 |
Carnaval, Pô!
Cronograma
Hoje.................................................................................................................
........................................................................................................................
......................................
Amanhã............................................................................................................
........................................................................................................................
......................................
Depois..............................................................................................................
........................................................................................................................
...................................
Sexta................................................................................................................
........................................................................................................................
......................................
Sábado..............................................................................................................
.........................................................................................................................
....................................................................................
Domingo............................................................................................................
.........................................................................................................................
............................ Putz, a grana tá curta, pô! E agora?
Escrito por Ordisi Raluz às 21h22
[]
Grito de Carnaval, pô!
Ordisi Raluz
Bo ta o B lo g n a R ua
Escrito por Ordisi Raluz às 20h33
[]
Contos & Recontos
Os Anéis de Vênus
Sábado de inverno. Dia lindo, céu azul. Frio, apesar do sol resplandecente. Em Monte Verde, reservada, a mesma cabana da lua-de-mel. Um Bordeaux para degustar com Fondue, ao fogo da lareira.
Ela
Foi de carro. Sozinha. Saiu do dúplex do Morumbi com o Audi A8 preto, blindado. Foi, sabendo o que queria. Não precisava de mais tempo para pensar. Entrou na Fernão Dias. Enfrentou as curvas sem dificuldade, acelerando um pouco mais. Queria logo se livrar da feiúra dos subúrbios. Desejava o verde. Sabendo que o trecho após Camanducaia era puro castigo para um automóvel daquela classe, progrediu lenta e cuidadosamente, como uma Amazona que não deixa seu cavalo ferir as patas. Chegou ao destino já de tardezinha. O carro, potente, nem sentiu a íngreme ladeira que levava ao aeródromo. Estacionou, trancou a porta. Vestiu o longo e quente casaco marrom. Não precisou esperar muito.
Ele
Foi de avião. Sozinho, pilotando. Decolou da fazenda com o A36. Planejou uma rota tortuosa, evitando áreas terminais. Desobrigou-se, assim, de registrar o plano de vôo. Com o rádio quase calado, teria como mentalizar as palavras exatas para explicar o óbvio. Escolheu e subiu para o 075. O nível de cruzeiro era propício tanto para o vôo como para a aproximação ao aeródromo mais alto do Brasil - a cinco mil pés de altitude - encravado na Mantiqueira. Sentiu o prazer, a adrenalina subindo. Melhor que voar, só trepar, sorriu com seus botões. O ronronar do motor de 300HP, o GPS facilitando a navegação, o rádio quieto e a beleza das paisagens. Com o sol baixando, despontaram as tão conhecidas montanhas na linha do horizonte. Logo avistou a faixa de terra, irregular e em aclive: uma pista exigente a desafiar a habilidade do piloto. Sempre adorou pousar lá.
Eles
Ela avistou a primeira estrela ao mesmo tempo em que ouviu o ronco do motor. Ele avistou a primeira estrela quando baixou o trem de pouso, deu um dente de flap e acendeu as luzes de pouso. Girou, alinhando o Bonanza com a pista e pousou com destreza. Ela caminhou para a aeronave, lentamente, quando o motor foi cortado e cessou a poeira. Ele trancou a porta e desceu pela asa, fechando o casaco de couro até em cima, com um arrepio de frio. Ela sorriu, ele correspondeu, encostaram-se os lábios e foram tomar um café com whisky no kiosque logo ali ao lado da pista. Ele falou, ela fez que ouviu. Ela falou e ele não sorriu. Ele pagou o café e saiu para o frio. Respirou fundo. A primeira estrela capturando todo o brilho do poente só para si. Ela, então, murmurou o nome dele.
Os Anéis
Ao voltar-se, viu-a retirando a aliança de ouro e o anel de brilhantes, deixando-os no parapeito da janela. Sorriu amarelo, foi para o carro e deu a partida. Começou a trilhar o mesmo caminho, metro a metro, de volta ao Morumbi. Sem lágrimas nos olhos.
