ORDISI RALUZ
     
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O que é isto?
 


Pedido de Patente

O Gerador de Certeza

 

Ordisi Raluz —já devidamente qualificado alhures—, vem mui respeitosamente perante esta colenda comissão examinadora solicitar a aprovação da Patente de Invenção para o artefato denominado “Gerador de Certeza” que permite o deslocamento pelo espaço sideral em velocidade aparentemente superior àquela da luz.

 

Da Fundamentação Científica

 

A inovação consiste no fato de poder-se diminuir a Incerteza no espaço à frente do ser ou objeto a deslocar, através do acionamento do Gerador de Certeza, ou, mais genericamente, de um Indutor de Movimento, objeto deste pedido.

 

A diminuição da Incerteza corresponde —em verdade—, na contração de dimensões espaciais. Se o espaço a percorrer torna-se mais curto e a velocidade é mantida, chega-se antes. Daí o aparente paradoxo: — O de um dado ser ou objeto aparentar poder deslocar-se em velocidade superior à da luz. Fica aqui, portanto, bem esclarecido que nenhuma lei da Física está sendo violada.

 

O espaço-tempo quântico-relativístico pode ser contraído de forma similar àquela em que um papel bi-dimensional é “sanfonado”. Se na superfície desse papel houver uma linha reta traçada, o Gerador de Certeza fará com que a linha mantenha-se firme, fixa e invariável no espaço tri-dimensional, não acompanhando as ondulações do papel.

Deriva daí o conceito, já antevisto na conhecida série televisiva Star Trek, de “Velocidade de Dobra”. Também podemos visualizar o efeito criado pelo Gerador de Certeza, comparando um barco que sobe e desce fortes ondulações de um mar encapelado com —digamos— um golfinho que as “fura” ou com um “wind-surf” que as evita, passando por cima. Mesmo que todos tenham a mesma velocidade, o barco chegará por último, pois terá percorrido uma distância maior.

 

O resultado prático do Gerador de Certeza fala de “per si”: — Uma redução —por exemplo— de apenas 0,001% (um milésimo de porcento) na distância limite da trama no tecido do espaço-tempo, resulta numa velocidade aparente de 1.000.000 c (um milhão de vezes a velocidade da luz no vácuo).

 

Dessa forma, o dispositivo Gerador de Certeza em pauta permite, com essa particular regulagem, que um deslocamento até o Sol se faça em meio milésimo de segundo em vez de oito minutos. Que se viaje até Proxima Centauri em dois minutos em vez de quatro anos. E que se chegue à Andrômeda em dois anos e meio em vez de dois milhões e meio de anos!

 

Isso posto, passaremos a descrever o Gerador de Certeza e seus elementos construtivos e práticos nos tópicos que seguem.

 

Atenciosamente,

Ordisi Raluz

Inventor

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Estrutura Escondida

A Natureza do Nada

 

A natureza, inúmeras vezes, nos reserva surpresas, comportando-se de forma diferente daquela que nos é sugerida pela intuição. Todos nós achamos que o espaço é um ente formado por pontos entre os quais sempre é possível definir uma distância absolutamente exata.

 

Ocorre que, para nossa surpresa, no espaço real, onde acontecem os fenômenos físicos —entre eles a propagação da luz—, as coisas não são como no espaço geométrico comum.

 

Nossa intuição diz que o espaço é “liso” como uma estrada muito bem asfaltada. Errado! O espaço real pode ser imaginado como um tecido vaporoso, de trama finíssima, os fios tecidos a uma distância ínfima uns dos outros, que não pode ser diminuída. Não há como fazê-lo, pois se tentarmos, o espaço ficará tempestuoso, nervoso, fervente. Como se entrasse em ebulição, espumando. (Veja figura, extraída do livro “The Elegant Universe” de Brian Greene).

 

 

 

Deve-se isso ao Princípio da Incerteza de Heisenberg que, como quando examinamos uma foto, vai nos tirando o foco à medida que dela aproximamos os olhos. (Se quiser saber mais sobre o Princípio da Incerteza, veja post de 07/maio/05).

 

Conclui-se que a luz, ao propagar-se pelo espaço real, não o sente “liso”. Vai viajando pelo seu tecido, curvando-se aos caprichos da textura e reagindo à resistência imposta por cada trama. Portanto, sua velocidade é finita. É a maior velocidade conhecida no Universo, mas é finita: trezentos mil quilômetros por segundo.

