ORDISI RALUZ
     
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O que é isto?
 


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Pausa

A pausa faz parte da música...



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Memórias Memoráveis

Antônio

 

— Oi, Antônio — segurou o braço do passante, quase fazendo derramar o whisky do copo — há quantos séculos, rapaz!

— Espera aí — o outro convidado do coquetel retrucou — não sou tão velho assim, apenas uns cabelos grisalhos.

— É só uma metáfora, não se apoquente.

— Metáfora? Que é isso?

— Brincadeirinha, sô.

— Ahá, saquei.

— Como vai o nosso melhor jogador de basquete do colégio?

— De vôlei, de vôlei...

— De vôlei! E que dava inveja em todos namorando a Suzinha?

— Marcinha, eu namorei a Marcinha mais de ano.

— E que foi posto fora da classe aos berros pelo professor de latim?

— De matemática — aquela besta do Pimentel — odeio ele até hoje.

— Puxa! — Foi a vez dele balançar o copo, irrequieto. — Não era o Reis quem dava matemática no Anglo?

— Pode ser, mas no Colégio Francês era o maldito Pimentel.

— Colégio Francês? Você não era do Anglo?

— Nunca pisei no Anglo...

— Mas você é o Antônio, não é?

— Claro que sou o Antônio.

— Prazer, então. A gente se vê por aí, certo?



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Visões

Olhos nos Olhos

 

Olhos no horizonte e vejo

Tempos de sol e nuvens

De névoas e brumas

De noites e luas

 

Olhos no zênite e vejo

O tempo das estrelas

O passado no coração

O presente na decisão

 

Olhos fechados e vejo

Você em todos os tempos

Instantes indeléveis que quiçá

Nenhum tempo jamais levará

 

Olhos nos olhos e vejo

O tempo de amor que chegou

A doçura inebriante do agora

O fogo da paixão que aflora

 

Olhos no crepúsculo e vejo

O tempo e a distância que crescem

A ansiedade que invade e já teima
               A saudade silente que queima



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pingüins Philosophos

Gafanhotices de Pingüim

 

— Pin?

— ...

— Pi-iiin?

— ...

— Pô, Pin, fala comigo!

— Falar é prata, Güim, mas...

— ... mas...

— ... calar é ouro!

— Essa me calou fundo, Gafanhoto.

— ...

— ...

— ...

— Pin, cadê o ouro?



 Escrito por Ordisi Raluz às 09h35
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Visitas & Revisitas

Flick Gnocchi DaLua

 

A minha rodinha de exercícios é uma graça, estou à toda, me embalando na diversão. Vem o pentelho do moleque ruivinho, coloca a cara para dentro da caixa e grita: Flíqui! Meu nome é Flick, foi ele quem me batizou, só que me chama com sotaque brasileiro. Daí me agarra e começa primeiro a me acarinhar, depois a espicaçar e logo a atormentar, como se espera de um garoto de uns quatorze anos.

 

Sempre após as refeições, ataca o arrependimento da gula e lá vou eu manter a forma na minha rodinha gigante. Como eu gosto disso! É só embalar que aparece o homem da barba comprida,  observa com curiosidade, põe a cara pra dentro do caixote de madeira e chama: Nhóqui! Meu nome é Gnocchi, ele que me brindou com esse itálico achado. Daí brinca comigo como se fosse um garoto de quatorze anos; só que já está para lá dos quarenta!

 

Todo santo dia de semana Dna. Laura, a cozinheira, chega-se para umas visitinhas. Me adora. Conta todos os segredos e esmiúça as dores da vida dela. Pena que não consigo lembrar desses enredos, pois seriam novelas de sucesso. Prefiro minha rodinha. Quando estou no embalo é a maior adrenalina e não quero mais nada. Ela enfia a cara no caixote e dá a maior força: Da Lua! Mais rápido, Da Lua! Meu nome é Da Lua: ela é que me chamou assim. Fica brincando comigo como se fosse um garoto de quatorze anos. Só que já tem pra lá de cinqüenta!

