ORDISI RALUZ
     
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O que é isto?
 


Pin & Güim em Cadê o Chefe?

Locko-Out

— Güim, cadê o chefe?
— ...
— Lagartixando por aí?
— Hummm, sei lá, Pin!
— Olha só: — um bilhete!


— Quiéquiéquidiz, Pin?
— "Queridos Pingüinhos. Agora, quem está em greve sou eu. Fui."
— E agora?
— Deixe-mo-lo na dele.
— "Deixe-mo-lo?" — desde quando se fala assim?
— Fuck him. Melhorou? Simbora, pô.



 Escrito por Ordisi Raluz às 12h30
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Missão Alfa Centauri - 4

A Arca das Estrelas

 

Como era de se esperar, a Arcádia englobava todas as conquistas recentes da tecnologia espacial. Batizada em homenagem à Arca de Noé, a enorme nave interestelar, contudo, não levava para Alfa Centauri um casal de cada espécie.

 

Nela, cinqüenta mil seres humanos jaziam congelados, hibernando em casulos biológicos, aguardando o despertar. Eram os futuros colonizadores de Paradise, o terceiro planeta de Centauri A. E o despertar ainda estava à cerca de dois anos e meio de distância.

 

Gigantesca, com mais de cinco quilômetros de extensão, a Arcádia, paradoxalmente, não passava de um grão de pó riscando a vastidão do espaço. Dispunha de um portentoso, mas convencional, computador central – afetuosamente apelidado de CC.

 

Diziam que, quando CC se concentrava demais nos cálculos, fazia muita força e enchia a nave com cheiro de sovaco. – Fofoca, pura fofoca. – Coisa natural na minguada tripulação de dezoito homo-sapiens. Entretanto, a variedade e a quantidade de robôs na nave - e todos de nova geração – era respeitável.

 

M.A.C., robô pseudo-humanóide do tipo “navegador”, era dono de um recém aperfeiçoado cérebro positro-asimoviano. Além da enorme capacidade de cálculo para realizar e conferir a navegação estelar, alcançava alto fator de consciência, que lhe permitia uma criatividade não distante da humana e – não se pôde evitar – humor muito variável.

 

Na verdade, indícios mostravam que esses fatores ainda não estavam sob controle total dos roboticistas. Tanto que M.A.C. apaixonou-se por Luana e tramava algo para conquistá-la. Mas, como um robô com voz metálica, corpo metálico e humor metálico poderia ter sucesso em conquistar a mulher que, segundo o comandante – seu amante – era a negra mais exuberante e bonita do universo?

continua

Post Anterior: Os Robôs do Sexo - 23/abr/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pin & Güim em : — Protesto!

Greve na Pingüinlândia?

 

— Abaixo os robôs, Güim!

— Quiéquié isso, Pin? O chefe vai ficar uma piça! 

 



Local reservado para foto do Pin.


— Os robôs estão invadindo o nosso espaço! Quero meus direitos!

— Quiéquié isso, Pin? O chefe paga tudo em dia: peixinhos, salário-choca-ovos, férias antárticas, décimo-terceiro, fgts, inps, pis, pinsocial, contribuição social, irfpj, irpf, cpmf...o kct!

 

 


Lugar reservado para foto do Güim.


— QUERO MEUS DIREITOS DE ARENA, Güim!

— ...

— ABAIXO AS RETICÊNCIAS! ABAIXO OS ROBÔS!

— Eu saio da arena e vou é já pra água, Pin. Fuuiiii.

— PINGÜINS, UNIDOS, JAMAIS SERÃO VENCIDOS! GREVE!!!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Missão Alfa Centauri - 3

Os Robôs do Sexo


Viagens interestelares geram paradoxos. É desejável que a tripulação esteja sempre serena, fria – com atitude permanentemente profissional – e que não desenvolva relacionamentos íntimos. Os desejos e os sentimentos devem ser re-dirigidos, canalizados e liberados de forma a não afetar o bom desenvolvimento da missão.