 

E o vácuo, o nada, têm sim estrutura: a do tecido espacial em que estamos todos mergulhados até os cabelos, mas não percebemos.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Nadando no Nada

A Luz

 

Se nada existe no vácuo, a velocidade de propagação da luz deveria ser infinita. Em nada existindo para opor obstáculos, o que impediria a luz de se propagar instantaneamente?

 

Nossa percepção é, de fato, ser a luz instantânea. Você vê um operário batendo o martelo na obra — a apenas um quarteirão de distância — e o som já chega com atraso, não é? Nas tempestades, primeiro o relâmpago, depois o trovão. No Reveillon, fogos de artifício explodem em cascatas luminosas e só depois o ruído nos alcança.

 

A luz é — de fato — muito rápida, mas se considerarmos distâncias mais respeitáveis, as coisas vão mudando de figura. Um raio de sol leva mais de oito minutos para chegar e bronzear sua pele. A luz da estrela menos distante do Sol — Próxima Centauri — viaja quatro anos até a Terra; leva a bagatela de cem mil anos para ir de um lado a outro de nossa galáxia — a Via Láctea; e dois milhões e meio de anos para chegar de Andrômeda, uma galáxia bem vizinha!

 

Esses números provam que a luz encontra bastante “resistência”  para mover-se pelo espaço sideral, mesmo viajando pelo vácuo quase absoluto. Então, há algo no vácuo que atrapalha os pobres raios de luz de locomoverem-se mais rapidamente? Ora, como pode existir algo no nada, se nada é nada? Ou não é?



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h04
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Cartolas e Cartoladas

O Mágico

 

Espetáculo na escola primária. Tinha uns oito anos. Lembro-me bem do Mágico, porque, às tantas, ele apontou para mim e me chamou ao palco.

 

Enquanto eu subia, ele exibia uma cartola preta ao auditório repleto.— Garoto, olhe bem e diga ao público se há alguma coisa aí dentro. Eu olhei bem, estava tudo preto: não se percebia nadica de nada no interior da cartola. — Não há nada aí dentro não. — Respondi com segurança.

 

Satisfeito, ele pediu que eu segurasse a cartola bem firme sobre minha cabeça — com a abertura para cima —, é claro. Assim que o fiz, ele começou a pronunciar, com retumbante voz soturna, aquelas eletrizantes, arrepiantes e tenebrosas palavras mágicas: — Abracadabra, Zuzubacadabra, Força do Além o Nada Abra...

 

Senti pelos ossos do crânio o leve “zip” de um zíper abrindo o fundo falso. E, do “nada”, o Mágico, começou a tirar faixas multicoloridas, lenços e bandeirolas; na apoteose, sacou de lá a bandeira da pátria amada para delírio da platéia (Ah! Era comemoração do Dia da Pátria!).

 

Assim foi que eu — que já não acreditava em Papai Noel desde os seis anos de idade — aprendi também que não existem mágicas neste nosso mundo. Mas...



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Voar é Preciso

Saudades Disso

Mais uns dias e vou matar a imensa saudade de voar.
Na foto de novembro, circulando Monte Verde antes de pousar.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h05
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Loop

O Condenado Quântico

 

Argentinas são mesmo muito manhosas — reclamou Cássio para si mesmo, enquanto desembarcava do trem. — Júlia o havia feito vir desde o centro de Buenos Aires até Morón, no subúrbio, para vê-la.

 

Andou cinco quadras pelas calçadas esburacadas até chegar à esguia travessa de sobrados proletários. No alto da escada externa, que levava ao segundo piso, lá estava Dju-Djú, o sol poente a colorir o sorriso ansioso.

 

Os longos cabelos ruivos trançavam-se com lençóis em torvelinhos revelando puro frenesi. Pulsos e tornozelos amarrados à cama, venda nos olhos, barriga para baixo, Dju-Djú clamava por mais gozo, pedia céus, urrava terras, rogava para morrer assim.

 

Já anoitecera e Cássio caminhava de volta à estação de trem. Sentia-se, leve, estranho, mas feliz. Conseguira dar a Dju-Djú o que tanto lhe suplicara. Suas mãos moveram-se como se comandadas por ela, enquanto a sufocava em pleno auge.

 

O calçamento irregular pareceu ficar mais liso. Cássio notou que seus pés não mais sentiam os buracos: — Flutuava no ar. Quando passava pelo portal da estação de trem, um flash de luz o tonteou e uma súbita rajada de vento cortante o fez estancar.  Ele  lutou, tentando forçar a passagem. Precisava sair dali, pegar o trem e fugir.

