grrr!
O Síndico era um vagabundo, assim como também se tornaram outros dois moleques catequizados por ele. Tentou até me apelidar de “Galinha”, porém os trabalhadores mandavam que ele limpasse a boca.
Au! Au! Pior ainda. Era vagabundo e ladrão. Vivia no banheiro, quando aproveitava para furtar os armários. Com um clip, abria cadeados, passava a mão na grana dos colegas e fechava de novo, sem deixar sinais. Eu o seguia. Ele via que eu via, mas desdenhava: - Cai fora cadela galinha, vai cacarejar noutra redondeza!
Num certo dia, já eram tantas as reclamações dos trabalhadores, que o Mestre precisou chamar a polícia e pedir para que todos, sem exceção, fossem revistados na saída.
O Síndico, tentando tirar vantagem da raiva que todos sentiam pela Ditadura, protestava em altos brados contra o “cerceamento das liberdades pessoais e pela humilhação da classe operária”. E, ao ser revistado, nada apareceu!
Grrr!!! Eu não agüentei! Rugindo, corri e mordi a calça dele.
- Sai cadela galinha, vou te matar, larga já a minha perna.
Grrr!!! Eu não ia largar por nada desse mundo. O Mestre, já desconfiado, vendo aquilo, me entendeu. Corajosamente, pediu para a polícia reter o Síndico e liberar o pessoal. Contudo, ninguém arredou pé do portão.
O Síndico protestava e ameaçava mundos e fundos. Os policiais, experientes, ameaçaram e fizeram com que ele cagasse em cima de um jornal. Confirmaram que escondia a grana roubada num treco que enfiava no rabo!
Quando estavam para colocar o safado no camburão, desmoralizado, sob vaias, imprecações e ameaças dos operários, eu lati, gani e rugi para ele:
- Grrr! E agora, lembra de mim?
Não, o desgraçado não lembrou de mim. Mas eu nunca pude esquecer o cheiro dele. Foi ele o filho da puta que enfiou a embalagem de leite Leco na minha cabeça e me largou na rua para morrer...
Escrito por Ordisi Raluz às 01h18
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Mordomia na Fábrica
O Pedigree de Leca
Eu fui muito bem acolhida na fábrica, uma serralheria do avô do rapaz que me salvou. Os operários me davam as sobras de comida e eu fui crescendo muito bem alimentada.
O galpão só tinha matagais em volta. Assim, eu logo tive que aprender a matar os ratos, espantar os sapos e latir para as cobras que todo santo dia vinham fazer uma visitinha.
Acho que, por essas e outras, todos gostavam muito de mim. Conversavam comigo e eu podia ficar circulando à vontade, mesmo enquanto trabalhavam.
Eu tinha meu caixote para tirar cochilos, já que passava muito tempo de vigília durante as noites. Assim, fui crescendo esperta, social e bonita.
Assim que debutei, logo engravidei e pari minha primeira ninhada de oito lindos filhotes. Foi uma festa completa, com os operários trocando socos e pontapés para ver quem ficava com qual filhote.
O Mestre organizou um sorteio e a paz voltou, mesmo porque já tinham também “rifado” meus futuros filhotes! Eu fiquei muito feliz pois já que sabia que – ao contrário do que aconteceu comigo – todas as minhas crias iam ser bem-vindas e bem tratadas.
Dessa forma eu não decepcionei ninguém. Era muito cortejada por todos os machos das redondezas e me divertia muito vendo todas aquelas refregas. Uma dúzia de cães brigando desesperadamente na rua só para ver quem me cobria. Esses machos...
O fato é que o meu “pedigree” se tornou reconhecido e meus filhotes sempre disputados. Quando alguém da família do dono metia o bedelho, havia ciumeiras - pois eles se sentiam no direito de furar a fila do sorteio - mas o Mestre era hábil e sempre achava um jeitinho para acalmar o “injustiçado”.
O pessoal dizia que meus filhotes eram proletários (palavra que nunca entendi bem) e não eram para o bico da nobreza ou da patronagem. Para mim, tratando-os bem, não me importava quem.
Assim foram para as casas da nobreza muitos dos meus. Chopinho e Lequinho foram dois que também ficaram muito famosos, mas isso já é outra história, certo?
