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Ordística é Progresso
Os DesMandamentos
Após a espetacular estréia da peça do Branco Leone, foi realizada uma reunião semi-secreta da Seita, apenas observada por algumas centenas de freqüentadores do Planeta.
Alguns compareceram por canais virtuais e até mesmo por hologramas, visíveis para este Humilde Guia que vos dirige a palavra.
A radiante atmosfera da Reunião da Alegria contaminou aos presentes, que fizeram generosas doações. Até mesmo o dono do Planeta, além de prover comida e bebida à Nossa Vontade, carimbou os tickets de estacionamento de nossas naves e, grato, rogou por nosso breve regresso.
A pauta resumiu-se em como estabelecer os “DesMandamentos” da Ordística. O Iluminado Guia foi aplaudido por sua Sábia Decisão em ouvir sugestões dos Fiéis Seguidores de todo o mundo para que os DesMandamentos refletissem da melhor forma a Grande Verdade.
Assim, generosamente, abro espaço para que a Minha Caixa - ainda só a de comentários - receba Sábias Contribuições para o tema. A única solicitação deste Humilde Líder é de que seja acatado, desde já, por todos os fiéis, um DesMandamento Fundamental:
“Não cobiçarás o Mensalão do próximo”.
Alia Jacta Est.
Escrito por Ordisi Raluz às 14h14
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Texto para a revista engrenagem #11
O Balão Trágico
Terezinha sorriu quando Pimenta recomendou que prendesse os longos cabelos loiros num coque. Afinal, num vôo de instrução, preocupações com fivelas e cabelos esvoaçantes seriam distrações descabidas. Enquanto ela os prendia, imaginou-se mordiscando a nuca esquia e provocante da colegial - filha do maior fazendeiro da região. Divertindo-se com o pensamento, sorriu de volta para ela. Pimenta fazia jus ao nome de pista. Com vinte e três anos, já passara das duas mil horas voadas. Aguardava pela prometida chamada de uma grande companhia aérea. Enquanto isso, ia-se arrumando como instrutor de vôo naquela pacata e agradável cidade do interior.
Dráuzio, filho do prefeito, propôs ao pai que soltassem um grande Balão na noite de São João. Para isso traria um pessoal do Rio de Janeiro, construtores de verdadeiras maravilhas: balões colossais, capazes de subir quilômetros de altura e voar por dias a fio! Seriam necessárias centenas de pessoas para que um desses pudesse ser inflado e solto. Haveria melhor forma para capitalizar prestígio político nessa época? O prefeito achou genial a idéia do filho e ordenou que fosse executada a empreitada: queria o maior Balão de São João do mundo. E que seus assessores convidassem toda a imprensa para ocasião tão especial.
Numa tarde de sol, após recolherem o Paulistinha ao hangar, Terezinha - como de hábito - seguiu Pimenta para a saleta de debriefing, onde o seu desempenho no vôo seria comentado e criticado. Em vez disso, beijaram-se louca e apaixonadamente.
Numa noite fria, após o ensaio da Quadrilha, Terezinha - a Noiva - não teve forças para resistir ao charme de Dráuzio - o Noivo - e capitulou ao calor de seus beijos e carinhos.
Antevéspera de São João. Terezinha foi feita mulher por Pimenta, no sofá da saleta do Aeroclube, onde juraram amor eterno.
Véspera de São João. No banco traseiro da pick-up, Dráuzio possuiu Terezinha e juraram que aquela paixão era para toda a vida.
Noite de São João. Estrelas no céu. Quermesse, festança, comes e bebes. Após a Quadrilha, toda a cidade foi ao estádio de futebol para soltar o Balão. Ansiedade, torcida e vibração tomavam conta do povo enquanto ele foi-se inflando. Mais um pouco equilibrou seu próprio peso e, lentamente, o gigante alçou vôo. O alvoroço do povo mesclou-se ao espocar dos flashes e à agitação de câmeras e repórteres. O prefeito, ao lado do filho, sorria, posando para o mundo. De repente, um som inesperado na noite. Enquanto o Balão ganhava altura, o Paulistinha decolava lá do Aeroclube. As dezenas de lanternas presas ao Balão iluminaram o pequeno monomotor quando passou a circulá-lo como se fora uma libélula ofuscada. Inquieto, Dráuzio viu Pimenta levar as mãos à cabeça em desespero. O frenesi e o alarido de alegria logo se tornaram em gritos de horror quando Terezinha, inebriada, jogou a pequena aeronave contra o enorme Balão, desmanchando suas juras de amor numa imensa cascata de fogo.
