ORDISI RALUZ
     
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O que é isto?
 


Dúvidas & Dívidas

O Rock Estroboscópico

 

Inebriante dançar Rock and Roll. Era a sensação que sempre sentia nos bailes da minha juventude. Especialmente quando ligavam a luz estroboscópica — aquela que pisca como doida — e eu me sentia como flutuando em outra dimensão.

 

Outra dimensão? Oops! — Isso me lembra que eu devo preparar o recurso para vencer — ou não? — os burrocratas que estão a obstar a patente do meu Gerador de Certeza.

 

E agora? O que será?



 Escrito por Ordisi Raluz às 17h54
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Pesquisas & Pesquisas

Ainda Morro Disso!

 

Meu blog tem baixo percentual de visitas provindas do Google, Msn, Yahoo, coisa-e-tal. Mas, quando aparecem, são de dar inveja ao Branco Leone.

 

Olhem essa aí! Ordisi em primeiro lugar para as "moças transando pela primeira vez"!!! E agora? Como fico eu com as que estão transando pela segunda vez? E daí em diante? Uau!!!

 



 Escrito por Ordisi Raluz às 17h00
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Sextórias Recônditas

Meu Primeiro Sutiã

 

Eu quatorze, ela dezesseis.

 

Veio com a mãe, lá de Minas. Hospedaram-se conosco por uns dias. Casa grande, um sótão cheio de coisas e a “cama patente”, de casal, com colchão de palha.

 

No segundo dia — assim que as mães saíram às compras, lá para o centro da cidade — ela quis ver o sótão de novo. Fomos e sentamos na cama para conversar, eu tremendo de ansiedade.

 

Perguntou se já tinha visto mulher nua. Disse que só em fotografia. Ela desabotoou a blusa e, lentamente, tirou o sutiã. Ofereceu-me os seios. Empalmei-os e acariciei-os. Mais um pouco, rogou que os chupasse. Obediente, mamei.

 

Enquanto isso, ofegante, abriu a calça e tirou meu pinto duro para fora. Começou a acariciá-lo deliciosamente, enquanto levantava a saia. Segurando o ímpeto, paramos por segundos para que tirasse a calcinha.

 

Mostrou-me tudo. Em detalhes. A sua mão guiou a minha, ensinando toques e carícias. Deitamo-nos de lado, ela se abrindo para minha boca. Pediu que a lambesse muito, rápido e forte. Sôfrega, começou também a me chupar com gula. 

 

E assim se foram aquelas tardes. Depois, nunca mais a vi.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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O Maníaco e ...

O Punheteiro

 

Estávamos todos frustrados. Pretendíamos acampar no litoral norte, mas a chuva não parava de cair e acabamos conseguindo nos entocar num apartamento em São Vicente. Imagine um grupo de seis rapazes — com no máximo 20 anos — imobilizados por um infindável aguaceiro, num apartamentico. 

Não podíamos nem reclamar — foi uma gentileza providencial arranjada junto a um tio de alguém —, mas o lugar era apertado, desajeitado e feio de dar dó. Ficava num andar baixo, de costas para o mar e de frente para um matagal. 

Sem alternativas, ficamos a jogar cartas, a beber cerveja e a falar bobagens. Com a frustração dos planos, o ambiente estava chocho. O consumo extra de bebida gerava algumas tensões cá ou lá mas, em compensação, garantia longos sonos e sonecas, embaladas pelo ruído constante e monótono da chuva caindo, caindo, caindo... 

Contudo, um primo carioca dava a nota alegre e acabou por nos divertir a todos com suas lorotas, exageros e manias. Foi apelidado de “O Maníaco” com todos os méritos. 

Para começar, chamou-nos a todos para mostrar como cagava, apoiando as mãos e os pés sobre o vaso, assegurando que desse jeito obrava com prazer redobrado. 

Também foi a primeira pessoa que vi demonstrar — na prática — que peido pega fogo. Explicou detalhadamente a técnica que havia desenvolvido, assim como as devidas normas de segurança, pois não seria de bom alvitre queimar-se o cú. Imagine! No minuto seguinte estávamos a competir para ver quem tinha o melhor lança-chamas! 

No penúltimo dia parou de chover, mas o céu estava cinza-chumbo, carregado. Tomávamos o que seria o café da manhã quando o Maníaco foi sapear na janela. Daí a instantes alertou a turma: — “Pessoal” — avisou ele, fazendo o sinal de silêncio. — “Tem um cara entrando no mato com um jeitão esquisito. Acho que vai dar uma cagada”... 

Esgueiramo-nos todos para a janela para ver o “espetáculo”. O indivíduo, de fato, vinha-se adentrando cuidadosamente pelo mato e, de súbito, estacou perto de uma pequena árvore. Olhou em direção ao prédio, perscrutou cuidadosamente para ver se havia alguém olhando. Como nos ocultamos e não viu mais ninguém, baixou o short e — surpresa — começou a masturbar-se! 

O Maníaco ficou doido. “Todo mundo quieto aí, ordenou, deixa esse cara comigo”. E o cara lá no matinho socando a maior bronha. “Pessoal, ele está todo tarado, mas deixa ele comigo”. E o cara, animadão, mandando aquela brasa na piroca. 

