ORDISI RALUZ
     
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O que é isto?
 


Pérolas do Saber Ordístico — 1

Ordisi x Raluz

 

— Vinde a mim as gostosinhas...

— O certo é “vinde a mim as criancinhas”, irmão Ordisi.

— Paz, irmão Raluz. Você fica com as criancinhas. Eu cuido das gostosinhas.

 

Update.

Decidi criar uma dupla muito mais simpática para esse quadro.

Espero que gostem deles. Já estrearam logo aí , no post acima.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h01
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O "making of" da Minha Novela

Um comentário instigante

 

Acho interessante relatar um fato curioso que acabou por gerar a “Minha Novela”. Nos dias 5 e 6 de novembro passado, escrevi posts encadeados, aos quais chamei de noveleta, divididos em "clichês". Clichês porque eu achava a idéia toda um baita clichê, mas toquei o barco, afinal blog é blog, pô!

 

O primeiro clichê apresentava Angélica, filha mimada de um fazendeiro da Alta Leopoldina. O segundo introduzia Adellette, a cafetina, anfitriã da Casa da Luz Vermelha. No terceiro surgia Adolpho, personagem inspirado em uma pessoa real, fora de série, que eu desejava homenagear (in memoriam).

 

Só e apenas no penúltimo clichê há “ação”. Adolpho ia levando um corte de seda vermelha para Adellette, sua amante. Antes que entregue o presente, o fazendeiro convoca-o para ir à fazenda mostrar mercadorias para a filha. Ela escolhe justamente o corte encarnado. Fica tarde, ele tem que pernoitar na fazenda e... Adellette jamais receberia o presente. Adolpho foge com Angélica para o Rio de Janeiro, onde, por décadas, vivem seu romance.

 

Pois bem, eu muito satisfeito com meu umbigo por ter conseguido redigir a série, eis que recebo o seguinte comentário:

 

[maray][www.gardenal.org/cheecaribe]
O caloteiro na realidade não caiu da carroça e quebrou os braços. Quebrou foi a perna e durante a recuperação, na casa da luz vermelha ( pra onde foi mó de se esconder mió) resolveu sair do armário e assumir seu lado mulher. Pra ter paz de espírito e corpo, foi assumir seu lado mulher num convento no sul, travestido de freira manca. ( a perna nunca ficou igual). Já a Angélica angelical, com aquele corte de seda vermelha saiu de casa e soltou a franga, indo parar na casa da luz vermelha, destronando a Adelete, que a Angélica era muito mais safadinha e nova. Quanto ao resto dos personagens,mate todos num tiroteio na linha vermelha, pra ficar atualizado...

06/11/2004 13:05

 

O comentário foi tão criativo, que me instigou a tentar mudar o desfecho conforme o desejo de uma das minhas mais queridas e exigentes leitoras (espero que ainda o seja). Em parte eu consegui, fazendo do Dinho um capeta que acaba parando aonde parou. De Angélica não conseguiria fazer dela uma cafetina. Talvez alguém com mais talento queira tentar. Boa sorte.



 Escrito por Ordisi Raluz às 16h08
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Contador de Capítulos

Hoje é dia 28 de setembro.

Último Capítulo da Minha Novela

já está no ar!

Não perca final tão emocionante!

Leia logo abaixo, na seqüência:

1º Capítulo - O Caloteiro

2° Capítulo - Pegando o Caloteiro

3° Capítulo - Tildinha

4° Capítulo - Françoise

5° Capítulo - A Armadilha

6° Capítulo - O Revertério

7° e Último Capítulo - A Fuga



 Escrito por Ordisi Raluz às 21h47
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Novela - 1° Capítulo

O Caloteiro

 

Anos 30. Numa vila da Alta Leopoldina.

 

Leopoldo recebeu as mercadorias trazidas por Adolpho no final daquela tarde e deixou-as ali mesmo no balcão, embaladas, sem colocá-las nas prateleiras como de hábito.

 

Disse que quitaria no dia seguinte a prestação já devida do lote anterior, pois também estava para receber umas tantas contas.

 

Adolpho - vivido e conhecedor das gentes - percebeu que a coisa ali não cheirava bem. Pegou firmemente o braço fino de Leopoldo com aquela enorme mão de urso e força de um garrote. Apertando, puxou o comerciante para perto de si.

