ORDISI RALUZ
     
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O que é isto?
 


Quero Ver

Vaca Amarela

 

Agora, — que adentramos por dezembro, sentimos subir um aperto no coração, aquela melancolia especial e única do tempo que se foi e jamais voltará — quero ver.

 

Quero ver quem vai abrir a boca. Quero ver quem relegará os assuntos de sempre e postará sobre os temas de nunca.

 

Quero ver quem não falará de balanços. Se foi bom ou mau; se deu lucro ou prejuízo; se bateu mais do que levou; se machucou mais do que foi ferido.

 

Quero ver quem não falará de amigo secreto ou do inimigo oculto; das simpatias e antipatias; dos favores feitos e dos recebidos; dos amores e dos ódios.

 

Quero ver quem não falará de esperança para compensar as fraquezas; que não falará de alegria para encobrir as tristezas; quem não mencionará princípios pois só lhe interessam os fins.

 

Quero ver quem fica sem abrir a boca para vomitar hipocrisias; quem venha a somar sem diminuir; quem venha a integrar sem diferenciar; quem venha a agitar sem romper.

 

Quero ver quem não usará Dele o nome para propor discriminação, guerra, aniquilamento e morte.

 

Medite antes de digitar na tela. É hora da vaca amarela.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h01
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Furo no Ofurô

Agitação no Mundo das Letras!

 

por Abrahi Q. Suei,

Calunista Oficial da Revista BloGay

 

Percebi um zunzum muito forte na praça: dizem que está para acontecer uma reunião secreta do Corpo Editorial e Redacional da “engrenagem – a revista sem eixo. [update - outro furo deste repórter soçial: o # 20 já está no ar].

 

Nos meios literários — agitadíssimos — comenta-se que Rô Druhens estaria disposta a se deslocar do seu posto de comando lá na Capital Federal para vir brandir aqui na Capital Paulistana o seu já famoso Chicote da Humildade, com o qual enquadra e mantém na linha seus Redatores e respectivos Egos, tão espevitados.

 

Com pouca maquilagem e trajando apenas um pretinho básico —com umas transparências lá e cá, pois não ia deixar de mostrar meus predicados, homessa —, consegui me escafeder num badalado Bar, localizado num dos Hot-Spots mais Nobres dos Jardins.

 

Entrando, logo ouvi os impropérios de Lucrécia Bárgia — a Magnânima Hostess — exigindo que fosse reservada a Mesa Vip para O Grupo. E que os habitués Antonio Ermírio, Olavo Setúbal e Geraldo Alckmin fossem encaminhados para o outro canto, perto do pianista que toca Ronda em dezenove arranjos diferentes.

 

Por sinal, alguém discretamente me vazou que Banana de Pijama tem uma certa queda por esse verdadeiro hino e que provavelmente ficaria tentada a ir papear naquela rodinha também. Pela música, não pela grana e poder, of course.

 

Haverá uma certa dificuldade em acomodar as irmãs siamesas Lilly Rowan e Amargha Mason. Apesar dos corpos separados há tempos, em intervenção espírita que fez história — secundada apenas pela extração das pedras preciosas que nelas foram descobertas — há uma estranha insistência para que compareçam sob uma só entidade. Oxalá assim seja, murmuravam os garçons, temerosos de que não mais sobrasse espaço para os homens.

 

Como Ben Iamin — já de posse de seu número na OAB — diz ter coisa mais importante to care em Natal, sobrará para Branco Leone, Abudante Abud e Ordisi Raluz a desafiante tarefa de fazerem-se percebidos pelas moças.

 

Afinal, garantiu-me uma fonte segura, essas jeunes filles são assim “carne e unha” há lustros e os meninos — tsk,tsk,tsk — vão ficar que nem patsos, enchendo a cara e cantando a canção que mais fala ao país nesse momento de exaltação à beleza e à pureza: “Salve o Corinthians, o Campeão dos Campeões...”.

 

Num dado momento alguém se apercebeu de que eu fazia anotações num papelote rosa — attacched na liga da meia —, e que estava no Bar há quase duas horas apenas bebericando aquele copinho de água. Colocaram-me para fora aos safanões, que brutos! Olhem só o estado dos meus apliques! Mas cuidem-se, ínfimos vermes representantes da ralé, pois cavalo não desce escada rolante. My business é conseguir furos, de um jeito ou de outro, entenderam, pô?