Sentindo a vertigem do vazio, ele pegou as jóias e levantou-as para o firmamento, como se interrogasse aos Deuses o porquê. Vênus - a primeira estrela - faiscou e brilhou por dentro dos anéis, pedindo-os para si. Ele não hesitou e, com toda a força da alma ferida, arremessou-os para ela.
post 41220
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
[]
Meditação Transcarnaval
Bl og na .
C o n c e n t r a ç ã o
Escrito por Ordisi Raluz às 13h00
[]
Pensagadas Assombrosas
A Sombra
Quando criança, uma das coisas que mais me intrigava era a sombra.
Tentava driblá-la, tentava tapeá-la e tentava entendê-la. Como muitos, também dela eu aprendi o lúdico, fazendo figuras de animais animados que moviam asas, patas e focinhos.
Sabia que, superior, era eu quem mandava na minha sombra e que ela me obedecia incontinenti. Mas me assombrava uma cogitação misteriosa. — Como ficariam as coisas, se minha sombra pudesse mandar em mim?
Passou-se muito tempo antes que viesse a entender e racionalizar a sombra simplesmente como a projeção bi-dimensional (no plano) de um objeto tridimensional (com volume, como — por exemplo — o nosso corpo).
Às vezes o óbvio nos fica tão oculto, não é? Não há como ver a dimensão maior — e mais poderosa — de uma dimensão menor! Como uma outra pessoa, olhando apenas a sua (de você) sombra, poderá conhecer a sua (de você) verdadeira fisionomia? Não poderá!
Agora, então, digam-me: — Se é tão óbvio que nossa sombra é apenas uma projeção de uma dimensão maior, por que não aceitar a idéia de que nosso corpo tridimensional possa ser uma projeção de nossa “consciência”, existente em dimensões “superiores” ?
* Este texto — ora ligeiramente modificado — foi postado originalmente em 6 de julho de 2005.
Parece-me cair como luva neste ponto da presente série.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
[]
Concordas ?
Cordas & Vibrações
Quando tangemos uma corda de violão, ela vibra. Ao batucarmos num pandeiro, a superfície vibra. Quando pegamos gelatina com uma colher, a gelatina vibra. A corda vibra em uma dimensão, o couro do pandeiro em duas e a gelatina em três dimensões.
A mais nova concepção da Física parte do princípio que todas as partículas do Universo são, na verdade, minúsculas cordas que vibram no espaço. Não só no espaço normal. Essas cordas podem vibrar em muitas ou em todas as dez dimensões espaciais*. Daí o nome de Teoria das Supercordas.
Um elétron é uma corda que vibra de certa maneira, um próton outra espécie de corda que vibra de outro modo e assim por diante, sendo o Universo uma verdadeira Orquestra Filarmônica, vibrando em complexa — mas perfeita — harmonia.
Se, por exemplo, pararmos para pensar que todas as partículas que estão constituindo nosso corpo neste momento estão também vibrando em outras dimensões, então estaremos abrindo incríveis perspectivas para os místicos, poetas e escritores.
Os cientistas usam a matemática para ir avançando nesse intrincado assunto, com frieza e formalismo. Mas nós podemos usar a imaginação e o coração para botar para fora muitas das questões que até hoje só nos respondiam com mistérios. E ousar imaginar as mais emocionantes soluções.
* Veja o post de 18 de fevereiro: “Embrulhando o Espaço”.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
[]
Uhhh!
Cordas & Acordes
Há cordas que vibram produzindo coisas bem mais surpreendentes do que os guinchos das guitarras do U-2...
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
[]
Pingadas
Mentiras de Pin & Güim

— Güim, eu só falo mentira.
— Eu bem que desconfiava, Pin.
— ...
— Hummm...

— Hummm..., o quê, Güim?
— Hummm...
— ???
— Então, Pin, você mentiu...

— É claro!
— ... quando disse que só falava mentira, portanto, ...
— Portanto?
— ... portanto, você falou a verdade, Pin!
— Verdade? Mentira, Güim, não acredito! Fui.