 

Pesquisas indicaram que o fator mais preponderante nas desestabilizações era sexo. Deveria ser desenvolvida alguma solução em que cada humano pudesse alcançar gozo e satisfação, mas sem a contrapartida dos vínculos emocionais. Era necessário, ainda, evitar a mais indesejável e perigosa conseqüência do sexo no espaço: a gravidez.

 

Para resolver, foram criados os robôs “Eros-Deel-Doos” – os EDD –, essencialmente dedicados aos folguedos sexuais e à amenização relacional. Pareciam seres humanos de verdade, mas eram robôs.

 

Bastava um diálogo prévio para que qualquer EDD – macho ou fêmea – rapidamente entendesse o enredo e o desempenho pretendido. Essa era a instrução aos humanos: converse bem antes de usar.

 

Após o primeiro toque, qualquer EDD executava o solicitado com perfeição. Não existiam reclamações significativas. Entretanto, era preciso bastante habilidade para alterar-se o “programa” durante a execução. Coisas da primeira série de produção, certamente...

 

Para uma tripulação de nove homens e nove mulheres, foram embarcados dezoito EDD: nove robôs e nove roboas. A discussão sobre a quantidade de robôs por tripulante demandou estudos que poucos resultados trouxeram. Optaram, daí, pela paridade clássica. Erraram feio.


continua

Post anterior: Sexo nas Estrelas - 17/abril/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h40
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Números Inúmeros

Disque 626.67.27 para NAMORAR

 

Trim!!!

— Alô?

— Quem fala?

— É meia dois meia, meia sete dois sete. Quem está falando?

— Zuleica, querida! Você sabia que o filho da Lurdinha é viado?

— Não me diga, Drika. Eu bem que desconfiava do jeitinho dele!

— Pára com isso Zuleica, você não vê a Lurdinha há dois anos e...

Trim!!!

— Alô?

— Quem fala?

— É meia dois meia, meia sete dois sete. Quem está falando?

— É a Kika, Zuleica, não reconhece mais? Tá ficando velha e surda, mulher?

— Velha é você que não enxerga um palmo diante do nariz e...

— Não enxergo, é? Então não te conto que vi a Marlene tirando uma linha com o novo vizinho dela...

Trim!!!

— Alô?

— Quem fala?

— É meia dois meia, meia sete dois sete. Quem está falando?

— Zuleica, quem mais tem esta voz rouca? É a Samanta!

— Samanta, que surpresa! Quais as novas?

— O João enfartou semana passada e eu não pude...

Trim!!!

— Alô?

— Quem fala?

— É meia dois meia, meia sete dois sete. Quem está falando?

— Meu nome é Zeferino! Aí é mesmo meia dois meia, meia sete dois sete, dona...?

— Zuleica. Eu não lhe conheço, seu Zeferino, conheço?

— Não me conhece não, dona Zuleica, mas eu tenho uma proposta...

— Proposta? Quem o senhor pensa que eu...

— Calma, dona Zuleica. É uma proposta comercial muito interessante e vantajosa!

— Proposta sobre o quê, seu Zeferino? 

Ele viera, meio sem jeito. Era um sujeito de meia idade, bem apessoado. Ela corou quando ouviu o plano, mas sorriu de cabo a rabo com a proposta. Tinha uma mina nas mãos, mas só se apercebeu disso quando ele lhe mostrou as letras por cima dos números do teclado do telefone. O anúncio que pretendia publicar deixava bem claro: 

DISQUE

N-A-M-O-R-A-R

E todas as suas fantasias serão realizadas na hora! 

Trim!!!

— Diz agora que você também tá tesuda, Taís taradona!

— Ai! Tou toda tesudona procê. Vem!

— Tira a calcinha!

Zuleica olhou o relógio: oito minutos, estava ótimo.

— Tirei, meu garanhão, está tão molhadinha que...

— Hummm. Vou enfiar...

— Põe tudo, machão!

— Ah! Bom!