O primo foi irradiando o jogo:— "Ele está quase acabando, está quase". — Mas antes que o coitado chegasse ao clímax, botou a cara para fora e berrou com tudo: — “PUNHETEIRO!!!” Aí entramos todos com o coro ensurdecedor: — “PU-NHE-TEI-RO, PU-NHE-TEI-RO, PU-NHE-TEI-RO!!!”  

O frustrado imbecil subiu o calção num átimo, escondeu a cara nas mãos e saiu derrapando, aos tropeços, pelas touceiras afora...  

post41205



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pin e Güim em

Samba da Elefantinha


 

— "Olha o passo do elefantinho...Veja como é tão bonitinho..."

— Essa música já era, Güim.

— E qual é a moda agora, Pin?
— "Olha o samba da elefantinha...Veja como é corrupitinha..."
 
 
 



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Bundas Abundantes

Tremeliques na Bunda

 

Ela olhou para ele, a retribuição não veio. Os lindos olhos azuis a evitavam. Antigamente não era bem assim. A outra - sua melhor amiga, lá na cozinha, coando um cafezinho - venceu e conseguiu casar com ele.

 

Mesmo assim, esta primeira visita à casa recém-montada dos recém-casados corria agradável. Ficou pensando o quanto ele iria trepar com a melhor amiga naquela noite. E na outra, e na seguinte. Ai, que inveja.

 

Mordeu os lábios. A pálpebra tremelicou. Era inveja. Só podia ser. A mais pura inveja do mundo. Suspirou; nada da pálpebra parar. Outro suspiro profundo e a pálpebra sossegou.

 

Olhou de novo para aqueles olhos azuis e perguntou se as pálpebras dele, vez por outra, tremelicavam. Ganhou um sorriso e um gesto de aquiescência.

 

Agora foi a bunda dela que tremelicou. Não, meu Santo Deus, agora a bunda? Mexeu-se de leve no sofá macio e o tremelique cessou.

 

Ela tentou novamente aquele olhar inquiridor – a pergunta calava fundo, daria a alma para saber – como poderia a amiga ser melhor que ela na cama? Não, certamente que não. Devia ser o dinheiro da família dela.

 

A bunda recomeçou a tremelicar. Mais forte, agora. Desceu a mão até a almofada e sentiu algo macio, vibrante e...gelado! Pegou, receosa. Veio na mão uma...lagartixa!

 

Gritou. Gritou e berrou o suficiente para acordar o bairro inteiro. Enquanto os olhos azuis a miravam, surpresos e intrigados, o ser nauseabundo pulou para dentro do decote.

 

Entrou em pânico total. Urrava descontroladamente. Rasgou a blusa, arrancou o sutiã. O bicho asqueroso já se fora, mas ela berrava. O rapaz dos olhos azuis aproximou-se e tascou-lhe um par de tabefes no rosto.

 

Paralisada, só arfava, estonteada. O terror se esvaia, aqueles olhos azuis tão perto, aquela boca. O beijo incontido, a esposa chegando lá da cozinha para ver o que estava acontecendo...

post50321



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h13
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Sextórias

Café com Rum

 

A chuva caia forte. Dois corpos rolavam entrelaçados na penumbra. Trovões abafavam os gemidos. Línguas procuravam por bocas, bocas por seios, seios por mãos, mãos por dedos, dedos por lugares. Vertigens, arrepios e gritos sufocados até a doce exaustão do prazer. Parcos raios de sol forçavam as cortinas quando Florence colocou o vestido de alcinhas, calçou as sandálias, pegou a bolsa e saiu. Só então Rosana percebeu que dela só aprendera o nome e o corpo.

 

Naquela manhã, Rosana enfiara-se no vestidinho de alcinhas, branco com delicadas estampas florais. Os pés brincaram com as sandálias rasas, de couro batido, quando as calçou. Sentiu-se deliciosamente confortável para enfrentar o dia nublado e abafado, digitando a sua tese no computador. Era o que fazia quando a luz acabou. — Merda! — gritou, como se o ex-marido ainda estivesse lá, pronto para acalmá-la. Respirou fundo, desceu as escadas e foi para a varanda olhar a chuvarada. Deu com Florence ensopada, encostada na árvore em frente.

 

Tailleur bege, bolsa e scarpins marrons. Um lenço de seda estampado tentava, displicente, ocultar a transparência da blusa que afrontava a formalidade do traje. Florence havia assinado os papéis do divórcio e, exultante, caminhava para o carro quando a chuva desabou. Passava por uma rua de sobradinhos antigos, avarandados. Encostou-se numa árvore, mas não pode evitar: em segundos a água insinuou-se, penetrando as vestes que agarraram-se à pele arrepiada, revelando, para um público ausente, os detalhes voluptuosos daquele corpo exuberante. De súbito, a moça apareceu na varanda bem em frente.

 

— Entre aqui — Rosana convidou-a sem hesitar.

— Obrigada — Florence aquiesceu e, depois de subir os três degraus de cerâmica, foi recebida de forma inusitada.