 

Vida interessante. De acordo com minha religião, vou encarnar mais três vezes. Claro: a primeira nos EUA, a segunda na Itália e a terceira na Lua. Duvida? A gente se vê por aí, meu amigo!

 

[Homenagem comovida à Flick-Gnocchi-Da Lua. O Hamster ultra-simpático que, por ano e meio, foi a alegria de casa. Aposentou-se na de Laura, aonde viveu mais um tempinho e então foi-se para outro plano, cumprindo com louvor sua missão na Terra].

 

ago04



 Escrito por Ordisi Raluz às 11h00
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Cheque Mate

O Cheesecake

 

O garçom entrega os cardápios de sobremesa. Dá um tempo e retorna para anotar os pedidos.

— Já escolheu, moça?

— Afff! Tudo uma perdição, engorda, não quero não, obrigada.

— E o jovem?

— Para mim um Cheesecake no molho de frutas vermelhas.

— Bem pedido — o garçom aprova — é uma delícia.

Quando vai se afastando da mesa ela diz: — Garçom! Poderia trazer mais uma colher? Eu vou dividir com ele.

 

...

 

O garçom serve o café e traz a conta.

— Aceitam cartão aqui?

— Infelizmente não, meu jovem, mas aceitamos cheques. Aqui está a caneta.

Quando vai se afastando da mesa o rapaz diz: — Garçom! Poderia trazer mais uma caneta? Eu vou dividir com ela.



 Escrito por Ordisi Raluz às 09h20
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Amores & Medidas

Amor em Copos?

 

Outro dia acordei decidido a quantificar amor. Não me pergunte o porquê. Talvez problema mental de ex-cientista — aquela mania de ordenar e quantificar todos os fatos da natureza.

 

Voltei-me inicialmente para os “ilhões”, mas vi, de chofre, o perigo rondando: “Te amo um zilhão, bonequinha”. Problema. Zilhões pedem imediata comparação com quaquilhões e quintilhões. E é pau na certa...

 

Logo também desisti das distâncias: metros, quilômetros e dos anos-luz — que, em princípio, me soaram muito românticos. ”Te amo cem anos-luz” derreteria qualquer uma, não é? Porém, há um probleminha prático: a anos luz de distância, ela já estaria olhando para o vizinho alfa-centauriano...

 

Pensei mais: ahá, eureka! Copos, litros ou baldes! Essas unidades têm a qualidade de conter algo. Elas têm volume. E volume de amor parece algo mais justo e palatável. “Tchuquinha, mil copos de amor para você”. Lindo, não é? Mas quando pensei em “Querida, te amo de balde”, desisti dessa vertente.

 

Já me sentia desesperado. Não imaginava ter tanta limitação para solucionar algo — que à primeira vista me pareceu tão fácil — quando recebi um e-mail inspirador daquela a quem vou apelidar de minha musa. Ela me mandou um beijo grande assim, ó!

 

E dessa forma — plagiando — está criado o ó!  a mais perfeita, redonda e harmoniosa unidade de amor que eu jamais seria capaz de inventar só por mim. Não importa se com um único ó! ou com um montão deles, você terá sempre certeza que é muito amado.

 

Assim, óóóóóóó!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Cercando o Circo

Le Cirque du Soleil

 

De fato um lindo espetáculo. Tudo muito bom, irrepreensível.

Mas, já que todos esperam algum comentário, aqui vai como me soou aos ouvidos a letra de uma das maravilhosas músicas. 

Tiendigryzu frozwertraze mucumbetra teraidô

Katrancapala miugüençunia kurumbeba querstgundô

Ó cumelojhnia treqwessami tekjoniesfa timberúptu

Zvobitralu mumunhestfa quijonçeibo revnicráptu

Tuiotretu à tiscrosnhia pumpugrofnia prethyzdfañiy

Griuwënnhoska piutzgriolava renkenkowsnia tchaidiñiy 

Comovente, não é? Quase chorei...de saudades daquele marciano enfezado do post anterior. Aquele com o tradutor universal...remember?