— Hummm, continua, mais, mais, continua!

— Ah!!!... Cabei. — Tchau, Taís.

— Tchau, amorzinho. Volta amanhã, tá?

Zuleica desligou, sorrindo. Sua vida mudara da água para o vinho desde que fizera o acordo. No Call Center os chamados não paravam. E, melhor que tudo, depois de Zeferino, o consolo jazia aposentado lá no sótão, bem no fundo do baú. post51023



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Feriados, Férias, Pontes, Cabulações e Gazetas

Tiradentes? Vamos enforcar!

 Vamos enforcar, vamos enforcar,

Tanto feriado, não se pode trabalhar.

 

[Pena que as contas não dão folga, né?]



 Escrito por Ordisi Raluz às 11h22
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Pin & Güim em

Philosophias Pinguináceas

 

— Devemos todos ser bons, éticos, honestos, corretos, transparentes, afáveis, trabalhadores, pró-ativos, dedic...

— Não, Pin!

 

— Não?!?!?! Então devemos todos ser maus, desonestos, mentirosos, pulhas, rudes, vagabundos, reativos, indiferen...

— Não, Pin!

— E então o que devemos ser, Güim?

— Pingüins, pô! Simplesmente pingüins.



 Escrito por Ordisi Raluz às 11h16
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Missão Alfa Centauri - 2

Sexo nas Estrelas 

 

Luana — a chefe de telemática — uivava enquanto a língua do comandante da missão fazia completa exploração em seu sexo.

— Vem, Rômulo, meu amor! Quero você todo! Agora-a-ai!

Pairavam soltos no setor sem gravidade da nave-mãe, girando unidos numa dança de movimentos bizarros e sensuais. As vertigens do espaço fundiam-se com as do prazer.

— Inunde-me, amor! Agora-a-ai!

 

M.A.C. observava a cena, escondido, lá da escotilha da câmera de descompressão. Impulsos muito estranhos estavam sendo gerados nos circuitos positrônicos de seu cérebro. Com certeza, faltava a qualquer lógica o par de humanos manter intercursos não reprodutivos — tão freqüentes e intensos — em vez de se utilizarem dos robôs e roboas EDD (Eros-Deel-Doos) disponíveis a bordo.

 

Seu plano começou a se esboçar. Ele se incorporaria — imergindo toda sua programação de consciência asimoviana — num dos robôs sexuados, obtendo assim os predicados físicos necessários para, quiçá um dia, Luana poder olhar para ele da mesma maneira que a Rômulo: com paixão. 

Poucos notaram quando FREDD, além de todos os atrativos físicos de que já dispunha, começou a absorver a programação pseudo-humanóide para os circuitos que M.A.C., secretamente, havia lhe adicionado. Até Débora, de quem FREDD era diversão freqüente, não percebera nada. Ainda. 

“As coisas estão indo bem” — constatou M.A.C. “Quando terminar de me transferir aqui para FREDD, estarei apto para colocar meu plano em ação.”  

          “E então a vaca verá” — sorriu, vendo-se comandar uma ereção no novo corpo.
continua

Post anterior:  M.A.C. ou P.Q.P.? - 12/abril/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Poemas Pegados

A Maray e a Márcia comentaram meu último post usando somente palavras em p. Nisso sou especialista. Vejam só o que já fiz para a revista engrenagem, que desafiou seus redatores com o tema “a importância do p e o melhor do corpo humano". Leia, se for suficientemente curioso(a).