— Que maquilagem você está usando? — perguntou a jovem, sem a menor cerimônia.

— Trouxe da França, é antialérgica também! — a resposta veio sem pestanejar.

— Só podia. Você encharcada até os ossos e com a maquilagem perfeita! Venha — continuou — Vamos tomar um café na cozinha.

— Café com Rum? — foi a vez de Florence igualar o jogo.

— Que seja, café com Rum! — Rosana não se deu por achada.

 

E riram como se conhecessem do colégio.

 

A trilha de água marcava o curto roteiro desde a varanda até a poça no chão da cozinha. Lá mesmo, onde descalçou os sapatos, Florence desnudou-se enquanto Rosana trazia uma toalha e o roupão do “ex” para ela. Passou a toalha pelos cabelos curtos, ajeitando-os com a mão. Aninhou-se no roupão, satisfeita, enquanto a outra foi para o fogão, onde a chaleira apitava.  Sentiu uma sensação muito diferente quando mirou sua benfeitora. Tinha que lhe dizer algo em agradecimento e, mansamente, dela se aproximou. Rosana virou a cabeça e sorriu por sobre o ombro, quando Florence encostou-se por detrás, abraçou-a pela cintura e sussurrou em seu ouvido — Obrigada, doçura. — Arrepiada, Rosana voltou-se e, num impulso cego, a outra lhe tomou o rosto com as mãos, encostando carinhosamente seus lábios nos dela.

 

Semanas após, num dia de sol, Rosana decidiu vestir o tailleur bege com os scarpins marrons que Florence lá deixara para – afinal – ir assinar os papéis. Um lenço de seda estampado tentava, displicente, ocultar a transparência da blusa que afrontava a formalidade do traje. Exultante, voltava para o agora seu sobrado próprio. De longe avistou, encostada na árvore, uma linda mulher trajando um vestido branco de alcinhas, sandálias de couro e uma bolsa marrom que combinaria melhor com o tailleur que trajava. Olharam-se sorridentes e sequiosas. — Quer café com Rum?

 

Passando a varanda, foram engolidas pela penumbra do sobradinho.

post50708



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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P & G em Diálogos Chocantes

O Chocador

— Pin, em breve, o chefe vai chocar ovo!

— Não, Güim, é o filho do chefe quem vai chocar!

— Ah! E por que o chefe está tão contente?

— Porque a Pi  está de barriga, Güim. 

 

— Esquisito ele, né? Prefiro chocar os ovos eu mesmo.

— Aliás, eles não chocam ovos.

— Não, Pin?!?!?!

— Não, Güim. 

 

— E como nascem os filhotes?

— Nascem e pronto, pô, Güim!

— ...

— Olha as reticências de novo!

— ...humm...

— ...humm..., o quê? 

 

— E não mandamos presentes, Pin?

— Claro que vamos mandar, Güim!

— Opa, e vamos mandar o quê?

— Peixinhos de parapéns. Muitos peixinhos, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Novas News entra No Ar

Eu gosto disso

 

A Márcia(clarinha) já sabia e me mandou essa lembracinha.
Gostei, mocinha!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Reencontros

Sal, Céu, Cio, Sol, Sul.

 

Caminhando pela orla. Leblon. Aquela bundinha. Humm! Mas que bundinha! Mas aquela bundinha ele conhecia. Conhecia de monta, em todos os sentidos. Ela, Marta, ali? Sozinha? E o tratante do Rodrigo? Encostou-se. Ela foi protestando.

— Ôôô, você aí... Vo-você, Santo?

— Cadê ele, Tinha?

— Congresso em Floripa. E a sirigaita?

— O pai teve um treco e está no hospital em Sampa.

— Ãh! Safa-se?

— Vaso ruim não quebra, mas você requebra, Martinha.

Ela riu com gosto. — Mesmo separados, você ainda tem ciúmes do meu ãh..., bamboleio, Santinho?

— Deixa de coisa. Vamos aproveitar a oportunidade?

— Santinho, e-eu não acho que a gente de-devia mais...

— Fazer aquilo juntos?

— É. Fazer aquilo juntos. Alguém acaba nos vendo...

— Mas eu quero e nós vamos, Dona Marta.

— Bem, se você insiste, Senhor Santos...

E lá se foram batalhar um lugar no Boteco do Sampaio para saborear o melhor bacalhau da praia. E entupir-se de chope bem tirado, com colarinho na medida. Como nos bons tempos.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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O Teorema de Ordisi

Provado: Caixa 2 é Legal

 

É bem verdade que hordas de deputados têm sido bem mais pródigos em elogios à minha pessoa do que tributaristas, a quem minha rigorosa demonstração originariamente visava. Caixa 2 é legal. Mas vocês não vão espalhar isso por aí, vão? 