Escrito por Ordisi Raluz às 11h19
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Recepção e Decepção
A Moradia de Leca
Au! Era muito pequena, um bebê, mas não posso esquecer do que aconteceu. Havia muitos para mamar e era muito difícil chegar nas tetas da minha mãe. Aí, vez ou outra, alguém dava um pouquinho de leite de vaca para nós. Não me perguntem como, eu sabia que lá tinha um sujeito muito mau; sentia que ele não gostava de mim. Uma noite, com fome, fui lamber um resto. Ele então me pegou e me encapuzou na embalagem do leite. Levou-me para um lugar ali por perto e me largou! Grrr!
Não tive muito tempo para desespero: logo ouvi o barulho de carro, os pneus derrapando. Cãim! Passou por cima de mim. Mas eu não morri. Senti alguém me pegando, tirando a embalagem da minha cabeça e me acariciando: - É, desta você se safou! Levou-me para dentro do carro. Aí então, eu fiz xixi: que alívio! Ahhh! Quando o rapaz chegou em casa, estava meio bravo comigo. Na minha percepção canina, não gostou do que eu aprontei no chão do carro.
Ele foi logo chamando os outros. - Mãe, manos! Vejam o que eu trouxe! - Oh! Um filhotinho! Deixa eu pegar! – comemoraram as crianças. – Em retribuição, meu rabinho não parava de balançar. A mulher foi logo dizendo: - Você não está pensando em deixar esse bicho aqui em casa, está? - Bem, eu salvei de ser atropelado e acho... - Não quero nem saber, amanhã cedo suma com isso daqui! Eu só sei que, enquanto os garotos brincavam comigo e me acariciavam, a mulher continuou brigando com o rapaz. Foi uma discussão e tanto: minha intuição canina me disse que eu não ia poder morar naquela casa tão agradável, com crianças tão simpáticas.
No outro dia, bem cedinho, muito irritado - eu tinha ganido, chamando por ele a noite toda - o rapaz me levou para a minha nova e definitiva morada: a fábrica. Uau!
Escrito por Ordisi Raluz às 23h04
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Reminiscências
Leca
Anos 60. Era noite e eu voltava da Cidade Universitária pelo Morumbi, a cem por hora com meu Teimoso e com um amigo agarrando-se ao precário banco de lona do carona. Não havia lua e o trânsito era mínimo.
Eu vinha fazendo as curvas cortando-as por dentro, no limite do carro, controlando as derrapagens. Meus fracos faróis conseguiam iluminar apenas o essencial e olhe lá! Passando a Casa da Fazenda há apenas mais duas curvas. A primeira, mais fechada, que obriga a reduzir a marcha. A segunda, contudo, uma delícia para pilotos: ampla, de raio generoso, em ligeira descida e terminando numa longa reta que vai dar lá na ponte.
É uma curva para a esquerda. Você abre ao máximo e entra com tudo, cuidando de manter o carro bem sentado na traseira...êpa...um pacote de leite com patas atravessando a pista!!!
Agora, aja rápido, Ordisi. Mas parece que tudo anda em câmera lenta, muito lenta. Tenho que colocar as rodas de tal forma a que o pacote de leite passe incólume sob o carro. Vou esterçando, controlando a derrapagem. Mas estou no limite, não posso encostar nos freios, será que... acho que consegui!
- Aquilo é um filhote com um pacote de leite na cabeça?
- D-d-deixa que eu pego, Ordisi - gaguejou meu amigo.
Endireitei e brequei, passados mais de trinta metros de distância do pacote que vagava sem rumo pelo meio da pista.
Ele recolheu o embrulho: um filhotinho de cachorro, com a embalagem de leite piramidal cobrindo-lhe a cabeça. Tinham colocado na pista para ser atropelado. Quem foi o filho da puta que fez uma coisa dessas?
O pacote era de leite Leco. O filhote era uma fêmea.
Assim renasceu a Leca.
Este texto, com ligeiras alterações, foi postado em 12out2004 neste Blog.
Escrito por Ordisi Raluz às 22h33
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Jerimum com Juba
A Receita, e a Foto !