  

poverdose, pô!

pOrdisiRaluz

 

 

preciso publicar prefácio

postar partes preferidas

plebeu provocando palácio

percebe parcelas prometidas

 

pensamento pipoca precioso

psique perguntas presume

preâmbulo por pretensioso

propõe poesia perfume

 

pálpebras primas persianas

piscam provando paisagens

prevaricam pazes provincianas

protelam parando paragens

 

pescoço pilastra potente

pilota pessoa possante

pronuncia postura presente

prenuncia presságio passante

 

peitos promontórios prazerosos

pontas postas para prole prover

pivetes pecaminosos

prolongam procuram prazer

 

pança puro preconceito

porco, pamonha, perdiz

prêmio profundo proveito

perdão precatório prediz

 

pinto penetra premente

posterga protagoniza

pirada perua pagante

pífio pudor profetiza

 

periquita portal predileto

porteira prazerosa picante

proibida para padreco

pois prenda pároco probante

 

pernas poses patentes

padrão propaganda procuram

pedem prumo proa presentes

pedalam patinam pululam

 

pés passeiam planando

prelúdio pro passo pagode

pandeiros põem provocando

pecado pacato pixote



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h05
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Perdidos & Sumidos

O Pior dos Poemas

Isso, entenda-se, se houvesse algum bom. Ou, talvez, algo nem tanto pior.
Ocorre que poemas me pipocam ou sob etilismo virtual ou por psicografia mentecapta.
Vejam vocês o que digo, pô! Esse é da época das cuecas e dos malas...

Terça-feira , 12 de Julho de 2005

Escritas Por Puro Acaso...

Palavras ao Ocaso 

doação, donativo, dote;

doloso doleiro

 

cueca, cueiro, culote;

cúmplice culpado

 

mala, maleta, malote;

malandro matreiro

 

sacana, sabido, sacerdote;

satânico safado



 Escrito por Ordisi Raluz às 00h12
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Achados & Perdidos

Ordisi, o Poeta.
A
inda pior que Raluz, o Profeta.

Vejam só que preciosidade arqueológica foi desenterrada neste Blog:

Segunda-feira , 27 de Setembro de 2004

Ponto G

Quando ela me pega é que nem paixão.

Me prende na cama, me acende a febre.

Molha-me o suor,

Envolve-me o delirio até o torpor.

Tortura os meus sonhos.

Preciso me libertar

DESSA PUTA GRIPE,

o que foi que vc. pensou? 



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pin & Güim & Novas News

Carteiradas

 

— Aqui no Novas News diz que só três em cada dez brasileiros têm carteira assinada, Güim!

— Hummm, Pin...

— Hummm...O quê?

— Mas nove em cada dez brasileiros têm a carteira batida, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 11h30
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Missão Alfa Centauri - 1

M.A.C. ou P.Q.P. ?

— Einstein que vá a merda! — exclamou Débora, inconformada. — Meus pais estão envelhecendo mais rapidamente do que eu!

— Isso é naturalmente óbvio nesta situação, doutora! Todavia, o uso do vocábulo chulo indica irritação exacerbada de sua parte —, matraqueou o robô. — Poderia eu ousar uma proposição? — emendou.

— P.Q.P.! Recalcule agorinha as correções relativísticas, já que esta nave está viajando no espaço sideral a mais de oitenta por cento da velocidade da luz! E me deixe em paz!

— A doutora bem sabe que meu nome é M.A.C., em homenagem à Missão Alfa Centauri. — A voz do robô acinzentou-se: — e não P.Q.P.! 

A máquina pseudo-humanóide, entretanto, insistiu, aparentando mais tranqüilidade: — Minha proposição é a de lhe trazer um chá-de-estrada, para que recobre a serenidade e faça as pazes com Einstein.

— Pois então traga logo essa porra desse chá, querido “big” M.A.C., emendou sarcasticamente a diretora científica da missão —, e vá se concentrar em reverificar os cálculos relativísticos.

“Pois sim”, — pensou M.A.C. com suas células cerebrais positro-asimovianas. “Reverificar cálculos se você sabe que eu não erro jamais, Madame Mandona”? 

Parecia até transparecer da face metálica que o robô sorria do apelido que a tripulação havia dado à Débora. “Vou é foder com essa sua empáfia toda, chefa estúpida," — ruminou com seus circuitos. — "Temos ainda dois anos e meio pela frente até Proxima Centauri e você não perde por esperar, sua vaca” — pensou, com os olhos brilhando de raiva. 