 

Considere dois números a e b não nulos quaisquer e suponha que

a = b

Multiplicando ambos os lados da igualdade por a, teremos

a2 = ab

Somando a2-2ab a ambos os lados

a2 + a2 - 2ab = ab + a2 - 2ab

Que pode ser simplificado para

2 (a2- ab) = (a2- ab)

Multiplicando ambos os lados pelo parâmetro caixa teremos

caixa 2 (a2- ab) = caixa (a2- ab)

Dividindo ambos os lados por (a2- ab), obtemos finalmente

caixa 2 = caixa 1

Portanto, como caixa 1 é legal, caixa 2 é legal também, C.Q.D.

 

Este teorema tem pelo menos um corolário (conseqüência) muito importante. Note que nem a nem b são — por hipótese — nulos. Ou seja, o teorema não vale para caixa 0. Em outras palavras, isto significa que, se você é um duro, está na pindaíba, acha-se sem nenhuma grana, então a Lei certamente recairá com toda a severidade sobre você.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Reservado para o próximo post

E o que será???

Há pouco mais de uma hora, no avião, voltando para Sampa, tive uma idéia. [Milagre né?].

Fica este espaço reservado para, quando puder, dar um update. [Agora estou no prego, pô!].

Fechado? 

Até lá!

update 16:00

Não era bem isso que eu pensei,
 mas achei essa mutcho buena...

Saúde, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Contos Fogosos

O Balão Trágico

 

Terezinha sorriu quando Pimenta recomendou que prendesse os longos cabelos loiros num coque. Afinal, num vôo de instrução, preocupações com fivelas e cabelos esvoaçantes seriam distrações descabidas. Enquanto ela os prendia, imaginou-se mordiscando a nuca esquia e provocante da colegial — filha do maior fazendeiro da região. Divertindo-se com o pensamento, sorriu de volta para ela.

Pimenta fazia jus ao nome de pista. Com vinte e três anos, já passara das duas mil horas voadas. Aguardava pela prometida chamada de uma grande companhia aérea. Enquanto isso, ia-se arrumando como instrutor de vôo naquela pacata e agradável cidade do interior.

Dráuzio, filho do prefeito, propôs ao pai que soltassem um grande balão na noite de São João. Para isso traria um pessoal do Rio de Janeiro, construtores de verdadeiras maravilhas: balões colossais, capazes de subir quilômetros de altura e voar por dias a fio! Seriam necessárias centenas de pessoas para que um desses pudesse ser inflado e solto. Haveria melhor forma para capitalizar prestígio político nessa época?

O prefeito achou genial a idéia do filho e ordenou que fosse executada a empreitada: — Queria o maior balão de São João do mundo. E que seus assessores convidassem toda a imprensa para ocasião tão especial.

 

Numa tarde de sol, após recolherem o Paulistinha ao hangar, Terezinha — como de hábito — seguiu Pimenta para a saleta de aula, onde o seu desempenho no vôo seria comentado e criticado. Em vez disso, beijaram-se louca e apaixonadamente.

Numa noite fria, após o ensaio da Quadrilha, Terezinha — a Noiva — não teve forças para resistir ao charme de Dráuzio — o Noivo — e capitulou ao calor de seus beijos e carinhos.

Antevéspera de São João. Terezinha foi feita mulher por Pimenta, no sofá da saleta do aeroclube, onde juraram amor eterno.

Véspera de São João. No banco traseiro da pick-up, Dráuzio possuiu Terezinha e juraram que aquela paixão era para toda a vida.

 

Noite de São João. Estrelas no céu. Quermesse, festança, comes e bebes. Após a Quadrilha, toda a cidade foi ao estádio de futebol para soltar o balão. Ansiedade, torcida e vibração tomavam conta do povo enquanto ele foi-se inflando. Mais um pouco equilibrou seu próprio peso e, lentamente, o gigante alçou vôo. O alvoroço do povo mesclou-se ao espocar dos flashes e à agitação de câmeras e repórteres. O prefeito, ao lado do filho, sorria, posando para o mundo. De repente, um som inesperado na noite. Enquanto o balão ganhava altura, o Paulistinha decolava lá do Aeroclube. As dezenas de lanternas presas ao balão iluminaram o pequeno monomotor quando passou a circulá-lo como se fora uma libélula ofuscada. Inquieto, Dráuzio viu Pimenta levar as mãos à cabeça em desespero. O frenesi e o alarido de alegria logo se tornaram em gritos de horror quando Terezinha, inebriada, jogou a pequena aeronave contra o enorme balão, desmanchando suas juras de amor numa imensa cascata de fogo.

post 50626



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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E esta agora?

Post Secreto

 

Minhas queridas leitoras,

 

Arrependido por meu comportamento tão anticavalheiresco no tal Dia das Mulheres, resolvi confessar às minhas leitoras o quanto as admiro, o quanto as invejo, o quanto gosto delas, o quanto preciso delas e o quanto amo elas (oops, cacófato. Mas agora fica, pô). Amo vocês, minhas queridas mulheres, senhoras, moças, mocinhas, moçoilas, garotas, garotinhas (oops, pára por aí Ordisi, senão...). Vocês são as mais belas, lindas, maravilhosas, espetaculares, estupendas e deliciosas coisinhas do sexo feminino deste mundo todo. Aceitem deste esforçado rascunhador o mais apaixonado beijo.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Tosses & Espirros

Atchim!

 

Alterego gripado,

Ordisi engripado.