 Escrito por Ordisi Raluz às 01h22
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Ficções Imobiliárias

O Marciano

Estava eu a regar o jardim, quando uma sombra surgiu no chão e, aos poucos, foi aumentando como a de um helicóptero descendo. Mas nada de ruído de motor, apenas um pianíssimo zumbido. Olho para cima e vejo um pequeno disco voador, pairando pouco acima, pronto para pousar. Instintivamente me afasto, abrindo espaço, mas não precisava de tanto cuidado: — era pequeno, pouco mais que um carro de passeio. Mansamente, a espaçonave pousou e dela pulou um marciano.

Como sei? Pela cor verde da pele escamosa e pelas anteninhas estilo “Schrek” na testa. Sem mencionar o impecável uniforme, provavelmente um Armani. Muito cordial o sorriso que o recém chegado me dirigiu.

Good morning — mandou ele.

Sorry my friend, aqui é o Brasil e só falamos português — defendi os interesses da Pátria.

— Ótimo, português do Brasil é uma língua bem maneira, mermão — o tipinho enxerido não se deu por achado.

— Como foi de viagem? — foi o que me ocorreu perguntar naquele comovente instante à la contatos imediatos.

— Por que você está regando a grama com uma substância tão cara? — estava tão deslumbrado com o esguicho esguichando água, que ignorou minha pergunta.

— Esta é minha propriedade e estou cuidando dela, como merece.

— A casa é só sua? — vi que acionava algo como um scanner, preso ao pulso. — Este sobrado de três suítes, escritório e sala íntima no andar superior; com imensa cozinha, sala de jantar, lavabo e enorme living no térreo; piscina e churrasqueira; jardim e estacionamento para cinco veículos; edícula com sala para ginástica, lavanderia, banheiro e ainda acomodações para duas secretárias-do-lar?

— É minha sim e moro aqui com mulher e filhos desde...

— Deve valer muito, não é?

— Digamos que vale cem patacas espaciais — me senti o maioral ao tornar-me o primeiro economista espacial da história.

— Hum, hum, razoável — ele meditou, coçando o queixo, pensativo. — Então, morar nesses altos e enormes pacotes de casas...

— ...apartamentos — assim chamamos às casas amontoadas umas sobre as outras em altos pacotes.

— ...fica muito mais barato, é óbvio.

— Não meu amigo. Um apartamento pouco menor que a área útil da minha casa custa, aqui pertinho, mais de 200 patacas.

— Você está me dizendo que um apartamento equivalente custa duas vezes mais que sua linda e exclusiva casa situada num terreno gramado só seu? — o verde da pele dele foi empalidecendo.

— Estou lhe dizendo: é exatamente isso.

— Hum, hum — vou-me já daqui!

— Mas por quê, meu caro? — eu estava pasmo e abismado com a reação do extraterrestre — São Paulo não lhe parece aprazível?

— Pode até ser, mas aqui vocês são todos doidos. Au revoir!  Fui.

E decolando imediatamente, sumiu céu afora, ruminando seus inconformismos imobiliários. Burro esse marciano, não?



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Principescos Devaneios

Filme

 

Por vezes sinto-me como num filme. Cavalgo. Relâmpagos e raios recortam a silhueta do castelo ainda distante. Trovões rugem competindo com os grunhidos dos dragões que, guarnecendo as pontes levadiças e pressentindo minha chegada, lançam fumos e chamas ao céu e ao léu. Antecipo as frases da platéia: — “Esse doido que se proclama Príncipe, não faz outra coisa senão desejar perdidamente a Princesa que dorme seu sonho angelical na mais alta das torres fortificadas”? Mais ainda: — “Como que um Quixote sem Sancho, esse energúmeno se arvora em herói, sonhando penetrar nas mais bem defendidas fortalezas do reino, com nada nas mãos”? Meu exaurido Rocinante empaca ao depararmos com a visão tenebrosa em quadro inteiro. Desço da cavalgadura. Vejo a câmera tomando uma lenta panorâmica. A torre, de tão alta, foge ao enquadramento. Peço ao diretor que a focalize. Outra panorâmica, lenta. Céu cinza deprê, aves soturnas, morcegos. Nada da torre. Insisto. Como uma câmera tão avançada não vê a torre? Olhe bem, veja só, é essa aí! E agora, como arrancar de lá a tão desejada Princesa? Coço a cabeça, pego meu celular e peço para ela descer, ora essa.