Escrito por Ordisi Raluz às 00h00
[]
Enrolando os Quanta. Ou melhor: Quanta Enrolação!
Embrulhando o Espaço
A Quinta Dimensão encontra-se curvada fortemente sobre si mesma, dentro de cada célula do espaço-tempo. No esboço abaixo, temos uma idéia simplificada de como podemos imaginá-la.

Após 50 anos hibernando, a Quinta Dimensão do Kaluza não só foi ressuscitada pelos físicos em meados dos anos oitenta como também — surpresa —, ganhou acompanhantes. A recente Teoria das Supercordas — o mais moderno desenvolvimento da física atual—, utiliza onze dimensões: dez espaciais e mais o tempo.
Seis das dez dimensões espaciais estão enroladas como num novelo, dentro de cada célula da tessitura espacial. As outras três estão estendidas e formam o “nosso” espaço tridimensional, nesse universo material onde nos sentimos tão bem.
E por quê precisamos de tantas dimensões? A sua existência — mesmo que matemática — já permitiu algo quase miraculoso: compatibilizar a mecânica quântica com a relatividade. E mais, conseguiu a Unificação das quatro forças universais (gravitação, eletromagnetismo, força nuclear fraca e força nuclear forte), o sonho pela qual Einstein lutou até o fim de sua vida. Só!!!
Mas dá para já fazer algo prático com isso? Um Gerador de Certeza, por exemplo? [Oops! Shhh! Que isso fique só entre nós, ok?]
Escrito por Ordisi Raluz às 19h15
[]
Cadê?
Pin & Güim na 5ª Dimensão

— Pin, cadê você?
— ...
— Pi-iiiiiiin!
— ...
— Não brinque comigo, Pin, sei que você está aqui!

— Ú-ú-ú, Güim!
— Ué! Cadê você?
— Aqui, pô!
— Aqui aonde, Pin?
— Na Quinta Dimensão, Güim. Não me vê?

— Não! Não vejo nada!
— Pois está perdendo o espetáculo, Güim...
— Que espetáculo?
— A Pinguça transando com o Pingote lá dentro...
— Vo-você está ve-vendo do outro la-lado da pa-parede, Pin?
— Hehehe. Tchau, Güim. Fui.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
[]
O Palpite de Kaluza
A Quinta Dimensão
O cavalo passou selado, mas Einstein não montou. Em 1919 um matemático chamado Kaluza escreveu-lhe uma carta, não apenas contendo uma idéia fora de série, mas também com cálculos detalhados a provar que suas afirmações eram consistentes.
Kaluza propôs na missiva que se adicionasse uma dimensão ao espaço-tempo. Ou seja, era o primeiro a sugerir a existência de uma outra dimensão além das quatro “normais”: três do espaço e uma do tempo. Desvendava-se a Quinta Dimensão!
Para assegurar aos físicos que sua proposta tinha resultados práticos, Kaluza demonstrou que — com a dimensão extra — as equações da relatividade passavam a incorporar, automaticamente, as equações do eletromagnetismo.
Ou seja, ao “juntar” gravitação com eletromagnetismo, Kaluza apontou para Einstein a entrada da trilha da Unificação, mas o grande mestre hesitou. Demorou dois anos para apoiar a publicação do trabalho do matemático e não adotou a nova idéia em seus estudos. O mundo, também, esqueceu a quinta dimensão por cinco décadas. Mas agora, isso é leite derramado.
Fica-nos na garganta, entrementes, a pergunta que não quer calar: — Onde está essa dimensão extra que não a vemos, pô?
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
[]
Quo Vamus?
Novas Trilhas ?
E então, enveredamos amanhã pela 5ª dimensão?
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
[]
Mas que Ressaca, pô!
Adivinhe Quem Puxou o Tapete do Einstein?
Ai, ai, ai, que baita ressaca! Até poesia dizem que eu fiz! Muito bem, vamos agora retomar as coisas. Em que ponto estava eu antes de cair na bebedeira? Ah! Nos filhos da puta da Colenda Comissão examinadora do Pedido de Patente do meu Gerador de Certeza! Mesmo contra minha vontade, vou ter que mostrar a esses bostas que...