 

Conseguiu dar mais alguns passos e, subitamente, viu-se caminhando pelas calçadas esburacadas, já bem próximo à esguia travessa de sobrados proletários. No alto da escada externa, que levava ao segundo piso, lá estava Dju-Djú, o sol poente a colorir o sorriso ansioso...

 

Este texto foi revisto a partir do original publicado no blogrenagem.

É dedicado com carinho à Rô Druhens e ao seu eficaz chicote motivador.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h01
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Estalo

O Primeiro Quôntico

 

Até que enfim pari o primeiro textículo do ano! Foi assim de repente, num estalo. Tudo muito rápido, antes que meu corte chiasse muito.

 

A motivação foi grande. Não queria ficar longe das amigas e amigos da engrenagem. E minhas minhocas ficcionais estavam agitadas, dispostas a tentar misturar de forma perigosa amor e ódio com portais de espaço-tempo. Tudo num punhadinho de parágrafos. Saiu, então, “Loop”.

 

Clique aqui para engrenar. Mas muito cuidado, já deixo um aviso aos navegantes: quem cai no Loop quase nunca sai dele.



 Escrito por Ordisi Raluz às 22h49
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...

Chega disso, pô!

Negócio fechado. Semana que vem posto algo que não tenha nada que ver com rim. A ficha está caindo e estou sacando — de leve — que ninguém mais tem fígado para aguentar esse papo de cirurgia.

Eu chego lá, eu chego lá!



 Escrito por Ordisi Raluz às 17h37
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Um Dia Melhora, Pô!

Pobre Blog

É evidente: — O Blog ressentiu-se muito com a minha ausência. Mas, como tudo leva a crer que a doença não me liquidou desta feita, recuperar a saúde do Ordisi será uma Alegria Raluzente. Mesmo que passo a passo. Palavra de Alterego.

Fica o meu imenso obrigado àqueles que tiveram a paciência e a gentileza de passar por aqui nestes últimos vinte dias para deixar sua palavra de encorajamento e amizade.

Como diz o deitado: — "Quem rim por último, rim melhor".



 Escrito por Ordisi Raluz às 21h31
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Um Filme de Arrepiar

O Rim Cinematográfico

 

Eu assisti ao DVD da minha cirurgia. Sozinho. Todos torceram bocas e narizes ao receberem o convite para me acompanhar naquela sessão da tarde. Ainda pior. Ninguém me trouxe pipoca com guaraná, pô!

 

O filme é um sucesso de técnica e mostra por duas horas toda a competência da equipe que fez a laparoscopia em mim. Mas, para ser sincero, cabem algumas críticas.

 

Podia ser P&B em vez de colorido. Neca de trilha sonora. Fiquei decepcionado, pois dizem as más línguas que médicos fofocam bastante durante as cirurgias.

 

No início, apareço rapidamente visto de fora — isto é, melhor dizendo — vê-se minha barriguinha, tão sexy, com uns quatro canudos espetados. Quanta elegância...

 

Em algumas cenas, uma parte do fígado ou do baço — sei lá eu quem é quem no cast — insiste em cair de algum lugar e ocupar o primeiro plano. Alguém o enxota de lá e o roteiro prossegue.

 

O final é emocionante. Com o Rim desgrudado de tudo e acuado num canto; com a artéria, a veia e o ureter já devidamente grampeados, — vejam só o que acontece:

 

Enroladinho, entra em cena por um dos tubinhos o grande mocinho: um saquinho plástico que engole o Rim vilão inteirinho, é devidamente fechado (com laço e tudo — quanta habilidade com os instrumentos!) e é retirado de cena. Se houvesse som, subiria o volume.

 

Caem as cortinas. Adeus, Rim. 



 Escrito por Ordisi Raluz às 22h22
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Alterego Teve Alta!

Rimdo Muito

 

Oi, pessoal!

 

Estou de volta. Com um rim de menos, mas com toda a disposição do mundo.

 

Os médicos reafirmaram, enfaticamente, haver deixado intocadas as parcas dúzias dos meus neurônios, já que não queriam sumir com as imperdíveis pencas de bobagens deste Blog.

 

Colocar-me-ei (que tesão de ênclise, né? — ou será mesóclise?) em dia o mais rapidamente possível e — encorajado por encorajador papo telefônico com Madame Leone — comprometo-me a postar a minha história destas últimas semanas. Uma história com desfecho bem feliz. Felizmente.

 

Essas repetições repetidas às vezes ocorrem sempre, não é? Ou não percebem que ainda estou meio anestesiado, pô?

 

Update: Hoje, 09 de janeiro, Papai estaria fazendo 89 aninhos. Quantas saudades do Sadô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 18h50
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