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h48
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Pensagada: Uma Catarse Bloguística

Vamos Comentar?

 

Concordo ser nosso tempo exíguo mas, vez por outra, acho termos que dar um tiquinho de atenção extra para um post mais longo. Geralmente, tal tipo de texto é resultado de maior reflexão e fruto de maior elaboração por parte do blogueiro.

 

Nem sempre o texto é bom, óbvio. Uma crítica por demais parcial, um desabafo que nada tem a ver com você, uma crônica mal colocada, um conto mal redigido, enfim — uma idéia pouco feliz.

 

Mas sempre passar batido não é legal, não!

 

Vai que justo a crítica é oportuna e bem feita, o desabafo um corajoso grito de inconformismo, a crônica extremamente perspicaz, o conto fluído e interessante e a idéia muito criativa — talvez genial?

 

Os meus melhores textos — segundo fontes bastante imparciais — são os que receberam e, com poucas exceções, geralmente continuam recebendo, um mínimo de comentários; mesmo com o sitemeter indicando uma quantidade habitual de visitas no período. Certamente porque são, via de regra, mais longos.

 

Sei que o melhor post é aquele de uma linha, ou o de uma só figura. Mas não é todo dia que estamos com tal capacidade de síntese — imagine se conversássemos apenas por monossílabos. Há momentos em que temos nossos Estalos de Vieira, necessidade de debulhar uma ocorrência, de botar pingos nos ii em certos assuntos ou de fazer uma tremenda catarse.

 

Vamos lá pessoal! Preciso muito manter a motivação para continuar escrevendo contos, crônicas e — até mesmo de quando em vez — uma novelinha. E a motivação é a presença e as opiniões de Vossas Mercês.

 

Venham, leiam e comentem — com o entusiasmo de sempre — também quando pintar um textão, pô! Podem dizer que não foi do agrado ou até mesmo que está uma baita merda. Mas também podem elogiar, ora essa! 

 

Afinal, vox leitoribus, vox dei.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h25
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Festinha de Fim de Ano

A Fera

 

Da primeira vez, ela entrou na salinha da copiadora e trancou a porta à chave, mesmo sabendo que todos já haviam ido. Fitou-me; colocou as mãos em meus ombros — aqueles dedos longos, afilados por unhas vermelhas — e foi abrindo os botões da camisa, descendo-as pelo peito, arranhando de leve. Sem sorrisos, sem palavras.

 

Deve ter sido obra dela o sorteio de cartas marcadas para o amigo oculto da empresa. Já havia me alertado que o seu perfume predileto tinha acabado. Cínica. Controladora. Dominadora. O presente estava perfeito. Na embalagem, o mimoso frasco com o perfume predileto.

 

Dois anos nesse desespero, dominado, encurralado. As Ordens de Manutenção vinham em três vias. Se, no verso da primeira existissem dígitos manuscritos, o comparecimento era compulsório.

 

Quando ela estava perfumada no escritório, eu sabia que não era dia. Ela jamais usava perfume quando fazíamos aquilo. Eu não posso sequer usar a expressão fazer amor para aqueles encontros de sexo selvagem, ferino e violento.

 

Tive pouco tempo para fazer serviço tão perfeito, com a certeza que não deixaria traço significativo. Já havia rogado para ser despedido e já havia feito corpo mole. Já havia deixado de fazer serviços corretos com o propósito de ser mandado para o olho da rua, para a paz da minha casa. Nada funcionou, ela sempre contornou e controlou todas situações com aquele sorriso cativante e hipócrita.

 

Nunca voltou a fazer aquilo comigo no escritório. Passou a escrever dígitos — a lápis — no verso da via que éramos obrigados a retornar, com o OK do cliente. Era um código muito simples. Bastava olhar o último algarismo da Ordem de Manutenção.

 

Se o algarismo fosse — digamos — sete, eu deveria recuar sete letras no alfabeto: a anotação “whyhpv” significava “paraiso”. Motel Paraíso. Ela estaria lá, indócil, aguardando por mim.

 

Não quero entrar nos detalhes. O fato é que ela sempre consegue me transformar numa fera e é com a fera que ela goza e goza e goza, não comigo. As delirantes fantasias, as súbitas exigências, um eterno renovar de repertório. Os acessórios cada vez mais sofisticados. Me proibindo de tomar banho. Meu suor a deixa doida, tesa, fora de si. Homem da Manutenção deve tornar à casa fedendo a suor. Lógica fria, calculista e correta a dela.