Escrito por Ordisi Raluz às 13h00
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Pensagada Apimentada
Fillet au Poivre
Haverá alguém por aí - além de mim - que goste de Fillet au Poivre?
Escrito por Ordisi Raluz às 21h20
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Novas News
Quasi, quase lá!
Está quase estreando Quasi, a peça do Branco Leone! Toda a população brasileira e - em especial - os Fiéis Seguidores da Seita Ordística estão intimados a comparecer e passar a sacolinha. Desta vez, entretanto - em caráter excepcional - a féria será totalmente revertida para o Autor. Boa sorte, amigão.
As Perguntas Musicais da Cacau
É uma vergonha confessar que alguém que já tocou em várias bandas na juventude - como no meu caso - hoje só ouça CD's quando dirige o carro. E são CD's ganhos de familiares ou de amigos. Jamais comprei um único CD na vida! Também não tenho músicas gravadas no computador. Para não fugir de todo ao questionário, fui até o carro e anotei o que, no momento, tenho lá no tocador: Três na Bossa (Roberto Menescal e seu Trio tocando tudo de Bossa Nova, em 5 volumes), Bee-Gees (2 volumes), Beatles, Louis Armstrong, Trio Esperança (Capela do Brasil: uma maravilha) e o meu guru musical César Camargo Mariano. Querida amiga Cacau, imagino que não era bem isto que você queria ouvir, mas é o que tenho para lhe dizer. Um grande beijo.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h18
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Fossas & Fantasmas
A Visita de Bebel
Estava iniciando um texto junino para a “engrenagem – a revista sem eixo” – com a qual colaboro, quando sem mais nem menos um pop-up salta na tela, encobrindo minhas linhas.
Estampava uma foto sensual e uma legenda:— “Ordisi, fale comigo, sinto tanto a sua falta”.
Fechei, estupefato, o quadro intruso, e fui verificar se estavam devidamente armadas as defesas do computador. Firewall, antivírus, anti-spyware e assim por diante. Olhei o relatório de eventos e de tentativas de invasão. Nada.
Voltei, ainda estranhando a irritante ocorrência, a matutar sobre o tema a desenvolver. Logo recobrei o entusiasmo com o roteiro que havia bolado e iniciei nova digitação.
Pop !!! — “Ordisi, amor, lembra de mim?” — De novo!
Essa agora! Ela estava de volta, ocupando todo o monitor e falando comigo! Fiquei confuso, olhando aqueles olhos negros que me fitavam com profunda saudade e carinho!
— Bebel! Nunca poderia esquecer você – respondi, titubeante, balbuciando para a tela. Devia estar delirando!
— Querido, como sinto sua falta! – era como se o computador estivesse vivo — Por que você não aceitou que eu fosse a mulher da sua vida?
— Você só queria os ricos, Bebel – grunhi — Já esqueceu? Pensava unicamente nos presentes, nas adulações e em mimos. E só fazia amor comigo nas folgas dos playboys, ou você esqueceu disso também?
— Mas foi só você a quem eu sempre amei e agora, mais do que nunca — disse, afastando-se para que os seios maravilhosos surgissem plenos na tela — preciso de ajuda.
— Bebel, onde está você? – ousei perguntar – Como conseguiu aparecer assim desse jeito?
— Sei que estou muito só — replicou Bebel, abraçando-se — Perdi-me em meu orgulho, fui abandonada, estou deprimida, na maior fossa.
— E que você quer de mim, afinal? — uma intensa e estranha ansiedade me dominava.
— Que você escreva, Ordisi, escreva. Coloque seus fantasmas para fora. Me envolva, me acaricie, me enlace, me aqueça, me possua, me tire dessa fossa — o corpo escultural ia preenchendo a tela do monitor — Vem, querido, vem...
Abro os olhos, num arrepio. Teria cochilado? Vejo o computador dando boot... Estranho, será que faltou luz?