Antes do prato principal, claro, tem entrada. Para preceder tal acepipe ela deve ser sofisticada: Burekas! Burekas regadas por doses duplas de Black Label e mais umas tantas outras de cachaça Puricana.
Para acompanhar o Jerimum com Juba, as senhoras podem apreciar um Chardonay e os cavalheiros um Carménère. Na verdade esqueçam esse detalhe, já que, na vida real, todas e todos bebem tudo de tudo.
Dito isso, vamos ao que interessa, a receita do Jerimum com Juba, na digitação do próprio Branco Leone:
Para quatro pessoas
Carne seca de qualquer tipo (600 g, seja de charque, carne-de-sol, carne-de-sertão, jabá, sambamba, sumaca, de boi, de porco, o que vier tá valendo) Uma abóbora japonesa que caiba no seu microondas (e que tenha mais de um quilo e meio) Catupiry ou similar (250 g) Creme de leite (200 g) Farinha de mandioca (400 g) Azeite (meio copo) Cebolas (duas, das grandes) Alho picado (uma colher de sopa) Noz moscada ralada (uma colher de sobremesa) Cominho (uma colher de chá) Sal
Deixe a carne de molho por 24 horas. Troque a água sempre que lembrar disso. Passado o tempo, corte a carne em cubos (ou coisa parecida). Cozinhe-a em bastante água, em panela de pressão, por 40 minutos. Se os pedaços forem grandes, talvez seja preciso um pouco mais de tempo.
Enquanto cozinha a carne, destampe a abóbora com uma faca de serra e retire as sementes e a cabeleira com uma colher. Lave a abóbora por dentro (e por fora, se desejar), certificando-se de que não sobrou nenhuma semente . Ponha a abóbora no microondas em potência máxima, com a boca virada para cima, e comece cozinhando-a por 20 minutos. A final do tempo, retire um pouco da polpa com uma colher e prove. Se estiver macia, enfie um garfo na polpa, e certifique-se que ela está cozida por igual. Se não estiver, vá dando cozimentos adicionais de 5 minutos, até que esteja. (Conforme a potência do microondas, a casca da abóbora pode arrebentar. Não há problema: se arrebentar, você serve o prato de um jeito; se não arrebentar, de outro.)
Retire a carne da panela de pressão, deixando lá a água e alguns pedacinhos de carne. Aqueça uma grande frigideira (pode ser uma panela) com o azeite e o alho, e frite a carne com as cebolas cortadas em rodelas, empurrando os pedaços de carne contra a panela, para que desfiem. Prove e retifique o sal, se necessário. Tempere com a noz moscada e o cominho. Quando estiver tudo bem frito, despeje o catupiry e misture bem. Em seguida, o creme de leite. Espere que a mistura se aqueça, e...
Final número 1: Se a sua abóbora arrebentou, divida-a pelos pratos e despeje sobre ela a quantidade de carne que desejar para compor.
Final número 2: Se a abóbora ainda estiver inteira, coloque-a num pirex, encha-a com a carne e despeje a que sobrar no pirex, à volta da abóbora.
Enquanto a negrada espera, aqueça a água do cozimento da carne e despeje a farinha de mandioca BEM devagar, mexendo sempre para não empelotar, até que o pirão se consolide. Sirva o pirão no prato.
Muito bem, gostaram? A sorte é fazer parte da negrada que fica esperando para manjar tudo. Eu já tive essa sorte. Tá com inveja, pô?
Update: Tá bom, tá bom, agora parem de reclamar! Eu apenas esqueci de postar a photo ontem, pô! Só isso.
Agora, olhem bem, pasmem e babem: depois disso, quem pode pensar em chinchulines?

Escrito por Ordisi Raluz às 20h17
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Enquetes Culinárias
Jerimum com Juba
Às vezes me pergunto para que servem os amigos. E me respondo: servem para privarmos da sua amizade e - preferencialmente - retribuir.
Agora, suponha um amigo blogueiro. Um blogueiro bem conhecido. Está bem, vá lá - rasgo um elogio - um blogueiro célebre. Literato, com publicações na praça.
