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Mensagem
Aquele Abraço
Aproveito estes minutinhos para mandar um grande e saudoso abraço às minhas queridas leitoras e aos meus pacientes leitores. Breve estarei de volta.
Ao grande amigo Branco Leone, minha solidariedade e especial carinho pelo momento tão difícil pelo qual está passando.
Até.
Escrito por Ordisi Raluz às 21h56
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Um Sonho de Reveillon
Champagne ao Sabre!
Depois de tanto sal, céu, cio, sol e sul, não sei.
Não sei se foi real, se foi um sonho ou alguma coisa assim “in between” como diria qualquer Lorde inglês — para esnobar um pouco da gente. O assunto em pauta é mesmo meio esnobativo ou esnobante, também me foge a gramática. Sim, sim, é algo que eu classificaria — à priori — como esnobe, mas que ocorreu dentre gente tão simpática, tão franca. Tão finos, quase Nobres, quase Lordes, distantes anos-luz de qualquer esnobismo.
Já perto da meia noite, virada do ano se aproximando, todos à beira da piscina — que exalava brilhos e reflexos em azul sereno — a lamber e tingir as vestimentas cor da paz. Lua minguante, mas gigante, ainda baixa no firmamento, avistada e comentada — do alto de seus saltos — pelas mulheres inquietas e excitadas.
Devo ter sido tele-transportado ou caído de pára-quedas numa Confraria com formalismos e hábitos que em muito transcendiam à minha mais avançada finesse. Não posso atinar como fui parar lá.
A coisa, porém, não parou por aí. Nem de longe desconfiei que seria eu quem teria a honra de abrir o Champagne, precisamente à meia noite! Uma homenagem! Por que cargas d’água? À troco de que?
Para isso muniram-me de um Sabre! Isso mesmo, uma espécie de adaga, com lâmina curva, forte e sem corte, densa, pesada, com manopla — para manejo preciso!

Faltavam-me o ar e os minutos. Que diabos deveria eu fazer com um caríssimo Champagne francês na mão esquerda e um pesado Sabre sem corte na direita ?
Todos olhavam. Queria rezar, mas o Senhor estava ocupado com coisas mais importantes. Queria fugir, mas cadenas de chumbo seguravam meus pés. Queria evaporar, mas minha cabeça — impregnada com os aromas dos mais finos vinhos — girava como pião preso ao chão!
Baixou um Santo, que se postou ao meu lado. Talvez o Anfitrião, talvez Napoleão, não sei, não sei. Não sei se murmurava, se telepatia usava, mas claramente nos ouvidos me soava.
— Gire a garrafa até ver a linha de solda do vidro. Essa mesmo, não a perca de vista! Firme aí! Veja o ponto aonde ela chega à base do gargalo. Achou? Nós só retiramos o papel de proteção. O arame permanecerá segurando a rolha...
— Como assim, a rolha fica presa e bem amarrada? — Devo ter delirado com os meus botões.
— Isso mesmo. Você deverá abrir o Champagne com rolha e tudo, capando o gargalo da garrafa com um único e preciso golpe, de baixo para cima, com o Sabre.
— Golpe? Preciso? Com o Sabre? — Meus poucos neurônios ainda sóbrios ganiam.
— Vire a garrafa para o jardim, mire aonde o fio chega no gargalo que, bem capada, verterá o Champagne jorrando deleite geral.
Todos os olhos em mim. Devia estar esgarçando o sorriso dos desesperados. Faltavam-me o ar e os segundos. Em uníssono, todos reverberaram: — Cinco, quatro, três, dois, um, jááááááááá !!!
Agora! Só o longo braço da Providência poderia munir-me de força e pontaria: — Lá se foi para bem longe o gargalo do mais caro Champagne que porventura tive nas mãos. Garrafa capada com precisão, sem lascas, de onde eram recolhidos em longas taças trabalhadas com fios de ouro — por arcanjos aparecidos do éter — os jorros do precioso líquido.
Sonho? Realidade? Não sei. Eu ouvia a explosão de alegria, os cânticos, recebia os abraços, aceitava os esfusiantes cumprimentos e me sentia feliz, feliz, feliz.
post050105
Escrito por Ordisi Raluz às 23h42
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Sextórias
O Caralho Ambulante
Anos 60. Ambos tinham entrado na quarta série, vindos de outras escolas.
Estavam em classes diferentes, como era habitual. A quarta série “A” era só de meninas e a “B” só de meninos. Nesse curto espaço de tempo ela já começava a criar na plebe uma aura de galinha e ele a cultivar fama de galo. Ela sorria fácil e tinha aquele requebro fatal. Ele, gabava-se das extraordinárias qualidades dimensionais com que seu membro fora aquinhoado pela natureza.
Já cruzavam olhares e sorrisos nos recreios, mas a eterna mania das meninas de ficar circulando em grupinhos, de mãos dadas, a trocar cochichos e risadinhas, não havia ainda permitido nenhuma aproximação.
Baile pró-formatura. O primeiro da temporada, lá por Abril. Não deu outra. Ao primeiro acorde de Ray Conniff, ele a tirou para dançar. Foram ficando, ficando. Raspando, raspando. Encostando, encostando. Quando o par, agarradinho, tão perfeito, tão romântico, parecia rodar nas nuvens, a sussurrarem as primeiras e doces intimidades, ela dá um passo atrás, estala-lhe o maior tapa na cara e some de cena.
Casaram-se alguns anos após, ainda muito jovens. Foram morar com os pais dele, quase vizinhos da gente. Encontrava-os freqüentemente, ora saindo ou quando chegávamos. Sempre trocávamos acenos ou umas palavras. Pareciam estar muito apaixonados.
Num final de tarde observei-os quando chegavam de carro. Não acenaram para mim. Discutiam. Desceram para abrir o portão e o mundo todo pôde ouvir:
— ... e você fica rindo e rebolando pra todo homem que passa, sua galinha, sua puta.
Ela tascou-lhe um tapa na cara, foi pra direção do carro e gritou enquanto dava uma ré:
— Vai enfiar esse caralho no teu cú, seu pervertido filho de uma puta.
Arrancou e, quando passou por mim, estancou o carro e gritou:
— Pode dizer pra todo o mundo que esse imbecil é só um caralho ambulante e nada mais.
Arrancou de novo e sumiu pela vida afora, para nunca mais voltar.
post160105
Escrito por Ordisi Raluz às 23h32
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Pin & Güim
— Cadê o chefe, Pin?
— Foi prum Congresso, Güim.
— ...
— ...

