ORDISI RALUZ
     
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O que é isto?
 


Reclami di Framácia

A Framácia du Lula

 

Vovó mi mandô comprá remédiu pra ela na framácia. Diçi pra comprá  remédiu popular du Lula qui custa menus di treis reaus im veiz di trinta reaus. Mi deu u dinheiru, a reçeita i us documentu i eu fui. O môsso oiô i dissi que u discontu valia só pra cumprimidu di deiz miligrama i a receita era di vinti miligrama. Aí eu diçi qui tudo bem, eu levu u remédiu, a vovó toma dois cumprimido di cada veiz. Poiz num é qui eli diçi qui açim não vendia? Tinha qui levar u di vinti miligrama sem u discontu ou vovó tinha qui i di novu nu medicuzinho i pedí otra reçeita. Eu sô crianssa inguinhoranti mais num sô bobu não. Ocêis du guvernu faiz propaganda, i inrolam us burru. Eu num sô burru, naõ, Lula.

 Escrito por Ordisi Raluz às 00h17
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Missão Alfa Centauri - 15

A Conquista Final

 

— CC, liberar comporta saída para nave auxiliar November Alfa Whisky.

— Negativo, primeira-oficial — a voz sintética e impassível do computador central justificou-se para Luana: — Não há registro de missão para a NAW.

— Treino de rendez-vous, CC, câmbio — apesar de responsável pela telemática, ela ainda tinha o tique da antiga radiocomunicação.

— Rendez-vous. Roger, November Alfa Whisky — agora a voz de CC soou divertida ao cotejar as instruções à lá antiga. — Elementos a bordo?

— Primeira-oficial Luana e robô FREDD.

— Não requisitou robô navegador para a manobra?

— Negativo, tenho habilitação como navegadora, cheque registros.

— Afirmativo. Liberando comporta para rendez-vous da NAW...

 

 

Um pequeno impulso e a nave auxiliar logo se alinhara lado a lado com a nave-mãe, riscando o espaço a oitenta por cento da velocidade da luz na direção de Alfa Centauri.

No centro de comando da Arcádia, tamborilando os dedos mansamente, Rômulo acompanhava tudo pelos monitores. Ele sabia que o único destino alternativo viável para a nave auxiliar era Libertée — o já colonizado e avançado geoplaneta de Centauri B.

"Quem te viu e quem te vê, sexy Luana", recordava-se ele. E o comandante não fez um único gesto para impedir a fuga da ex-amante...

 

 

— Estamos livres da Arcádia e de todos eles, querido. — Luana, emocionada, abraçou FREDD.

O robô retribuiu o carinho e sorriu.

— Libertée, aqui vamos nós. Vou programar a rota.

— Deixe que eu faço isso, querida.

— E desde quando meu doce FREDD é um navegador?

Depois do lampejo de compreensão, Luana escancarou a boca e foi arregalando os olhos até cair numa enorme gargalhada que parecia ribombar por todo o espaço sideral.

— MAC?

 

continua

Post Anterior: A Ressurreição de MAD - 26/mai/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Dando o Troco em Pin & Güim

Tiro pela Culatra

 

— Chegamos, Chefinho!

— Chefinho? Chegamos!

— ...

 

 

— Chefinhôôôôôô!

— Pô, cadê vocêêêê?

— ...

 

 

 

— Ele não tá, Pin

— Não tá não Güim, pô! Ahá, eis um bilhete:

“Pingüinhos: Nunca aos domingos! Lembram-se? Té manhããããã! Fui!”



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Textos Virtuais

Fantasias Abelhudas

 

Altas da noite, profundezas da madrugada, palavra a palavra, linha a linha, pouco a pouco, coração despertando para o silente chamado de amor que dos posts delas transpiram em recados, que perfumam as entrelinhas, nos floreios multicores que brotam e vicejam em acenos e comentários. Exalam elas minhas fêmeas os melhores sabores, os mais atraentes odores, insinuando os mais quentes deleites e quiçá seus favores. Se não fora só um, me deslocaria lugar a lugar, me logaria em cada boca, mordiscaria todos pescoços, empalmaria cada par de seios e, fervente, desceria aos mais recônditos devaneios. Assim, zangão ansioso e conformado, vou-me ao leito aonde, amoroso, me espera outro peito, onde me encosto de jeito. Amanhã, quem sabe...