 Escrito por Ordisi Raluz às 01h13
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Textura de Poema

Pré-Texto

 

Eu sei que não sou poeta, mas é só um pretexto para este texto. Poema, uma desejável tessitura de letras que, alinhadas em rimas, proclamariam suadas a explosão do auge, a exaustão do físico, o rugido do amor e o carinho sussurrado do depois.  Mas, não sendo poeta, não preciso me preocupar com as quadras, bastando me concentrar nas carícias, no ronronar dos devaneios, do novo desejar sem esteios, da renovação da alma e do ímpeto. Não sou poeta, eu sei. Mas se fosse, talvez também não achasse, no dicionário da língua, verbete melhor que néctar para o sabor do amor exalado. Soa exaltado o texto e o tema, mas só assim a paixão por inteiro vem à tona, mesmo sem poema.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Comidas & Dietas

Comidinhas de Pingüim

 

O chefinho engorda nos fins de semana!

— Bobo ele, Güim, deveria fazer como eu.

Você faz dieta nos fins de semana, Pin?

— Faço. E não paro de comer. 

— Não pára de comer? Hummm...aí tem coisa.

— Tem não. Sábado de manhã eu como Pinha.

— Só no sábado, seu frouxo?

— À tarde eu derrubo a Pinguça.

 

— Hummm...Você também, pô?

— À noite, trepo na Pinguela.

— Hehehe, essa é boa. E domingo?

Bem...domingo, eu...bem... 

 

— ...você?...

— ...hummm...

— ...hummm???

— ...traço a Güinha enquanto você come a Pinguça, quá!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Novas News - Edição Científica

Assunto de Alta Gravidade

Descobri que, às segundas-feiras de manhã, há um aumento na força gravitacional terrestre.

Cheguei à essa brilhante conclusão usando indiscutível metodologia científica, após centenas de acuradas medições diárias do meu próprio peso.

Agora sou, afinal, o primeiro brasileiro candidato à um Prêmio Nobel. Orgulhai-vos, patrícios.



 Escrito por Ordisi Raluz às 11h00
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Vale a pena ler de novo esse também?

Tomo a liberdade de trazer – com ligeiras adaptações - um texto que escrevi em homenagem à Papai dois anos atrás. Não conseguiria hoje expressar melhor meu amor e admiração por ele do que o fiz em 2004. Mudaram algumas circunstancias, é lógico. Por exemplo, se não tivesse se mandado para as dimensões mais altas, ele estaria agora às vésperas de se tornar bisavô. Imagino quanta alegria não estaria sentindo!

Seu... Filho do Pai !

 

Está bem, está bem, assumo! Afinal, o Dia dos Pais está à porta. 

Vejo meus filhos confabulando e — através do S.M.I. (Serviço Materno de Informações) — sei que estão se quotizando para substituir o meu estimadíssimo par de tênis com apenas uns três ou quatro anos de uso. Vão gastar os tubos... 

Mas com o meu Pai a coisa fica econômica. Ele já se foi há mais de 13 anos. E eu não gosto nada dessa economia. 

Penso como ele estaria se ainda estivesse por aqui.  Mesmo rosto: sorridente, bonachão, a careca rodeada por cabelos bem grisalhos. Mesmo corpo: gorducho, rechonchudo de bom jeito, mantendo a força e a agilidade. Mesma personalidade: imperativo e doce. Parece impossível, mas ele era assim mesmo. 

Estaria trabalhando à toda, inventado, inventando. Ele tinha umas cem patentes, conforme afirmou numa entrevista à TV Globo. Não sei ao certo se nesse número estão ou não incluídas as dezenas de ditas cujas internacionais. Foi um dos poucos brasileiros que conseguiu viver condignamente apenas e tão somente de suas próprias idéias, apesar de copiado, roubado e traído — como de praxe num país de piratas e burocratas. 