— Pô, quié quié um Congresso, Pin?
— É um lugar onde muitos sabe-tudo se encontram.
— ...
— ...

— E daí, Pin? Quié quié que eles fazem?

— Reunem-se. E um sabe-tudo fala prum montão de outros — que acham saber muito mais do que ele...
Escrito por Ordisi Raluz às 23h31
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Sexo, Cobras & Lagartos
Tremeliques na Bunda
Ela olhou para ele, a retribuição não veio. Os lindos olhos azuis a evitavam. Antigamente não era bem assim. A outra - sua melhor amiga, lá na cozinha, coando um cafezinho - venceu e conseguiu casar com ele.
Mesmo assim, esta primeira visita à casa recém-montada dos recém-casados corria agradável. Ficou pensando o quanto ele iria trepar com a melhor amiga naquela noite. E na outra, e na seguinte. Ai, que inveja.
Mordeu os lábios. A pálpebra tremelicou. Era inveja. Só podia ser. A mais pura inveja do mundo. Suspirou; nada da pálpebra parar. Outro suspiro profundo e a pálpebra sossegou.
Olhou de novo para aqueles olhos azuis e perguntou se as pálpebras dele, vez por outra, tremelicavam. Ganhou um sorriso e um gesto de aquiescência.
Agora foi a bunda dela que tremelicou. Não, meu Santo Deus, agora a bunda? Mexeu-se de leve no sofá macio e o tremelique cessou.
Ela tentou novamente aquele olhar inquiridor – a pergunta calava fundo, daria a alma para saber – como poderia a amiga ser melhor que ela na cama? Não, certamente que não. Devia ser o dinheiro da família dela.
A bunda recomeçou a tremelicar. Mais forte, agora. Desceu a mão até a almofada e sentiu algo macio, vibrante e...gelado! Pegou, receosa. Veio na mão uma...lagartixa!
Gritou. Gritou e berrou o suficiente para acordar o bairro inteiro. Enquanto os olhos azuis a miravam, surpresos e intrigados, o ser nauseabundo pulou para dentro do decote.
Entrou em pânico total. Urrava descontroladamente. Rasgou a blusa, arrancou o sutiã. O bicho asqueroso já se fora, mas ela berrava. O rapaz dos olhos azuis aproximou-se e tascou-lhe um par de tabefes no rosto.
Paralisada, só arfava, estonteada. O terror se esvaia, aqueles olhos azuis tão perto, aquela boca. O beijo incontido, a esposa chegando lá da cozinha para ver o que estava acontecendo...
post220305
Escrito por Ordisi Raluz às 23h01
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Pin & Güim

— Asas, pra que te quero!
— Não, Pin, é — “pernas pra que te quero” !
— Pois vou me mandar daqui voando, Güim! Fui.

