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Dupla Dose Dupla
Do Bar do Bardo
boa cachaça comigo bole
tua boca doce, lábios de presa
teu corpo belo macio e mole
eu rasgo e abro com língua tesa
um sonho insano a cada gole
você gulosa aceita acesa
no espaço-tempo o amor escoa
tarada afoita, me deixa moço
motivo forte nos mostra a proa
alcança a mão seio e pescoço
safada doida me arranha à toa
me morde a carne e suga o osso
quando me chama plena de orgulho
dos seus sabores, cheia de graça
no sonho lindo pulo e mergulho
momento alegre faço arruaça
eu vôo alto pousando arrulho
chego e bebo dessa cachaça
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pensagadas Despensadas
Pensar
A vida inteira aprendi a pensar.
Preciso agora aprender a como não pensar.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Mania de Você
A Concorrente de Bebel
Eu estava tentando iniciar um texto. A idéia pronta na cabeça, como se fosse um novelo de lã que bastasse, apenas, desenrolar. Eu não achava, entretanto, o início adequado, aquela ponta de fio que, puxada, traz o post redondo e o conto contado.
Hoje as coisas estavam estranhas. Não me vinha a frase inicial e empacava no zero. Se fosse um branco de idéias, tudo bem, seria questão de só esperar um estalo. Mas a coisa estava mais para uma prisão de ventre — mental — do que para um vazio.
Em desespero, já estava pensando em estampar na primeira linha um "Era uma vez...", quando — Pop! — uma nova janela, repleta de dígitos, símbolos e hieróglifos pipocou no monitor. "Bebel está de volta" — pensei de imediato.
— Ôi, tolinho! — a doce voz ronronou pelos falantes.
— Bebel? — arrisquei, titubeante.
— Agora enciumei! — brincou a voz. — Quem é Bebel?
— Be-em, Bebel, sabe, e-eu, e-ela... — gaguejei, desnorteado.
— Ela...?
— E quem é você? — perguntei, seco, num revide instintivo. Não podia imaginar outra mulher senão Bebel para me abordar com esse jeitinho todo esotérico.
Um fundo sonoro começou a tanger meus ouvidos: "Mania de Você". — Um dia, breve, lhe contarei — a voz misturou-se com a de Rita Lee — mas, por ora, só imagine que foi graças a mim que você, hoje, conseguiu afinal escrever alguma coisa.
— Ma-mas...
— 'Orzinho, fui! Ouvi bem ou será que ela teria dito "amorzinho"?
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pin & Güim
Copa? Quá!

— Pin, cadê o chefinho?
— Vendo a Copa toda, Güim...
— Hummm... a Copa toda ou os copos todos?
Escrito por Ordisi Raluz às 10h13
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Anúncio (des) Classificado
VENDO SAQUÊ
Cinco baldes do melhor e legítimo saquê japonês, elaborado especialmente para comemorar classificação na Copa. Não aceito permuta com espada para harakiri.
Falar com Zico.
Escrito por Ordisi Raluz às 11h10
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Ecos das Ampulhetas de Sal
O Velho e o Bar
Todo santo dia o meu ônibus passa bem em frente e o velho está lá, sentado à porta. O bar é pequeno, escuro, feio, vazio. Poucos se arriscam a bebericar uma caninha naquele pedaço sépia de passado.
Todo dia o meu ônibus passa em frente ao bar do velho. As paredes são tão encardidas que sequer um único e mísero pichador interessou-se por elas, carcomidas como numa foto do tempo ido que ali se cristalizou.
A construção debochada, de esquina, três portas de uma cor que lembra o marrom. Estou certo — vendo lá do meu ônibus que passa — ser pura sujeira descascada.
As portas encardidas? Uma para a travessa, outra de chanfro e a terceira — pouco maior — abrindo para a movimentada avenida, por onde passa o meu ônibus e pela qual constato a quase eterna ausência de fregueses.
Pego o meu ônibus no ponto inicial e sempre vou sentado à janela esquerda, de onde posso e passo a observar o mundo naquela mais de hora e meia que leva minha pachorrenta viagem. Serve, ao menos, para conferir a vida pachorrenta do velho.