Seria possível estar M.A.C. se olvidando dos protocolos da lingüística mecatrônica e da férrea lei que impede robôs de fazer mal a seres humanos?
continua



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Hollidays, Weekends, Vacations and so on...

Não tem jeito

Três fins-de-semana sequenciais com feriados prolongados.

As coisas já pararam.

Quem ainda acha que este país tem jeito?

Jeitinho sim, mas, jeito...

Update:

Há alguns dias que se notam dificuldades no sistema de comentários uol. E isso está infernizando a vida dos meus queridos comentantes. Às vezes - quando e se o comentário é afinal publicado - sai uma garatuja de dar inveja aos criptologistas. Como diria Casoy: — "Isso é uma vergonha". Obrigado à todos vocês pela persistência! [Mas um dia me mudo daqui, PÔ!!!].



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Vizinhos...

Manhã em Sete Tempos

 

Abriu a janela para o sol entrar. O vizinho a viu.

 

Fechou as cortinas para se trocar. O vizinho a imaginou.

 

Tocou o telefone enquanto tomava café. O vizinho a ouviu.

 

Deu a partida no carro que não pegou. O vizinho observou.

 

Pegou o celular sem bateria. O vizinho percebeu.

 

Voltou à casa para telefonar. O vizinho se avizinhou.

 

Abriu a janela nunca mais. O vizinho se mudou.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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A Desconhecida com Certeza

A Maçã

 

Recebo hoje — domingo! — uma carta registrada que ora transcrevo. São minhas as interrogações e observações entre parêntesis.

 

INSTITUTO DE PATENTES

 

Ref.: Gerador de Certeza

 

Prezado Senhor

Ordisi Raluz,

 

Vimos por meio desta comunicar-lhe que o recurso impetrado (que é isso?) por sua advogada (quem?) foi acolhido pela colenda corte de apelações (???). No mérito, julgou-se muito forte e definitivo o argumento de que “A maçã cai ao solo devido à gravidade, sem quem ninguém ainda saiba exatamente o que seja um gráviton”.

 

Assim sendo, recebemos instruções superiores para anular do processo o parágrafo “Primeiro Fato” — aquele aonde V.Sa. afirmava, em nosso entender (de vocês, bando de panacas), que Einstein estava errado. Entretanto, de acordo com os trâmites regulamentares (???), solicitamos o comparecimento de V.Sa. dentro dos próximos trinta dias para responder a questões adicionais que surgiram entrementes. 

 

Atenciosamente,

Bür O’Crat

Presidente da Colenda Comissão Examinadora

 

Agora me digam, pelo amor dos céus: — Quem é essa “minha advogada”?



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Águas do Caribe

Viu-se

 

Viu-se tranqüilo, no jatinho executivo, em céu de brigadeiro, com as lindas mulheres. Breve, estariam pousando na ilhota do Caribe.

 

Viu-se bem acompanhado, no potente off-road, rugindo por terrenos desafiantes, galgando ladeiras para o alto da montanha, onde lhes aguardavam idílicos horizontes.

 

Viu-se sorrindo, no moderno iate, singrando águas tépidas e azuis em direção ao mar alto, as mulheres curvilíneas a cantar e dançar, antecipando prazeres.

 

Viu-se, crispado, acelerando o jet sky ao máximo, aquaplanando deliciosamente, vibrando de prazer, levando-as aos berros na garupa.

 

Viu-se leve, mergulhando fundo para o recife de coral, em águas transparentes, hipnóticas, inebriantes. As sereias, seios desnudos, fluindo ao seu lado.

 

Viu-se só, envolto em borbulhas, procurando por ar. As mulheres sorridentes e sereias sensuais não lhe estavam ao redor.

 

Viu-se não mais.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Fatos Blogosféricos

Alta Audiência

 

Excelente o mês de março. Recorde de visitas e de comentários aqui no Blog.

 

Grande dia o de ontem, também. Recorde de visitas.