— Não apela, Ordisi! Desde quando o Pin voa?
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Tema Revista Engrenagem #18: disque N para Namorar
Disque 626.6727 para NAMORAR
Trim!!!
— Alô?
— Quem fala?
— É meia dois meia, meia sete dois sete. Quem está falando?
— Zuleica, querida! Você sabia que o filho da Lurdinha é viado?
— Não me diga, Drika. Eu bem que desconfiava do jeitinho dele!
— Pára com isso Zuleica, você não vê a Lurdinha há dois anos e...
Trim!!!
— Alô?
— Quem fala?
— É meia dois meia, meia sete dois sete. Quem está falando?
— É a Kika, Zuleica, não reconhece mais? Tá ficando velha e surda, mulher?
— Velha é você que não enxerga um palmo diante do nariz e...
— Não enxergo, é? Então não te conto que vi a Marlene tirando uma linha com o novo vizinho dela...
Trim!!!
— Alô?
— Quem fala?
— É meia dois meia, meia sete dois sete. Quem está falando?
— Zuleica, não me reconhece mais? É a Samanta!
— Samanta, que surpresa! Quais as novas?
— O João morreu semana passada, mas eu não pude...
Trim!!!
— Alô?
— Quem fala?
— É meia dois meia, meia sete dois sete. Quem está falando?
— Meu nome é Zeferino! Aí é mesmo meia dois meia, meia sete dois sete, dona...?
— Zuleica. Eu não lhe conheço, seu Zeferino, conheço?
— Não me conhece não, dona Zuleica, mas eu tenho uma proposta...
— Proposta? Quem o senhor pensa que eu...
— Calma, dona Zuleica. É uma proposta comercial muito interessante e vantajosa!
— Proposta sobre o quê, seu Zeferino?
Ele viera, meio sem jeito. Era um tipo de meia idade, bem apessoado. Ela corou quando ouviu o plano, mas sorriu de cabo a rabo com a proposta. Tinha uma mina nas mãos, mas só se apercebeu disso quando ele lhe mostrou as letras por cima dos números do teclado do telefone. O anúncio que pretendia publicar no jornal deixava bem claro:
DISQUE
N-A-M-O-R-A-R
E todas as suas fantasias serão realizadas na hora!
Trim!!!
— Blá, blá, blá. Blá?
— Blá, blá, blá...queridinho...
— ...diz agora que você também tá tesuda, Taís taradona!
— Ai! Tou toda tesudona procê. Vem!
— Tira a calcinha!
Zuleica olhou o relógio: oito minutos, estava ótimo.
— Tirei, meu garanhão, está tão molhadinha que...
— Hummm. Vou enfiar...
— Enfia tudo, meu macho!
— Ah! Bom!
— Hummm, continua, mais, mais, continua!
— Ah!!!... Cabei...Tchau, Taís.
— Tchau, amorzinho. Volte amanhã, tá?
Zuleica desligou, sorrindo, divertida. Sua vida mudara da água para o vinho desde que fizera o acordo. No Call Center os chamados não paravam. E, melhor que tudo, depois de Zeferino, o consolo jazia aposentado lá no sótão, bem no fundo do baú.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h32
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Fofocas de Fonia
Xanxada no Ar
— Positivo, Whisky Yankee Zulu, mantenha o nível cento e vinte e cinco na proa de Bacacherí e reporte ingressando na Terminal Curitiba.
— OK, Centro Curitiba, Whisky Yankee Zulu, na sua escuta, manterá o 125 na proa de Bacacherí e reportará ingressando.
Havíamos decolado de Botucatú há uns vinte minutos, com destino a Bacacheri, Curitiba. Nivelei o Sêneca a 12.500 pés, configurei os motores para cruzeiro, compensei o avião e liguei o piloto automático. Pronto. Agora, com a meteorologia a favor, o trabalho resumia-se em vigiar o painel e manter a navegação por mais uns quarenta minutos. Reduzimos o volume do rádio, minimizando a chatice da freqüência do Centro.
O rádio cacarejava:
— Centro Curitiba, Gol 4938 para a descida.
— Positivo, Gol 4938, autorizada descida para o dois uno zero; atingindo, contate uno treis quatro ponto meia cinco.
— Para o nível 210, alternará 134.65 atingindo.
Daí a pouco, mais chatice:
— Centro Curitiba, TAM dois dois cinco cinco para o treis cinco zero, solicita proa de Rede.
— Positivo TAM 2255, liberado nível 350, autorizado voar Rede direto.
— Na proa de Rede, cinco cinco.
Às tantas, entra na fonia um monomotor:
— Centro Curitiba, Papa Tango Triplo Delta (PT-DDD) , decolado de Bacacherí, cruzando cinco mil pés para o nível zero meia cinco na proa de Xanxerê.
— Positivo, Triplo Delta, mude transponder para quatro treis dois uno e reporte atingindo o 065 na proa de...?
— ... de Xanxerê, Centro Curitiba — repetiu o piloto para o controlador.
— Afi-fir-ma-a-ti-vo — gaguejou o Controlador do Centro Curitiba — Triplo Delta, na proa de...?
— Xãn-xê-rê, Centro!
Sem perceber que o microfone ficara aberto, o Controlador desatou a rir e perguntou à algum colega: — Onde fica isso aí de Xã...xereta?
Aumentamos o volume: ouviam-se as gargalhadas dos outros controladores. O colega que não conseguia articular a palavra era agora o epicentro de uma enorme e inesperada gozação na freqüência 126.40 MHz.
O piloto do monomotor não gostou nadinha da troça e, em vez de ficar na dele, foi dar uma de professor: — Xanxerê é no Oeste Catarinense, perto de Xaxim e de Chapecó. Xa-xim, Xan-xe-rê e Cha-pe-có!
Para quê a aula, seu babaca? A fonia pegou fogo.
Entrou o Airbus, rindo às bandeiras desfraldadas: — É por lá que mora a Xuxa, né, comandante? Em Xaxim ou Xanxerê?
— Lá que filmaram a chanchada Xexéu xeretou o xodó da Xuxa, não foi comandante? — Mais algum Papa Tango gaiato que, rindo à toda, não perdoou.
O Boeing na descida arrematou, às gargalhadas: — Atingindo o duzentos e dez, bem longe da vertical de Xanxerê. Vai xuxar na tua freguesia, vai...xô!
Essa foi a fonia mais divertida que jamais ouvi. Se algum oficial rabugento recebeu denúncia e ouviu a gravação, até ele deve ter entrado na turma do deixa disso. Foi uma verdadeira Xanxada no ar.
[Post baseado em ocorrência real; números de vôo, modelos e identificações de aeronaves são fictícios]
Escrito por Ordisi Raluz às 01h37
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Convocação Ordística
Cadê o Jatinho?