Esse Blogueiro vai e fala de pratos com receitas digamos, nojentas. Mais um pouco: asquerosas! Aí você acha que o cara é um doido, que só anda por aí comendo salsichas de bosta, acompanhadas por picles de fetos abortados, certo?
Errado!!! Isso é o que ele quer que a gente pense dele. O cara fala uma coisa mas come outra. Entendem para que serve um amigo? Para livrar a cara do cara, mostrando que - no fundo – ele é boa gente: um verdadeiro Gourmet na vida real.
No caso, inclusive, criou um prato sensacional, que me permiti batizar em sua homenagem: o Jerimum com Juba.
Agora, a Enquete com apenas duas perguntinhas:
(a) Quem saberia me dizer qual o Blogueiro meu amigo que criou essa maravilha da culinária brasileira?
(b) Quem gostaria que eu postasse a receita do Jerimum com Juba aqui no Blog, com foto e tudo?
Escrito por Ordisi Raluz às 21h03
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Textos Engrenados #8
Este é um texto especial para a edição #8 da engrenagem – a revista sem eixo,
que desafiou seus redatores com o tema “a importância do p e o melhor do corpo humano".
Deu nisso aí...até parece psicografia...
poverdose, pô!
pOrdisiRaluz
preciso publicar prefácio
postar partes preferidas
plebeu provocando palácio
percebe parcelas prometidas
pensamento pipoca precioso
psique perguntas presume
preâmbulo por pretensioso
propõe poesia perfume
pálpebras primas persianas
piscam provando paisagens
prevaricam pazes provincianas
protelam parando paragens
pescoço pilastra potente
pilota pessoa possante
pronuncia postura presente
prenuncia presságio passante
peitos promontórios prazerosos
pontas postas para prole prover
pivetes pecaminosos
prolongam procuram prazer
pança puro preconceito
porco, pamonha, perdiz
prêmio profundo proveito
perdão precatório prediz
pinto penetra premente
posterga protagoniza
pirada perua pagante
pífio pudor profetiza
periquita portal predileto
porteira prazerosa picante
proibida para padreco
pois prenda pároco probante
pernas poses patentes
padrão propaganda procuram
pedem prumo proa presentes
pedalam patinam pululam
pés passeiam planando
prelúdio pro passo pagode
pandeiros põem provocando
pecado pacato pixote
Escrito por Ordisi Raluz às 19h26
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Pensagada Hidrogenada
Nuvem de Hidrogênio pode pensar?
Não?!?!?!
E de onde você pensa que veio, pô?
Updates
Quando ocorreu "a criação d" o Universo - pelo tão famoso Big-Bang (grande explosão) - surgiu o "nosso" espaço tridimensional, que foi-se inflando, ocupado por formas primordiais de energia. Simplificando um bocadinho as coisas, com a expansão, parte significativa da energia condensou-se em Hidrogênio. Dessas nuvens de Hidrogênio (ou nebulosas galácticas) formaram-se estrelas - verdadeiros fornos de fusão nuclear - que sintetizaram os outros elementos químicos, formando planetas. Dentre quaquilhões deles há a "nossa" Terra, onde se originaram as proteínas, as células, os primeiros organismos e... AS CEGONHAS, pô!
Escrito por Ordisi Raluz às 05h56
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Burrocracia Jeguística
O Governo no Xadrez
- Pai, vamos tirar aquela negra? – no fim de semana anterior, havíamos empatado: um a um.
- Certo, filhote – traga as coisas – respondi, enquanto ruminava uma preocupação: acabara de ler que o governo publicou uma relação de palavras que, por politicamente incorretas, deveriam ser banidas do vernáculo “oficial”.
- Aí está – disse ele, colocando o tabuleiro na mesa – agora vamos sortear quem fica com as brancas ou pretas.
- Mocinho – você ainda não leu o novo decreto?
- Que decreto? – olhou-me com um sorrisinho desconfiado – não me venha com gozação, pô!
- Esse agora que eliminou as palavras “negro”, “preto” e muitas outras da linguagem permitida? Agora em vez de “tirar a negra” nós vamos “desempatar a contenda” e em vez de peças pretas temos peças “afro-sul-americanas”, sabia?
- He, he, he – de onde você tirou tamanha idiotice?