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Missão Alfa Centauri - 14

A Ressurreição de MAD

 

— CC, abra os Registros Jurídicos — comandou Rômulo.  

— Abertos, Comandante — replicou o eficiente computador central.

— Registre a abertura de Inquérito, com data de hoje.

— E o título, Comandante?

— "Incongruências Comportamentais em Robôs no Espaço”.

— Registrado, Comandante.

— Convoque o chefe de robótica para depor.

— Convocação emitida, Comandante.

 

É impressionante como a inventividade e a manha fazem do homem um animal político, sem congênere na Galáxia. A tacada que Rômulo acabara de dar para sair da sinuca de bico fora brilhante, maquiavélica. Já tirava do foco inquisitivo a gravidez de Débora e — na titulação — insinuava culpa aos robôs.

 

Gaspar — o chefe de robótica — estava superestressado com a situação. Mais conhecido como GaySpar, exibia seus maneirismos super afetados naquela reunião.

— Afff, Comandante — suspirou, enquanto desmunhecava desenfreadamente — todos sabem que robôs têm rotinas autocorretivas e não me compete vigilância sobre eles. Não-me-com-pe-te, registre bem isso, viu CC?

— E nada mais houve de relevante, Oficial Gaspar? — Rômulo mantinha o tom litúrgico da inquisição — Quer dizer que durante toda esta viagem não foi feita nenhuma vistoria?

— Quando MAC — aquele doido varrido, minha nossa — cometeu roboticídio, fui eu quem, a pedido de Débora, acionou MAE para substituí-lo. Na ocasião, também, chequei MAG e os componentes de MAD.

— E como estavam os componentes de MAD?

— Estavam guar-da-di-nhos, Comandante.

— Intocados?

— Como assim, intocados? Quem mexeria em MAD? E para quê?

— Tem razão, Gaspar. O fato relevante é que não só MAG, como também os componentes de MAD estão em ordem. — Rômulo dirigiu-se ao computador central — CC registre este relatório e anexe-o ao inquérito.

 

***

 

Ora, se MAC havia montado todos os componentes de MAD em FREDD, como os mesmos ainda podiam estar no estoque?

 

continua

 

Post Anterior: O Vértice da Pirâmide - 22/mai/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Crônicas Cômicas

Sem parar?

 

Diminuí a velocidade para passar o pedágio pela faixa do Sem Parar. Sempre há aquela pequena expectativa enquanto o equipamento eletrônico se entende e faz a cancela levantar. Nesta passagem, também. Diminuí um pouco mais, a cancela nada. Parei. A cancela? Imóvel, quieta, impassível. Fechada, ali quase no meu nariz. “Não era mesmo para eu estar aqui”, matutei, enquanto aguardava que algo ocorresse e abrisse a cancela antes que um dos treminhões, que há pouco havia ultrapassado, entrasse bufando e me atropelasse. “Deveria é estar na Europa, em Munique, trabalhando duro e olha só onde estou, voltando de um aeroclube do interior, numa linda e azulada tarde de quinta-feira”. Veio um rapaz e fez que ia bronquear comigo, mas eu falei antes. “Olhe, amigo, abra logo isso, eu passo, estaciono ali do lado e conversamos, porque estão chegando aí uns treminhões com cana até o talo e...”. A palavra treminhão soou mágica, ele arregalou os olhos, falou no rádio e, comandada à distância, a cancela afinal se abriu. De fato, o controle do Sem Parar pertencia ao carro do meu filho que resolveu viajar a estudos e pediu que lhe vendesse o carro. Eu vendi o carro dele, aproveitei e vendi também o carro da minha mulher e comprei este aqui, zerinho. Aliás eu também havia ido para a estrada para sentir o desempenho do carro novo. Estava preocupado: Como conciliar os Impostos de Renda de todos nesse rolo? Junto dois carros num só, mas se fizer donativo tem imposto e...”Qual a placa anterior?” — pergunta o cara. E eu lá sei qual a placa anterior do carro do meu filho? A resposta vem pelo rádio, eu aí me lembro e confirmo.“O senhor não pode...” — lá vinha ladainha burocrata. Aproximavam-se então os treminhões do pedágio e eu disse.”Olha meu amigo eu pago isso para não parar e agora não só estou a mais de cinco minutos parado aqui por causa dessa meleca que não funciona e não vou ser passado pelos treminhões senão são mais quinze minutos para ultrapassá-los de novo, essas tartarugas gigantes e espaçosas. Agora tenho que ir. Tchau”. Interessante: logo mais à frente passei por outros tantos pedágios pela faixa do Sem Parar e tudo funcionou perfeitamente. Por que teria parado o Sem Parar justo naquele pedagiozinho secundário e sem graça? Dominado por um inesperado bom humor decidi que aquilo ocorreu para que eu viesse ao Blog e escrevesse um post. Sem parar? Claro que sim.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Sextórias Românticas