Caros Primazes Ordísticos, passai as sacolinhas. Mandai mais malotes e cuequinhas recheadinhas. Ajudai este Humilde Guia que, carente de um jatinho precisa navegar por Caminhos Alados mais precisos para Pousar a Noça Palavra nas mais Paradisíacas Pousadas. Mexei as Vossas Abundantes Bundas, pô!
Escrito por Ordisi Raluz às 23h40
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Pin & Güim
— Quem canta os seus males...
— Espanta os vizinhos! Fui, Pin!

— Pô, Güim! Volte aqui!
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pensagadas Pessi Místicas
Não Queria Falar Disso...
No último dia de janeiro deste ano fomos assaltados em casa. Pouco menos de um mês após o tenebroso evento, escrevi o post abaixo. Na época, não se falava nesse hipócrita "Plebiscito do Desarmamento".
Após reler o post, resolvi trazê-lo novamente ao ar, com a absoluta certeza que os "meus" assaltantes continuam e continuarão sempre muito bem armados e dispondo de farta munição. Também estou certo de que eu não comprarei nenhuma arma — já que elas são inúteis para pessoas de bem.
Mais que isso: fico cá imaginando com meus botões que os Poderes Instituídos bem que poderiam propor que facas, automóveis e motos fossem tirados de circulação. As mortes violentas quase zerariam! Como nos locomoveríamos? De helicóptero, é claro, pô!
Brasil faz Iraquiaquí
Vi uma pequena notícia que afirmava morrerem de 2 a 3 motoqueiros por dia, em São Paulo. Isso dá um número assustador: entre 720 a 1080 almas por ano. Fiquei pasmo e resolvi fuçar umas coisas.
Fui até o Google e li: - “No Brasil morrem violentamente 49,2 pessoas para cada cem mil habitantes; quase metade (23,3) é causada por homicídios”.
Pensaguei: vamos estimar o que isto significa por dia. Supondo que tenhamos no Brasil uns 170 milhões de habitantes, podemos aplicar uma regrinha de três:
Se são assassinadas 23,3 em 100 000, serão X em 170 000 000.
Calculando: X= (23,3).(170 000 000)/(100 000) = 39 610.
Conclusão: são assassinadas 39 610 pessoas em um ano, ou seja, 108 pessoas por dia!
Ainda mais precisamente, se além dos assassinatos, computarmos também os acidentes e suicídios, teremos 229 mortes violentas por dia neste país. Acho que nem no Iraque a coisa está assim...
E não estamos em guerra com ninguém... hummmm... Será ???
Escrito por Ordisi Raluz às 02h44
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Pin & Güim - 3
Pin & Güim