 

A figura do lojista, franzino, esguio e magro, parecia a de um garoto assustado perto do caixeiro-viajante, com seu enorme corpanzil de lutador de boxe.

 

-         Ouça, Dinho - disse num tom de falsa amabilidade, ao chamá-lo pelo apelido - se amanhã não me quitas a prestação, além de recolher tanta mercadoria quanto precisar para fechar as contas, farei com que a Tilda fique sabendo...

 

-         Largue-me, Dolfinho – o frangote devolveu a intimidade, chamando-o como só Adellette o fazia – você sabe que nunca deixei de pagar. Às vezes atrasam comigo e eu também atraso, mas pago.

 

-         É só meia verdade, safado, pois ainda me deves os juros de vários atrasos. - Apertou mais ainda o braço do Dinho - Seus clientes pagam maravilhosamente, você é que..., deixe para lá, você sabe.

 

-         Largue-me, Dolfinho, pois preciso fechar e ir para casa. - Você, emendou cinicamente, com um sorriso maroto - já deve estar atrasado para Adellette.

 

Diz o ditado que basta um pentelho de uma boa xota para colocar a perder a cabeça de um homem.

 

Adolpho achou que já prensara suficientemente o maricas e saiu, apressando o passo para a Casa da Luz Vermelha, em direção aos braços e remansos de Adellette. 

 

Dinho ficou ali resmungando, a esfregar o braço, rogando todas as pragas do mundo na cabeça daquele gringo desgraçado.

 

No dia seguinte a loja não abriu. De Dinho não se sabe, não se viu - diziam - foi para a puta que o pariu. 

 

[continua logo abaixo]



 Escrito por Ordisi Raluz às 21h46
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Novela - 2° Capítulo

Pegando o Caloteiro

 

Adolpho conseguiu o melhor cavalo da vila e largou-se serra abaixo. Mesmo com muita vantagem, a lerda carroça do caloteiro foi alcançada facilmente, ao cair da tarde.

 

Ao emparelhar, Adolpho arrancou o patife da boléia, jogando-o ao solo. Ao cair, Dinho teve uma forte luxação na perna. Berrou de dor e pavor pois, mesmo assim, em sua cega ira, o gringo cobriu-o de socos. Só cessou quando ouviu os gritos de Tilde para que parasse com o castigo, que já era suficiente. Dinho foi jogado de volta na carroça como um trapo e gemeu por toda a noite, durante o caminho de volta.

 

No segundo dia, com a ajuda de Adolpho colocando as mercadorias nas prateleiras, a loja reabriu as portas e retomou as vendas. A vila compareceu em peso, mais para dar uma espiada e uma fuxicada. Entretanto, acabavam por fazer alguma comprinha para manter as aparências, vocês sabem como são essas coisas.

 

Era Tilde que lá estava, como de praxe nas ausências do marido. Leopoldo - explicava ela com toda a desfaçatez do mundo - "Havia saído para ir ao médico, pois machucara a perna".

 

Dinho nunca mais voltou. 

 

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 Escrito por Ordisi Raluz às 21h41
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Novela - 3º Capítulo

Tildinha

 

O pai de Matilde morreu de desgosto, logo após saber que ela estava grávida de Sebastião, o capataz da fazenda. A mãe, prática, logo arranjou-lhe casamento, fazendo um acordo com a mãe de Leopoldinho.

 

Solução rápida e perfeita, já que o rapazote não parecia ter lá muito interesse pelas moçoilas que, ao cair das tardes de sol, passeavam suas formosuras na praça da cidade. Ele mais parecia predestinado a ficar para tio - isso numa expectativa bem otimista.

 

Mesmo sendo segredo de Polichinelo, todos os convidados compareceram à Igreja como se testemunhassem o desfecho de um noivado de muitos anos. Fuxicos à parte, lógico.

 

O casalzinho foi residir na casa da praça, que era dos pais de Tilde. Lá, Leopoldinho montou a loja de tecidos e artigos femininos no salão da frente, que tinha várias portas dando para a rua.

 

Foi um sucesso. Vendia mercadorias de excelente qualidade e as mulheres lá achavam quase tudo que precisavam para vestir-se e embelezar-se. Dinho tinha um jeitinho muito especial para com as suas clientes. Logo estava a fazer bastante dinheiro.