O Baby Doll

 

Eu

New York. Embarcaria no dia seguinte para o Brasil. Ao passar por uma esquina, meus olhos grudaram na vitrina: um baby doll espetacular, estampado de oncinha, em tecido transparente. A saudade venceu a timidez e entrei na loja de artigos femininos.

— Posso ajudá-lo? — disse a senhora por trás do balcão.

— Sem dúvida, quero um daqueles — e apontei para a vitrine.

— Qual o tamanho?

— Não sei, mas ela é quase tão alta quanto eu.

— Venha, vamos experimentar este aqui  — chamou-me para perto de um espelho e colocou a peça por sobre minha camiseta, como se fosse a coisa mais natural do mundo... Olhei-me no espelho e ri para a velhota:

— Vai servir, sim — e pedi para que caprichasse no embrulho.

 

Ela

Paris. Estava no toucador, terminando de secar os cabelos. Sabia o quanto eu os adorava: loiros e lisos, compridos quase até a cintura. Deixou-os soltos, esvoaçantes, derramando-se sobre o baby doll de oncinha. Uma pitadinha de perfume na nuca. Estava ficando excitada pela expectativa, a pele arrepiando, os mamilos endurecendo, a sede de boca, a fome por mim. Leves pancadas na porta, a iluminação só nos abajures. A porta abriu e nossas bocas se juntaram. O baby doll ficou pelo caminho.

 

Êpa!

Sampa, anos após. Procurei pelo baby doll de oncinha. Queria fazer-lhe uma surpresa. Afinal depois de tanto tempo, quantas coisas não mudaram? Ali estava, bem no fundo da gaveta. Despi-me e, lentamente, sentindo toda a sensualidade e prazer que aquilo me recordava, vesti a calcinha do conjuntinho. Logo após, com alguma dificuldade, coloquei o top até acertar as alcinhas nos ombros. Estava a mirar-me no espelho quanto a porta abriu. Um enorme sorriso precedeu as gargalhadas.

— Ridículo! Que é isso?

— I-isso??? Bem...

— Ontem você me veio com perguntas sobre maquilagem e agora o flagro vestindo meu baby doll de estimação. Não é um pouco tarde para embichar?

— Nada di-disso, benzinho, é que tenho que escrever sobre como é que as mu-mulheres...

— Mulheres? Que mulheres? — e, divertida, foi me empurrando para a cama — desembuche, fofura gostosa.



 Escrito por Ordisi Raluz às 11h00
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Pin Gif

Pingüinhos Muito Animados!

— Pingüiiiinhos! Cadê vocês? Vamos fazer um post!

— ...

 

— Pi-in!

— ...

 

— Güi-immm!

— ...

 

 

— Atrasados outra vez? Desse jeito vocês vão dançar no emprego!

 

 

 

— Pois já estamos dançando, chefinho! Pô!

 

 

 

Agradecimento especial ao Bruno Savoini



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h07
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Missão Alfa Centauri - 13

O Vértice da Pirâmide!

 

No Manual Sideral encontra-se um precioso ensinamento da famosa poetisa Márcia Claróvska: — "O melhor ponto para entendermos as emoções de um triângulo amoroso é o prestimoso vértice da pirâmide que dele se alça".

 

Tal brilhante metáfora consta no prefácio do capítulo das dimensões adicionais e expõe — de forma intuitiva — que só podemos, de fato, entender um problema, quando galgamos o degrau para uma dimensão maior e, de lá, ganhamos novas perspectivas.

 

Em nosso triângulo temos, correndo atrás dos próprios rabos, Luana, Rômulo e Débora. Presos à linearidade dos fatos, suas poderosas mentes estão perdidas nos mais loucos devaneios e em infindáveis meandros especulativos.