— Antes tarde do que cedo...
— Errado, Pin — é “antes tarde do que nunca”!
— Tchauzinho, Güim! Fuiiiiii.
Escrito por Ordisi Raluz às 16h46
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Epaminondas - 5ª parte
A Proposta de Pancrácia
Foi ele quem quebrou o silêncio.
— E então, priminha, ainda vai querer continuar com o roubo?
Ela não respondeu. Com braços e pernas tirou-o de cima. Saiu da sala e voltou enrolada numa toalha. Jogou outra para ele, sorrindo, satisfeita. E continuou, como se não tivesse havido nenhuma interrupção.
— Vou sim, primo Epaminondas.
— Então vamos lá, Pancrácia, acabe logo com isso.
— Que Pancrácia, seu bobão?
— É um nome mais apropriado para uma ladra, não acha?
— Não me provoque mais, certo? Vamos lá: eu...
— Você...? — Júlio zombou, pasmo com a desfaçatez de Vera.
— Tentei lhe dizer antes, meu querido. Sim, eu vim roubá-lo, mas não vim assaltar você.
— Como é??? — ele estava certo que poderia esganá-la no próximo segundo.
— Bem — ela tomou fôlego — É o seguinte.
Se houvesse uma câmera focalizando as feições de Júlio enquanto Vera falava, teria registrado quase todo o repertório de expressões que um rosto pode assumir. Surpresa, desconfiança, incredulidade, admiração, orgulho, carinho, inconformismo, indignação, raiva, ansiedade, dúvida. Quando, afinal, ela terminou, a pergunta saiu como um míssil.
— E quanto valho para você se eu aceitar ir para a WYX & ZAZ?
— Isso não posso lhe dizer, Epaminondas.
— Mas pode levar seus prospects para a cama, não é, Pancrácia?
— Não misture as coisas e pare de me ofender — ela agora fazia enorme esforço para manter o autocontrole — Você vale cinqüenta mil dólares para mim. Vinte mil no contrato e o resto em seis meses.
— Parece que a profissão de head-hunter*, além de vantajosa, anda dando muito prazer...
Ele mal teve tempo se segurar o braço dela. O tapa vinha direto, movido por toda a indignação do mundo.
[fim, né?]
* Especialista em selecionar e contratar "Recursos Humanos"
de alto nível para posições-chave numa empresa.
Escrito por Ordisi Raluz às 14h31
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Epaminondas - 4ª parte
O Assalto de Epaminondas
— Roubar-me, Vera? — desdenhou, o sangue fervendo com a ousadia.
— Ouça, Júlio, deixe-me explicar. Na verdade, eu não...
— Tire já essas sandálias — ela já havia mostrado que usava saltos como arma — e coloque aí na mesinha todos esses anéis e pulseiras.
— Você está me assaltando? — agora parecia divertir-se, a safada! — Quer o colar também?
— Também — a réplica veio num tom gutural e imperativo. — Ele a queria lisa e nua.
Enquanto Vera, com gestos sensuais, executava as instruções, Júlio despiu-se e aproximou-se, exibindo o membro teso. Levantou-a pelos braços e colou seus lábios nos dela. A língua forçou passagem para a vitória. Ela, excitada, retribuiu com gula feroz. Com gestos bruscos, arrancou-lhe o vestido. Outro beijo louco, desvairado, selou a queda da última barreira: o body cor da pele.
Ele a mordeu no pescoço, ela unhou seus ombros, ele grunhiu, ela gemeu, ele a penetrou sem delongas, ela o recebeu sequiosa. Foi um ato felino, primitivo, animal. O clímax veio rápido e violento. Viram-se agarrados, ofegantes e suados. Ele permaneceu dentro, sentindo as contrações da danada, que pareciam não mais terminar. E assim ficaram, sem palavras.
A música de Astor Piazzola continuava a dominar o ambiente.
[continua, com ela ainda nua]
Escrito por Ordisi Raluz às 20h18
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Pin & Güim Special
Pin & Güim