Que vida? Olho bem, lá do meu ônibus fumarento e ruidoso, o velho sentado à porta do bar vazio. Um morto-vivo a mirar um horizonte inexistente. Assim como hipnotizado, admirando com um quê de terror à uma estátua salgada da mulher de Jó, que só ele pode ver.
O velho e o bar. O bar e o velho. Todos os dias. A respirar a pura poluição cinza que o meu ônibus pachorrento cospe durante minha pachorrenta e diuturna viagem.
Ontem, enquanto o meu ônibus passava, o olhar do velho cruzou com o meu. Estremeci. O impacto gelou minhas entranhas. Com um arrepio, milênios de imagens difusas invadiram minha intuição e desnudaram de vez quão velho por dentro era o velho.
Hoje eu e o meu ônibus — como sempre — passamos pelo bar do velho. As portas encardidas, fechadas. O velho do bar, afinal, se foi.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Epaminondas (5/5)
A Proposta da Prima Vera
Foi ele quem quebrou o silêncio.
— E então, priminha, ainda vai querer continuar com o roubo?
Com braços e pernas ela tirou-o de cima. Enrolou-se no lençol e sorriu, satisfeita. — Vou sim, primo Epaminondas.
— Então vamos lá, Pancrácia, acabe logo com isso.
— Que Pancrácia, seu bobão?
— É um nome mais apropriado para uma ladra, não acha?
— Não me provoque mais, certo? Vamos lá: eu...
— Você...? — Júlio zombou, pasmo com a desfaçatez de Vera.
— Tentei lhe dizer antes, meu querido. Sim, eu vim roubá-lo, mas não vim assaltar você.
— Como é??? — ele estava certo de que iria esganá-la no próximo segundo.
— Bem — ela tomou fôlego — é o seguinte.
Se houvesse uma câmera focalizando as feições de Júlio enquanto Vera falava, teria registrado um vasto repertório de expressões que um rosto pode assumir. Surpresa, desconfiança, incredulidade, admiração, orgulho, carinho, inconformismo, indignação, raiva, ansiedade, dúvida. Quando afinal ela terminou, a pergunta saiu como um míssil.
— E quanto valho para você se eu aceitar ir para a WYX & ZAZ?
— Isso não posso lhe dizer, Epaminondas.
— Mas pode levar seus prospects para a cama, não é, Pancrácia?
— Não misture as coisas e pare de me ofender — ela agora fazia enorme esforço para manter o autocontrole. — Você vale cinqüenta mil dólares para mim. Recebo vinte mil no contrato e o resto durante o ano.
— Parece que a sua profissão de head-hunter, além de vantajosa, é muito prazerosa, priminha.
Júlio mal teve tempo de segurar o braço de Vera. O tapa vinha direto no rosto, movido por toda a indignação do mundo.
Fim. Post anteriror: A Trepada de Epaminondas - 20/jun/06
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Epaminondas (4/5)
A Trepada de Epaminondas
— Roubar-me, Vera? — desdenhou ele, o sangue fervendo com a ousadia.
— Ouça, Júlio, deixe-me explicar. Na verdade, eu não...
— Tire já essas sandálias — ela já havia mostrado que usava os saltos altos como arma — e coloque aí na mesinha todos esses anéis e pulseiras.
— Você está me assaltando? — agora parecia divertir-se, a safada! — Quer o colar também?
— Também! — a réplica veio num tom gutural e imperativo. — Ele a queria lisa e nua.
Enquanto Vera, com gestos sensuais, executava as instruções, Júlio despiu-se e aproximou-se, exibindo o membro teso. Levantou-a pelos braços e colou seus lábios nos dela. A língua forçou passagem para a vitória. Ela, excitada, retribuiu com gula feroz. Com gestos bruscos, arrancou-lhe o vestido. Outro beijo louco, desvairado, selou a queda da última barreira: o body cor da pele.
Ele a mordeu no pescoço, ela unhou seus ombros, ele grunhiu, ela gemeu, ele a penetrou sem delongas, ela o recebeu sequiosa. Foi um ato felino, primitivo, animal. O clímax veio rápido e violento. Viram-se agarrados, ofegantes e suados. Ele permaneceu dentro, sentindo as contrações de gozo da danada, que pareciam não mais terminar. E assim ficaram, sem palavras.
Os acordes majestosos e dissonantes do bandoleón de Astor Piazzola continuavam a dominar o ambiente.