Um cara desses só podia ser um fora de série, o que ele era. Isso às vezes tornava a tarefa de filho bastante mais árdua e exigente, pois vá lá ombrear com ele... Ah! Estaríamos agora competindo e nos digladiando por todos os assuntos do mundo, de Filosofia a Futebol e de Asdrúbal a Zoroastro. Ele versus seus quatro filhos mais nove netos. O Velho era uma enciclopédia e todos ganhávamos com isso. 

Está bem, Velho. Se você quer um bom presente, vai aqui então esta lembrança etérea e virtual. Par de tênis, só para nós, meros terráqueos. Beijão, do filho do Pai.



 Escrito por Ordisi Raluz às 10h38
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Vale a pena ler de novo?

Hoje, aniversário de 83 aninhos de Mamãe, trago um texto de 2004 que, então, escrevi em homenagem à ela.

 

Que Merda!

 

Quando um dos meus irmãos ousou pronunciar a palavra merda — em plena mesa de almoço — tomou uns tabefes na boca pela infâmia e foi colocado de castigo em seu quarto por toda a tarde do sábado.

 

Essa foi a educação que recebemos em casa, já lá há umas boas décadas.

 

Um dia, Mamãe estava em minha casa vendo a Maratona conosco, quando aquele irlandês idiota segurou nosso brasileirinho que vinha liderando a corrida, essa barbaridade impronunciável que o mundo viu pela TV.

 

Impronunciável? Juro que ouvi Mamãe falar: — “Que merda esse desgraçado está fazendo”?

 

Putz, fiquei com uma baita vontade de ligar para o meu irmão e avisar que, afinal, aos 81 anos, Mamãe havia soltado a franga...



 Escrito por Ordisi Raluz às 12h10
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Taras & Caras

Confesso

 

Seu Padre. Eu confesso que ontem falei sobre A Janela mas acabei não externando ao mundo o que no íntimo queria contar. A janela que me ia ao coração era outra, uma janela ímpar com visões angelicais que me trazem desejos infernais. A janela não era só a minha, não, mas também a da vizinha de frente. Uma porta balcão que, somente do ângulo em que estou, permite que se veja mais para dentro do dormitório, até o psichê. A safada sabe quando estou lá, tremendo, aguardando. Escancara as cortinas, finge que olha para o céu, protegendo a vista com a mão delicada, mas é só para conferir se a minha cortina está entreaberta. Ela sempre faz isso, eu vou endoidando enquanto era tira o negligé e senta-se na banqueta do toucador. Ela faz que se olha, que se mira no espelho, mas sei que me vigia. Sentada, estica as pernas, como que conferindo a perfeição e harmonia das linhas. Às vezes as encolhe de forma que eu saiba que está pressionando aquela maravilha que a calcinha rendada esconde, e fica assim, mexendo-se de leve na banquetinha. Depois, tira o sutiã e empalma os seios perfeitos, examinando-os de forma tão voluptuosa que não sei se eu o faria melhor. Fico torcendo para que os leve à boca e beije os próprios mamilos. Ela parece saber disso, até que insinua o movimento mas não faz, a desgraçada. Eu me acabando e ela se exibindo. Às tantas se levanta e desfila para o espelho nas pontas dos pés. Eu fervo, endoidado. Aí ela recoloca o negligé, vem para a janela e fecha as cortinas. Que pecado, não é, seu Padre. Seu padre? Onde está o senhor?



 Escrito por Ordisi Raluz às 10h37
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Pensagadas & Paranóias

A Janela

 

Abriu a janela e viu

O jardim florido ao sol

A grama cuidada

O aceno dos vizinhos

 

Abriu a janela e viu

A chuva caindo

Árvores balançando

Nuvens se esgarçando

 

Abriu a janela e viu

A noite imperial

Estrelas ao infinito

Marte vigilante

 

Abriu a janela e viu

A lua nova que não era

Candente estrela cadente

A Luz e Satã, anjos e feras

 

Abriu a janela e viu

A quem há muito não via

A quem não imaginava mais ver

A quem ver tanto queria

 

Abriu a janela e viu

O tempo vagando perdido

O espaço convulso em espasmos

A incerteza ruindo em dúvidas

 

Abriu a janela e viu

Nenhuma janela jamais a abrir

Pensamentos ondulando no éter

Não ter-se a si mesmo, enfim.