 

Certamente todos aceitam a idéia de que FREDD foi usado para engravidar Débora de modo sub-reptício. Mas a quem interessaria isso? Claramente nem a Luana, nem a Rômulo e muito menos à Débora.

 

Então, a quem mais? Nome por nome foi analisado e descartado. A lógica capengava: ninguém enxergava o brilhante jogo de xadrez que estava sendo jogado e ganho por quem — do vértice da pirâmide — dominava o triângulo e agia.

 

Lá, um ente vivo e pulsante que — usando de FREDD — já começara a conquista de Luana. Era um robô, sim, e perdidamente apaixonado. Haveria, então, alguma saída para essa irrefreável e bizarra paixão?

 

Do vértice da pirâmide, MAC avaliava e sorria...

 

continua

Post Anterior: No Fundo do Poço - 18/mai/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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P & G - Na Deles

Pin & Güim aos Domingos?

 

— Pingüiiiinhos! Cadê vocês? Vamos fazer um post!

— ...

— Pi-in!

— ...

— Güi-immm!

— ...

— Ahá! Um bilhete! Vejamos o que diz: — “Chefinho: Nunca aos Domingos”.

 

 

— Bem que já haviam me dito que lugar de pingüim é na geladeira, pô!

 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Não Mude de Canal, Por Favor!

Agora, Nossos Comerciais

 

 

Lula Robôs

Muito úteis: não sabem de nada!

 

 

Lembo Sombrolhos

Assombrando o Estado.

 

 

Imóveis "Quem se mexer leva chumbo" !

 

Vendo ou alugo.

Toda acarpetada e com cortinas de babados, cela com cama de casal e banho privativo com jacuzzi, TV plasma, frigobar, central telefônica, computador com internet rápida. Delivery 24hs bem à mão. Vizinhança muito especial. 

Também aceito permuta por imóvel em Angra ou Búzios.

Falar com Marcola.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Missão Alfa Centauri - 12

No Fundo do Poço

 

Luana nunca imaginaria que alguém, lançando-se às alturas siderais, poderia sentir-se no fundo de um poço. Mas era exatamente onde ela estava.

A inominável traição sofrida e o golpe de Débora estar esperando um filho de Rômulo era um pesadelo, um black-hole, do qual ela não conseguia sair.

De boba, Luana não tinha nada. Sabia não ter mais futuro em Paradise, onde, após o desembarque, Rômulo seria o Governador-Geral. Só lhe restava fugir para Libertée. Mas, como poderia conseguir tal proeza?

Estava a remoer-se e a reinquirir-se pela enésima vez quando sentiu o bipper vibrando. Ao verificar quem se daria ao trabalho de querer conversar com ela em atmosfera tão constrangedora, teve uma surpresa.

Era FREDD do outro lado da linha. Luana sentiu-se confortável pela primeira vez em semanas. Ficou tão alegre e excitada com a chamada, que nem lhe perpassou pela mente não ser de praxe um EDD tomar iniciativas.

— Luana, imaginei que talvez eu lhe pudesse ser útil. — A voz do robô soava macia e romântica.

— Certo, FREDDy — Luana não pensou duas vezes — pode vir, seu oferecido.

O Manual Sideral adverte: "Tesão supera a Razão". Mas, à essa altura dos acontecimentos, Luana não mais estava interessada em manuais. Sentia-se viva pela primeira vez em semanas. Sentia tesão.

 

continua

Post Anterior: A Sinuca de Bico – 15/mai/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Sextórias

O Vibrador de Lugano

 

Éramos um casalzinho de estudantes em pós-graduação e em pós-lua-de-mel, aproveitando um oportuno feriado para uma esticada até o Ticino: região ao norte da Itália, na fronteira com a Suíça.

 

Já havíamos rodado muito naquele dia, admirando as incríveis paisagens da região. Noite avançada, nos vimos pelas ruas de Lugano à procura de pousada.

 

Achamos um hoteleco que atendia às restrições orçamentárias e era suficientemente bem-ajambrado, pois a gente sempre verificava as acomodações antes de fechar negócio: vocês bem sabem como as mulheres são exigentes com os banheiros, não é certo?

 

Subimos ao quarto e, ao deitar, notei uma espécie de cofrinho de lata ao lado da cama. Fui ver o que seria. Lá estava escrito algo como: coloque um franco (ou seria um milhão de liras?) para vibrar por uma hora. O bom da juventude é que, quando dessas novidades, a gente nem dá bola para bulas ou manuais de instruções.