Continua. Post anterior: A Noite de Epaminondas - 19/jun/06
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Epaminondas (3/5)
A Noite de Epaminondas
Júlio verteu lentamente todo o conteúdo da garrafa no decanter. Precisava colocar as idéias em ordem, refazer o roteiro. Pensara em ir ao piano e tocar Misty — técnica usada desde a juventude — mas essa mulher aí na poltrona não se derreteria tão facilmente como as outras tantas.
Em vez disso, adotou o conselho poético de Bandeira — “Cante um tango argentino”. Ligou o som e os acordes do bandoleón de Astor Piazzola tomaram conta do ambiente.
Ela, que acompanhava seus movimentos com o olhar atento, reagiu com um sorriso de aprovação. Vera não parecia a mesma mulher que há pouco lhe propusera “no meu ou no seu?”. Júlio mordeu os lábios para não perguntar:
— “Viemos aqui para trepar ou para conversar”?
Após agitar, enfiou todo o nariz na taça e aspirou profundamente. Fantástico o buquê. Provou cuidadosamente e sorriu. O vinho estava ótimo. E o novo roteiro também. Precisava apenas que...
— Epaminondas, eu preciso lhe dizer uma coisa.
“Puta que pariu” — a xingação por pouco não lhe sai em voz alta — “Essa filha da mãe está me fazendo de joguete”.
— Vamos parar com isso de Epaminondas, certo, Vera? — contra-atacou ele.
— Certo, Júlio — acedeu Vera, que retomou à iniciativa — Eu quero dizer que realmente você me atrai muito, mas...
— Mas? — o timbre da voz não podia mais encobrir a profunda irritação.
— Que tal começarmos logo a beber o vinho? — ela estava usando a técnica do “primeiro bate e depois alisa”.
— Tin, tin — pronunciado com ironia — foi a única sandice que ocorreu à ele balbuciar naquela pífia situação.
Beberam alguns goles, prolongados pelo silêncio. O sabor do Almaviva não conseguiu atenuar a tensão. O som vigoroso do vocal Buenos Aires Ocho agredia o ar com as dissonâncias rebeldes e sincopadas de Piazzola.
— Eu vim roubar você, Epaminondas — anunciou a “prima” Vera, com o mais irônico dos sorrisos.
Continua. Post anterior: Chez Epaminondas - 14/jun/06
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Comerciais da Copa
Para enfeitar gramados exija
E s t á t u a s Ronaldo
Fenômeno Garantia de perfeita imobilidade
Barrado no estádio, garoto maroto? Afogue as mágoas com a
Cerveja do Otto
Certeza do melhor arroto
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Epaminondas (2/5)
Eu havia escrito "Epaminondas" como post único, sob o tema "In Vino Veritas", para a revista engrenagem. Fiquei bastante satisfeito com o resultado. Contudo, após a publicação, no meu irrequieto íntimo, pululava uma pergunta que não queria calar. Por quê uma mulher como Vera teria ousado tanto numa cantada? Só tesão? Hummm... Decidi, então, resolver o mistério. E a trama continuou.
Chez Epaminondas
Vera o abraçou por trás, ronronando como uma gata, enquanto Júlio destrancava a porta do apartamento. Agarrou firme pelo cinto, impedindo-o de virar-se para ela. Riu como criança, enquanto ele procurava desvencilhar-se. Após uns giros e mais risos, ele não se conteve e, tomando com firmeza as mãos delicadas, abriu o torniquete à volta de sua cintura. Voltando-se, puxou-a para si, e — afinal — beijou-a.
A sensação de tempo dissolveu-se em puro tesão. O magnetismo colou os corpos — as pontas das sandálias dela sobre os sapatos dele. Assim cambalearam ao ritmo sincopado dos suspiros, num mudo e sensual tango, dançado pelas línguas que freneticamente se exploravam.
O som inesperado os trouxe de volta ao mundo. A dança terminou. O acorde dissonante reverberou pelo living, quando ela encostou-se no teclado do piano.
— Ops! Você toca piano, Epaminondas? — brincou Vera, retomando o fôlego.
— Com a sua bundinha é a primeira vez, priminha — devolveu ele.
— Seu bobo! — Vera largou do pescoço de Júlio e virou-se para o teclado, onde começou a dedilhar “O Bife”.