 

Pô!

Bor falar nizu achei um teztículu antigu beu zobre u azuntu. Aí vai.

Hiboglós bra resfriados  

- Seu Salim, precisa curar essa merda do meu resfriado.

- Ta bão, beu filio, leva essa Doral, toma dois bor dia com chá Erva Cidreira e leva dambém exta Hiboglós, passa no rabo dreis vez por dia.

- Mas, Salim - vinha o protesto – pomada no rabo pra resfriado?

- Lhê, quim ié o Barmacêutico?

- O senhor, claro!

- Endão faiz o quieu digo. Em dreis dia a gribe tchau!

 

- Seu Salim, estou tão resfriada!

- Ta bão Dona Flô, leva essa Melhoril toma dois bor dia com chá Camomila e leva dambém exta Hiboglós.

- Mas seu Salim, meu filho já está com cinco anos e...

- Não é bra ele, a senhora usa na senhora mesma dreis vez bor dia.

- Em mim? O senhor...

- Faiz o quieu digo. Em dreis dia a senhora vai estar fica muito boa do resfriado.

 

E assim vai à Pharmacia do Salim, naquela forte onda de gripe, quase toda a população da pequena cidade do interior. O Jacó, que de bobo não tinha nada, chega nele. 

- Lhê! O Distribuidor está pagando prêmio na venda do Hiboglós? 

- Não, Jacó, era a venda de sabão lá no meu Mercadinho que andava buito fraca. 

post50405



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Protesto

Um dia para Repensar rumos

Este Blog protesta pela demostração de selvageria primária das mulheres militantes de facção do mst que destruíram com prazer - quem viu pela TV viu "a festa" - um laboratório avançado de pesquisas biológicas no RS. E ficamos no aguardo de vê-las chamadas à palácio para receber medalhas do Grande Perdoador de Pecados.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Rê & Pin & Güim

Manias & Manias

 

— Por que será que o chefe só posta às 00:00, Pin?

— Sei lá, Güim...

— ...

— Olhaí as reticências de novo, pô! 

 

— Tá bom, tá bom, Pin. Quem quiser saber as manias dele que vá ao Blog da Rê...

— ...e???

— E leia o post “meme meme me”...

— ...e??? 

— E olhe nos comentários, pô!

Rerrê, ai vou eeeeeuuuuu! Fui!



 Escrito por Ordisi Raluz às 21h22
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Contos dos Cantos Escuros

A Visita de Bebel

 

Estava iniciando a redação de um texto, quando, sem mais nem menos, um pop-up salta no monitor, encobrindo minhas linhas. Estampava uma foto sensual e uma legenda surpreendente: — Ordisi, fale comigo, sinto tanto a sua falta.

Fechei o quadro intruso com um click do mouse e fui verificar se estavam devidamente armadas as defesas do computador. Firewall, antivírus, anti-spyware e assim por diante. Olhei o relatório de eventos e de tentativas de invasão. Nada.

Voltei — ainda estranhando a irritante ocorrência — a focar-me no texto. Logo recobrei o entusiasmo com a idéia e prossegui com a digitação.

Pop!!! — “Ordisi, amor, lembra de mim?” — De novo!

Essa agora! Ela estava de volta, ocupando todo o monitor e falando comigo! Fiquei confuso, olhando aqueles olhos negros que me fitavam com profunda saudade e carinho!

— Bebel! Nunca poderia esquecer você — respondi, titubeante, balbuciando para a tela. — Eu devia estar delirando!

— Querido, como sinto sua falta! — Era como se o computador estivesse vivo. — Por que você não aceitou que eu fosse a mulher da sua vida?

— Você só queria os ricos Bebel —, ou já esqueceu? Pensava unicamente nos presentes, nas adulações e em mimos. E só fazia amor comigo nas folgas dos playboys. — Ou esqueceu disso também?

— Mas foi só você a quem eu sempre amei e agora, então, mais do que nunca — disse num tom meloso, afastando-se para que os seios maravilhosos surgissem plenos na tela. — Preciso de ajuda, meu querido.

— Bebel, onde está você? — ousei perguntar. — Como conseguiu aparecer assim desse jeito?

— Sei que estou muito só —, replicou Bebel, abraçando-se. — Perdi-me em meu orgulho, fui abandonada, estou deprimida, na maior fossa.

— E que você quer de mim, afinal? — Uma intensa e estranha ansiedade me dominava.

— Que você escreva, Ordisi, que escreva. Coloque seus fantasmas para fora. Me envolva, me acaricie, me enlace, me aqueça, me possua, me tire dessa fossa — o corpo escultural ia preenchendo a tela do monitor. — Vem, meu querido, vem...

Abro os olhos, num arrepio. Teria cochilado? Vejo o computador dando boot... Estranho, será que faltou luz?

post50620



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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P & G & B & B & B

Post Comprido

 

— Quem não tem tempo para ler um post mais comprido, certamente não tem tempo para ver BBB, certo, Güim?

— ...

 

— Pára com essas reticências, Güim. Diz alguma merda, pô!

— ...BBB???