 

Tasquei a moeda na latinha. O colchão começou a vibrar, he he he. Então, mãos e tudo o mais, à obra.

 

Começaram as Preliminares. O colchão chacoalhando. Às tantas veio a Introdução e o Primeiro Movimento. O colchão tremelicando. Houve a rotação para o Segundo Movimento, ora pois. A cama ondulando em várias freqüências. Quando se seguiu o Adaggio - ma non troppo – pimba, acabou a luz.

 

Isso aí, apagão em Lugano, Suíça. O colchão vibrador parou, a cama sossegou, o abajur emudeceu, mas o amor, brilhando entre murmúrios ronronados no escurinho, continuou. Passou - compasso a compasso, andamento a andamento - por toda a pauta e terminou com acordes majestosos e bem orquestrados.

 

Lânguidos suspiros levaram ao sono dos deuses.

 

Não sei se sonhava ou não mas, quando dormíamos profundamente, a energia voltou com tudo. Acenderam-se as luzes, tocaram os rádios e apitaram os despertadores como se sirenas fossem.

 

O colchão, com honestidade suíça, voltou a chacoalhar (ainda devia o saldo do depósito para os dormintes ou trepantes, sei lá). A cama voltou a pular, mas já estávamos disparando escada abaixo, apavorados, enrolados nas cobertas, para divertimento do cara que estava de plantão na recepção.

 

Na manhã seguinte paguei a conta, mas me contive, perdoem o trocadilho. Se pudesse, mesmo hoje, esganava aquele safado, sacana, filho de uma mãe solteira que - tenho certeza absoluta - ainda está rindo da gente.

post 50212  



 Escrito por Ordisi Raluz às 10h52
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Missão Alfa Centauri - 11

A Sinuca de Bico          
 

Se alguém porventura ousasse pedir para CC – o computador central da Arcádia - calcular quais seriam as chances de Rômulo, a resposta seria pessimista.

 

Para chegar ao posto de comandante da Missão Alfa Centauri, Rômulo havia superado imensos desafios, vencido enormes barreiras e derrotado muitos oponentes. Ele podia ser tudo, menos bobo.

 

Entretanto, fatos eram fatos. Assim que pode retomar algum domínio de seu espírito, usou de tudo o que sabia para tentar recuperar alguma serenidade. Afinal, o treinamento de toda uma vida não podia ir por água abaixo por uma simples gravidez.

 

Mas estava indo. Ele certamente estava muito bem preparado para combater incêndios na nave. Mas não daquele tipo.

 

Nunca havia tocado em Débora. E agora ela estava grávida dele. Nunca havia amado alguém tanto como Luana. E agora ela o odiava de morte.

 

O regulamento mandava que abrisse um inquérito e tomasse todas as medidas cabíveis. Se abrisse o inquérito, sua transgressão em manter o relacionamento com Luana – e não com Eros-Deel-Doos, como deveria – viria à tona.

 

Caso não abrisse o inquérito, estaria desmoralizado frente aos comandados, e à mercê de qualquer chantagem. Cabisbaixo, sorriu amargamente ao lembrar-se da frase “Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”. 

“Puta que o pariu! – Rômulo tinha as mãos na cabeça, quase recaindo em desespero. – Como sair desta sinuca de bico”?

continua

Post anterior: Perplexidades em Cruzeiro - 12/mai/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 11h33
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Hoje, Dia das Mães

Pin & Güim: Cadê-los?

 

— Pingüiiiinhos! Cadê vocês? Vamos fazer um post!

 

[silêncio]...

 

— Pi-in!

 

[silêncio]...

 

— Güi-immm!

 

[silêncio]...

 

— Não estão!?!

 

[silêncio]...

 

— Ahá, eis um bilhete! Vejamos:

“Caro chefinho: Fomos visitar nossas Mamães. Bye!”

 

E eu que pensava ser u’a Mãe para eles, pô!

— Ingratos! Chuifff!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h42
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Missão Alfa Centauri - 10

Perplexidades em Cruzeiro

 

          Ainda em pleno cruzeiro, a oitenta por cento da velocidade da luz, restavam menos de dois anos – pelo relógio da nave – para a Arcádia entrar no Sistema Alfa Centauri.