Einstein partiu da Relatividade Geral para tentar a Unificação das quatro forças do Universo — gravitação, eletromagnetismo, força nuclear fraca e nuclear forte —, num único sistema de equações. Não teve sucesso. A maldita quântica, mal comportada, o perseguia e sacaneava... Que merda, ele não conseguiu a Unificação! Einstein não chegou lá!
Ouçam aí, “colendos” — babacas! — senhores examinadores perguntantes baratos do “primeiro fato” d’A Carta (veja post de 09/fev): — Einstein falhou, pois não conseguiu incorporar os fenômenos quânticos à relatividade. Nesse contexto, nosso querido e amado Einstein estava — sim senhores —, equivocado. E ninguém mais que ele mesmo declarou isso em alto e bom som, para o mundo saber de sua decepção.
A Relatividade Geral explica perfeitamente o funcionamento do Cosmos — galáxias, estrelas, planetas, buracos negros — de maneira elegante e completa, mas não o dúbio comportamento microscópico de partículas como fótons, elétrons, prótons e nêutrons. E vice-versa: — a Mecânica Quântica explica muito bem o comportamento dessas e de todas outras “partículas elementares”, mas não consegue incorporar a gravitação...
Puta que o pariu! Eu preferia falar tudo cara a cara com esses burrocratas folgados, mas eles — espertamente — evitam se expor, pedindo tudo por escrito, forçando-nos aos formalismos e formalidades! Está bem, está bem, por ora vocês — merdíssimos — detêm o poder. Por ora!
Vou preparar a carta-resposta! Êpa! Onde foi que coloquei o meu Gerador de Certeza?
Escrito por Ordisi Raluz às 23h16
[]
Sonhos & Cachaça
Não sei o que está acontecendo comigo! Em meio ao desafio de defender a patente do Gerador de Certeza eu entro em depressão, vou e me embebedo com cachaça capixaba. Fotografam-me, inerte, à rede. E, ao acordar, vejo no meu caderno de notas — grafada com minha própria letra — uma... poesia! Eu de-tes-to poesias e não tenho a menor idéia de como vim a escrevê-la. Mas, na falta de outro novo texto disponível, não vejo melhor alternativa do que postá-la.
Gole Duplo
boa cachaça comigo bole
tua boca doce, lábios de presa
teu corpo belo macio e mole
eu rasgo e abro com língua tesa
um sonho insano à cada gole
você gulosa aceita acesa
no espaço-tempo o amor escoa
tarada afoita, me deixa moço
motivo forte nos tira a proa
a mão sufoca pelo pescoço
safada doida me larga à toa
te como agora osso por osso
do sonho triste não me conformo
momento pleno, dura franqueza
o dedo em riste berro e informo
no ereto porte pura firmeza
você resiste e eu retorno
no nosso erro minha certeza
Espaço-tempo?...Amor?...Certeza?...Bah! Só me faltava essa, pô!
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
[]
Bebum
Cachaça & Sonhos


Escrito por Ordisi Raluz às 11h02
[]
Puto da Vida
Grrr !!!
Eu ainda mato esse Burrocrata do Instituto de Patentes. Que vá ele e toda a “Colenda Comissão” — blargh! — chafurdar num inferno repleto de fogos fátuos e fezes pútridas. O destino é cruel para com os gênios — modéstia às favas. O foi com Albert Einstein e agora o está sendo comigo, nesta luta para obter minha Patente do Gerador de Certeza.
Einstein publicou, em 1905, aos vinte e seis anos de idade, trabalhos que mudaram radicalmente nosso entendimento do Universo, do Espaço e do Tempo. Fez isso enquanto era Examinador de Patentes na Suíça —, uma moleza de emprego.
Os examinadores de patente atuais, essas hordas medíocres que pouco ou nada sabem, deveriam, quietamente, enfiar o rabo entre as pernas e não ficar atirando a nós — geniais inventores — às goelas escancaradas da melíflua ignorância, revestida de sisuda burocracia. Raça de mequetrefes!