 

Matilde perdeu a criança. Deprimida, foi passar uns meses com a mãe na fazenda. Ele ficou na cidade, cuidando da loja. Viam-se nos fins de semana - ora lá, ora cá - mas nunca consumaram o casamento.

 

Tildinha não ligava, ela tinha Sebastião, o homem de sua vida. E odiava Leopoldo, um verme asqueroso. Tinha nojo dele.

 

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 Escrito por Ordisi Raluz às 21h41
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Novela - 4° Capítulo

Françoise

 

Dinho era o grande supridor de Adellette e suas Mariposas. Gostava de ir lá quando folgavam para entregar as coisas pessoalmente. Sempre que mostrava novidades, enrolava-se nos tecidos e desfilava, imitando os trejeitos das meninas com muita precisão. Todas riam e se divertiam.

 

Um dia uma delas teve a idéia de costurar um vestidinho para que ele o desfilasse para elas. Adellette aprovou e disse para que também preparassem uns acessórios para ver no que dava.

 

Aconteceu. O tipinho aceitou com muita alegria e o desfile da figura para as Mariposas foi um retumbante sucesso. Assim, batizada por Adellette, nasceu Françoise.

 

O tempo foi passando e, com a habilidade de Adellette em perceber as oportunidades, Françoise fez uma freguesia maior que o previsível na casa de facilidades. Vários senhores de respeito a requisitavam como segunda convidada. Alguns outros solicitavam apenas a ela para os divertimentos. Tinha um então que pagava os tubos para ter Françoise vestida de freira.

 

De dia, Dinho na loja. Em certas noites, Françoise no meretrício. Nos fins de semana, marido da Tilda, que trepava apaixonadamente com Sebastião a semana inteira, lá na fazenda.

 

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 Escrito por Ordisi Raluz às 21h41
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Novela - 5° Capítulo

A Armadilha

  

Matilde sabia que Leopoldo – aquele nojento do seu marido – passava muitas noites na putaria. Desejava ardentemente colocar um fim naquela farsa odiosa que era do seu casamento. Tinha que esmagar o verme asqueroso.

 

Ela sabia que Sebastião faria tudo o que quisesse. Ela quis e ele fez.

 

Naquele fim de tarde, quando Adolpho vociferou as ameaças e depois saiu, deixando Dinho a rogar-lhe pragas, enquanto esfregava os braços doloridos, a coisa aconteceu.

 

Matilde - que havia vindo da fazenda naquela manhã e passado o dia na cidade - vinha chegando da rua. Dinho estava fechando a última porta quando ela entrou. Entrou e gritou, assustada. O cano da arma de Sebastião estava apontado para seu rosto. O capataz, que tinha se esgueirado pelos fundos da casa, estava com o rosto coberto por um lenço.

 

- Quietos! Passem-me todo o dinheiro e levem essas coisas todas para a carroça, já – ordenou em tom ameaçador. Dinho obedeceu, calado. Tilde, parecendo apavorada, submeteu-se.

 

Em pouco tempo, os pacotes com as preciosas entregas que Adolpho fizera, estavam na carroça. E todo o dinheiro, no bolso do assaltante.

 

- Preciso ir ao banheiro – Dinho tentava achar alguma forma de se escapulir para pedir socorro.

 

- Cale a boca e subam na carroça já – rugiu o bandido.

 

Já era noite alta quando alcançaram a estrada. Sebastião montava seu cavalo e mantinha a arma embalada, com Dinho na mira.

 

Quando, naquela noite, Adellette comentou com Adolpho que Françoise não comparecera, ele não conseguiu sossegar. Em plena noite de lua cheia, saiu dos lençóis perfumados e foi até a loja investigar. A casa detrás da loja estava totalmente às escuras. O portão do pomar, sem o cadeado. Nem sinal do cavalo ou da carroça.

 

Adolpho voltou até a Casa da Luz Vermelha, avisou Adellette do ocorrido e pediu que mandasse algum criado selar o melhor cavalo.

 

- Cuide-se Dolfinho, despediu-se ela, preocupada com a atitude precipitada do amante.