— "O Bife”? — melhor este aqui e agarrou-a por trás. Pressionou, fazendo-a sentir seu membro teso, enquanto as mãos, lenta — mas decididamente — iniciavam a subida da cintura em direção aos seios.
— E o nosso vinho, priminho? — a pergunta veio acompanhada de uma forte pressão do salto da sandália prateada sobre o peito do pé dele.
Surpreso mais uma vez com o elenco de recursos da beldade, Júlio achou melhor fazer um recuo tático.
— Vou buscar o Almaviva na adega agorinha, meu anjo. Você prefere água com ou...
— Sem, é lógico, Epaminondas querido!
Ao regressar com os grandes copos de cristal e com a garrafa contendo o precioso vinho — meticulosamente conservado à temperatura ideal — Júlio percebeu que ela havia se acomodado numa poltrona e não no sofá. Seu instinto acendeu uma luz de alerta: aquela noite seria longa e trabalhosa. "Aqui tem dente de coelho" — ruminou, enquanto abria o Almaviva.
Vera não era fácil. Fácil fora ele.
Continua. Post anterior: Epaminondas - 12/jun/06
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Ontem & Hoje
Querer Bem
Ontem contei um conto. Hoje, acrescento um ponto: Adoro vocês, minhas queridas.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Epaminondas (1/5)
Epaminondas
Foi por acaso — estavam se acomodando em mesas vizinhas — que cruzaram o primeiro olhar. O repique de soslaio foi imediato, um reflexo. O mútuo flagrante tornou inevitável a troca do sorriso.
Júlio sentiu o coração palpitar e um suor frio brotando das mãos. Isso não lhe acontecia desde o colegial, quando colocou em ação o roteiro para a primeira conquista.
Enquanto serviam o vinho branco — um presunçoso Bourgogne Chardonnay Château de Dracy — conseguiu examiná-la mais detalhadamente. Os cabelos castanhos clamavam, o nariz ordenava, os lábios pediam e o pescoço rogava por homem. Automaticamente, começou a esboçar um novo roteiro.
Esse talento fez dele excelente publicitário. Desde cedo viu-se criando anúncios e comerciais em agências de publicidade. Agora, com apenas duas semanas no novo emprego, fora convidado para a festa de casamento do filho do diretor.
Ela na mesa ao lado, só de mulheres. Ele, com outros desconhecidos: três casais e uma velhota. A septuagenária bebia mais que todos e monopolizava a conversa com suas recordações.
À entrada dos noivos, todos se levantaram, aplaudindo. Ele aproveitou para observá-la melhor. Pés elegantes e pernas bonitas. Bundinha arrebitada. Os decotes do vestido insinuando seios deliciosos e costas sensuais. Braços esguios e mãos delicadas. Os anéis! Seria aquele uma aliança ou não? Como uma beleza destas pode estar desacompanhada?
As incertezas de Júlio terminaram com o sorriso que ela lhe exibiu ao sentar-se novamente. Sabia que tinha sido examinada e aprovada com louvor.
Serviram o vinho tinto com o segundo prato. A escolha dos anfitriões surpreendeu pela simplicidade e originalidade: Casa dos Zagalos, um tinto português, alentejano, muito adequado ao cardápio. A velhota levantou um sonoro brinde e atirou-se com entusiasmo juvenil aos comes e bebes.
Era hora de agir, matutou Júlio, enquanto saboreava o segundo copo. O script estava pronto. Precisava apenas da oportunidade para fazer a abordagem. Notou que ela falava ao celular com expressão progressivamente séria e, enquanto fazia isso, voltava-se para ele, fitando-o firmemente.
Ele desviou os olhos. “Mais uma ilusão que se vai”, cantarolaram os neurônios de Júlio. Aborrecido, batucando de leve com os dedos, quase não percebeu quando ela se levantou, pegou a bolsa e caminhou em sua direção.
— Primo Epaminondas! O corpo da Tia Chiquita já chegou ao velório. Temos que ir imediatamente!
— Ce-certo, prima, estou indo!
Pego no contrapé, coração palpitando, Júlio reagiu a contento. Fez cara de “não tem jeito” para os casais e piscou para a velhota.