Einstein ganhou o prêmio Nobel de 1919 por um dos textos de 1905, O Efeito Fotoelétrico, onde conceituou o fóton — partícula ou raio de luz —, e esmiuçou suas propriedades quânticas.
Qualquer colegial sabe que, mesmo assim e apesar disso, Einstein duvidava da mecânica quântica: — “Deus não joga dados com o Universo” —, alertava ele ao mundo, desconfiado daquele suspeito caráter probabilístico a cobrar nossa cega submissão ao tal Princípio da Incerteza.
Que coisa incrível: — Einstein não ganhou nenhum prêmio Nobel por suas Teorias da Relatividade. Isso mesmo, teorias no plural. A primeira, também de 1905 — a Relatividade Especial e a posterior, mais complexa, muito elegante e bem sucedida Relatividade Geral.
Quer saber? — Ainda estou puto da vida com essa corja de inquisidores. — Fodam-se esses Merdíssimos Examinadores Burrocratas! Vou me afogar em cachaça capixaba. Amanhã, se acordar falando coisa com coisa, continuamos. Senão, não. Pô! Grrrrrrrrr!
Escrito por Ordisi Raluz às 23h01
[]
Pendência
A Carta
Prezado Senhor
Ordisi Raluz,
De fato, o Curriculum e as qualificações de V. Sa., alhures apresentadas, são deveras satisfatórias, nada tendo esta comissão a reparar. Porém, ocorrem dois fatos que nos deixam em posição de lhe questionar, antes de exalarmos nosso pronunciamento definitivo quanto ao Mérito de Invenção.
Primeiro Fato
Discordamos frontalmente de sua assertiva quanto às propriedades do espaço-tempo relativístico. É de conhecimento geral que, simultaneamente à contração espacial, ocorre a dilatação do tempo. E mais, esses efeitos se compensam de tal forma que a velocidade da luz seja sempre a mesma, qualquer a situação. Quem proclamou esse fato foi o Senhor Albert Einstein. Parece-nos que o senhor ousa afirmar estar Einstein equivocado.
Segundo Fato
O Gerador de Certeza funciona à perfeição. Tivemos a satisfação de testá-lo com sucesso, em várias configurações.
Questão
Dados os dois fatos acima, a Fundamentação Científica apresentada em seu Pedido de Patente de Invenção parece claudicar frente à Teoria da Relatividade Especial. Entretanto, o artefato “Gerador de Certeza” funciona perfeitamente, conforme as especificações. Assim sendo, qual o arrazoado de V. Sa. para solver tal paradoxo?
Declaramos seu Pedido de Patente como “Pendente, sob Exigência” e aguardamos sua manifestação escrita, devidamente protocolada dentro dos prazos regulamentares.
Atenciosamente,
Bür O’Crat
Presidente da Colenda Comissão Examinadora do
INSTITUTO DE PATENTES
Escrito por Ordisi Raluz às 23h17
[]
Burrocracia
E agora: — Tofú or not Tofú?
Recebi um telegrama (!) do Instituto de Patentes, avisando que meu Pedido de Invenção do Gerador de Certeza caiu “em exigência”. Alertam-me para uma carta que devo receber nos próximos dias, com um questionário.
Isso quer dizer que aquele monte de burrocratas intrigantes começou a colocar pedras no meu caminho. Além de toda grana que isso está me custando, lá vêm os caras-de-pau a protelar e a causar aborrecimentos.
Aí, um dia, depois de tudo — se conseguirmos sucesso — aparecerão os copiadores e oportunistas.
Tofú, com Certeza!
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
[]
Outro Treko
Quoque Tu, Kirk?
Abri o celular e apertei o botão externo, do lado direito.
— “Diga um comando” — pediu a voz feminina, sintetizada.
— Lig Nomm — ordenei no meu melhor luso-telefonês.
— “Diga o nome” — continuou a voz robótica, recitando o script.
— Quico — rematei, findando a seqüência de ordens.