Os fatos passaram a se suceder em ritmo alucinante. Como mandava o regulamento, Rômulo deveria abrir inquérito para apurar a gravidez de Débora.

Mesmo antes disso, a doutora Tereza já havia descoberto que o DNA do feto era do próprio Rômulo.

Luana entrou em parafuso. – “Como então esse safado, além de se aproveitar do meu amor cego e arrebatado, teve a caradura de se arriscar em outro corpo-a-corpo proibido? E ainda por cima com Débora, que apregoa aos quatro ventos sua ojeriza em relacionar-se sexualmente com humanos? Ele que vá à puta que o pariu. Melhor ainda, que case com Madame Mandona e que sejam infelizes para sempre” – Luana rogou suas pragas com todo o ódio que uma fera ferida tem.

Débora havia ativado MAE para substituir o finado MAC em suas funções. Era visível sua preferência em trabalhar com a bem humorada roboa. Grávida de um menino – sem saber exatamente como isso ocorrera – e sob a supervisão de Tetê, ia pensando em como se preparar para ser a primeira mãe de um bebê espacial. — A segunda – brincava a roboa – já que sou MAE antes de você, ora essa!

E Rômulo, além de perder Luana irremediavelmente, estava numa sinuca de bico.

 

***

Viagens espaciais criam paradoxos, como bem adverte o Manual Sideral. Vejam só: feita uma enquete com a tripulação para determinar-se o nome predileto para o bebê, o resultado foi emocionante.

Por eles, o garoto chamar-se-ia MAC.

 

continua

Post anterior: A Vingança de MAC - 10/mai/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 13h08
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O País dos Cartórios

Acredite se quiser

 

Ontem fui ao cartório passar uma escritura. Cheguei um pouco antes, pois precisava também reconhecer minha firma em outros documentos. É bom explicar que, já há muitos anos tenho firma lá. De fato, sem nenhum problema, em poucos minutos, as firmas foram reconhecidas.

 

Chegaram, então, as outras pessoas para acertarmos a escritura. O escrivão convida-nos para uma mesa de reuniões num canto. Patati-patatá, lido o texto, todos de acordo. Assinamos o documento.

 

Vem o escrivão e distribui cartões para registrar as firmas. Pergunto porquê, já que eu acabara de ter minha firma reconhecida pelo mesmo cartório!

 

Com cara de autoridade máxima em porra nenhuma, a peça me diz — com um ar de desdém pela enorme ignorância burrocrática que transpirava da minha tão impertinente pergunta: — "Faz favor, assina aí que eu cuido do resto, tá?"— e sumiu lá no fundo, atrás de seus selos e carimbos.

 

Além disso, cobrou uma nota pretíssima para emitir esse documento, quase padrão. Custo das cópias, à parte! E ainda perguntam por aí quem manda neste país? Esses Einsteins, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 11h49
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Missão Alfa Centauri - 9

A Vingança de MAC

 

— Vem, meu menino vadio...

— Adoro quando você me chama assim, Debinha.

— FREDDinho, meu anjo, quero a quitanda.

— Outra vez, Binhinha? – eu já fiz essa com a Tetê hoje.

— E a doutora? Trepa assim como eu, anjinho?

— Que é isso, gostosura? Atendo a Tetêzinha só por obrigação, mas você, minha doçura...

— Vem tesão da minha vida. E bota a quitanda para fora.

Enquanto o EDD rodava o variado programa com Débora, a consciência de MAC apoderou-se dele de vez por todas.

***

— Frediiiiiiinhoooooo. Estou iiiiiindoooooo – miou a diretora científica da missão. E FREDD ejaculou. O líquido artificial, desta vez, continha sêmen de verdade. Daquele que MAC recolhera de Rômulo após incontáveis sessões de amor dele com Luana. Para aquela relação, ele adicionara uma boa dose do material na sua bolsa de fluídos orgásmicos.

***

— Isso é impossível, Tetê! – Débora estava trêmula, lívida com a notícia que a médica estava lhe dando. – Só transo com o FREDD. Como posso ter engravidado?

— Esse fato intrigante atinge a todos nós, Debinha – os traços no rosto da Dra. Tereza denotavam profunda preocupação. – O comandante terá que abrir um inquérito formal, e eu – Tetê balbuciou – vou ter que fazer o primeiro parto da história no espaço sideral.