 

O que fiz foi incrível. A embalagem, perfeita e aparentemente inviolada, guarda aquele frasco mimoso com o seu perfume predileto, mais uma porção exata da poção fatal.

 

Agora, aqui na festa do escritório, fico antevendo minha liberdade, que chegará poucas horas depois da pequena borrifada que ela se aplicará amanhã de manhã, em pleno feriado.

 

Adeus fera sufocante, com os alegres votos de pesar do seu amigo oculto. Oculto para sempre.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h05
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Óia só quem taquí

Cheguei !!!

Acabo de pousar em Congonhas. Beleza chegar à Sampa de avião, com o tempo bem aberto, numa noite resplandescente como esta. Na aproximação, desde a orla marítima, você se sente como que flutando sobre uma enorme ostra luminosa.

Bom, pessoal, logo que puder vou colocar as coisas em dia. Obrigado muito especial aos que continuaram dando as caras e postando comentários. Tks, de coração.



 Escrito por Ordisi Raluz às 22h01
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Acredite se quiser...

Inté!

 

 

Estarei fora por alguns dias.

Poucos irão acreditar se eu disser que é por motivos profissionais.

Então fica aí registrado o que realmente eu gostaria de ir fazer, pô!

Quer vir junto?



 Escrito por Ordisi Raluz às 10h42
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Percepções Matemá6icas

Você já recebeu um e-mail como este?

 

De: 
Para:
ordisi@uol.com.br
Enviada em: 07 de Julho de 2005 07:07
Assunto: Incrivelmente fácil de ler!
 
M473M471C0 (53N54C1ON4L):
 
4S V3235 3U 4C0RD0 M310 M473M471C0.
D31X0 70D4 4 4857R4Ç40 N47UR4L D3 L4D0
3 M3 P0NH0 4 P3N54R 3M NUM3R05,
C0M0 53 F0553 UM4 P35504 R4C10N4L.
540 5373 D1550, N0V3 D4QU1L0...
QU1N23 PR45 0N23...
7R323N705 6R4M45 D3 PR35UNT0...
M45 L060 C410 N4 R34L
3 C0M3Ç0 4 F423R V3R505
H1NDU-4R481C05.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h42
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Descobertas Surpreendentes

O Ponto G

 

 

Bem que eu procurei, procurei, procurei...

 

 

 

...mas era ela quem sabia o local exato do Ponto G.

[Parque das Exposições – Lisboa]

copyright Ordisi Raluz 



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h02
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Crônicas de Quarteirão

Guerra Nordestina em São Paulo

 

Hoje, por estas bandas, foi inaugurada uma nova loja das Casas Bahia — a apenas trinta passos das Casas Pernambucanas.

 

Enquanto uma balançava bandeiras e bumbava bumbos, a outra retrucava colocando montes de mercadorias à preço de banana, incluindo TV’s e geladeiras — imaginem onde? — na calçada!

 

E amanhã, nesse Super-Camelódromo? Desembainham as peixeiras? Sai tiro? Ou... termina em pizza?



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h09
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Pensagada Obscurecida

Cadê a Luz?

 

Hoje, — PUFT — Faltou luz. Nada de campainha, nada de computador, nada de internet, nada...

 

Peguei um pedaço de papel (!), um lápis (!) e consegui grafar (!) a mal traçada linha que abaixo segue:

 

— “Acabou-se a luz. Sinto-me ninguém, perdido na pré-história. Percebo ser nada mais que um amontoado de matéria, viciada e dependente dessa droga de elétrons circulantes!”



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h09
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Pin & Güim encontram...

Pin & Güim

— Quem é esse cara aí no meio da gente, Pin?

 

 

— Deixa ver se adivinho, Güim.

— Chega de vinho, Pin!

— Quem falou nisso, Güim?

— O chefe. Passou a noite toda falando só disso.

— ...

— ... 

— Ô você aí do meio, qual é o teu nome, pô?

— Pinguço, muito prazer.

— Só faltava essa, Pin...

— Simbora, Güim. Amanhã é outro dia... 



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h30
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Best Çeler #3 : Este post tem um mistério para você decifrar !