 

Aproveitando o luar, ele apressou o trote do cavalo serra abaixo. Sabia que a carroça era lenta e que a vantagem daquele grande filho de uma puta era de poucas horas. Dava para perceber a trilha que as rodas haviam riscado na terra. Eram recentes.

 

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 Escrito por Ordisi Raluz às 21h40
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Novela - 6° Capítulo

O Revertério

 

Ao ouvir o som de outro cavalo se aproximando, Sebastião achou prudente se ocultar. Foi uma boa decisão. Adolpho, irado, emparelhou o cavalo com a carroça, arrancou Dinho da boléia e fez tudo o que fez.

 

Percebendo que Sebastião havia ficado na moita, Matilde cinicamente desatou a chorar. Implorou para que o gringo parasse com os socos no Leopoldo. Afinal, nada mais autêntico que uma boa simulação, avaliou a megera.

 

Sebastião, que já vinha perdendo o sono com essa história de matar o Fudidinho - era como ele e Tildinha se referiam ao corno - suspirou de alívio.

 

Agora, quiçá o gringo fizesse o serviço por ele. Em nenhum instante cogitou em atirar. Amava Matilde, mas não era um assassino. Talvez, agora sim, ladrão. Sorriu consigo mesmo, apalpando todo aquele dinheiro nos bolsos. Nada mal.

 

Matilde, é claro, descartou chamar por Sebastião para não se trair. Com frieza, percebeu que daquela situação ela sairia como vítima e Dinho como ladrão. Ele iria preso. Ela ficaria com a loja e com o Sebastião. Nada mal.

 

Dinho estava perdido. Matilde quase havia liquidado com ele, em conluio com o facínora que havia se evaporado. Na verdade, Adolpho o salvara! O gringo não acreditou em uma única palavra da história que ele, entre choro e gemidos, tentou relatar sobre o roubo. Dinho estava exausto, machucado e desesperado. Desmaiou na carroça.

 

Enquanto voltavam, Adolpho, mais calmo, acertou os ponteiros com Tilde. Deixaria novamente as mercadorias na loja. Também lhe daria uma prorrogação nos prazos para que quitasse os débitos anteriores de Dinho, a juros bastante módicos. Matilde negociou os detalhes e fechou o trato como se estivessem tomando um delicioso café com biscoitos, confortavelmente instalados na sala de estar da fazenda.

 

Acertaram que largariam o Dinho no médico. Também, que Matilde o denunciaria à polícia e que Adolpho testemunharia quando voltasse, se isso ainda fosse necessário. Tinham certeza de que ele fugiria para muito longe.

 

Acertaram em cheio.

 

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 Escrito por Ordisi Raluz às 21h40
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Novela - 7° e Último Capítulo

A Fuga

 

Adolpho precisava seguir viagem no trem daquela tarde, sem falta. Tinha outras praças a fazer e inúmeros negócios pendentes, que não podiam mais esperar. Pena mesmo era ter que ficar longe de Adellette por tanto tempo.

 

Quando Leopoldo voltou do desmaio, doído e moído, estavam chegando de volta à Vila. Ao recordar-se dos acontecimentos, o desespero voltou. Percebendo que passavam perto da casa do médico, num enorme esforço, arrastou-se para a parte de trás da carroça e deixou-se cair ao solo. Mesmo morrendo de dor, não soltou um único pio. Matilde e Adolpho fizeram que nada haviam percebido, continuando no seu caminho.

 

O Doutor Limonta condoeu-se quando viu o estado daquele corpo delicado. Afinal era Françoise, uma de suas diversões favoritas, que lá estava largada. Ouviu o relato com atenção e iniciou uma infindável série de curativos e tratamentos, com muito carinho. A perna precisou ser imobilizada.

 

O médico mandou chamar Adellette que, ao ver o estado de Françoise, também se comoveu. Combinaram que ela ficaria em repouso na Casa da Luz Vermelha para que pudesse se recuperar.

 

Assim passaram-se dias e semanas. Françoise foi melhorando. Aproveitou para rever e aumentar o seu guarda-roupa. Quando correu a notícia de que Adolpho chegaria em dois dias, todos sabiam que seu prazo na Alta Leopoldina estava esgotado.