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Contos Cantantes

Lolita

 

Restaurante chique, jantar com casais amigos. Papo rolando sobre os tempos de juventude, músicas e danças. Às tantas, veio a pergunta: — “E você, Ordisi, como aprendeu a dançar”? Pego no contrapé, desconversei. Mas, daquele momento em diante, o assunto não me saiu da cabeça.

 

Comecei a matutar, matutar. Com tanto puxar de memória, afinal acabou pipocando — durante um chuveiro inspirado — o mágico nome: — Lolita!

 

Nunca olvidei sua fisionomia, mas o nome ficou toldado pela neblina do tempo. Lolita tinha uns dezesseis aninhos quando nos conhecemos. Eu tinha — se tanto — treze, um púbere frangote numa colônia de férias.

 

Jogava pingue-pongue. Umas garotas tinham colocado discos numa vitrola portátil no outro canto do salão e dançavam umas com as outras. Lolita veio nos convidar: — “Venham dançar com a gente, meninos”!

 

Assim que terminamos a partida, fomos — com aquele jeito caipira — para o lado delas. Meu parceiro apavorou-se e debandou no meio do caminho. Para ir ao banheiro, acho que foi a desculpa. Azar dele.

 

Não tive por que me arrepender. Lolita sorriu, pegou em minha mão direita, colocou-a em suas costas. Tomou da esquerda e aproximou-se. Momento mágico. O primeiro em que senti o aroma de fêmea na minha vida.

 

Dois para lá, dois para cá, vira um pouquinho, gira outro tantinho. Naquele e nos dias subseqüentes, por quase todo o mês de férias, Lolita docemente ensinou-me os fundamentos da dança. Não fui mau aluno. Lógico que me apaixonei perdidamente por ela, mas, se notou — e deve ter notado — usou-me para divertir-se, dançando.

 

Generosa, insistiu em me ensinar a guiá-la, em tomá-la nos braços. Deixava seus cabelos roçarem em mim e — vez por outra — seus seios firmes encostarem-se em meu peito. Senti-me macho, forte, poderoso e confiante.

 

Nunca pude beijá-la, Lolita. Mas devo a você minhas grandes conquistas da juventude. Deliciosas conquistas feitas na arena de dança, com a ginga mágica que você — pela primeira vez — me mostrou. E com o magnetismo que, de seus lindos braços, em meu corpo você deixou.

 

Obrigado, Lolita. 

post50612



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pin & Güim - Post é Post

Uma Só

 

— Post bom é aquele de uma linha só, Güim!

...

 

— Você tinha que estragar tudo com essas reticências? Pô!  



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Contos & Descontos

Delancey esquina com Essex

 

Julho de 1970, verão em New York

 

Calor de rachar, umidade sufocante. Meu amigo sugeriu almoçarmos comida judaica. Concordei, e lá fomos de moto, a cozer os miolos dentro dos capacetes.

 

Manhattan, Low East Side. A Deli ficava bem na esquina da Delancey com a Essex Street. Estacionamos as motos e, na porta do restaurante, demos passagem para um casal que saia. O velho passou e a mulher — jovem demais para ele — me fitou. Nesse olhar, o tempo parou.

 

Julho de 1963, inverno em São Paulo

 

Recém-habilitado, dirigia num trânsito pesado. Notei um Chevrolet Bel-Air azul e branco, lindíssimo, tentando sair de ré de uma oficina. Parei suavemente, criando o espaço necessário. O carro saiu de ré, mas não freou, batendo na frente do meu carro. Melhor dizendo, do carro de meu pai!

 

Sai do Bel-Air uma linda moça, elegantemente vestida, com as mãos no rosto: — Ai, moço, desculpe, meu marido vai me matar, só me faltava essa, o salto prendeu, eu nem tirei o carro da oficina, já bati de novo, eu preciso falar com ele, vem comigo, fala com ele que ele paga, está bem?

E implorou: — Por favor?

— Deixe-me ver em quanto fica o conserto. — Um mecânico vinha saindo da oficina para dar uma espiada na confusão. — Aí, então, vou com você. Mas, antes, preciso ligar para o meu pai.

— Prometa que fala com o Aparício, por favor. Você pode ligar para o seu pai lá de casa. É aqui pertinho, certo?

— Está certo, mas deixe-me conversar aqui com o mecânico.

Em poucos minutos, já com o orçamento em mãos, segui a recém-trintona por alguns quarteirões, até a casa dela. O Aparício — franzino, grisalho e enrugado — podia ser seu pai. Mas...marido? — Bah! Ali tinha coisa.

— Olha aqui — o baixote mirou-me enfurecido —, você não tem direito a nada, ouviu?

— Como o senhor me diz isso? Ela veio de ré e então...

— Não me venha com lorotas, seu filhinho de papai. Você bate no carro e ainda quer se aproveitar do bom caráter da Suzinha?

— Eu não bati no carro dela, foi ela que...

— Tem B.O.? Testemunhas? Foi você quem bateu atrás do carro, e quem bate por trás sempre é culpado. Vá embora, moleque, suma daqui antes que eu...

Ela tentou intervir: — Aparício, não faça isso, o coitado do...