Dão Bráu:

Fraqueza  Digital

 

Orelha da Capa

Sevilha, Espanha – Gamal Günther Kalil desabou ao solo, enfartando, bem em frente à Torre da Giralda. Num último esforço, entregou para uma transeunte — com olhar de súplica — um anel quadrado com três palavras muito estranhas, gravadas em nítido baixo-relevo no ouro de quatorze quilates:OHLD RUGLVL UDOXC. A agente da CIA que o seguia desde o alvorecer, aceitou o anel, andou por mais meia quadra, ligou seu celular e transmitiu a seqüência ao Centro de Criptografia Avançada do Pentágono.

 

Luanda, Angola – Bento M’Guyen Kymbzan escorregou numa casca de romã, maldizendo o enorme Uzbeque que o seguia tenazmente desde a sede do Partido. Sacou da lata de spray que trazia no bolso e, de forma surpreendentemente ágil, grafitou no único muro branco da praça:MPBGQGPYJSXJCGY. Para chamar a atenção dos transeuntes, começou a gritar desesperadamente palavras de ordem da Resistência Democrática e, puxando a Mauser de sob o paletó, matou-se com um tiro na boca.

 

Orelha da Contra-Capa 

Brasília, Brasil - O Coronel-Aviador Pimenta Fortes, num ato de coragem e desespero, decolou num Super-Tucano da Esquadrilha da Fumaça e, mesmo perseguido por seus alas — que hesitavam em cumprir a ordem de interceptá-lo — dada pessoalmente pelo Ministro da Defesa — conseguiu grafar no céu azul da Capital:SILEA ARROZ DILUI antes de — finalmente — ser liquidado por um míssil terra-ar do Exército.

 

Cascais, Portugal - Margô Isabla Gasol já estava há quase meia hora gostosamente acomodada à melhor mesa, no canto do Restaurante do Farol. Dali, as grandes vidraças emolduravam verdadeiras pinturas, criadas pelas luzes e reflexos do glorioso ocaso. Saboreava seu Quinta do Carmo, aos pequenos goles, aguardando pelo Peixe ao Sal, quando o garçom — de forma arisca e disfarçada — entregou-lhe um guardanapo aonde constava uma longa seqüência de números: 120509011518040919091801122126 . Percebendo de soslaio o rapaz que se afastava apressadamente, não hesitou em também se retirar às carreiras, de volta à casa, para usar os recursos do computador com toda a presteza possível.

 

Contra-Capa 

Qual o porquê desses misteriosos acontecimentos? Haveria algo em comum entre ocorrências tão díspares? Que abominável interesse estaria escondido por trás desses códigos?

(A Gaveta Esportiva)

Ler este vibrante livro de ação e mistério deixará você mesmerizado, com a linguagem brilhante e direta, sofisticada e pura, forte e fervente como as mentes dos criptógrafos de plantão.

(Jornal O Blogo)

Cabalistas afirmam, categóricos: — “Suas iniciais são a própria Luz”. E continuam — “Felizardo Aquele que domina a língua dos hebreus para Entrevê-Lo e Decifrá-Lo”.

(Revista Taras)

Na verdade, queridão, decifrar o mistério é a mais enorme baba. Vá loguinho se fantasiar de Elvis, meninão, que nós a-do-ra-mos você cantando “Or now or never”! Já estamos todas arrepiadinhas só de imaginar, uau!

(Revista BloGay)

Talvez se cogite num prêmio a ser rateado pelos postadores de comentários com a resposta certa, neste Blog.

Participe, pá!

(Editora Ó. Ráiuz - Lisboa)



 Escrito por Ordisi Raluz às 01h59
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Pensagadas Pessimisticas

E agora que...

...soltaram aquela filha assassina dos pais e que também - por ato legal (!?!) - colocaram em liberdade o namorado dela e o outro cúmplice — todos matadores a sangue frio confessos?

...aquele juiz filmado fuzilando um pobre coitado num super-mercado foi presenteado com uma aposentadoria legal (!?!) de quinze mil reais mensais?

...quem tem poder real de polícia são as facções de bandidos e traficantes?

O que você tem a dizer? Eu estou sem palavras adequadas...



 Escrito por Ordisi Raluz às 17h50
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Futebol x Novela - Tema para a revista engrenagem #19

Acho que existem críticos muito melhores que eu para descer a lenha em “tudo isso aí”, vocês entendem? Mas, entusiasta que sou de ficção científica — e provocado pelas circunstâncias — resolvi revisitar o Sistema Estelar Alfa Centauri. Desta vez, lá descobri Lisarb, um planeta surpreendente...