— Hoje o chefe vai levar a pingüinha dele pra jantar!
— A mulher do Ordisi num é pingüinha não, Güin.
— Por que ele a chama de Çara Metade, Pin?
— Mulher é bicho caro, não é pingüim não.
— ...
— ...
— Que será que eles vão comer?
— Um peixinho, acho.
— Diga que eu pego um peixe pra eles, pô! De graça!
— Bacana da sua parte, Güim, mas eles querem comemorar!
— ...
— ...
— Comemorar jantando peixe? Isso a gente faz todos os dias!
— Não é pelo peixe, não.
— Se não é pelo peixe, então por que é, Pin?
— Aniversário de casamento, Güim! Uma pá de tempo juntos!
— ...
— ...
— Sei. Mas... isso é normal?
— !!!
Escrito por Ordisi Raluz às 23h13
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Epaminondas - 3ª parte
A Noite de Epaminondas
Júlio verteu lentamente todo o conteúdo da garrafa no decanter. Precisava colocar as idéias em ordem, refazer o roteiro. Pensara em ir ao piano e tocar Misty — técnica usada desde a juventude — mas essa mulher aí na poltrona não se derreteria tão facilmente como as outras tantas.
Em vez disso, adotou o conselho poético de Bandeira — “Cante um tango argentino”. Ligou o som e os acordes do bandoleón de Astor Piazzola tomaram conta do ambiente.
Ela, que acompanhava seus movimentos com o olhar atento, reagiu com um sorriso de aprovação. Vera não parecia a mesma mulher que há pouco lhe propusera “no meu ou no seu?”. Júlio mordeu os lábios para não perguntar:
— “Viemos aqui para trepar ou para conversar”?
Após agitar, enfiou todo o nariz na taça e aspirou profundamente. Fantástico o buquê. Provou cuidadosamente e sorriu. O vinho estava ótimo. E o novo roteiro também. Precisava apenas que...
— Epaminondas, eu preciso lhe dizer uma coisa.
“Puta que pariu” — a xingação por pouco não lhe sai em voz alta — “Essa filha da mãe está me fazendo de joguete”.
— Vamos parar com isso de Epaminondas, certo, Vera? — contra-atacou ele.
— Certo, Júlio — acedeu Vera, que imediatamente voltou à iniciativa — Eu quero dizer que realmente você me atrai muito, mas...
— Mas? — o timbre da voz não podia mais encobrir a profunda irritação.
— Que tal começarmos logo a beber o vinho? — ela estava usando a técnica do “primeiro bate e depois alisa”.
— Tin, tin — pronunciado com ironia — foi a única sandice que ocorreu à ele balbuciar naquela pífia situação.
Beberam alguns goles, prolongados pelo silêncio. O sabor do Almaviva não conseguiu atenuar a tensão. O som vigoroso do vocal Buenos Aires Ocho agredia o ar com as dissonâncias rebeldes e sincopadas de Piazzola.
— Eu vim roubar você, Epaminondas — anunciou a "prima" Vera, com o mais irônico dos sorrisos.
[continua, uai]
Escrito por Ordisi Raluz às 03h25
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Epaminondas - 2ª parte
Chez Epaminondas
Vera o abraçou por trás, ronronando como uma gata, enquanto Júlio destrancava a porta do apartamento. Agarrou firme pelo cinto, impedindo-o de virar-se para ela. Riu como criança, enquanto ele procurava desvencilhar-se. Após uns giros e mais risos, ele não se conteve e, tomando com firmeza as mãos delicadas, abriu o torniquete à volta de sua cintura. Voltando-se, puxou-a para si, e — afinal — beijou-a.
A sensação de tempo dissolveu-se em puro tesão. O magnetismo colou os corpos — as pontas das sandálias dela sobre os sapatos dele. Assim cambalearam ao ritmo sincopado dos suspiros, num mudo e sensual tango, dançado pelas línguas que freneticamente se exploravam.
O som inesperado os trouxe de volta ao mundo. O acorde dissonante reverberou pelo living, quando a trazeira dela bateu no teclado do piano. A dança terminou.
— Ops! Você toca piano, Epaminondas? — brincou Vera, retomando o fôlego.
— Com a sua bundinha é a primeira vez, Priminha — devolveu ele.
— Seu bobo! — Vera largou do pescoço de Júlio e virou-se para o teclado, onde começou a dedilhar “O Bife”.
— "O Bife”? — melhor este aqui e agarrou-a por trás. Pressionou, fazendo-a sentir seu membro teso, enquanto as mãos, lenta — mas decididamente — iniciavam a subida da cintura em direção aos seios.
— E o nosso vinho, Priminho? — a pergunta veio acompanhada de uma forte pressão do salto da sandália prateada sobre o peito do pé dele.
Surpreso mais uma vez com o elenco de recursos da beldade, Júlio achou melhor fazer um recuo tático.
— Vou buscar o Almaviva na adega agorinha, meu anjo. Você prefere água com ou...
— Sem, é lógico, Epaminondas querido!
Ao regressar com os grandes copos de cristal e com a garrafa contendo o precioso vinho — meticulosamente conservado à temperatura de 18 graus — Júlio percebeu que ela havia se acomodado numa poltrona e não no sofá. "Aqui tem dente de coelho" — ruminou, enquanto abria o Almaviva. Seu instinto havia ligado uma luz de alerta: aquela noite seria longa e trabalhosa. Vera não era fácil.
Fácil fora ele.
Escrito por Ordisi Raluz às 21h20
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Quo Vou?
Acuda um Blogueiro Zumbi