***

MAC havia morrido, mas não estava morto. Sua consciência vivia num belo corpo de homem. Paradoxal, mas real.

“Aquela vaca, agora, está chafurdando no brejo” – lembrou-se ele do pânico de Débora, enquanto comandava outra ereção para penetrar mais uma tripulante excitada. Estava gostando muito dessa vida.

 

continua

Post anterior: A Morte de MAC - 08/mai/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Não Toque no Mouse

Nossos Comerciais, por Favor

 

Um Blog moderno e avançado como este precisa faturar para sobreviver. Contamos com a inspirada visão mercadológica de nossos patrocinadores, que estão apostando com fé nesta Mídia das Estrelas. Fé demais, até. Portanto, leitoras e leitores, interrompemos a novela para os nossos inéditos comerciais.

 

 

Geradores de Certeza Raluz

A maquineta que a todas seduz.

 

 

Lula Robôs

Muito úteis: não sabem de nada!

 

 

Pin Tours

Essa é quente. Vá ao Pólo Sul com a gente.

 

 

A seguir, o próximo capítulo de Missão Alfa Centauri. Não chore, podia ser um poema, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Missão Alfa Centauri - 8

A Morte de MAC

 

A engenhosidade de MAC somente se comparava à ousadia de seu plano.

Os EDD eram praticamente ocos mas aparentavam ter músculos macios, firmes e flexíveis como os humanos. E, na superfície, exibiam uma perfeita pele biológica.

Internamente, transdutores super miniaturizados muito leves forçaram os roboticistas a colocar, como lastro, uma espécie de membrana interior metálica, oca e bem densa, para dar massa ao robô.

Foi no tórax quase vazio de FREDD que MAC, por semanas a fio, pacientemente instalou, programou e carregou os circuitos positro-asimovianos de MAD. Nos derradeiros módulos foram, enfim, transmutadas para o EDD a sua própria consciência e a sua personalidade. Tarefa cumprida.

***

Rômulo e Luana ensaiavam as preliminares para mais um delicioso jogo de amor secreto no Deck Flutuante, quando ele percebeu o vulto de MAC olhando-os pela escotilha da câmara de descompressão.

Surpreso e irritado com a invasão de privacidade, Rômulo gritou:

— MAC, saia já daí! E espere-me no meu gabinete.

— Pois não, Comandante – replicou o robô pelo interfone.

Num átimo, os amantes ouviram um forte silvo de ar escapando da câmara. Surpresos, correram até a escotilha ainda a tempo de vislumbrar o corpo refulgente de MAC desaparecendo, sugado pelas profundezas do espaço.

MAC havia se matado.

 

continua

 
Post Anterior: MAD, o Primo Esfrangalhado – de 06/mai/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Missão Alfa Centauri - 7

MAD, o Primo Esfrangalhado

 

MAC sabia que, após a chegada em Paradise, a Arcádia retornaria ao Sistema Solar vazia, para ser reutilizada. Quem dirigiria a nave na volta, se todos os humanos e a grande maioria dos robôs iam desembarcar?

 

Certamente CC – o computador central – seria o responsável, mas com auxílio de um dos robôs navegadores. Havia três robôs dessa família na nave: o próprio MAC, mais MAE e MAG, de psique feminina, que por ora hibernavam.

 

MAC estava fazendo a ida e deveria desembarcar. MAE faria a volta. MAG era a back-up. Adicionalmente – para qualquer eventualidade – havia um robô navegador completamente desmontado em componentes e com os circuitos de personalidade zerados. À esse amontoado foi dado o apelido de MAD – o louco esfrangalhado da família – brincavam os tripulantes humanos, quando se referiam ao assunto.

 

Conforme seu plano, MAC continuava, lenta e firmemente, imergindo-se em FREDD. Sentia, a cada terabyte reprogramado e transferido, apossar-se pouco a pouco daquele corpo fantástico. Em breve seria um belo homem.

 

Mas, será que alguém notaria o paulatino desaparecimento dos componentes de MAD que iam sendo instalados em FREDD?

 

– “Débora não perde por esperar. Essa vaca ainda vai ver com quantos paus se faz uma canoa” – regozijava-se MAC, sentindo o seu engenhoso plano progredir tão bem.