Escrito por Ordisi Raluz às 19h45
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Batedeiras & Liquidificadores Aéreos
O Helicóptero das Onze, das onze e um, das onze e dois, das...
Não posso ficar nem mais um minuto com vocêêêêê,
Sinto muito, amor, mas não pode sêêêêê,
Móru nos Morumbi$,
Si eu num for nesse treco, que sai agora e a qualquer hora,
Eu não embolso meus mi$.
Você mora ao lado da linha de trem? Tudo bem...
Você mora ao lado do Minhocão? Tudo bão...
Você mora debaixo de um corredor de helicóptero? Tudo surdo...
Em São Paulo foi instituído um sistema de corredores exclusivos para esses liquidificadores voadores. O objetivo é ordenar o tráfego e manter separação suficiente com os aviões que operam em Congonhas. Nesses corredores, voando a apenas 300 metros de altura, os helicópteros rugem tonitruantes em nossos pobres ouvidos. E há momentos em que circulam, circulam, circulam que nem zumbis. Decibéis moendo nossos débeis e miseráveis miolos terrestres.
Quoque tu, Justu$?
Escrito por Ordisi Raluz às 21h28
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A Invasão dos Vírus
A Invasão
O retumbante sucesso do nosso Mensalão da Felicidade causou inveja às Forças Viróticas, que tentam nos invadir.
Este Humilde Guia Inspirador, atacado à sorrelfa, lutando contra esses Ínfimos Agentes Corrompedores da Ordem está transformado num Húmido Gajo Espirrador.
Estou certo de que o retorno vitorioso à ativa é aguardado para muito breve por nossas hostes. E se não for loguinho o Sacro Saco explode, pô!
Habemus ditus.
Escrito por Ordisi Raluz às 11h16
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Ata Ordística Prima
A Seita Avança
Com milhares de novos seguidores ansiosos por encaminhar donativos para a Minha Caixa (de comentários – por enquanto!), há que organizar uma infra-estrutura ágil, dinâmica e motivada para que a Seita espalhe-se por nosso Planeta.
Para isso, nada melhor que iniciarmos as nomeações por aqueles entes tão competentes, tão interessados e tão desprendidos que já se declararam – de livre e espontânea vontade – voluntários.
Para que não se assustem com as respectivas responsabilidades, também já está sendo cogitado o valor dos Mensalões, sem dúvida alguma o Meio Vital para que as Reuniões da Alegria sejam de fato Festas de Recebimento da Grande Verdade.
Ficam nomeados como Primeiros Seguidores:
Branco Leone – Contador de Histórias e Pregador de Peças
Renata Savoini – Rê-cursos Humanos e Alegre Chefe das Legiões das Ordisetes
Manuel – Responsável pelas operações na área do Euro e pelo Grupo Petrolífero Gasolim Raluz.
Gus – Controlador de Volume, Censor de Trocadilhos e Mestre das Palavras Invertidas
Luma – Guia Iluminadora das Mentes Obscurecidas
Grimble – Relações Ecumênicas e Guardião da Adega Sagrada
Abud – Diácono e Passador-Mor de Sacolinha
Pomba Maria – Astróloga, Futuróloga e Guardiã do Chicote Milagroso
Santos Passos – Gran Bispo e Protetor dos Santos Caminhos
Aceita a Seita? As Inscrições continuam abertas dia e noite, bastando apenas pleitear seu Enorme Desejo num comentário na Caixa do Ordisi, qualquer que seja o Post da Vez.
Lema do Primeiro Passo: Evaporar o Material para doá-lo como Sabedoria.
Importante: A Convenção Inaugural da Seita Ordística está convocada para logo após a estréia da Peça de nosso Pregador Branco Leone.
Do Vosso Humilde Guia Inspirador, um último e pertinaz lembrete: - “Tudo que Raluz é Ouro”.
Escrito por Ordisi Raluz às 16h07
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Texto para a revista engrenagem #10
Lolita
Dança! Do primeiro momento em que o tema veio à baila, eu comecei a matutar, matutar. Com tanto puxar de memória, acabou pipocando, durante um chuveiro inspirado, o mágico nome: Lolita!