— “Quico?... Ligando”. — A voz confirmou o nome e o celular fez a chamada, automaticamente. Gosto muito desse “feature” do meu novo celular. Basta dizer o nome ou o número desejado e “a voz sintética” faz o resto.
— Hello, Kirk speaking.
— Deixa de brincadeira, Quico, sou eu.
— Who are you? Quem ser voucê ? –— replicou um forte sotaque americano.
— Aqui sou eu Quico, deixa de coisa.
— Eu ser Kirk. Quem ser voucê? — A voz foi firme, nem parecia uma das já famosas pegadinhas do Quico.
Resolvi prosseguir falando com o primeiro usuário de celular de que tenho notícia: — Capitão Kirk, desculpe-me por não reconhecer sua voz de imediato. Eu sou Bradley. O Marechal Bradley!
— Ahá, Bradley — Por que voucê estar fala português?
— Estou em reunião com diplomatas brasileiros, não seria aconselhável utilizar outra língua, você me entende, não é Kirk?
— Sim, Bradley. Mas o que voucê querer?
— Onde está a Enterprise agora, Kirk?
— Estarmos bem pertinho, em Alfa Centauri, a testar o novo GPS.
— Novo GPS, Kirk? Isso é coisa jurássica, do século XX terrestre.
— Non, non, Bradley! Ser o novo Galaxial Precision System desenvolvido pelos Vulcanos! — Kirk parecia surpreso. — Mas afinal, que voucê quer de eu, Bradley?
— Como estou em missão diplomática, Kirk, eu precisaria perguntar uma coisa ao Dr. Spock. Contudo, esses Vulcanos com orelhas pontudas nunca dão acesso aos seus celulares para terráqueos, não sei o porquê — inventei. — Posso falar um minutinho com ele, Comandante?
— É claro, Bradley. — Spock, come here!
Parecia sonho! Ia falar diretamente com o ser mais famoso da Via Láctea!
— Spock falando, Marechal Bradley. — Em que posso ajudá-lo?
— Diga-me por favor, Spock —, respirei fundo. — Aquele gesto, em que você separa o indicador e o fura-bolo do anular e do mindinho, formando um “V” com a mão direita, como é que você faz?
— O gesto dos Cohanim?
— O quêêê? Que é isso, Spock?
— Uma das doze tribos israelitas. O senhor se refere à saudação Vulcaniana, não é, Marechal?
— Isso mesmo —, confirmei. — Aqui na reunião ninguém consegue repetir seu gesto.
— ...
— Spock? — Fiquei aflito com o silêncio na linha. — Você está aí?
— Diga-me, Marechal. — A voz do orelhudo cobria-se de um tom soturno. — Há algum Vulcano nessa reunião?
— Claro que não, Spock. Só terráqueos.
— Então diga a todos para que estiquem o dedo maior da mão e exibam-no uns para os outros, ok? — E a ligação foi interrompida.
Acordei rindo alto. Sentei-me na cama, abanando a cabeça. Ganhei um olhinho entreaberto e um grunhido enfurecido da Cara Metade. Isso de andar escrevendo sobre ciência e ficção científica está mesmo provocando uns trekos...
Escrito por Ordisi Raluz às 23h09
[]
Pin & Guim Zonzos
Pin & Güim na Quantilândia
— Pin, tem gente por aí dizendo que o chefe está “lelé”, que ele “surtou” — enfim —, endoidou!
— Humm...é mesmo, não é?
— É, humm...
— ...

— Você acha que esses trecos abstratos que ele postou:" A Luz", "A Natureza do Nada", são sérios?
— Humm...— Acho sérios, sim, Güim!
— ...
— ...
— Será que ele vai continuar nessa toada, Pin?
— Acho que sim, Güim.
— Humm...
— ...

— E a tal invenção, o Gerador de Certeza?
— Humm...— Disso não tenho certeza.
— Do que você tem certeza, Pin?
— De que pingüim não fala, Güim! Fui, pô!
Escrito por Ordisi Raluz às 18h46
[]
|
 |
 |