 

Obrigado aos que aqui vêm ler e fuçar os rascunhos Ordísticos. Gratidão especial aos meus queridos e queridas comentantes.

 

Obrigado, querida Márcia(clarinha) pelo belo texto com o inusitado Gerador de Certeza – incluindo o link (exageradamente) elogioso – no Brincando com Palavras.

 

Obrigado, querida Isabela por concordar comigo sobre coxas femininas, a ponto de fazer um post – com link e tudo – sobre o meu comentário n’O Mundo Perfeito.

 

E obrigado pela surpresa em sabê-lo colega de blogosfera, caro amigo Rico, que hoje ganha o link #50 em meu Blog com o seu tempojogadofora.

 

Obrigado a todos pelo carinho, paciência e complacência para com este Blogueiro feliz.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pin & Güim no Congresso

Enquanto isso, lá na CPIngüim... 

— Viu só o que fizeram com o Relatório?

— ...

— Isso aí, Güim. Encheram-no de reticências...



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Com Certeza

O Princípio do Começo

 

As pessoas me perguntam como foi que tive a idéia do Gerador de Certeza.

 

Eu apenas observava um copo cheio pela metade. Todos sabem que o otimista vê o copo ainda cheio pela metade, enquanto que o pessimista vê o mesmo copo já meio vazio.

 

Concluí que — além dessa conhecida metáfora —, aí reside um paradoxo real, e também uma forma lógica e cabal de expressar incerteza. Afinal, o copo pela metade é fato líquido e certo. Qualquer pessoa que faça uma simples medição não deveria ter nenhuma dúvida. Mas tem. Conclui-se, pois, que coisas pela metade — mesmo que exata — geram incertezas!

 

Fica simples, então, perceber que para gerarmos certezas, é só trabalharmos com inteiros. Se o copo está cheio, não há discussão. Se o copo está vazio, idem.

 

Comecei testes com copos cheios de substâncias como whisky, cachaça, conhaque, rum, vinhos. Quando esvaziados, geraram certezas efetivas, completas e indiscutíveis em todos os sujeitos testados. Eu estava na trilha certa para inventar o Gerador de Certeza.

 

Mas fiquem certos de que os experimentos que ora revelo não se constituem numa apologia ao alcoolismo — mesmo porque esvaziar não significa necessariamente beber. Não é compulsório o uso de insumos alcoólicos para que o Gerador de Certeza funcione.

 

Como, então, funciona? Bem, talvez um dia destes eu conte. Primeiro, é preciso terminar de tirar a patente, não é?



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Felinas e Gatinhas

A Pantera Cor-de-Rosa

 

Pego o elevador no sub-solo. Ele pára no térreo e entra um pedaço de boa saúde, super-curvilínea, loira oxigenada, toda sorridente. Me dá um "ôi" delicioso, enquanto aperta o botão para o último andar.

Sandálias altas cor-de-rosa, calça justa (dessas-que-deixam-metade-das-pernas-de-fora) cor-de-rosa, batinha decotada cor-de-rosa, pulseiras, adornos e brincos cor-de-rosa, ou seja...

— Quantas vezes já chamaram você de pantera hoje? — arrisco.

— Mais de uma dúzia, senhor. — A gata consegue abrir um sorriso ainda maior enquanto coloca a maldita ênfase no "senhor".

A porta se abre no meu andar. "Ainda bem que não me chamou de tio" — penso, alegre, com meus botões. Toco o barco e tento me focar no trampo. Mas ela não me sai da cabeça!

Miau! Panterinha! Cadê você, pô?



 Escrito por Ordisi Raluz às 17h22
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Notícias Pinguináceas

Em Último Lugar

 

— Já viu a Veja de hoje, Güim?

— Ainda não, Pin.

— Diz que o Brasil ficou em último lugar em matemática numa avaliação entre 41 países, feita pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).

 

— Humm...

— Humm???

— E nós com isso? Não moramos na Antártida?

 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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