 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Abrahi Q Suei Explicado

Currriculum Vitae

 

Eu percebi, pelos elogios, que os leitores estavam creditando a mim a autoria do post de ontem. Ledo engano. Abrahi Q Suei, o famoso calunista soçial do Novas News e d’O Blogo é, há tempos, colaborador deste Blog.

 

Já publicou aqui várias soçiais da blogosfera, além de algumas crônicas. Até uma receita escrevemos juntos. Ele também foi outrora publicado pela revista engrenagem e é de lá que fui buscar seu brilhante curriculum que ora transcrevo para gáudio de vocês.

 

* Nasci no Jardim de Ali, pralá da Taprobana. Cairota da Lagoa, passei a vida atrás da vida boa, que peidou em mim. Sobrou-me espionar à sorrelfa àqueles cujos cavalos sim, sobem escada, mas que eu nego. Debutei no Cruzeiro porém cai no Real, no suor e na merda. Com todo esse aprimoramento, sou capaz de adentrar - disfarçado, travestido ou ao natural - em qualquer aglomerado carnal e fazer dele o maior carnaval.

 

Ele não é incrível? Obrigado, Abrahi, meu amigão.



 Escrito por Ordisi Raluz às 10h50
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Novas News e O Blogo Apresentam

Coluna Socçial do Abrahi Q Suei

Direto do Rio de Janeiro


Incrível a multidão que se aglomerava nos portais de entrada do CopaBacana Palaçe, na última sexta-feira, esperando, ansiosa, para ver os grandes nomes em destaque na blogosfera que convergiam para o tão aguardado evento. Sem falar nas povas penetras da high-soçaite que sempre querem gerar algum ti-ti-ti para aparecer na mídia. Mas hoje não vou citar nenhumézima delas, essas peruas intrometidas.

 

Eu me disfarcei de produtora de moda. Entretanto, desta vez — desgraça total — fui barrado do baile. Nunca ia adivinhar que também colocaram travestis na segurança do CopaBacana. Assim que uma delas deu com minhas unhas vermelhas num pezinho quarenta e três — tão mal depilado, maldita pedicure  as coisas desandaram. E fiquei restrito à calçada da fama, sem poder adentrar aos salões. Vingar-me-ei, saibam disso. Mas aqui vai o meu furo. Ex-furo — é verdade — mas vai de qualquer jeito, que preciso é ganhar a vida, já que cavalo não desce escadas.

 

Taia e Marcelo chegaram numa carruagem dourada, com pontualidade britânica, como é normal aqui no Rio. A chegada foi Pura Magia. A dupla distribuía sorrisos e beijos para a multidão que, encantada com tanta simpatia, retribuía com frenéticos aplausos.

 

Leandro veio com Alba Regina, em seu novo carrão. Deu um cavalo de pau perfeito, encostando a macchina a cinco centímetros da calçada, preparando com perfeição o desembarque triunfal. Albinha sorria, majestosa, atirando confeitos brilhantes ao público, que ululava de prazer, pensado estar colocando as mãos nas Pérolas da Rainha.

 

Rui e Mônica fumavam com calma seus cigarrinhos na calçada. Ela, tranqüilamente, desafiava a imprensa a tentar avacalhar com o famosíssimo "Rabiscos de Uma Vaca Insandecida". Caso achassem motivos, que mugissem. Ou que calassem para sempre. Calaram-se, obviamente, esses mequetrefes obtusos.

 

Com Rui, dono do mais novo Blog da praça, as coisas ficaram mais difíceis, pois tentava explicar à mídia de como alguém havia solicitado traduzir "Let´s Talk About Me" como "Diário de Nós Dois", sob ameaça de greve daquilo. 

 

A chegada de UmZé provocou um grande fuzuê, pois nada de Fullana junto. Questionado, foi reticente sobre o assunto e disse que lá veio para prestigiar o evento e não tecer comentários sobre águas passadas. Mas que voltaria a blogar, ah!, isso em breve voltaria.