 

continua

post anterior: O Fofoqueiro Sideral – 04/mai/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Memórias & Memória

Que Penna...

 

Entro no elevador. Duas moçoilas olham curiosamente o meu “penn drive”, devidamente atado num cordãozinho, à volta do pescoço.

— Moço, que é isso aí? — pergunta a moreninha de olhos enormes.

— Minha memória auxiliar — respondo eu, na lata.

Entreolham-se, pasmas e verdadeiramente tristes.

— E você precisa tomar algum remédio também? — balbucia a outra beldade, morrendo de dó de mim...



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Missão Alfa Centauri - 6

O Fofoqueiro Sideral

 

O Comandante Rômulo tentava entender o porquê da preferência, pela tripulação humana, do uso de alguns dos robôs de sexo – os Eros-Deel-Doos (EDD) – em detrimento de outros.

 

Se todos tinham o mesmo software, deveriam ter desempenho equivalente. Como explicar o fenômeno? Por que FREDD e TEDD, assim como as lindas SEEDD e ZEEDD eram quatro vezes mais requisitados do que os restantes? 

 

O que Rômulo não sabia é de que um pequeno circuito de característica randômica havia sido acrescentado – na penúltima hora – à linha de montagem dessa série robótica.

 

Como existiam então reclamações pela relativa lentidão dos protótipos EDD em decifrar e entender insinuações, meias palavras, entrelinhas, além das expressões faciais e da gesticulação – muito usadas nos trâmites sexuais humanos –, algo deveria ser feito para torná-los mais “antenados” e mais espertos.

 

Os roboticistas optaram, então, por adicionar um pequeno circuito SMART (Sensoriamento de Modos Avançados de Reconhecimento e Trato) aos EDD. Com isso, eles agora podiam discernir as indiretas com que os humanos se referiam às fantasias e aos rituais mais ousados e picantes.

 

De todos EDD, FREDD era o mais requisitado, pois além de dar palpites bastante ousados no planejamento dos programas sexuais, ele batia a língua nos dentes como ninguém. FREDD era o maior fofoqueiro do espaço.

 

continua


Post Anterior: O Esperma de Rômulo – 02/mai/06



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Novas News - Pin & Güim na Mídia

Pin & Güim Go International


Dear readers. Our friends Pin and Guim are getting famous.

 

The Vale do Paraíba International News and the ONLINE SUN from Jackareí have published some untrue gossips about them and their beloved owner, Ordisi Raluz.

 

“Tsk, tsk, tsk. Not that easy becoming a celebrity” — says Güim, smart Pin’s cute cousin.

 

They are expected very soon to sign a contract to appear in many special Blogs. Also, it is well known Disney’s invitation for a winter season in Florida. They are still thinking about the multi-million dollar proposal.


Special thanks to Couro de Jackare who published these news in very first hand.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Missão Alfa Centauri - 5

O Esperma de Rômulo

 

M.A.C. nutria fascinação pela paixão entre Luana e Rômulo.

 

Sabedor dos sinais que eles trocavam para marcar encontro no Deck Flutuante – apelido dado ao enorme espaço sem gravidade da Arcádia – ele sempre ia, pelos condutos de serviço, ver o espetáculo de amor.

 

Pela pequena escotilha da câmera de descompressão o Robô mirava, hipnotizado, como os amantes se entrelaçavam e comandavam os corpos em suaves rodopios – que iam se tornando mais rápidos à medida que se desfaziam dos uniformes, exibindo os corpos majestosos.

 

E M.A.C. não só reparava de como não tiravam os olhos um do outro, mas também percebia o magnetismo irradiado na medida que a lascívia ia dando ritmo à dança. E observava toda a sensualidade da cópula, em seu crescendo, até o frenesi e o clímax.

 

Quando Luana e Rômulo deixavam o Deck, M.A.C. acionava a linha de sucção, forçando o ar a fluir através dos filtros. Lá ficavam depositadas todas as micro-gotículas dos fluídos da relação entre os amantes. Após completado o ciclo de renovação do ar, M.A.C. recolhia os filtros e, ao invés de incinerá-los da forma regulamentar, levava-os discretamente ao laboratório. Lá, nas biocentrífugas, separava o esperma encontrado e o congelava. 

Para que M.A.C. estaria preservando e guardando o esperma de Rômulo?

continua

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 Escrito por Ordisi Raluz às 23h55
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