Nunca olvidei sua fisionomia, mas o nome ficou toldado pela neblina do tempo. Lolita tinha uns dezesseis aninhos quando nos conhecemos. Eu tinha – se tanto – doze, um púbere frangote numa colônia de férias.
Jogava pingue-pongue. Umas garotas tinham colocado discos numa vitrola portátil no outro canto do salão e dançavam umas com as outras. Lolita veio nos convidar: - Venham dançar com a gente, meninos!
Assim que terminamos a partida, fomos – com aquele jeito caipira – para o lado delas. Meu parceiro debandou no meio do caminho. Para ir ao banheiro, acho que foi a desculpa. Azar dele.
Não tive por que me arrepender. Lolita sorriu, pegou em minha mão direita, colocou-a em suas costas. Tomou da esquerda e aproximou-se. Momento mágico. O primeiro em que senti o aroma de Mulher na minha vida.
Dois para lá, dois para cá, vira um pouquinho, gira outro tantinho.
Naquele e nos dias subseqüentes, por quase todo o mês de férias, Lolita docemente ensinou-me os fundamentos da dança. Não fui mau aluno. Lógico que me apaixonei perdidamente por ela, mas, se notou - e deve ter notado - usou-me para divertir-se, dançando.
Generosa, insistiu em me ensinar a guiá-la, em tomá-la nos braços. Deixava seus cabelos roçarem em mim e – vez por outra – seus seios encostarem firmes em meu peito. Senti-me macho, forte, poderoso e confiante.
Nunca pude beijá-la, Lolita. Mas devo a você minhas grandes conquistas da juventude. Deliciosas conquistas feitas na arena de dança, com a ginga mágica que você pela primeira vez me mostrou. E com o magnetismo que, de seus lindos braços, em meu corpo você deixou.
Obrigado, Lolita.
Escrito por Ordisi Raluz às 17h31
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Pensagadinha Espertinha
Aceita a Seita?
Partindo de uma sugestão e-nutil do Grimble, aonde doações para minha suposta terapia deveriam ser direcionadas para uma “nossa” Caixa Postal (se a dele, se a minha ou se abrimos uma e/ou, ainda não sei), tive uma idéia melhor. Bem melhor.
Pois muito bem, aí vai ela. Gostaria de fundar uma Seita. Acho excelente essa idéia, muito atual. Seria ótimo, não acham? As doações seriam pré-quantificadas conforme o status de cada um, não lhes parece mais justo?
“Dízimo para quem dás que direi quem és”, essa poderia ser a Máxima da nova Seita Ordística, destinada a empresários, financistas e investidores.
“Mensalão longe do Leão”, recolhido com total isenção para a Fonte da Sabedoria, seria um bom Lema para a segura Evolução Pessoal, dirigido aos assalariados com ou sem carteira, autônomos, free-lancers, terceirizados, quarteirizados e desempregados.
Quanto ao nome da conta corrente em Algum Paraíso, ainda não sei. Céus! Preciso ir aos políticos pedir sugestões!
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Pois é, querido leitor. Nem querendo, conseguiria postar algo muito mais honesto que isso hoje. A coisa pega, né?
Aqui vai aquele habitual, carinhoso, monetariamente desinteressado e tridimensional abraço para você.
Afinal, se tudo que Raluz é ouro... aceita?
Escrito por Ordisi Raluz às 21h01
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Pensagadas Assombrosas
A Sombra
Quando criança, uma das coisas que mais me intrigava era a sombra.
Tentava driblá-la, tentava tapeá-la e tentava entendê-la. Como muitos, também dela eu aprendi o lúdico, fazendo figuras de animais animados moverem suas asas, bocas e focinhos.
Sabia que, superior, era eu quem mandava na minha sombra e que ela me obedecia incontinenti. Mas me assombrava uma cogitação misteriosa: - como ficariam as coisas, se minha sombra pudesse mandar em mim?
Passou-se muito tempo antes que viesse a entender e racionalizar a sombra simplesmente como a projeção bi-dimensional (no plano) de um objeto tridimensional (com volume, como, por exemplo, o nosso corpo).