 

Surpresa, surpresa. Suzi chega e abafa. Os fotógrafos — vidrados em seu ousado decote — esquecem-se das boas maneiras e são chamados à atenção por Márcia(clarinha) que, sem perder a alegria, e Brincando com Palavras, num sorriso aberto e franco, ameaça colocá-los — à todos — entre parêntesis.

 

A nota dissonante do rega-bofe ficou por conta de Ordisi Raluz que, meio baratinado, após ter-se perdido pelas ruas e avenidas cariocas, declarou à imprensa ser o orador da noite. O silêncio baixou na calçada da fama quando ele ousou nomear a palestra que pensava em dar: — "A influência da mecânica quântica na vida dos pingüins; e vice-versa".

 

Se não fosse Márcia(clarinha) ter voltado para resgatar o paulixta da multidão em fúria — levando-o para dentro — ele teria sido expulso do Rio de Janeiro. A nado.



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pin & Güim em O Comportamento Suspeito

Chefinho Got Back Home

— Pô, Pin, até que enfim!

— Güim, o chefinho afinal apareceu!

— Hummm...

— Humrum...

 

— Olha a cara de felicidade dele, Pin!

— Ele não estava debaixo do edredom...

— ...morrendo de frio, enquanto...

— ...a gente ficava rebolando?

 

— Hummm...

— Por onde será que ele andou?

— Chefinhoooo! Vem cá só um pouquinho?

— Contaí pra gente quiéquié que você fez?



 Escrito por Ordisi Raluz às 11h13
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Pin & Güim em Geladeiras & Congeladores

Frio pra Pingüim

 

— Reparou que só nós estamos trabalhando neste Blog, Güim?

— É mesmo, sô! Por que será, Pin?

— Será por que o pessoal gosta da gente?

— Hummm, sei não, o chefinho que...

— Cadê o chefinho?

— Hummm... Olhaí um bilhete dele. Quiéquié que diz, Pin?

— “Pingüinhos: Brrrrrr! Está fazendo tanto frio, mas tanto frio, que só Pingüim consegue botar o bico para fora. Eu estou debaixo do edredom e daqui não saio. Tratem de rebolar e entreter o pessoal, ok? Até”.
— Pô, chefinho, já estamos rebolando, já estamos rebolando.




 Escrito por Ordisi Raluz às 06h42
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Pin & Güim – Coisas de Hoje em Dia

Paixão de Pingüim

 

— Chuif!!!

— Quiéquié isso? Desde quando Pingüim chora, Pin?

— É a Pinha, Güim.

— Hummm...

 

 

 

— Ela disse que eu não tenho coragem de me declarar pra ela.

— E você gosta dela, Pin?

— Gosto muito, Güim.

— Hummm...

— Hummm???

— E porque você não declara o seu amor?

— É que a amo tanto, tanto, que eu não queria me casar com ela!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pin & Güim - Livros e Legumes

Receitas & Receitas

 

— Quiéquié isso, Pin?

— O livro que o chefinho encomendou, Güim.

— Sobre batatinhas e abobrinhas?

— Não, isso ele não agüenta mais, acho...

 

 

 

— Então ele vai mudar de assunto, Pin?

— Parece, Güim. Precisa variar, né?

— De leguminosas?

— Sei lá...talvez de fetiches?

 

 

— E como se chama o livro?

— Kama Sutra.

— Hummm...Quiéquié isso, Pin? Culinária?

— Com certeza, Güim. É só nisso que ele pensa, pô!



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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Pin & Güim em Calor Sexual

Fetiche de Pingüim

 

 

— Li sobre uns fetiches no Blog do Cristiano, Pin!

— É, eu li também, Güim!

— Quiéquié que você achou, Pin?

— Hummm...

 

— Diz aí, bobo!

— Morri de rir, Güim. Nadica perto do meu!

— Quá, Pin! Confessa aí, pô!

— Se ele soubesse como é bom trepar na geladeira...



 Escrito por Ordisi Raluz às 23h00
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