 

Adellette, jurando que a mataria se abrisse a boca, deu-lhe um bom dinheiro. O Doutor Limonta, que não só havia tratado dela, como também tinha sido o único a ter recebido seus favores nesse período, foi de extrema generosidade.

 

No dia seguinte, uma freira que manquitolava comprou passagem e embarcou no trem para o Rio de Janeiro.

 

Mais um dia e chegou Adolpho, com aquele enorme sorriso. Ordenou aos carregadores que o seguissem com os baús. Fez a praça, cobrou Matilde e, já noitinha, foi atirar-se nos braços de Adellette. Soube que Françoise se fora e ficou feliz com isso.

 

Aliás, nunca mais Françoise foi vista na Alta Leopoldina. Conta a lenda que ela foi descendo pelo Brasil, até que, cansada e arrependida da vida que levava, foi acolhida numa ordem religiosa.

 

Antes da clausura, do interior gaúcho escreveu uma carta. A mãe de Leopoldinho já havia falecido quando, depois de muito tempo, a missiva chegou.

 

[fim] 

 

[no próximo post, o "making of" de "A Minha Novela"]



 Escrito por Ordisi Raluz às 21h40
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Alterego Mete o Bedelho

Quá!

 

— Quá!

— Do que você ri,  Alterego?

— Da porra desse texto hermético aí abaixo,  Missão Alfa Centauri, que você teve a pachorra de postar.

— Gostou, né?

— Gostei? Eu já lhe disse para não escrever ficção científica!

— O Blog é meu e escrevo o que quiser!

— OK, Ordisi, o Blog é todinho seu, mas...

— MAS? MAS O QUE, ALTEREGO???

— Não grita comigo, pô! Você acha que as pessoas são obrigadas a saber que o tempo escoa-se mais devagar quanto mais próximo se está da velocidade da luz? Daí o envelhecimento mais lento em relação a quem ficou na Terra?

— ...

— E que também engordam, melhor dizendo, ganham massa pelo mesmo motivo? Podia ter feito uma piadinha com isso também, seu patso!

— Patso? Olha lá como...

— E quem é obrigado a saber que se detecta um elemento químico, como esse tal de molibdênio, através da luz que os elétrons dele emitem quando aquecido?  E que o nome dessa joça são raias espectrais? Seu cabeça de bagre!

— Eu, cabeça de bagre?

— Você sim, Ordisi, que — ainda por cima — usa trivialidades como as tais correções relativísticas, causadas pelo Efeito Doppler...

— Pára com isso, Alterego!

— Olha, Ordisi, quer saber o que eu acho? Só salvaram-se as trepadas!

— É, gracinha? E daí?

— Daí que você deveria colocar no ar uma novela para resgatar a sua imagem!

— E quem está preocupado com imagem, Alterego? E se a novela for uma merda?

— O Blog não é mesmo todo seu, Ordisi? Foda-se sozinho!

— Vá a merda, Alterego! SUMA DAQUI!

— Fui, panaca! Quá!

 

A Novela

 

A seguir, uma surpresa!

Por sugestão de Alterego, vou publicar uma novela em sete vibrantes capítulos. (Só podia ser conta de mentiroso, pô!)

Espero sair vivo dessa.



 Escrito por Ordisi Raluz às 21h39
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Uma Pedra No Caminho

Missão Alfa Centauri

 

— Einstein que vá a merda, exclamou Débora, inconformada. — Meus pais estão envelhecendo mais rapidamente do que eu!

— O uso de tal vocábulo indica irritação por parte da Doutora, retrucou a máquina — Posso ousar uma proposição?

— Vá calcular a quantidade de molibdênio em Andrômeda, PQP! Faça as correções relativísticas, já que a Arcádia está a um terço da velocidade da luz! E deixe-me em paz!

— A Doutora bem sabe que meu nome é MAC, não PQP.  A proposição é fazer um chá-de-estrada para que a senhora recobre a serenidade e faça as pazes com Einstein.

— Pois então traga logo essa merda de chá, querido BIG-MAC — emendou sarcasticamente a Diretora Científica — e vá concentrar-se nas raias espectrais da vizinha galáxia.

 

Luana — a Chefe de Telemática — uivava enquanto a língua de Rômulo fazia uma completa exploração no seu sexo já encharcado.