 

A Estrela Anã Vermelha

 

Estrelas são assim mesmo: nunca se enxergam. Quando nascem, infernizam a vizinhança com suas explosões e emissões gasosas. Depois vão caindo em si mas, em vez de adquirirem humildade, trilham o caminho inverso. Querem aparecer mais e mais, ofuscar e cegar. Ao envelhecer, ou provocam tragédias siderais com seus colapsos e estertores, ou então se encolhem vergonhosamente, como que agachadas num canto escuro do espaço sideral.

 

Próxima Centauri é um caso exemplar de estrela anã, de fraca luz vermelha, corrompida e destroçada por ter esbanjado mais recursos do que deveria. A ciência mal explica a existência de Lisarb, um geo-planeta com vida e atmosfera, que a orbita interrogativamente, como um garoto tentando espiar pelas janelas de uma Casa da Luz Vermelha.

 

Ao contrário de Paradise e Liberté — os geo-planetas hiper-desenvolvidos das outras pujantes estrelas de Alfa Centauri — em Lisarb não existem terremotos, maremotos, tsunamis, furacões ou tufões. Os habitantes se imaginam pacíficos, afáveis, simpáticos e proclamam-se como o Povo do Futuro. Valorizam o jeitinho, o carnaval, a cerveja, o futebol e as novelas.

 

Também ao contrário de Paradise e Liberté, a população de Lisarb não vê o estudo das ciências com simpatia. Não fossem os robôs contrabandeados do Yaugarap para produzir todos os produtos necessários à sobrevivência, ao conforto e ao luxo, a sociedade local já teria sucumbido ao imperialismo de Paradise.

 

Os burocratas empoleirados na máquina governamental embalam-se nos discursos repletos de metáforas de Alul — o gnomo eleito — sempre impregnados de referências orgulhosas ao turbulento e longínquo passado da então nascitura estrela anã vermelha. Suspeitas não comprovadas sugerem a utilização de meios não ortodoxos para a eternização dos gnomos no poder.

 

Há que distrair-se a população desses fatos e assim será.

 

Amanhã — enquanto os dois Grandes Sóis estiverem visíveis — haverá um referendum compulsório. Todos deverão votar nisso que ficou conhecido como “Novela x Futebol”.

 

A questão oficial é a seguinte: — “Você não concorda que a violência nos estádios de futebol é motivadora das cenas de conteúdo sexual nas novelas que podem induzir ao comportamento não cívico e antidemocrático?”.

 

A longa batalha publicitária entre a Bancada Moralista e a Leva Angélica chegou ao fim. Mas, qualquer que seja o resultado, a estrela anã vermelha estará perdendo um pouco mais da parca luz que ainda lhe resta para ser bem vista em Lisarb.



 Escrito por Ordisi Raluz às 19h11
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Sextórias

A Sereia

 

A chuva era tanta que eu mal podia divisar uns passos à frente. Não ouvia a arrebentação das ondas, mas sim o batucar surdo e intenso das enormes gotas em minha fronte.

 

As rajadas de vento e o insistente tamborilar compunham-se numa estranha sinfonia de flauta e batuque. Hipnótica. Surreal. Estertores agudos e graves clamando por alguma outra alma viva.

 

Eu precisava de uma cachaça brava para parar com aqueles arrepios que — pouco a pouco — iam se apossando de mim, como que gritando a premonição. Uma espécie de sirena das profundezas emergia pelo meu âmago. Algo ia acontecer.

 

Aconteceu.

 

Ela vinha saindo do mar. Não nos vimos e trombamos. Caímos na areia ensopada e também numa quase inaudível gargalhada. A beldade passou a mão pelos longos cabelos, ajeitou sensualmente o biquíni e aceitou — com um largo sorriso — meu braço estendido.

 

Fomos beber cachaça capixaba para enxugar o corpo e sintonizar as almas.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h01
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pg7

Pin & Güim

 

— Quem semeia nuvens, na praia não vê beldades!

— Não, Pin, é — “quem semeia ventos, colhe tempestades”

— Não chova no molhado, Güim! Vá ver se eu estou na esquina, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 18h46
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Outro Alô. Pô!

Xi! Tá chovendo!

Chove chuva, chove sem parar

Chove chuva, chove sem parar

Chove chuva, chove sem parar

E bem agora, depois de tanto trampo, que vou pegar uma praia...

Ninguém é de ferro, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 10h36
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