— Cale-se, Suzana! Vá fazer meu uísque enquanto eu escolto o...o cavalheiro — pronunciou a palavra com todo o sarcasmo do mundo — para fora da minha propriedade.

— Mas Aparício, eu...

— Vá já fazer meu uísque Suzana, e você — olhou-me de baixo para cima — ponha-se daqui para fora imediatamente.

 

Setembro de 1963. Primavera em São Paulo

 

Eu em casa — morava numa rua muito tranqüila e arborizada — estudando para o vestibular. Vou até a cozinha pegar um sorvete. Ouço um carro parando bem em frente. Olho pela persiana.

 

O Bel-Air azul e branco! Suzinha, linda e elegante, fechando a porta do carro. Aproxima-se pela rua um Dauphine todo estropiado. A porta da direita se abre e ela, sorridente, entra. Ao volante, o mecânico.

 

Eu, incrédulo, fiquei vigiando, ansioso. Já caia a tarde quando eles retornaram. Ela baldeou-se para o carrão com tranqüilidade de quem chegara da missa. Deu na partida e foi-se embora. Certamente em tempo de preparar o uísque do corno.

 

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 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Contos e Descontos

Delancey esquina com Essex – (conclusão)

 

Outubro de 1963. Primavera em São Paulo

 

— Alô?

— Suzana, é você?

— Quem está falando?

— É o rapaz que bateu atrás do Bel-Air do Aparício — falei num tom jocoso.

— Ah! Como vai? Como você descobriu meu telefone?

— Ora, você me deu o número!

— Ah! É verdade, você esteve aqui... nossa, que vergonha do Aparício, ele...

— Ele está em casa?

— Não! Por que? Quer falar com ele?

— Não, preciso falar com você mesmo.

— Comigo? Eu vou dar um jeito de arrumar o dinheiro...

— Esqueça o dinheiro, o seguro do meu pai acabou cobrindo...

— Ah! Que maravilha! Mas então o que você quer?

— Tomar o lugar do mecânico na sua vida.

— O quê??? Como??? Isto é, — gaguejava — você está me...

— Farei qualquer coisa — interrompi, arfando. — Eu pensei muito antes de ligar. Não consigo tirar você da cabeça. Eu não consigo parar de...

— Pois bem — ela decidiu rapidinho –— se é o que quer, vejo você amanhã mesmo, moleque chantagista, e vou matá-lo — a voz traía ansiedade e insegurança.

— Não vai não, eu vou deixar uma carta num lugar que minha mãe fuça sempre.

— E onde a sua mãe fuça sempre?

— Na gaveta de revistas do banheiro.

Ela riu de forma estranha. Seria pavor? No dia seguinte descobri:— Era tesão.

 

Setembro de 1965. Primavera em São Paulo

 

Nunca me importei se ela tinha outros ou não. Por dois anos, as quartas-feiras foram minhas. Gradação e pós-degradação em trepologia completas, antes de Suzana me avisar.

 

Um dia, beijou-me com olhos marejados e fez amor como se fosse o último. Chorosa, contou-me que o barnabé do Aparício havia sido promovido para a agência de Nova Iorque. Já estavam de viagem.

 

Por lá, o Outono já havia começado.

 

Julho de 1970, verão em New York

 

Calor de rachar. Manhattan, Low East Side. Delancey esquina com Essex. Estacionamos as motos. Na porta do restaurante, o velho passou e a mulher me fitou. Nesse olhar, o tempo voou.

post 50410



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Contos Mutantes

Os Logaritmos de Bruna

 

O casamento de Bruna se desfizera de há muito. A filha perdera-se cedo e, grávida, bandeara-se atrás do amasiado para-lá-de-deus-me-livre.

 

Corria o ano de 1966, que faria dela uma quarentona. Mas Bruna conservava sua boa aparência. Sempre que queria, tinha um namorado, um caso, um homem. Invariavelmente, cada romance terminava quando suas economias se esgotavam.

 

Já há alguns anos, trabalhava de dia e estudava à noite. Havia conseguido chegar ao último ano do Clássico. Ao matricular-se, fora avisada de que deveria optar por Latim ou Matemática. Como sempre tivera enorme dificuldade com línguas, optou por Matemática.

 

O professor era um rapaz jovem e muito seguro de si — mas com idade para ser seu filho. O moço era atraente e, desde o primeiro dia, procurou ser atencioso e simpático para com Bruna.

 

Naquela noite, pensando nele, resolveu dar uma caprichada no visual, forçando as normas da escola. Maquilagem leve, blusa decotada, saia mais curta e sandálias de salto.

 

Última aula. O professor chegou mostrando irritação. Já passara mais de mês recordando noções básicas para a classe — uma turma fraca e despreparada —, mas naquele dia recebera ordens expressas do diretor para entrar na matéria do programa oficial. Foi à lousa e escreveu: — “Logaritmos”.

 

Intrigada com o nome, Bruna riu alto e perguntou: — “Professor, para que servem essas coisas, esses tais Logaritmos”?