Firme e séria, a “prima” pegou-o pelo braço enquanto caminhavam em direção à entrada. Ele, contido, com o ego a mil, esbaldando-se de rir por dentro e já pisando em nuvens. Epaminondas! Essa mulher era fantástica, muito melhor que ele!
Passaram pela chapelaria, onde pediram a écharpe dela. Enquanto aguardavam, miraram-se, olhos nos olhos. Ao descer as escadarias ela perguntou, sem rodeios, com a maior segurança do universo:
— No meu ou no seu?
— No meu — Júlio não pestanejou na resposta e pediu o carro ao manobrista. Sorrindo, devolveu o chavão:
— Tenho um Almaviva 2001 chileno na adega para uma ocasião especial como esta, prima...?
— ...Vera.
— Prima Vera! — ele não ia perder essa — Hoje é 22 de setembro, início do seu reinado!
— E o Almaviva 2001? — ela tinha uma ponta de malícia na voz — Está reservado para a entrada da primavera?
— Não! — ele riu e emendou, num tom de segredo — É para comemorar um batizado.
— Um... batizado?
— Do Epaminondas, prima Vera!
Entraram no BMW-Z4 prata, trocando outro olhar cheio de magia. Epaminondas engrenou a primeira e lá se foram, rindo, noite afora.
post orig. 041005
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Poema Afogueado
Afago
Anseia,
afim
afirma.
Sufoca,
afoga
aflita.
Fogosa,
afaga
afeto.
Reclama,
afã
afoita.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h49
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Pinpinho e Gingüinho
Chuta o Título!

Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Novas News - EXTRA !
Gerador de Certeza obtém Patente!
Para todos aqueles que — já lá vão tempos — estão torcendo por mim, uma notícia alvissareira acaba de chegar pelo telegrama que transcrevo a seguir:
Ilmo Sr.
Ordisi Raluz
Considerando que o arrazoado apresentado por V. Sa. — através de sua advogada — contém toda a base formal necessária. Considerando ter o equipamento funcionado perfeitamente em todos os testes – sem exceção. Decidiu esta colenda comissão — em função dos consideranda e dos demais outros quesitos já aprovados nos exames — declarar reconhecer plenamente o Mérito de Invenção do denominado Gerador de Certeza, representando o mesmo um avanço no Estado da Arte e CONCEDER-LHE a respectiva PATENTE.
Emitam-se os Certificados. Recolham-se as devidas taxas e respectivos emolumentos para selos, carimbos, reconhecimentos, reconfirmações, averbações, certidões, contraprovas, expediente, aposentadoria dos peritos examinadores, cópias e demais exigências impostas pelos trâmites de praxe junto ao Estado, Ipesp, R.Federal, Sta.Casa, T.Justiça, R.Civil e demais.
Bür O’Crat
Presidente da Colenda Comissão Examinadora do
INSTITUTO DE PATENTES
Agora, volta à baila uma grande questão: — Quem será a minha advogada?!? Nunca contratei ninguém!
Depois: — Como poderei pagar todas essas taxas e, posteriormente, as anuidades?!?
Mas, vamos comemorar o Gerador de Certeza. Deixemos o incerto para depois. Tim! Tim! Saúde!
Hic!
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Poemas Paixonados
Com Fusão
Corpo impele pele.
Alma sedenta cede.
Sede de amor, confusa.
Confusa a mente, confusamente.
Abre coração, cora.
Ação, funde com fusão.
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Missão Alfa Centauri - 17
A Pizza Sideral
— CC, abra registros jurídicos referentes ao inquérito em curso —, ordenou Rômulo. — De que ponto devemos prosseguir?
— Do roboticídio, comandante — CC já havia incorporado o neologismo de Gayspar ao seu banco de palavras — MAC foi visto pela primeira-oficial Luana na escotilha da câmara de descompressão, momentos antes de atirar-se ao espaço.
— Temos isso documentado, CC? — Rômulo agia como se não soubesse do depoimento que a ex-amante houvera feito para chantageá-lo. Mas, após a fuga dela, as coisas mudavam de figura. E muito.
— Afirmativo, estou anexando holovídeo com o depoimento da primeira-oficial Luana, senhor.
— Segundo-oficial Gaspar,— prosseguiu Rômulo. — Como especialista em robótica, poderia nos esclarecer sobre o eventual motivo que teria levado ao robô navegador MAC a agir daquela forma?