Caras leitoras e caros leitores.
Venho, através deste post, solicitar seu importante conselho.
E agora? Depois de escrever Missão Alfa Centauri, depois da revisita à Minha Novela, depois de Epaminondas e depois de parir — uiuiui — a simpática dupla Pin & Güin, que faço?
a) Escrevo uma Nova Novela em dez capítulos?
b) Vou ao Espaço Sideral para mais um conto de Ficção Científica?
c) Termino os Desmandamentos da Ordística – A Noça Seita?
d) Faço força para expelir novas Pensagadas?
e) Só posto Pin & Güin?
f) Continuo com a mistureba toda, e mando Alterego à PQP?
g) Vou catar coquinhos em outra freguesia?
Colabore com sua opinião sincera.
Desde já, agradeço.
Mas — sempre há um mas — se pegar forte demais eu devolvo, pô!
Atenciosamente,
P. Deferimento.
Ordisi Raluz
Escrito por Ordisi Raluz às 01h53
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Pin & Güim & Cisne

— Estou com ciúmes, Pin.
— Por causa da Rê, não é, Güim?
— É, ela veio aqui e ADOOOOOOOOOROU a gente!
— Eu também pensei que ela ia postar algo nos elogiando...
— ...e então ela prega justo essa foto da concorrência no espaço nobre do Blog dela!

—...
— Você acha mesmo que Cisne concorre com Pingüim, Güim?
— E não concorre, Pin?
— Não bem desse jeito. O Cisne do Instituto é sério, nós somos piosos, quá!
— Quá??? Desde quando pingüim grasna que nem pato, ou pior, que nem CISNE???
— Não, seu bobão. — É só um quá de risada! Sacou?

— O mundo está de cabeça pra baixo!
— Parece, né, Güim?
— Se eu tivesse mãos e dedos, coçaria minha cabeça, Pin.
— Não sabe nada sobre Limitrofia e sobre tudo aquilo que o Instituto Cisne faz, é isso?
— É. Mas sei que não só a Rê, como também a Cacau, a Polly, o Branco, a Naomi, o Inagaki, o ...
— Quiéquié isso, Güim, a seleção brasileira de Blog?
— Parece, né, Pin?
—...
—...
— A Rê é persistente, meu. Está rodeada por amigos que, de alguma forma estão ajudando ou postando, senão...
— ... senão, o quê, Pin?
— Já viu a Rê brava?
— Qual a espécie de pingüim a dela, Pin?
— Ela não é pingüim não! Ela é uma mulher, Güim! Um mulheraço!
— Mulher??? Simbora antes que ela pegue a gente pra pato, quá!

— Pára e pensa. Se divulgarmos o Instituto Cisne, aí ela não fica brava com a gente e, um dia, sei lá, quem sabe...
— Então tá!
— Tá? Você topou, Güim?
— O que não topo pra num tomar tapa, Pin...