Às vezes o óbvio nos fica tão oculto, não é? Não há como ver a dimensão maior - e mais poderosa - de uma dimensão menor! Como uma outra pessoa, olhando apenas a sua (de você) sombra, poderá conhecer sua (de você) verdadeira fisionomia? Não poderá!
Agora, então, diga-me. Se é tão óbvio que nossa sombra é apenas uma projeção de uma dimensão superior, porque não podemos aceitar a idéia de que o nosso corpo possa ser uma projeção da consciência, ente de mais dimensões?
Escrito por Ordisi Raluz às 01h19
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O Herdeiro de Leca
Lequinho
Recentemente, postei uma tetralogia: Leca(19/5), A Moradia de Leca(22/5), O Pedigree de Leca(24/5) e a Vingança de Leca(26/5). Dentre os vários comentários e e-mails recebidos, chamou-me à atenção aqueles que queriam ver alguma foto da Leca ou saber dos seus filhotes.
Colocados os fatos na dura perspectiva do tempo, entenderão de que não se trata de tarefa fácil. Eu devo ter salvado a Leca da morte lá por meados de 1966. Lembro-me disso por causa do carro - o já famoso Teimoso (v.post 08/12/04) - que era ainda novo. Olha ele aí:

Leca viveu toda sua longa e frutuosa vida na Fábrica, mimada pelos operários. Se dela tiraram fotos, não sei, é pouco provável. Com o passar dos anos, dela sim, levaram centenas de filhotes. Não posso precisar quantos deles foram levados pela “nobreza” - os familiares do proprietário, segundo os operários - da qual eu, querendo ou não, fazia parte.
Lembro-me muito bem do Chopinho, que pertenceu ao meu irmão caçula. Chopinho teve o mérito de conseguir viver onde Leca não foi aceita: em casa de meus pais. Foi um verdadeiro filho para a Adélia (v.post 21/11/04), a empregada, que o preferia à filha, fonte perene de dores de cabeça...
Muitas gerações antes de Chopinho, aconteceu Lequinho. Eu havia recém chegado dos estudos no exterior, com minha já então cara metade a tiracolo. Quase dois anos de casados. Como ainda não tínhamos condições financeiras de pensar em reprodução familiar, recorri à Leca.
Fui até a Fábrica e consegui escolher um filhote de uma ninhada de uns dez, recém-parida. Digo que consegui, porque precisei usar de toda a minha diplomacia para furar a fila do sorteio. Foi assim, num jeitinho, que Lequinho intrometeu-se em nossa vida. Desmamado, levei-o para casa.

Isso no início de 1972. Passaram-se os meses. Corria o dia dez de setembro quando três jovens casais resolveram fazer um piquenique - isso existia, acreditem - à beira da Raposo Tavares. Já no local, fazendo churrasco, ouvimos pelo rádio a narrativa da quinta vitória do Emerson naquele ano. Foi naquele inesquecível momento que o Rato sagrou-se campeão mundial de F-1 pela primeira vez. Imaginem a farra!

O Lequinho estava lá conosco: lembrei-me de ter visto fotos com ele, dessa ocasião. Revirei mundos e fundos, ouvi broncas e resmungos. Mas, afinal, com a eficiente colaboração de minha doce e (ainda a mesma!) caríssima metade, achamos as ditas cujas, que acabo de passar pelo scanner e editar.

Aí estão as três únicas fotos do Lequinho. Ele era um excelente cão. Alegre, sagaz e companheiro. Bom e doce ano de 1972.
Bate forte a saudade na gente, não é?
Escrito por Ordisi Raluz às 23h01
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Pensagadas Corridas
Ôi, Blog !
Não brigue comigo, meu querido Blog! Eu sou também um simples mortal e há épocas em que o trabalho pega de jeito.
Mais ainda. Há que nos cuidarmos. Não é lá muito bom ver a conta bancária afundando mesmo quando os hits do SiteMeter batem no teto!
Paradoxal, né? Mas muita gente boa andou me falando desse "Efeito SiteMeter Reverso" que ataca aos amadores como eu, hehehe.
Prometo que na primeira trégua eu pinto no pedaço e posto alguma coisa. Se vai ser decente ou não?
Ah! Isso já é outra história, pô!
Fui...
Escrito por Ordisi Raluz às 11h33
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