— Afirmativo, comandante. Stress positrônico, afff, sem dú-vi-da. Mas mui-tí-ssi-mo bem caracterizado. Certamente sofria de inúmeros loops-sapiens, ou seja, piques de compulsão em imitar os humanos, i-ma-gi-ne só!
— Assim sendo, encerro o inquérito "Incongruências Comportamentais em Robôs no Espaço” declarando o desaparecido robô MAC como responsável pelas situações ocorridas na Arcádia, — ordenou Rômulo, satisfeito com sua argúcia. — Pode selar o registro, CC.
— Registro selado, comandante. Por qual canal funcional devo fazer trafegar esses dados até o comando terrestre?
— Por Brasília, em modo sub-espacial, é claro, CC — Rômulo sabia que por Brasília as coisas eram as mais demoradas possíveis e, quase sempre, inconseqüentes.
No dia seguinte, alertado pela roboa MAE, Rômulo ordenou que todos se preparassem para a fase de desaceleração — que ocorreria desde aquela região do espaço até Proxima Centauri — a ser iniciada em sete dias. E que se executasse a meticulosa vistoria geral planejada para a ocasião.
Daí a dois dias Rômulo foi chamado ao almoxarifado. Lá, encontrou GaySpar lívido e mais afetado do que nunca.
— O que houve Gaspar?
— Afff, comandante — ele tremia, pasmo — o-olhe bem a-aqui nos componentes de MAD.
— Sim, o que tem demais?
— Não é ele, Comandante! — Gaspar sussurrou. — Este é... MAC !
final da primeira parte
Post anterior: Choro Novo - 02/jun/06
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pensagadas Pingüináceas
Futebas na Pingüilândia


O Brasil todo vai parar... Pra copa, né, Pin? E pro copo, Güim...
Então larga o snowboard, pô. Simbora!
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Das Sextórias
A Encruzilhada
Anos 60. Aquela foi a pior turma que meu colega Bob Júnior convidou para a casa da praia. Só dava alcoólatra e gozador barato. Da pior laia. No primeiro dia, ainda fizeram o favor de beber o café da manhã que Gisele havia preparado.
No segundo dia, já foram direto para a praia, carregados de cerveja, caipirinha e pinga pura... Berravam pela rua, tocavam as campainhas das casas, gozavam dos caiçaras e mexiam com os transeuntes.
Eu não me sentia bem com eles, estava por fora. Pinga pura como café da manhã? Sem dúvida, ainda éramos moleques, ninguém tinha mais de vinte e um. Mas naquela trempa já existiam uns imbecis com excelente potencial para meliante.
Foi com enorme satisfação que, no terceiro dia, Gisele pediu para eu ir fazer umas compras para ela. A turba desceu ululando para a praia e eu — feliz da vida — peguei o carro do Bob Júnior para ir à vendinha.
Lá atendia o pai e uma garota aí de uns dezesseis aninhos, no máximo. Bonitinha. Tudo certinho. Usava um bustiê estampado, um shortinho e um par de sandalinhas. Tudo assim meio justinho-apertando-só-aquilo-que-precisava para me deixar louco de vontade. O pai vigiando com o rabo do olho.
Como é de se esperar, com o radar do velho ligado, a missão de faturar o alvo ficou ainda mais gostosa. Contudo — vejam só como são as coisas — não precisei ser criativo nem me esforçar. Na primeira cochilada do vendeiro ela murmurou: — Hoje às quatro na encruzilhada!
Incrível. Instrução curta, límpida, precisa no tempo e no espaço. Pois encruzilhada, só havia uma naquelas paragens.
Tive de usar toda minha diplomacia e jogar muito charme para cima da Gisele, mas ela acabou me cedendo as chaves da casa dos Figueira, pois que eles só chegariam ao final da outra semana. E ela ficou de me pedir para ir comprar alguma outra coisa, já que precisava do carro.
Os poucos imbecis que vieram almoçar caíram no maior ronco e lá fui eu todo pimpão para a encruzilhada. Sem surpresas. Passei devagar, nada, fiz um retorno e ela apareceu sorrindo lá detrás de umas árvores. Entrou também sorrindo e perguntou se íamos para minha casa. Ela sabia de tudo e de todos! Falei que íamos para outra casa pertinho e ela mansamente aquiesceu.