Amigos, cliquem aqui, pô!
Escrito por Ordisi Raluz às 13h20
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Sextória
Epaminondas
Foi por acaso — estavam se acomodando em mesas vizinhas — que cruzaram o primeiro olhar. O repique de soslaio foi imediato, um reflexo. O mútuo flagrante tornou inevitável a troca do sorriso.
Júlio sentiu o coração palpitar e um suor frio brotando das mãos. Isso não lhe acontecia desde o colegial, quando colocou em ação o roteiro para a primeira conquista.
Enquanto serviam o vinho branco — um presunçoso Bourgogne Chardonnay Château de Dracy — conseguiu examiná-la mais detalhadamente. Os cabelos castanhos clamavam, o nariz ordenava, os lábios pediam e o pescoço rogava por homem. Automaticamente, começou a esboçar um novo roteiro.
Esse talento fez dele excelente publicitário. Desde cedo viu-se criando anúncios e comerciais em agências de publicidade. Agora, com apenas duas semanas no novo emprego, fora convidado para a festa de casamento do filho do diretor.
Ela na mesa ao lado, só de mulheres. Ele, com outros desconhecidos: três casais e uma velhota. A septuagenária bebia mais que todos e monopolizava a conversa com suas recordações.
À entrada dos noivos, todos se levantaram, aplaudindo. Ele aproveitou para observá-la melhor. Pés elegantes e pernas bonitas. Bundinha arrebitada. Os decotes do vestido insinuando seios deliciosos e costas sensuais. Braços esguios e mãos delicadas. Os anéis! Seria aquele uma aliança ou não? Como uma beleza destas pode estar desacompanhada?
As incertezas de Júlio terminaram com o sorriso que ela lhe exibiu ao sentar-se novamente. Sabia que tinha sido examinada e aprovada com louvor.
Serviram o vinho tinto com o segundo prato. A escolha dos anfitriões surpreendeu pela simplicidade e originalidade: Casa dos Zagalos, um tinto português, alentejano, muito adequado ao cardápio. A velhota levantou um sonoro brinde e atirou-se com entusiasmo juvenil aos comes e bebes.
Era hora de agir, matutou Júlio, enquanto saboreava o segundo copo. O script estava pronto. Precisava apenas da oportunidade para fazer a abordagem. Notou que ela falava ao celular com expressão progressivamente séria e, enquanto fazia isso, voltava-se para ele, fitando-o firmemente.
Ele desviou os olhos. “Mais uma ilusão que se vai”, cantarolaram os neurônios de Júlio. Aborrecido, batucando de leve com os dedos, quase não percebeu quando ela se levantou, pegou a bolsa e caminhou em sua direção.
— Primo Epaminondas! O corpo da Tia Chiquita já chegou ao velório. Temos que ir imediatamente!
— Ce-certo, prima, estou indo!
Pego no contrapé, coração palpitando, Júlio reagiu a contento. Fez cara de “não tem jeito” para os casais e piscou para a velhota.
Firme e séria, a “prima” pegou-o pelo braço enquanto caminhavam em direção à entrada. Ele, contido, com o ego a mil, esbaldando-se de rir por dentro e já pisando em nuvens. Epaminondas! Essa mulher era fantástica, muito melhor que ele!
Passaram pela chapelaria, onde pediram a écharpe. Enquanto aguardavam, miraram-se, olhos nos olhos. Ao descer as escadarias ela perguntou, sem rodeios, com a maior segurança do universo:
— No meu ou no seu?
— No meu — Júlio não pestanejou na resposta e pediu o carro ao manobrista. Sorrindo, devolveu o chavão:
— Tenho um Almaviva chileno na adega para uma ocasião especial como esta, prima...?
— ...Vera.
— Prima Vera! — ele não ia perder essa — Hoje é 22 de setembro, início do seu reinado!
— E o Almaviva ? — ela tinha uma ponta de malícia na voz — Está reservado para a entrada da primavera?
— Não! — ele riu e emendou, num tom de segredo — É para comemorar um batizado.
— Um... batizado?
— Do Epaminondas, prima Vera!
Entraram no BMW-Z4 prata, trocando outro olhar cheio de magia. Epaminondas engrenou a primeira e lá se foram, rindo, noite afora.
Texto criado para o tema "In Vino Veritas"
da edição #17 da engrenagem - a revista sem eixo
Escrito por Ordisi Raluz às 23h37
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Pin & Guim - 2
Pin & Güim

— Não estás só, se mal acompanhado...
— Errado, Pin — é “antes só que mal acompanhado”.
— Fuiiiiii, Güim.
Escrito por Ordisi Raluz às 12h43
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