 

A reação do jovem foi precipitada. Sentindo-se desafiado pelo tom irreverente da pergunta, atirou à queima-roupa: — “Para você sair da sala agorinha mesmo e ir perguntar na diretoria”.

 

Dando de ombros, Bruna foi.

 

Convidada a entrar, sorriu para o diretor, que a mirou com lampejos nos olhos. Solícito, ele lhe prometeu que tudo seria ajeitado sem maiores problemas. Insinuando-se, lembrou, com voz matreira, que “moça tão bonita não deve andar à sós pelas ruas numa hora destas”.  Ofereceu-lhe, assim, uma carona que ela — sequiosa por aventura — prazerosamente aceitou.

 

Na cama, entre carícias, Bruna lembrou-se dos tais Logaritmos e, rindo, repetiu a pergunta. O diretor calou-lhe a boca — língua na língua —, e foi ao lugar íntimo de Bruna que mais o interessava naquele instante.

post50323 



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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P & G - Pintelhando Güim

(In) Certezas Pinguináceas

 

 

— Agora o chefe deu pra postar contos, Pin!

— Tem certeza, Güim?

— ...

— ???

  

— Humm...certeza? Acho que sim, Pin.

— Certeza mesmo, Güim?

— Certeza, certeza mesmo? Tenho não!

— Então...

 

— ...então???

— Não quer comprar um Gerador de Certeza baratinho?

— Se-seu pintelho fi-filho de pinguça! Vê se some, pô!

— Fuuuuuuuuiiiiiiii. Quá!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Contos e Recontos

O Vadio e a Metida

      Anos 50. Estávamos no colegial. Freqüentávamos a mesma escola pública, no mesmo grau, mas em classes diferentes. Todo santo dia, envergando os nossos uniformes, tomávamos o bonde para o colégio, no mesmo ponto e à mesma hora. E conversávamos por todo o percurso. 

O que dizer de uma garota nos seus quinze aninhos – mulher pronta para debutar – comparada a um garotão de dezoito? Ela, já exibindo pelas blusas os seios devidamente despontados, firmes e deliciosamente apontados à frente. Eu, ainda com espinhas no rosto e um enorme topete, não podendo exibir a única coisa já avantajada de que dispunha, que apontava à frente ao menor estímulo, imaginário ou não. 

Ela era apenas um dos meus muitos problemas. Gabava-se por ter um namorado firme, de família tradicional e abastada, que já estava na faculdade. Metida a sebo, essa tagarela não falava de outro assunto comigo, oriundo de família simplória e modesta. Presunçosa, tratava-me como se fora um inerme vegetal ouvinte. Não era bem o caso: – eu sempre tinha seguidas ereções por causa das provocantes inconfidências que maliciosamente me fazia. 

A idolatrava, mas me sentia anulado pela total indiferença que devotava a mim como homem e, assim, não ousava arriscar um único pio sobre os meus sentimentos. Anunciava ser minha grande amiga, a hipócrita, vejam só! Amiga! Era cruel comigo e tinha plena consciência disso. Era visível seu prazer em me controlar, torturando minha auto-estima. E – durante meses a fio – foi essa a rotina, só interrompida por finais de semana e feriados. 

Outro dos meus muitos problemas era não ser bom estudante. Havia repetido de ano três vezes no ginasial e agora estava pelo mesmo caminho. Quando chegávamos ao colégio ela entrava para o pátio e ficava com as colegas a esperar pela campainha. Quase sempre, eu inventava uma desculpa e ia para o bar encontrar os colegas de vadiagem. Havia anos que fumava, bebia de tudo, jogava sinuca a dinheiro para me sustentar e sabia bancar o malandrão, é claro. Não tinha o menor interesse pelas aulas. 

Num belo dia, um amigo de bar nos aparece dirigindo um carrão. Os pais haviam viajado: as chaves ficaram à mão. Ele, eu e mais outro ficamos um bom tempo a rodar pelos lugares mais afastados do bairro, fazendo derrapagens e armando zoeiras. Veio-me, num relance, a idéia de exibir-nos para minha amada, oferecendo-lhe uma carona na saída das aulas. Eles toparam de primeira. 

Não foi difícil convencê-la, pois confiava em mim, seu domesticado amiguinho de estimação. Lisonjeada pela ousadia da proposta – ela seria o centro dos comentários das coleguinhas invejosas durante semanas a fio – sorriu e veio. Com todo mundo olhando, acomodamo-nos no banco de trás, os outros dois já sentados na frente. O transviado metido a playboy deu na partida, subiu a rotação do motor até que assobiasse e arrancou com tudo, fazendo os pneus traseiros soltarem muita fumaça no asfalto. A platéia ficou lá atrás, uivando, ululando. 

Hoje, velho, amargando uma pena quase centenária por estupro e homicídio doloso — sempre ameaçado pelos outros detentos —, só consigo lembrar daquela deliciosa gargalhada de puro prazer que ela deu quando o carro arrancou, daquele seu aceno provocante para a platéia que ia ficando lá para trás e do único, longo e sensual beijo que me deu. Depois disso, não me lembro de mais nada, nada, nada.

post 50228



 Escrito por Ordisi Raluz às 01h00
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