- Daqui – exibi a reportagem – não mostram toda a lista, mas não é difícil adivinhar por onde vai a coisa.
- Pô, pai – ele passou os olhos pela matéria, aqui diz que "peão" também foi proibido – como fica então o jogo de Xadrez?
- Que tal “obreiros” ou, ainda melhor, “sem-terra”?
- E os Cavalos? Agora cavalo é palavrão – riu ele em voz alta.
- Que tal Pulgas? Elas também saltam bem.
- Bispos, tudo bem, certo?
- Querido, acho que devemos chamá-los apenas de Bispo de Esquerda e Bispo de Direita, não é?
- He, he – ele estava curtindo a ficção toda – Rei e Rainha, então...
- Presidente e Primeira-Dama, lógico...
- As Torres?
- Ministérios – últimos a se movimentar e apenas dois para cada partido – já estava partindo para o besteirol, mas o papo estava muito divertido.
- E como fica o Xeque?
- Grita “Olha o Severino”, pô! – e desatamos a rir até as lágrimas.
Escrito por Ordisi Raluz às 12h14
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Pensagadas Incertas
A Cerveja do Heisenberg
Princípio é uma supunhetação que se enuncia sem provas, mas que subsiste - sã e salva - às teorias e experimentos. Algo assim como uma desconfiança que acaba sempre se provando verídica. Tipo: - “A ilha do cientista louco vai explodir no fim do filme”. Ou: - “O mordomo é o culpado”.
Pois muito bem. Heisenberg, nome digno de tornar-se marca de cerveja, um dia disse - em precisa linguagem técnica - que é impossível fotografar-se um objeto e daí deduzir, simultaneamente, a localização e velocidade do dito cujo. Esse enunciado ficou conhecido como o “Princípio da Incerteza de Heisenberg”.
No nosso dia a dia, neste mundo macroscópico, com tanta tecnologia, isso parece uma grande bobagem, coisa de bêbado mesmo. É só a gente fotografar um carro em movimento e tudo resolvido, certo?
Olhaí, fotografei - com a minha Rolleyflex – o Senna correndo com um McLaren em Interlagos. Do outro lado da pista, aquele outdoor com a mulher gostosa. O carro está bem aqui, olha só a pontinha do aerofólio dianteiro passando exatamente pelo começo da moldura. Portanto, sei perfeitamente sua posição. A velocidade é...peraí! O Senna parece parado! Mas, sabemos todos, que estava quase voando... Putzgrila, meu, e agora?
Ahá! Tenho outra foto, quando o Senna passava pelo mesmo ponto, tirada com o obturador da Rolleyflex em regulagem mais lenta. Veja, o carro aparece agora como uma “mancha arrastada” . Medindo o tamanho da mancha, fica fácil determinar a velocidade do carro. Claro, examine bem: ela se “arrasta” do começo ao fim do outdoor. Ao fazer umas contas, eureka! Banana para o Heisenberg! O carro estava a 250 km/h e sua posição exata era, putz... qualquer lugar entre o início e o fim da mancha!
Quem diria, o Heisenberg tem toda a razão. É impossível ter precisão em ambas as medidas - posição e velocidade - ao mesmo tempo!
Cá entre nós, para estar tão perfeitamente certo em sua incerteza, ele só podia estar bêbado. Então, vamos rebatizar alguma cerveja com o nome dele? Ele merece, ele merece...
Escrito por Ordisi Raluz às 01h40
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Textos engrenados #7
A Bunda de Manuela
- O que são equações diferenciais?
- O que é entropia?
- Como um avião tão pesado pode voar?
- O que diferencia os férmions dos bósons?
- Como funciona um pára-raios?
Ai, que saudades dessas perguntas deliciosas. Todas elas com começo, meio e fim. Hipótese, demonstração e tese. Descartes, razão e lógica.
- “Por que a bunda fica lá atrás, escondida de mim”, é uma pergunta rachada, partida, quebrada, que oculta um poço sem fundo, um buraco sem fim, um blackhole sem volta. Enfim, uma armadilha fatal.