— Vem, amor! Quero você dentro! — As vertigens do espaço fundiam-se com as do prazer. Giravam eles soltos, no setor sem gravitação da nave-mãe, numa dança acrobática, sensual e frenética.

— Ai! Agora! Agora! Inunde-me! Afogue-me!

 

— Paradise é um geo-planeta de Alfa Centauri, não é? — a ruiva estava de holocâmera em punho.

— Alfa Centauri é, de fato, um sistema estelar tríplice — Rômulo sorriu para si mesmo por lembrar-se da repórter enquanto ainda ofegava do sexo selvagem com Luana, a negra mais linda do sistema solar.

— Proxima Centauri, a apenas quatro anos-luz, é a estrela com a menor distância do Sol. É uma anã vermelha, que a missão ultrapassará, estou certa, Comandante?

— Sim. Iremos adiante. Alfa Centauri B é uma estrela laranja onde orbita o planeta Liberté. Alfa Centauri A é amarela como o nosso Sol. O seu terceiro planeta é Paradise, destino da Missão Alfa Centauri.

— Você jurou que vamos fugir para Liberté, amor — ronronou Luana, trazendo Rômulo de volta à Arcadia — Chegou o momento de agir.

 

Débora sorveu lentamente o chá-de-estrada, deliciando-se com o aroma. Saboroso, ao pegar na língua, parecia conter uma pitadinha de pó terrestre. O efeito do anestésico duraria o tempo exato para permitir a fuga de Luana e Rômulo numa nave auxiliar. Quando Débora acordasse, já estaria próxima a ocasião do computador iniciar os procedimentos para descongelar e despertar cinqüenta mil passageiros da Arcádia, os futuros colonizadores de Paradise.

 

A pequena nave auxiliar, com os amantes a bordo e rota programada para Liberté, deixou suavemente a nave-mãe. Em poucas semanas, após passar pelo cinturão de asteróides, estaria desacelerando em órbita para pousar.

 

— Não pare, Luana, nunca, jamais — rugia Rômulo enquanto ela o cavalgava, variando os ritmos a seu bel-prazer, ora com a lascívia de uma sereia, ora com fúria felina. A vasta cabeleira, solta, acortinava e descortinava os seios, com os mamilos torcidos à dor pelas mãos gulosas do companheiro. Acercando-se do êxtase, escorriam-lhe, livres, sons e palavras — Ai! Rrrr! Amor! Ffff! Estou me acabando! Vou explodir!

 

O asteróide fatal, perdido em sua trajetória enlouquecida, driblou os sistemas de alerta e colidiu em cheio com a pequena nave. Tudo se evaporou numa explosão absolutamente silenciosa.

 

Texto para a Edição #16 da Revista Engrenagem, com o tema "Uma Pedra no Caminho".

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 09h59
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Sem Toques

Pari Passu

 

Ela veio e parou bem ao meu lado. Comecei a caminhar lentamente, tentando lidar com a situação. Já nos seus trinta, propagava pelos ombros e pelas costas cabelos loiros ondulados e compridos, a clamar pela atenção de todos os homens do planeta. Sorriu-me apertando os lábios, provocativa, desafiadora. Tinha uma visível compleição atlética, o que me trouxe, de imediato, muita ansiedade. Senti-me compelido a apressar o passo. Ela seguiu, curiosa, me observando. Parecia não se mover, mesmo quando achei recomendável alargar minhas passadas. Ela acompanhava, sem nenhum esforço. Teimoso, persistindo no insólito desafio, desatei a correr, sem outro resultado que uma crescente e previsível exaustão. Ela, calma e firme ao meu lado. Daí a pouco, sem qualquer aviso, a beldade estica o braço e aponta o dedo. “Eu agüento mais!” — protestei, esbaforido. De nada adiantou. “Seu coração já está na freqüência máxima” — comunicou-me a impassível cardiologista. Apertou o botão e a esteira foi reduzindo paulatinamente a velocidade até parar. Dando-se por satisfeita com o teste, abandonou-me aos cuidados da assistente. Sumiu pela porta sem olhar para trás, ajeitando aquele mar revolto de cabelos loiros.

post161104



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h02
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Sem Retoques

Ano Atrás

 