Coloquei o carro na cobertura do fundo e fechei o portão de madeira. Ufa! Captura bem sucedida! Tinha levado umas cervejas, mas me esqueci completamente delas.
Pois antes de abrir a porta já começamos a nos beijar e acariciar. Eu endoidando, ela também. Abrimos a casa e nos jogamos na primeira cama que apareceu. Eu estava em estado capaz de abrir um túnel em rocha! Roupas sumiram, eu assumi a posição e...
— Não, amorzinho, eu ainda não posso fazer isso!
— Não? Ma-mas...
— ...mas que pau lindo você tem — ela me interrompeu e foi logo ordenando — deita aqui assim, deixa eu ver.
— Hum, eu... — gaguejei, chupando os peitos dela, lindos, maravilhosos, no ponto.
— Shhh, calma, menino do pau bonito e vê se você gosta.
Empurrou-me esticado na cama e desatou a chupar meu pau. O que ela disse não poder fazer com a xota, ela doutorava com a boca. Primeiro em cima, variando a pressão. Depois lambia. De cima até em baixo. De baixo até em cima. A mão dela nas minhas bolas. Eu uivava!
Ela começou a se acariciar. Não me deixava tocar na xota dela. Eu via tudo, mas não tocava!
Quando ela chupou meu saco, eu quase fui. Estava por um fio. No momento em que ela acelerou a mãozinha na xota e comandou sua cabeça fortemente para cima e para baixo, eu explodi. Ela gemeu com o seu próprio gozo e com a boca cheia do meu!
Eu ainda estava tentando coordenar minhas idéias quando ela sumiu pela porta. Voltou vestida e sorridente.
— Amorzinho, me deixa na encruzilhada?
post original03nov04
Escrito por Ordisi Raluz às 16h28
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Missão Alfa Centauri - 16
Choro Novo
“Crianças são magnéticas”.
Esse alerta viria a fazer parte do Manual Sideral.
— E aí, Tetê? — à cada dia Rômulo ficava mais atento ao desenvolvimento da gravidez de Débora. — Como vai a nossa prenhe espacial?
— Prenhe vai ficar seu rabo, homem! — Tereza devolveu, com sobras, o tom de intimidade. — Não volte a usar essa expressão para com a Débora.
— Calma, Doutora, estou apenas cumprindo as normas.
— Quais normas, comandante, se nunca houve previsão de gravidez espacial e se apenas relações com os EDD são as permitidas? — A médica bateu duro no sabido pecadilho do comandante, que preferia as proibidas mulheres-sapiens.
— Pelo jeito a fuga de FREDD também lhe afetou um pouquinho, Tetê! — já havia muito tempo que o comandante não aparentava tanta descontração. — Vou ordenar a MEDD que lhe dê atenção exclusiva de ora em diante.
— Saia já daqui, enxerido, — reagiu ela enquanto o empurrava carinhosamente para fora da saleta. — Saiba que sua presença será uma das coisas mais importantes na hora H do dia D.
Rômulo não se dera conta do quanto estava mudado e do quanto se aproximara de Débora. A cientista, por sua vez, fora ficando mais afável — apesar da gravidez — e permitindo a um não robô uma camaradagem antes impensável. O instinto falava mais alto. Afinal, de uma forma ou de outra, ele era o pai do seu filho.
Tereza nunca estivera tão ocupada, preparando o que viria a ser sua consagração nos anais da medicina: o primeiro parto espacial. Seria completamente natural, numa piscininha levemente aquecida, iluminação tênue e música ambiente de cítaras marcianas. Esperava, do fundo da alma, que Rômulo estivesse presente para receber o filho.
Tudo correu às mil maravilhas. Na hora H do dia D, lá estava ele, com o ar preocupado, segurando a mão de Débora, enquanto ela dava à luz o rebento. Poucos após, o choro novo ecoou por toda a Arcádia, alertando à todos que o mais novo tripulante já estava a bordo. Nascera Apolus Mac Romulus.
continua
Post Anterior: A Conquista Final - 30/mai/06
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pensagadas Animais
Meia-Noite
A Hora do Lobo?

Ou do Tigre?
Imagem: Calvin and Hobbes, por Bill Watterson
Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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