Essa perspicaz questão foi levantada por uma garotinha - Manuela, netinha ímpar de uma Madame idem – que, com essa, perdeu o rumo e solicita socorro. Vou, por índole aventureira, arriscar a pele e tentar o resgate à distinta senhora.
Eu acho que a bunda fica lá atrás, Madame, para combinar com a posição das palmas de nossas mãos. Passar a mão numa bundinha gostosa é tão natural e instintivo quanto mamar.
Se a bunda viesse para frente do corpo, as palmas das nossas mãos nasceriam para fora, é claro, já que passar a mão é um dos atos que melhor explica o selvagem evolucionismo de Darwin. Provam-no, cabalmente, políticos e banqueiros.
Você está vislumbrando, Madame? Com as palmas das mãos em tal posição, o coçar da cabeça fica um inferno e tirar meleca do nariz impossível; imagine então como arranha o rosto o enxugar de uma lágrima e torturante fica o ato solitário.
Ah! Certo, Madame – concordo. Para compensar, a genitália evolui e muda para onde estava a bunda. E que tal ficam as coisas com a genitália nas costas? Excitantes? A humanidade sobrevive?
Claro! A evolução vira a cabeça e torce o tronco até que o casal trepante possa olhar um para o outro, mesmo de olhos fechados. Essas coisas papai e mamãe, não é, Madame?
Mais um retoque, Madame? É nesse ponto que Darwin quase troca os pés pelas mãos quando apenas deve girá-los segundo sua solicitação final?
Cara Madame: diga-nos, agora que aperfeiçoou e terminou o novo modelo para a Manuela, o que mudou, se a bunda voltou a ficar lá atrás, escondida de novo?
Que dizer à Manuela? Que Darwin explica, ora bolas! E, se ela choramingar, perguntando inconformada quem é esse tal de Darwin? Melhor dar-lhe umas boas palmadas na bunda, e ponto final.
Texto publicado na Revista Engrenagem #7. sob o tema "por que a Bunda fica lá atrás, escondida de mim?"
Escrito por Ordisi Raluz às 23h37
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Pensagadas Quânticas
O Gato Preto num Quarto Escuro
Eu, quando muito criança, desconfiava que as coisas poderiam desaparecer ao fechar meus olhos. Assim, procurava piscar rápido, para não dar chance ao mundo de evaporar. Virava-me de súbito para trás, só para conferir se os móveis e as coisas não haviam sumido. Vigiava pelos espelhos, atentamente. E tinha receio de pegar no sono, com medo de perder meus entes queridos.
Essa coisa infantil deve ter sido uma premonição de que um dia eu iria me encontrar com o mundo revolto e surpreendente da Mecânica Quântica.
Existir é interagir. Sem interação, não há como saber ou não da existência.
No escuro, você apura o ouvido para “sentir” se existe alguém por perto ou não. Para você enxergar alguma coisa e ver que ela existe, é necessário que - no mínimo - um raio de luz (fóton) seja emitido ou refletido por essa coisa e chegue até seu olho.
Ocorre que, quando o fóton sai ou é refletido, por ter energia, ele muda o estado da coisa. Daí, quando você vê uma coisa, ela já não é mais exatamente o que era.
Em outras palavras a interação - o ato de ver a coisa - permite a você saber que a coisa existiu. Mas, e agora, será que ela ainda existe?
Escrito por Ordisi Raluz às 00h40
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Criança inventa cada uma...
Por que a Bunda fica lá atrás, escondida de mim?
Acreditem! Essa inusitada pergunta foi feita por uma garotinha - aí de uns dois ou três aninhos - para Madame, sábia e experiente, que ficou totalmente perdida após esse inesperado advento.
De forma intrigante, essa instigante e profunda questão foi selecionada como tema da próxima "engrenagem - a revista sem eixo", que deverá ir ao ar nos próximos dias.
Arrancando os cabelos, eu, Branco Leone, Aspásia Francis, Amargha Mason, Banana de Pijama, Ben Iamin e Replicante Raquel estaremos abordando a Bunda sob os mais abundantes pontos de vista, quiçá até tentando responder à impertinente pergunta.
Aguardem! Logo, logo, também estarei postando aqui no Blog o meu texto da Bunda, pô!
Escrito por Ordisi Raluz às 19h12
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