Quando entrei, ele já aguardava à mesa. Acenou para que me sentasse. O início do diálogo foi bastante cordial, mas logo se tornou inquisitivo. Naquela situação, só poderia esperar isso de uma pessoa como ele. Tentei responder sem ficar embaraçado, mas, por vezes, não me sentia seguro do que dizia. Ele, certamente muito mais experiente nessa forma de contato, logo explicitou o seu desejo. Convidou-me para outro aposento, lá atrás. Aquiesci. Pediu que tirasse as roupas. Despi-me. Apontou a cama. Deitei-me esticado, barriga para cima, exibindo a genitália. Gentilmente dobrou meus joelhos e, olhando-me atentamente, enquanto lubrificava sua proteção, pediu que entreabrisse mais as pernas. Havia expectativa. Eu estava tenso, porejando. Contudo, pausadamente, ele colocou sua mão esquerda em minha barriga e, pedindo que relaxasse, penetrou-me com o dedo da mão direita. Acabou rápido. Sorriu e disse: - Excelente exame, meu amigo, sua próstata está com o tamanho e consistência perfeitas. Ponha essa roupa e volte daqui a um ano. 

post281104



 Escrito por Ordisi Raluz às 12h05
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Toques & Tiques

Carinhos & Carícias

 

Ela não tirava aqueles olhos de mim. Jovem, linda, extrovertida, desejosa por tomar a iniciativa. Cabelos morenos e lisos, curtos demais para o meu gosto. Seu rosto bonito, traços extremamente delicados. Estava radiante como sempre. Aqueles olhos negros, ferinos, inquiridores, perscrutadores, me devoravam exatamente como da primeira vez, contrastando com aquele sorriso de Gioconda nos lábios, a carregar os seus mistérios. As mãos. Ah! Aquelas mãos pequenas, lindas e bem tratadas. Tão lisas! Traiçoeiramente carinhosas. Seus dedos ágeis corriam por meu corpo desnudo. Tato, contato, da capo sin fine. Eletricidade à flor da pele. Nossa relação só poderia ser definida como sado-masoquista. Ela, como sempre, acabou por me ferir. Sem perder a fleuma e o sorriso. Sim, cada vez o enigma me fica mais claro: o sorriso oculta seu imenso sadismo. Ela avisa quando vai agir, que dores vai infligir. Aquelas mãos, o tato, o contato, a picada ardida, a pele já insensível, queimada, tratada. Quer-me novamente semana que vem. Ver minhas feridas, a danada da minha dermatologista. Tenho certeza que ela me adora.

post141204



 Escrito por Ordisi Raluz às 09h07
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Tarefas & Dúvidas

Como Beber da Fonte do Conhecimento?

Alterego enfrentando sérios problemas existenciais no Parque das Exposições, em Lisboa. Ele só pensando em saborear um bacalhau com vinho em vez de mergulhar no conhecimento. Quem agüenta esse cara, pô? 



 Escrito por Ordisi Raluz às 19h18
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Trabalhos Arriscados

Tapas em Madrid

Abraços em Marbella

E assim - à la fotoblog - vou mostrando uns lances curiosos.

Mas, como religar os neurônios que escrevem?  Acho que ficaram por lá, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 18h07
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Tarefas & Mais Trabalhos

Na Comida Alemã? Falo!

Não só falo, como mostro!

Agora, que tal uma sobremesa light? Ou então, duas?

Um absurdo ter que comer essas coisas só por motivos profissionais, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h10
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Tarefas & Trabalhos

Controle de Qualidade

Não sei se vou conseguir postar contos ou crônicas nas próximas semanas. A gente veio, mas a cabeça ainda não chegou.

As lembranças pegam forte, ainda mais agora que Alterego desvendou como transferir as fotos da câmera digital para o computador.

Olhem só ele aí em Munique, verificando se a caneca do HofBräu tem mesmo um lítro de cerveja...

Tem alguém por aí duvidando da enorme dedicação que ele tem ao trabalho? Notaram a camiseta? Três semanas inteiras com esse cara é dose. De cerveja, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 19h07
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Ôi!

Chegamos!

Pousamos, são e salvos, no 777 das quatro e meia da madrugada.

Boceijos para todos que depois eu conto!



 Escrito por Ordisi Raluz às 10h08
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